22 ANOS E JÁ IMPERADOR!

»Públicado por em jul 24, 2014 | 15 comentários

 

EXCLUSIVÍSSIMA!

O nome Roobertchay Domingues da Rocha Filho, filho do seu Roobertchay e da dona Herica, lhe diz alguma coisa? Muito, né? Principalmente nas últimas duas semanas! Como assim? Você ainda não ligou o nome à pessoa? Ele é, simplesmente, Chay Suede, o ator que encantou o Brasil, como José Alfredo, na primeira fase de IMPÉRIO, e que se despede da trama hoje, com a passagem de tempo para os dias atuais. Aos 22 anos, com “quase quatro” de carreira, este capixaba subiu o Monte Roraima, mostrou a que veio e venceu. Bombando no trending topics, vivendo agora a maratona de participar de todos os programas da Globo, prestes a gravar cinco composições suas em um EP (extended play, espécie de CD com poucas músicas), mesmo assim o galã mantém a serenidade. E explica: “A ficha ainda está caindo”. Simpático, muito articulado e maduro para sua idade, Chay conta como está feliz em estrear numa novela das nove da Globo num texto de seu autor favorito, Aguinaldo Silva. E detalhe, meninas: está solteiríssimo – depois de longos namoros, com as atrizes Sophia Abrahão e Manu Gavassi. E, ainda por cima, é um romântico inveterado. Precisa mais?

entrevista: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício e Divulgação/Globo

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Acha que seu personagem, que veio sofrido do Nordeste para o Rio, perdeu o grande amor e virou um homem rico para mostrar a Eliane (Vanessa Giácomo) e Cora (Marjorie Estiano) que não era um ‘Zé Ninguém’, como ele mesmo disse?

A motivação dele passa longe de uma vingança. Zé não ostenta dinheiro, e sim poder. Poder de decisão, de mudar as coisas. O início de sua trajetória não passa perto dessa história de causar inveja. Quando decide que vai para o garimpo com Sebastião (Reginaldo Faria) é para tudo, custe o que custar, doa a quem doer.

Mas no início da trama, ele não parece um homem ambicioso, tanto que tenta vários trabalhos…

A vida tomou outro rumo. O destino o levou a mostrar o que tinha latente. Ele só pensa no início e no objetivo final. Vale tudo, no meio, para alcançar o que quer.

No amor, ele preferiu fugir, não ter um confronto com o irmão.

A forma mais digna que o Zé encontrou foi escrevendo a carta, contando tudo para Evaldo (Thiago Martins). Preferiu assim para que o irmão não se sentisse diminuído. Meu personagem queria viver seu amor longe dos olhos do Evaldo, mas disposto a colher todas as consequências, já que a saída encontrada foi a fuga. Quando o Zé perde o sentido da vida, que é o amor por aquela mulher, ele preenche esse vazio com uma determinação, com a ambição.

Eliane vai ser sempre o único amor dele. A relação com Maria Marta (Adriana Birolli) passa longe daquele romantismo todo…

A relação com Marta é de tesão um pelo outro, tesão pelo perigo, pelo dinheiro, pelo risco que tudo isso traz. A cena do pedido de casamento é muito mais um trato do que uma declaração afetiva. Tanto que depois é ele quem escolhe quantos filhos quer ter, os nomes deles e o da joalheria. Eles mantêm um pacto interessante aos dois, naquele momento.

Um tipo que tinha tudo para ser desprezado, mas é visto como um self made man.

Ele se auto-absolve. Tudo que conquistou foi com muita coragem. Só Zé Alfredo sabe quanto custou passar por aquilo, pensando que se o mundo não lhe deu nada, então, tinha que tomar.

Qual a sensação de estrear como protagonista na primeira fase de uma novela das nove na Globo?

Foi um conjunto de bênçãos! Uma novela das nove, do meu autor favorito – desde pequeno sempre gostei das histórias do Aguinaldo, dos personagens grandiosos, e várias vi em reprises -, a felicidade do teste ser para este personagem, a direção de núcleo do Papinha (Rogério Gomes), que é maravilhoso… Nossa!  Minhas melhores expectativas foram superadas!

E ver seu nome bombando nas redes sociais, e o assédio do público? Como está se sentindo?

Está caindo a ficha, ainda não assimilei todas as informações (risos). Até porque estou pensando muito no conjunto, na novela como um todo.

O que achei interessante é que você, sendo um rapaz bonito, foi primeiramente elogiado pelo seu trabalho e, depois, pela estética. Difícil nos dias de hoje…

Foi muito bom meu personagem ter sido bem aceito. E mudou tudo, tão de repente! Um assédio muito grande, todos se aproximando com carinho, falando sobre o Zé, dando toques de como ele deveria agir, elogiando. E, como você disse, foi o oposto: gostaram do meu trabalho primeiro. Isso é grande!

 

Um tímido que se descobriu

na música e na atuação.

Você vai gravar um EP, com cinco canções, e uma delas conta com a participação do Alexandre Nero, que também é cantor e instrumentista. Como foi esse encontro musical dos Zés?

