PORTUGAL, LÁ EM NITERÓI

»Públicado por em mar 29, 2015 | 10 comentários

 

Na Gruta de Santo Antônio,

lá em Niterói, a prova definitiva

de que – ainda – somos portugueses

Acima: com dona Henriqueta e o chef Alexandre Henriques. Ao fundo a foto de Agostinho, o patriarca da família. Abaixo: dentro do carro, à espera que dê meio-dia para entrar no restaurante.

Tenho o maior grilo da Ponte Aérea. Acho estranhíssimos aqueles aviõesecos que ficam sacolejando entre uma cidade e outra durante o dia inteiro, as semanas, os meses, os anos… A transportar pessoas que, aos meus olhos, são sempre as mesmas, num clima meio assim, de Arquivo X… Se é que vocês me entendem. Evito entrar num deles ao máximo. Mas algumas vezes, quando o estupro é inevitável, não me resta outra alternativa e então… Eu relaxo e gozo.

Foi o que aconteceu esta semana quando tive que ir à assim chamada Sampa por conta de uma entrevista que dei na sexta-feira ao programa “Diálogos”, do jornalista Mário Sérgio Conti na Globonews (postei o vídeo com um trecho da entrevista no meu facebook, vão lá e dêem uma olhada).

Breve pausa, para uma explicação. Terminada a entrevista, por conta do Téo Pereira, de “Império”, Mário Sérgio comentou: “o Aguinaldo tem raiva de jornalistas”. E eu lhe disse que não é bem assim – tenho raiva dos falsos jornalistas, ou dos que acham que a opinião deles é a única a ser levada em conta já que são os detentores da verdade absoluta. Para mim, estes não são jornalistas. Mas Mário Sérgio, um dos maiores profissionais do país, não se inclui entre eles e por isso tem todo o meu respeito.

Mas voltemos. Mal cheguei em São Paulo tratei de fazer a primeira coisa que faço desde que lá estive pela primeira vez, em 1974: fui jantar no Rubayat.

“Não sei porque você insiste nisso” – me disse horas depois a verdadeira Maria Marta, na qual me inspirei para criar sua homônima de “Império” -. Eles já têm até filial no Rio de Janeiro!” Eu lhe respondi que nessa ainda não fui, e certamente não irei enquanto houver aquela fila de pessoas famintas à porta: “entrar na fila pra comer, quereeeda? Eu me recuso”.

O fato é que fui a São Paulo, comi no Rubayat, me encontrei com Maria Marta – de quem falarei em outro post, aguardem – dei a entrevista a Mário Sérgio Conti, ainda tive tempo de descobrir um bistrô mais parisiense que os de Paris, o Le Jazz, no shopping Iguatemi… E, na metade do terceiro dia, ressurgi dos mortos – quer dizer, peguei o avião da Ponte Aérea de volta e desembarquei no Rio de Janeiro são e salvo.

Do Santos Dumont eu devia seguir direto para Petrópolis. Mas, antes de pegar a Linha Vermelha, fiz o que adoro fazer em minhas novelas – uma “reversão de expectativa”; e ordenei ao meu discreto acompanhante e motorista:

“Toca pra Niterói!”

Ele estranhou, disse que de lá o caminho para Petrópolis seria bem mais complicado e longo. E eu lhe expliquei que ia a Niterói só para almoçar e depois, sim, atravessaríamos a ponte de novo, pegaríamos a Linha Vermelha e seguiríamos rumo ao nosso destino original fartíssimos, bem alimentados e melhor ainda bebidos.

E onde conseguiríamos tudo isso em Niterói?

 

Na Gruta de Santo Antônio, é claro. Se fosse em Portugal, este restaurante que se esconde numa rua bucólica de Niterói seria um dos melhores. Mas, para felicidade dos niteroienses, e dos cariocas que atravessam a ponte para almoçar ou jantar nesse paraíso da culinária lusa, a Gruta de Santo Antônio fica no Brasil mesmo… E tem uma verdadeira fada dos doces – e dos salgados – no comando: dona Henriqueta Henriques, cujo talento para a alta gastronomia portuguesa foi herdado pelo filho dela, o chef Alexandre Henriques.