Eu toco violão, desde os 16 anos, e também gaita, guitarra, contrabaixo… E o Nero toca banjo. Um dia, a gente estava esperando a gravação, e eu mostrei a ele uma composição na qual falo da trajetória do personagem, chama-se Falso Brilhante – que seria o nome da novela. Foi assim, cheguei pro Nero e falei: ‘Olha a música que compus pro nosso Zé’. Ele adorou, e disse: ‘O Papinha tem que ouvir’. Ouviu e adorou também. Foi muito especial. Pensei que poderia ser usada na novela, mas não sei ainda há tempo…

Você sempre gostou de cantar?

Comecei com 17 anos. Eu era muito tímido, e meu pai praticamente me forçou a participar do Ídolos, em 2010 (concurso de novos talentos, na Record). Ele achava que eu tinha potencial artístico mesmo sem saber, e investia sua vibração positiva, me impulsionava. Nós estávamos no Rio (eles moravam em Vitória) e era o último dia da inscrição para o programa. Forçado, me inscrevi. Fui passando por todas as fases, e acabei ficando em quarto lugar. Nem imaginava…

Então, seu sonho era ser ator?

Nada! Como lhe falei, eu era muito tímido, jamais achei que fosse capaz disso. Eu tinha passado para a faculdade de cinema, no Espírito Santo, queria fazer roteiros, trabalhar atrás das câmeras. E a Record me convidou pra fazer Rebelde (2011), mas rejeitei a proposta. Eles insistiram, e eu sempre rejeitava. Aí, conversaram com a minha família. Quando dei por conta já estava na novela. Completamente cru, no meu canto, quietinho. Até que fui me soltando, tomando gosto por atuar,  passei a querer fazer as cenas cada vez melhor, e fui ganhando umas ótimas da autora (Margareth Boury). A novela durou dois anos. Depois, fiz um longa, a apresentação de um programa na MTV (Hora do Chay), outro longa, e cada dia era uma descoberta nova. Foi aí que eu vi: ‘O negócio é sério, não é só curtir o que estou fazendo. Preciso ter um compromisso com essa parada’.

E o compromisso vai longe: você vai estar em Babilônia, novela de Gilberto Braga, no ano que vem, não é?

Eu ouvi sobre isso, conversei com o Dennis (Carvalho, diretor de núcleo), mas ainda não bateram o martelo. Se for verdade, vai ser mágico. Imagina começando com Aguinaldo Silva e Gilberto Braga!

 

‘Os valores estão invertidos. As coisas

são descartáveis ou fora da ordem’

 

E a timidez continua?

Nada, agora sou sem-vergonha, quer dizer, perdi a vergonha de me apresentar em público, cantar, essas coisas…

Eu entendi (risos). Mesmo assim, você tem jeito de quem prefere um programa mais tranquilo quando não está gravando. É isso mesmo?

É, sim. Sou muito caseiro.Gosto de festa, mas em casa, com os amigos, um churrasco… E não é em todo lugar que toca música que gosto de ouvir. Então, prefiro algo mais tranquilo, mesmo. Adoro ir ao teatro e ao cinema.

Que tipo de filmes?

Latino-americanos. Bom, os americanos também. Gosto muito dos dramáticos, e das comédias bem feitas. Não aquelas bobas. Acho importante ter esse lado cultural, não ver apenas como entretenimento.

Você é bem maduro para sua idade. Como vê os jovens hoje?

Os valores estão invertidos. As coisas são descartáveis ou fora da ordem. Ter um corpo sarado é muito mais importante do que qualquer coisa. E quando isso se torna prioridade, vemos que há algo de errado.

Acha que é assim também na música que estão ouvindo?

Eu gosto de boa música e de variedade. Ou seja, é preciso ter opções para fazer escolhas. Ouço MPB, samba, folk, guitarrada, música regional de vários lugares do Brasil. Sou bem eclético.

E suas composições?

São numa linha mais de rock rural, entre o brega e o romântico.

Esse estilo ainda sofre preconceito?

Não sei, mas faço o que gosto, o que acredito, o que fala ao meu coração.

E o que o seu coração está falando agora?

(risos) Que estou vivendo o momento mais feliz da minha vida!

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O ‘IMPÉRIO” RECOMEÇA!

»Públicado por em jul 22, 2014 | 46 comentários

 

Nesta quinta-feira, já no presente, José Alfredo, junto com Maria Marta e seus filhos adultos, dá uma grande festa para comemorar o aniversário do seu ”Império” , hoje uma poderosa rede de joalherias com filiais nas principais capitais do mundo. A festa acontece num momento de crise, quando o patriarca da família é pressionado pela mulher para escolher, dentre os três herdeiros, aquele que vai ocupar o lugar dele à frente dos negócios. Marta tem o seu favorito, José Alfredo tem o dele… Mas há um terceiro filho correndo por fora na luta para ver quem fica com a coroa: quem será o novo Imperador? Aguarde o desenrolar dos próximos capítulos.

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UM PRESENTINHO PRA VOCÊS

O vídeo da Carla Bruni cantando a música em francês que é o tema de Chay Suede e Adriana Birolli em “Império”

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O DISCURSO DO REI

 

Quem prestar atenção aos diálogos de “Império” e entender do assunto vai perceber que sou obcecado pela precisão do texto. Nas minhas novelas não pode ter cena de “conversa mole”, de encheção de linguiça. A cada frase pronunciada por um personagem a história tem que dar um passo… E sempre adiante. Isso dá à novela uma sensação de fluidez que faz a minha delícia e também faz – eu creio – a delícia dos telespectadores. Minhas histórias caminham sempre rumo ao futuro, nas minhas novelas não existe o hábito de andar para os lados. Mas atingir essa precisão, e a consequente fluidez, não é fácil. Vou dar um exemplo baseado no capítulo que foi ar hoje. Tem uma cena que justifica o título da novela: é aquela em que José Alfredo ao descobrir que Maria Marta está esperando um filho dele, diz a ela que vai criar o seu próprio reino. Ele faz um verdadeiro discurso, no fim do qual a pede em casamento – quer dizer, pede que em seu futuro reino ela seja sua rainha… E ela aceita. Esta cena, acreditem se quiserem, teve nove versões, até que eu considerasse pronta e acabada… E mesmo assim, antes de entregar o capítulo à produção, eu ainda fiz mais alguns ajustes. Hoje, ao ver a cena magnificamente interpretada por Chay Suede e Adriana Birolli, vi que meu esforço ao reescrevê-la e reescrevê-la até realmente chegar onde eu queria… Sim, valeu a pena.

Leiam abaixo o discurso do rei…

 

                         Você está certa, não sou um homem fino. Não tive berço nem educação, sou só um contrabandista. Mas não pense que vou ser só isso pro resto da vida. Quero que me olhem, me admirem, me respeitem, e saibam que eu valho mais que todos os diamantes da Terra, que não sou apenas  um Zé Ninguém que deu sorte na vida. Quero que me tratem como eu mereço – como um rei!

                         Eu sei, vou ter que subir muitas vezes naquele monte e trazer de lá todos os diamantes que puder até juntar dinheiro bastante pra conseguir isso. Mas não duvide do que vou lhe dizer agora.

                          Eu quero construir um reino! E logo você, uma paulista quatrocentona cheia de sobrenomes, diz que tá esperando um filho meu? Esse filho pode ser o meu herdeiro! O futuro dono do meu reino! Pra isso a mãe dele tinha que ser uma Rainha feito você, por isso eu te pergunto: Maria Marta de Mendonça e Albuquerque, quer casar comigo?

…E a resposta de sua futura rainha:

Não tenho a menor duvida que você terá seu reino. Prometo que te ajudarei chegar lá, e prometo mais ainda: eu te darei outros herdeiros.

 

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QUEM É QUEM NO IMPÉRIO

»Públicado por em jul 21, 2014 | 42 comentários

 

ETERNAMENTE GRATO!

A vocês todos, que me prestigiam aqui neste nosso espaço e dão força para que eu continue dando tudo de mim e fazendo o melhor possível o meu trabalho. Hoje vou dormir em paz, pois tenho plena consciência do dever cumprido. A vocês todos, meus amigos aqui do blog: obrigado, obrigado, obrigado (Aguinaldo Silva)

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(fonte: divulgação TV Globo)

 

 

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“IMPÉRIO” FAZ A FESTA

»Públicado por em jul 20, 2014 | 17 comentários

Um IMPÉRIO de luxo, glamour, gente bonita, comidinhas deliciosas e muita animação. A festa de lançamento da próxima novela das nove, da Globo, com estreia nesta segunda, abarrotou o salão nobre do Jockey Club, no Rio, ontem, a partir das 20h30. Centenas de famosos de todas as áreas – Narcisa Tamborindeguy, Regina Rique; o bailairino Thiago Soares, do Royal Ballet House; José Hugo Celidônio; o carnavalesco Paulo Barros; os cineastas Raul Guterres e Bruno Barreto; e a atriz Denise Dumont, radicada em Nova York; entre outros – estiveram presentes ao evento, e adoraram o que viram. Paulo Betti, um dos primeiros a chegar foi logo cercado pelos jornalistas para contar detalhes do seu virulento Teo. Mas foi a entrada triunfal do dono da festa, Aguinaldo Silva, que abalou as estruturas. O autor já não sabia para onde olhava, falou sem parar com a imprensa, e contou com os colaboradores da novela para ficarem em sua volta, dando a chance de ele poder comer alguma coisa.

reportagem de Simone Magalhães

fotos de Fco. Patrício

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Noite é noite. E badalação como essa pede produção. É claro que o preto imperou no evento. Mas o vermelho arrasou nos vestidos de Marina Ruy Barbosa – eleita, pela maioria dos convidados, à boca miúda, como a mais bonita da noite. Ah, e sempre acompanhada do príncipe consorte Klebber Toledo, também chiquérrimo -, Josie Pessôa e Júlia Fajardo também mostraram que inverno pode pedir  cores fortes. Júlia estava felicíssima, ao lado do pai, José Mayer. “Achei ótimo ele fazer um personagem homossexual, e poder mudar a imagem que a maioria do público tem dele, é  um tipo muito rico em possibilidades”, observou ela, que será Helena, amiga número 1 da vilã Maria Marta (Lília Cabral).

E por falar em Lília, ela desfilou, ao lado do marido Iwan Figueiredo, num vestido preto deslumbrante, com brilhos no ponto certo. Pena que estava quase sem voz. Mesmo assim deu entrevistas a quem pedia. E tocando na história dos brilhos, quem chamou atenção num modelito sensual todo prata foi Cris Vianna. Já Adriana Birolli investiu novamente num longo branco, com fenda, como aquele com que  fez sucesso na coletiva de imprensa da novela. “Não posso dizer que seja minha cor preferida, mas, com certeza, é a mais pura e energética, principalmente para momentos especiais como esse, e foi feito especialmente pela estilista Lethicia Bronstein pra a festa”, contou a bela.