Na porta da Gruta de Santo Antônio também tem fila… A não ser que você faça reserva, em geral com alguns dias de antecedência… Ou que chegue muito cedo, como foi o meu caso – pontualmente ao meio-dia. Entrei, fui recebido com muito carinho por dona Henriqueta, e Alexandre, com o entusiasmo de sempre, veio me falar de suas criações mais recentes.

Provei todas é claro. Amei o pastel de nata de bacalhau, o bolinho do mesmo turbinado com uma injeção de queijo da Serra da Estrela, a nova versão do arroz de pato… E não esqueci de degustar outro must da casa, os camarões a Bulhões Pato. Coroei minha visita com um “bacalhau a Gruta de Santo Antônio – a porção, pasmem, dá para três pessoas – tudo isso regado a um bom vinho… Do Alentejo, é claro.

Terminada a refeição fui convidado a dar uma olhada no QG de dona Henriqueta – a cozinha que brilha feito um salão de baile… E ainda passei pela adega, recentemente renovada, que é o maior orgulho de Alexandre. Depois de tudo isso, enquanto atravessávamos a ponte para tomar o caminho de Petrópolis, adormeci no carro e sonhei com esse almoço lautesco e formidável… E ao acordar decidi: antes de viajar para Portugal vou lá de novo. Pois a Gruta de Santo Antônio é um desses lugares que nos fazem sentir orgulho de ser luso-descendentes, embora a moda dessa estação prefira dizer que não somos lusos e sim afros… Quando há sérias controvérsias a respeito. (Aguinaldo Silva)

 


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FALA, ZÉ BONITINHO!

»Públicado por em mar 26, 2015 | 9 comentários

 

Lá fora eles têm, entre outros, Carlitos, Cantinflas, Monsieur Hulot… Até o Chavez (não o da Venezuela, mas o mexicano do SBT). Aqui nós temos o Zé Bonitinho, um tipo criado pelo comediante Jorge Loredo, que se tornou um ícone da televisão brasileira. Síntese perfeita de um lado mais histriônico de nossa, digamos assim, “nacionalidade” – o conquistador de subúrbio, o sujeito que desenvolveu à perfeição as técnicas para “comer todas” – ele encantou geração após geração de telespectadores sem se conformar jamais com os limites da caricatura. Mesmo em seus momentos menos inspirados Zé Bonitinho nunca deixou de ser profundamente humano e ter seu jeitão brasileiro e sua alma universal.

A última grande entrevista de Jorge Loredo, aliás, Zé Bonitinho, foi concedida ao ASDigital. Ela está na nossa seção de entrevistas aí do lado. Para ler, basta clicar no nome: “Jorge Loredo, Zé Bonitinho” que tem a foto dele do lado.
  
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MULHERES: PRA QUE AS QUERO?

»Públicado por em mar 24, 2015 | 12 comentários

 

Esse texto, perpetrado em priscas eras pela minha antiga colaboradora Matilde Bocão, devia ter sido publicado em 8 de março, no Dia Internacional da Mulher. Mas eu, às voltas com uma certa novela que insiste em não ser esquecida, esqueci completamente de fazê-lo. Como ele não perdeu a atualidade – fala de mulher e de televisão, dois assuntos que estão sempre na boca do povo – e na de Matilde -, eu o publico agora, e anuncio que outras colaborações de Matilde estão previstas aqui neste espaço a partir de agora. (Aguinaldo Silva)

Pois é, pessoalzinho…

Voltei!

                                                                 

 Pensaram que eu tinha morrido foi? Idade para isso eu tenho. Mas como é que posso morrer se tenho um filho de 36 anos que até hoje vive às minhas custas? Se eu bater as botas ele vai virar homeless, e eu não suportaria ver, lá do céu onde estarei, o coitado a dormir debaixo do Elevado da Perimetral: seria demais para o meu coração de mãe que não soube transformar o filho num verdadeiro homem!…

Muitos de vocês, leitores mais recentes, não me conhecem, nem sabem que tive participação ativa na primeira fase deste espaço virtual, por isso me apresento: sou a Matilde Bocão, uma cricrítica de televisão e transgêneros relacionados com esta mídia, não tenho papas na língua e, ao contrário de muita enrustida que anda por aí, sou hetero, embora use uma linguagem, digamos assim, abichornada.