Fugindo do trivial, Andréia Horta apostou num justo, nas cores coral e preto, Viviane Araújo na estampa de onça, Suzy Rêgo num longo sobretudo de couro caramelo. Mas foi o Comendador Alexandre Nero quem sobressaiu no quesito surpresa: estava de terno – com colete, gravata e tudo mais – num tom ferrugem, com sapatos marrons. “Tô bonito?”, brincava ele, com os fotógrafos que não paravam de clicá-lo.

Na linha dos discretos, os jovens deixaram as moças babando com seus ternos escuros: Klebber, Joaquim Lopes, Daniel Rocha e Romulo Neto eram os mais pedidos para selfies com fãs seletos no Jockey. Rafael Cardoso, de marrom, levou a mulher, Mariana, que mostrou que grávida – de 7 meses – também pode arrasar num vestido ouro velho. Mas há sempre os casuais, que preferem conforto, como Tato Gabus, que lançou mão de um suéter azul, e Paulo Vilhena, de camiseta branca. Por falar no ator, ele fez um corte de cabelo à la prisão para seu personagem, o detento Domingos Salvador. “Mas estou pensando em cortar mais ainda”, comentou, acrescentando que está empolgado e estudando muito para interpretar um pintor esquizofrênico.

Mas teve discrição no lado feminino também. Muitas atrizes optaram pelos tons de creme. Regina Duarte, com um modelo bordado, era a felicidade em pessoa: posou com todos que pediram, achou a festa linda, e conversou horas a fio com Aguinaldo Silva. “Está tudo tão bonito. A vida é bonita e precisamos fazer dela o melhor que pudermos”, filosofou a atriz, que fará uma participação especial em Império. Nanda Costa deixou uma nesga da barriga (ou melhor, da não-barriga) de fora;  Leticia Birkheuer, com um acompanhante de suscitar suspiros do mulherio em volta; e Leandra Leal, num modelo justinho, também abusaram do bege claro, creme ou nude, como preferirem.

Muita gente circulando, comendo, bebendo – isso eu conto já já – e quietinha na hora em que foi exibido o vídeo da trama. Quem ainda não tinha visto ficou admirado, quem reviu teve a certeza de que vai ser sucesso certo.

 

COMIDA, BEBIDA

E DISCO MUSIC

 

A primeira impressão ao entrar no salão era a lindíssima decoração, com imensos arranjos com rosas chá, orquídeas, flores em tons pastéis, e pequenos arbustos espalhados pelas laterais, além de lustres e candelabros iluminados com velas. Sem falar na exposição de cópias de joias em redomas de vidros no centro do salão, remetendo às peças desenhadas por Maria Clara (Andréia Horta) e às pedras que trouxeram a riqueza aos Medeiros. A média luz (nossa, parece bolero…), em tom lilás, e a música instrumental não muito alta foram perfeitas para imprensa nacional e internacional registrarem a maior parte do elenco que esteve por lá.

O quesito comes e bebes foi um primor. Ninguém precisava esperar pelos garçons: por todo o salão havia mesas e espaços reservados a gostosuras e bartenders (um amigo, dono de uma agência de publicidade, me disse que dava pra reunir facilmente essas duas últimas palavras…). Além da Chandon correr solta, os convidados podiam escolher drinques feitos especialmente para a festa.

No cardápio, o Império (vodca com cereja amarena, xarope de açúcar, limão siciliano e club soda)  era o mais solicitado. Algumas dúvidas entre o Pedra Preciosa, Talismã, Monte Roraima, Trama e Diamante. Mas a perdição mesmo era o menu. Canapés, camarões com creme, pequenas delícias japonesas e brasileiras… Com esforço os convidados podiam manter a linha dieta. Mas o raviolle com mussarela de búfala, nozes e molho pomodoro; o picadinho de carne, com mini batatas souté e farofa; e o salmão grelhado eram um apelo sem possibilidade de rejeição.

Para onde se olhasse havia mesas com essas iguarias. Paulo Betti, feliz da vida com o seu Teo, não tinha qualquer problema em falar sobre personagem entre uma garfada e outra. Fez sua própria junção: comeu e repetiu o salmão… com farofa. “Tá bom isso!”, observou o ator, no meio da conversa.

 Já Rui Vilhena, autor da próxima trama das 18h, Boogie Ooggie, não resistiu à mesa de doces – aliás, assim que ela foi montada num canto estratégico, entre o meio do salão e a varanda lotada, acho que todas as dietas e detoxis foram por açúcar abaixo. As tarteletes estavam um escândalo! Sem falar nas bombinhas de creme, e brownie de nozes, entre outros.

Mas houve um stop para quem não quisesse incrementar mais suas gordices: o DJ abriu os trabalhos, lá pelas 23h, com Dancing Queen, do ABBA, e os mais animados correram para a pista – assim como essa que vos escreve. A seleção musical era seventy total, irresistível. Barry White e Gloria Gaynor encheram a pista. Mas teve também quem ficasse no entorno, só olhando as imitações de Travoltas ou curtindo seu próprio par. Bonito ver Jonas Torres e a esposa, Danielle, olhos nos olhos, complementados por selinhos, de vez em quando.

Só que a meia-noite foi chegando, e como o dono da festa acorda às 5h30, ele despediu-se de todos, ainda acabou sendo atingido como  alvo de mais dezenas de selfies, e foi pra casa sonhar com a estreia de segunda-feira. Detalhe: com a abertura ao som de nada menos do que  Lucy In The Sky With Diamonds.

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A GRANDE NOITE DO “IMPÉRIO”

 

Simone Magalhães já disse tudo com sua precisão habitual. As fotos de Fco. Patrício – serão dezenas em uma galeria que publicaremos aqui embaixo daqui a pouco – também falam por si mesmas. Mas eu precisava dar minha visão pessoal da festa… E ela é a seguinte: em quatorze novelas que escrevi, nunca tinha sentido uma vibração tão positiva. Na festa, em que trabalhei como é de praxe – dando dezenas de entrevistas, conversando com os atores que aproveitaram a ocasião para me fazer perguntas sobre os seus personagens, e (novidade) me submetendo ao ritual de fazer muitas, muitíssimas selfies, senti por toda parte a alegria, a confiança e a certeza dos que participam da novela: vamos fazer bonito, e estamos dando tudo de nós para isso para que isso aconteça.

Sabemos que há uma expectativa muito grande por conta de “Império” e tudo faremos para não frustrá-la. E a única maneira de fazê-lo é atráves do nosso trabalho. O que nós queremos? Dar alegria aos 40 milhões de telespectadores do horário das nove da televisão brasileira, e não mediremos esforços para isso. Confio que chegaremos lá, e ainda mais confio em Rogério Gomes, meu diretor de núcleo, que está “morando” no Projac, disposto a produzir junto comigo e toda a nossa equipe, o melhor dos nossos trabalhos.

E agora o detalhe fútil, só pra justificar as fotos abaixo. Na festa de uma novela cuja trama central se passa numa cadeia mundial de joalherias, e que tem como tema musical nada menos que “Lucy in the sky with Diamonds”, dos Beatles, é de praxe que se tire do cofre e se exiba nossas joias. Eu fiz isso – pesquei várias no cofre do banco e tratei de usá-las. Nas fotos abaixo estão algumas. A essa altura todas já voltaram a dormir na segurança do banco, mas antes fiz as fotos. Adoro jóias, assim como adoro sapatos – os que usei na festa são da Mikels Shoes, minha grife portuguesa. A caveirinha de diamantes, que usei pendurada no pescoço, é para lembrar à minha tola vaidade que eles – os diamantes – são eternos, mas os autores de novelas não - a eles pode parecer impossível, mas se não se cuidarem também fenecem e morrem. (Agonildo Salva)

E para quem ainda não viu: aí embaixo está o link da chamada de elenco da novela, já com a música dos Beatles:

http://t.co/2a9Lsxrj8Q

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É A ANSIEDADE, ESTÚPIDO!

»Públicado por em jul 18, 2014 | 17 comentários

 

Três horas da manhã. Um vento sinistro que sopra do mar faz as janelas do meu quarto estremecerem de vez em quando. Numa dessas estremecidas eu acordo num susto… E me vem a sensação de que, ao interromper meu trabalho para o descanso noturno, esqueci nele alguma coisa. O que seria?

(fotos: Fco. Patrício)

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Não adianta, não vou dormir mais até descobrir o que é. Por isso me levanto, visto um trapo qualquer, vou para o escritório, ligo o computador e, enquanto espero – e as janelas continuam a estremecer com o vento -, me lembro de uma frase icônica de “Chuva”, a adaptação para o teatro de um conto de Somerset Maughan:

“Meu Deus, reverendo Davidson… E esta chuva que não passa!”

Esta frase, dita numa das montagens da peça por Dulcina de Moraes, que além de grande atriz era uma mulher-viada, tornou-se icônica entre os gays durante décadas. Lembro-me de um professor de música lá do Recife, Samuel Kreimer, também conhecido como Sally Langor, a pronunciá-la após meia dúzia de chopes como se fosse a própria… E a repito pra mim mesmo, nesta madrugada em que uma frente fria se aproxima do Rio: “meu Deus, reverendo Davidson… E esta chuva que não passa!”

E aí me lembro do que havia esquecido na escaleta: “o banho de espuma da Birolli!”

 

 

Abro imediatamente a escaleta 00X (não digo o número nem morto, ou a produção me pede todas!) e trato de acrescentar a cena. Adriana Birolli, que no passado de “Império” é a Maria Marta vivida por Lília Cabral, no presente é Amanda, a sobrinha desta, enviada para um doce exílio em Londres pelo comendador José Alfredo Medeiros (Alexandre Nero) por causa de um romance, que ele decretou proibido, com o primo João Pedro (Caio Blat). Anos depois ela volta, trazida pela tia, para separar o filhinho preferido dela de sua atual mulher, Danielle (Maria Ribeiro).

Durante o exílio em Londres Amanda tratou de estudar e arranjar uma profissão… E se tornou designer de sapatos. Se ela vai usar alguma griffe na novela? Sim, vai usar Mikels Shoes, é claro. Mas isso não vem ao caso.

O que eu queria dizer é que uma novela é escrita assim: com um minimo de ordem, mas, principalmente, à base de muitos sustos. Depois de escrever tantas, já sei que muitas outras vezes, enquanto “Império” estiver no ar, acordarei no meio da noite com esta sensação horrível de que, meu Deus, reverendo Davidson, eu esqueci de alguma coisa!