Depois de um período de recesso – segundo o Aguinaldo por causa da rejeição de vocês aos meus escritos, mas na verdade por conta de um “mal estar” que me levou todos os cabelos louros – aqui estou de novo, depois de assumir a careca.

E aqui estou para falar de um assunto que muito me honra e envaidece… A crescente valorização das mulheres no restrito campo de trabalho dos autores de novelas.

Pois é. Durante muitos anos só existiram duas exceções à regra machista que persistiu no gênero… Embora esse machismo, feitas as contas, não fosse assim tão fanático: Janete Clair e Ivani Ribeiro.

E essas duas exceções eram tão talentosas que já valiam por muitas outras autoras. Depois as duas partiram para um plano mais alto… E aí foi a vez de outra andorinha provar que, mesmo solitária, já era suficiente para fabricar um belo de um verão: a Glória Audaciosa Perez.

Mas os homens continuavam a fazer do território das telenovelas um feudo masculino… Até que alguma coisa começou a desandar. O que foi? Não me perguntem. Um grilo que de vez em quando pousa na minha janela e me faz confidências diz que o que houve foi piti demais; e se piti de mulher já é insuportável, imaginem pitís de um bando de homens, cada um deles a se achar o rei da cocada púrpura…

E foi aí que alguém perguntou a outro numa emissora de televisão qualquer: e se a gente quebrasse o barato desses homens à beira de um ataque de nervos botando no meio deles um bando de mulheres?

Ora, perguntarão vocês: e por que não fizeram isso antes? Por que o mercado de trabalho dos autores de novelas sempre foi tão predominantemente masculino?

Eu respondo: porque as mulheres, até pouco tempo, por mais talentosas que fossem, não podiam abrir mão do fardo que é cuidar da casa, do idiota do marido e dos debilóides dos filhos! E a única profissão que não lhes permitia ter tempo pra isso era a de autor de novelas, a qual exige dos que a exercem dedicação e trabalho total durante as 36 horas que dura o dia de um novelista! Só por isso, e não porque fossem menos talentosas ou menos capazes, é que as mulheres não tinham acesso a esse mercado.

Mas os tempos – apesar de as teorias de Karl Marx continuarem congeladas (feito um mamute descomunal) no final do século XIX -, ah, os tempos sempre mudam… E as mulheres mudaram mais que tudo. Agora elas são duras sem perder a ternura, ou seja: muitas querem é se realizar profissionalmente, nem que pra isso tenham que dizer à casa, ao marido e aos filhos: “ora, aprendam a cuidar de si, ou então vão todos @#*+#@*###!”

 

E dentre essas mulheres duras as mais duras são justamente as mais talentosas, e entre estas as que estão dispostas a se tornarem autoras de novelas são as mais duronas de todas, portanto… Saudemos todas elas: Andréia Maltarolli, que se foi tão precocemente, Maria Adelaide Amaral foto do alto) , Ana Maria Moretzsohn, quase uma pioneira, Telma & Duca Rachid (foto do meio), Elizabeth Jihn (última foto), Cristiane Fridmann, Margareth Boury, Giselle Joras, Maria Carmem Barbosa, Lícia Manzo e a próxima a entrar na lista: Márcia Prates, que, aliás, talentosa como é, já devia estar assinando novelas como titular há muito tempo.

Tantas são que daqui a pouco – saudemos todas – serão em número suficiente para que criemos o Dia Nacional da Mulher Telenovelista… Com direito a capítulo especial de uma hora e quinze de duração e seis intervalos comerciais… Como eram os de “Império”, aquela novela que acabou há pouco e, segundo os cricríticos, não fez o menor sucesso. 

Viva!

(Matilde Bocão)

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NOVELA? JÁ ESTOU EM OUTRA

»Públicado por em mar 21, 2015 | 25 comentários

 

QUERIDO DIÁRIO (33)

 

Sei que estou em falta com você, pois não cumpri o nosso trato, que era: escrever em suas páginas as peripécias em que ia me envolvendo na criação de “Império” para, no final do trabalho, publicar em forma de livro o making off da novela. Tudo teria corrido bem se a novela tivesse fluído como um rio… Mas qualquer novela, por mais que tenha um decorrer sem maiores turbulências – como foi o caso de “Império”, exige tamanha entrega do autor que ele esquece de todo o resto… E foi assim que esqueci do que combinamos.