Se eu voltei a dormir depois de encher o cenário de velas perfumadas e deixar a Birolli mergulhada na espuma? Claro que não! A essa altura já eram mais de 4h da matina. Eu ia acordar às 5h30m, mesmo… Fiquei zanzando pela casa, fui parar diante da geladeira, e aí me lembrei de outra cena icônica: Bette Davis, a Margo Channing de “A Malvada”, tentando decidir se come ou não um bombom de chocolate enquanto discute com o marido sobre sua própria decadência física.

Na cena Bette come o bombom é claro… E ao lembrar disso abri a geladeira disposto eu mesmo a fazer alguma extravagância. Tinha lá umas sobras do jantar de dois dias atrás – carne de sol ao molho de ferrugem e batatas cozidas. Não fiz por menos – esquentei na geladeira e bati tudo… E só depois de raspar a travessa é que  lembrei do… “meu Deus, reverendo Davidson, o meu regime!” E aí corri pro banheiro e, com perdão da má palavra, chamei o Raulllll e rejeitei tudo.

(Téo Pereira quereeedo, aprenda de uma vez por todas… Isso sim, é uma confissão intima!)

Depois de tomar um banho, me encher de cremes e me perfumar todo – eram 5h – criei coragem e fui me pesar (de novo): ontem à noite eu estava com 83,8 quilos e agora estou com… 83,5! Depois de todo esse blablablá inútil perdi 300 gramas. “E esses 82 quilos que não chegam, reverendo Davidson!”

Sim, Dulcina, Bette queridas, 82 quilos: este é o peso a que preciso chegar até amanhã às 20h30m, ou a calça tamanho piu-piu do Armani que pretendo usar na festa de lançamento de “Império” fará um papo digno do boneco da Michelin na minha cintura. Ainda falta um quilo e meio pra desembarcar lá! Será que consigo? Se não almoçar nem jantar hoje, se só consumir líquidos durante o dia de amanhã, e se tomar um diurético, talvez esteja com os tais 82 quilos à noite… E mais talvez ainda esteja vivo.

Aí a Marília Gabriela me liga e exige: “resuma tudo isso que você escreveu numa palavra só!” E eu obedeço: “ansiedade”!!!!!

(Quem vê cara não vê coração… E muito menos vê tripas)

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LÁGRIMAS DE CROCODILA

»Públicado por em jul 17, 2014 | 3 comentários

A FRASE DO DIA

“Dizem que dinheiro não traz felicidade, eu sei. Mas é melhor chorar no assento de couro cheiro cheiroso de um Jaguar do que num banco duro de plástico de um ônibus da linha Caxias-Seropédica”

(Maria Marta, em “Império)

 

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HERÓI, VILÃO… O QUÊ?

»Públicado por em jul 14, 2014 | 7 comentários

Tchan tchan tchan tchan: quem é Ismael? Apenas um humilde catador de lixo? Um homem ardiloso, que usa a esposa, Lorraine (Dani Barros), para seus maus feitos? Um sofredor que vive das bolsas beneficentes do Governo? Ou um grande espertalhão? A resposta segue na linha do Caetano: Ismael, interpretado por Jonas Torres (o meu, o seu, o nosso Bacana, de Armação Ilimitada 1985 a 1988), pode ser tudo ou nada disso em IMPÉRIO, novela das nove que estreia no próximo dia 21. Aos 39 anos, Jonas volta à Rede Globo, depois de um longo período perambulando pelo mundo, e chega arrebentando na interpretação do “profissional da reciclagem”, como define o autor Aguinaldo Silva. “Ele é dúbio, misterioso. Todo mundo tem várias facetas, e para uma novela isso é maravilhoso. É um personagem riquíssimo”, explica Jonas. Mas, meu reencontro com esse catador de lixo e reciclador de latinhas, depois de conhecê-lo quando era pequenininho, foi emocionante. Vou contar tim-tim por Tim-Tim.

entrevista: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

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PARTE 1

Marcamos a entrevista para às 10h, à beira da piscina de um hotel, na Barra. Muito tempo longe daqui, ele chegou a ficar confuso com o endereço, mas expliquei direitinho. Jonas pediu que fosse cedo (“sou madrugador”) porque tinha ponte-aérea, no início da tarde ele e a família moram em Bertioga, litoral de SP. Só que o ator estava vindo de Pindamonhangaba (inteiror de SP), onde havia encontrado um amigo, professor de jiu-jitsu, com quem pretende abrir uma academia, no Rio. A chuva fina começou a cair, e os torpedos de Jonas a pipocar no meu telefone. Engarrafamento total da Rodoviária Novo Rio até a Barra. Veio a ansiedade: Será que vai dar tempo para a entrevista? Mas, ufa!, às 11h15, ele chegou. Casacão de neve, uma mochila e uma bolsa pesadas, correndo e pedindo mil desculpas. Conseguimos algumas fotos ao ar livre, antes da chuvarada. Preocupado, o fotógrafo Fco Patrício pediu logo um lachinho. Mate, Coca-Cola, queijo quente e porções de pães de queijo. E vamos à entrevista!

PARTE 2

A felicidade por voltar a uma novela, principalmente no horário nobre, faz Jonas Torres manter o sorrisão. E o mistério envolvendo o Ismael é um componente a mais: “Vou dançando conforme a música. Até pra não entregar o ouro. Se você interiorizar algo, isso passa de alguma forma até pela linguagem corporal. Se eu estiver acreditando, as pessoas também vão crer. Só sei que ele é homem dúbio, que leva uma vida dura. Não acho que seja mau, mas não segue uma ética 100%.” Além de arrastar seu pesado carrinho de lixo e latas, Ismael sofre por não ter conseguido sua aposentadoria, já que ficou com um dos braços lesionados, mas não pagava sua autonomia à Previdência. Nada que uma cachacinha não faça esquecer por algum tempo. Toda essa situação vai endurecendo ainda mais o personagem, que defino como um oportunista”, observa. Mas ele vai ter um carta na manga: Lorraine roubará um anel carrísimo, no lançamento da coleção de Maria Clara (Andréia Horta), e terá que engoli-lo para passar pela blitz da polícia. Ismael vai fingir que encontrou a peça, a devolverá e ganhará o rótulo de herói. E aí? “Acho que ele vai aproveitar esses 15 minutos de fama. Se for por mais tempo será ótimo pra ele (risos). Mas, pensando bem, talvez conte a verdade. O que será que o Aguinaldo tem em mente, gente?”, questiona, animadíssimo.

PARTE 3

Oportunismo é a maneira que Ismael encontra para ganhar as benesses do Governo: vive separado da mulher, mas sem se divorciar para não perder o auxílio financeiro. E quando Lorraine vê o irmão morrer atropelado por José Pedro (Caio Blat), na estrada, Ismael dá a maior força pra ela extorquir dinheiro dos Medeiros. “Isso tudo é muito louco. Morei nos Estados Unidos e quando precisei de benefício do Governo tinha que mostrar toda semana que estava procurando emprego, e aceitar, mesmo que não tivesse nada a ver comigo, a colocação que encontravam pra mim. Lá, ensinam a pescar: nada de dar o peixe. Quanto a Lorraine, ele ainda gosta dela, mas é uma relação complicada. Depois, Ismael acaba caindo em si, fala que o cunhado estava completamente bêbado quando atravessou a estrada, e ela deixa de explorar a família. Por isso, que eu te digo: ele é dúbio”.

PARTE 3

O frio e a chuva aumentam, mas Jonas Torres está tão empolgado que se recusa a colocar o casaco. Já passa de 12h. Daqui a pouco temos que levá-lo ao aeroporto. Ele vai encontrar a esposa, a fotógrafa Daniele, a filha, Nina, de 4 anos, e o enteado, Pedro, de 11. “Tenho ficado na ponte-aéra para as gravações da novela. Mas achei um lugar maravilhoso para morar. Bertioga tem mar e verde, sem violência, com uma ótima qualidade de vida”, afirma o carioca, que já morou nos Estados Unidos. “Minha mãe, Maria Inês, separou-se do meu pai, o americano Michael Raible, comigo ainda na barriga. Ela acabou namorando e casando-se com o (falecido) ator e diretor Fábio Junqueira, a quem considero meu pai. Dois anos depois, nasceu meu irmão, (o ator) Caio Junqueira. Até que um dia, minha professora chamou várias crianças para o teste do filme Bar Esperança, O Último que Fecha. Eu passei e fui fazer o Yuri, filho da Marília Pêra e Hugo Carvana. Nunca tinha pensado em ser ator, mas fui curtindo: era uma brincadeira que eu levava a sério”. Depois veio o Zeca, de Vereda Tropical, e, finalmente, o papel que marcou mais sua carreira: o Bacana, da minissérie Armação Ilimitada. Você se ressente de ainda ser chamado pelo apelido do personagem? “Teve um tempo que sim, mas agora não. Lembro que o assédio era muito grande, eu ficava constrangido quando juntava gente em torno de mim. E eram só autógrafos, não tinham esses celulares (risos). Mas acho que Armação durou o tempo certo, aposentou-se no auge. Talvez as pessoas se interessassem pelo Bacana porque era um menino dizendo certas piadas que não entendia, era o meu olhar como criança, um certa ingenuidade. Isso dava resultados interessantes. Aprendi a amar a profissão por me divertir tanto com ela”.

 

 

PARTE 4

O fotógrafo Fco Patrício lembra que já são 12h30, e até chegar ao aeroporto Santos Dumont temos muito chão e chuva pela frente. Empolgada com a emoção de Jonas ao contar sua trajetória, pedi mais uns minutinhos. Pra fechar sua experiência como ator no Brasil. “Fiz participação em Top Model, em Vamp e, no teatro, Capitães de Areia, sob direção do Roberto Bomtempo. Rodamos o Brasil inteiro, fomos a Portugal. Mas, em 1994, como tinha dupla cidadania, resolvi ser voluntário no serviço militar americano. Era o momento de descobrir minhas coisas, o passado que não vivi. Meu pai e meu avô materno foram pilotos. Vovô foi herói na Segunda Guerra! Foi muito interessante o convívio a família de lá. Passei três anos e meio na Brigada de Paraquedista. Mas aquela imagem glamourosa vem dos filmes (risos). Passava 7,8 meses treinando e muito pouco tempo em casa. Deixei tudo e fui fazer pesca comercial no Alasca, pegar bachalhau e linguado”. Nossa, você é um aventureiro! ” Tinha um lado que pedia isso, e outro com saudade de atuar. Tentei equilibrar durante muito tempo, mas agora quero me dedicar integralmente à carreira de ator”.

PARTE 5

Levantamos acampamento da piscina do hotel, e fomos para o carro. Impossível não continuar aquela conversa com Jonas. Gravador a postos, sentei no banco de trás com ele, que vinha admirando a Avenida Niemeyer, mas com uma certa melancolia. Já não era o Rio de Janeiro da sua infância e adolescência. “Depois de seis meses no Alasca, vim ao Rio, fiz a temporada 1998/99 e Malhação, e voltei para os EUA. Tirei brevê, me profisionalizei como piloto, dei instrução de voo, durante dois anos, na Flórida. Aí, tive um acidente, por problemas técnicos, com um monomotor, em Las Vegas, e resolvi fazer curso de mecânica de aeronaves, passei dois anos e meio mexendo nas estruturas, fabricando peças de fuselagem”.

 

PARTE 6

Mas e as saudades do Brasil? Não continuavam? “Claro! Em 2005, papai (Fábio Junqueira) disse que estava saudoso, e eu vim. E reencontrei Daniele, que já conhecia de uma festa, e começamos a namorar. Nos apaixonamos. Em 2006, passei 4ou 5 meses como mecânico da TAM. Mas, em 2008, veio o pior golpe: o Fábio faleceu (aos 52 anos, de aneurisma). O estranho é que durante o velório, meu telefone tocou e era da Record, me chamando para fazer Mutantes. Eu fui. Depois, viajei com a peça Dona Flor e Seus Dois Maridos. Apesar de tudo, profisionalmente foi um ótimo período”.

PARTE 7

“Você quer ver a minha filha? Tenho um videozinho dela aqui.” Claro, que sim! Só que o celular estava descarregado e contamos com a astúcia do Patrício para encontrar o carregador. Jonas interrompeu tudo para falar da relação com os filhos. Nina é a bonequinha do papai, e já está começando a surfar, como ele e Pedro. Padrasto e afilhado se dão muito bem.Você teve padrasto, agora é padrasto. Usa as experiências que viveu?. “Minha mãe sempre foi muito rígida, meu pai (Fábio) também. Eu, que vim de muito tempo no quartel, acabo sendo um pouco assim, cobrando das crianças. Mas o Pedro me chama de ‘Jô’. Apesar de ele ter pai presente, a preocupação é a mesma. Temos um canal aberto total para conversar sobre tudo. O trato com a Nina é diferente, mas cobro para condicioná-la a fazer as coisas. Ela é muito vaidosa, mas também faz a linha ton boy. Outro dia, pegou escondido o batom da mãe e borrou o rosto todo (risos)”.

PARTE 8

Todo esse clima família fez você decidir-se pela retomada da carreira e do Brasil? “Bom, teve um tempo depois da peça, que fiquei sem nada. E fui trabalhar como rádio-amador na plataforma de petróleo de Campos. Só que era muito tempo embarcado, sentia saudades demais da família. Aí, resolvi procurar os amigos, como o Pedro (Vasconcelos, diretor geral da novela), o Papinha (Rogério Gomes, diretor de núcleo), com quem sempre mantive contato. Eu estava de barba e achei que poderia fazer algo diferente. O Pedro ficou de ver, mas, como não tive uma resposta logo, tirei a barba. Quando ele ligou e falou do Ismael, me empolguei. E ele perguntou: ‘Mas você ainda está de barba, né?’ (risos). Disse que não, mas deixei crescer rapidinho”.

PARTE 9

E, pelas fotos que vi, você emagreceu bem. Foi para a novela? “Estava com 88 quilos, e perdi 18, em três ou quatro meses. Mas foi fechando a boca. Passei a comer de três em três horas, uma alimentação mais saudável, nada de carboidrato depois das 18h, nem refrigerante.Além disso, estou firme no jiu-jitsu,que sempre pratiquei, e nas corridinhas. Outro dia, deixei a dieta um pouco de lado, vi que tinha ganhado 1 ou 2 quilinhos, e fechei a boca de novo. Mas se você notar esses caras que carregam os carrinhos com o material para reciclar têm que ter braços fortes”.

PARTE 10

Próximo ao Santos Dumont, Jonas viu que o celular estava carregado e me mostrou, quase babando, Nina cantando sua musiquinha preferida. Uma fofa, de cachinhos louros. “Quando era pequeno também tinha cachos louros, depois foram escurecendo”, explica o paizão, orgulhoso, acrescentando que a filha vai entrar na natação agora. Ou seja, Rio de Janeiro nunca mais. “Só penso que Nina tem que ficar dois anos nos EUA para ganhar cidadania. Mas isso, ela pode fazer até os 18 anos. Depois, se quiser estudar ou trabalhar lá, é com ela. Quero o que for melhor pra minha filha”. E completa: “Minha vontade é realmente morar no Brasil. Tanto que estou nesse projeto de montar a Rio Jiu-Jitsu Old School, destinada mais à defesa pessoal, mulheres, crianças, dependentes químicos e profissionais liberais, como os médicos, que não podem machucar as mãos. Também já tenho projetos de teatro com André Gonçalves e Cassiano Carneiro. Enfim, o Brasil é o meu lugar”, fala, emocionado, enquanto sai do carro e se encaminha para o portão do aeroporto dando um tchau, e não um adeus.

 

 

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