Agora que a novela acabou, humildemente, retomo em suas páginas os meus escritos, porém não mais sobre o que aconteceu durante a novela que passou – isso não faz mais sentido. Sobre ela, só tenho a dizer que, decorrida uma semana desde que acabou, “Império” ainda é motivo de muitas e acaloradas conversas, como pude verificar ontem, na festa de aniversário da minha muy querida e leal cidade de Petrópolis no Quintadinha SESC, à qual compareci a convite do presidente da Câmara, vereador Paulo Igor, e na qual, de novo e de novo e de novo, ouvi a pergunta que se recusa a calar:

“Por que você matou o comendador, carago?”

A resposta que tenho dado a essa pergunta?

Vocês saberão depois de apreciar as fotos abaixo.

  

 Com Mônica Carelli, esposa do vereador Paulo Igor, e o meu gestor em Petrópolis, Fábio Teixeira

O vereador Paulo Igor (quinto à partir da esquerda). À sua direita o Prefeito Rubens Bomtempo.

fotos: Fco. Patrício 

 

A resposta que ainda não dei à pergunta lá de cima eu lhe dou agora, Diário Querido: matei o comendador pra causar, sambar e lacrar, foi isso. Pra que a morte dele fizesse a discussão em torno dessa morte continuar, mesmo quando a novela de outro já estreou e a minha devia ter sido esquecida. Sim, entre fazer o Abominável Homem de Preto terminar com uma de suas queridas – Alfredisis ou Malfred? – num final convencional, e matá-lo e assim me manter fiel à proposta inicial da novela, que era discutir a sucessão dentro de um Império, preferi ficar com a segunda opção e dar ao meu personagem o final épico, que ele merecia.

Eu matei José Alfredo Medeiros para que ele se tornasse imortal, foi isso. E assim tornei o Comendador de Shit, o Lord da Buchada de Bode – como diria o vilão Silviano – inesquecível.

Mas – vida que segue -, a novela agora é outra e, Querido Diário meu, preciso seguir meu rumo. E meu rumo não passa nem pela porta de uma emissora de tevê nos próximos meses, pois não sou um autor que, entre um trabalho e outro, fica mergulhado num tanque de formol lá nos porões do Projac, não… Sou um empreendedor e empresário e sou também um jornalista que, além de ser tudo isso, por acaso escreve novelas… Mas só porque me pagam muito bem para isso e porque, com o sucesso que sempre faço, deixo fula de raiva e descontrolada uma certa colunista (muitos, mas muitos risos mesmo).

(E aqui vale a pena contar uma história ótima que aconteceu durante a festa de ontem à noite em Petrópolis. De repente, dou de cara com Ziraldo, que veio falar comigo, e lembrou de quando me viu pela primeira vez – na minha noite de autógrafos, na Livraria Eldorado, em Copacabana, em 1961, quando lancei meu primeiro livro (“Redenção para Job!) e tinha meros e inocentes 16 anos. “Você era bem mais escurinho naquela época – disse Ziraldo -. O que te fez ficar tão branco?” E eu, deixando que o espírito de Téo Pereira baixasse em mim, lhe respondi sem pestanejar: “foi o dinheiro, quereeedo!”)

 

Mas, voltando ao nosso assunto. Portanto, mal acabei de escrever “Império” e rasguei todos os papéis a ela pertinentes, tratei de assumir os meus  outros interesses… E, neste momento, o que exige mais minha atenção é a criação de Casa Aguinaldo Silva de Cultura aqui em Petrópolis, um empreendimento que exige muita atenção e altos investimentos que – atenção! – sairão todos do meu bolso. As obras já estão em andamento presto con fuoco, como diria minha querida Miriam Dauelsberg, e a inauguração está prevista para junho.

 

EM PETRÓPOLIS, UM LUGAR

PARA COMER E BEBER CULTURA 

E o que será, afinal, esta Casa Aguinaldo Silva de Cultura? Eu respondo na entrevista abaixo. Ela foi feita pela jornalista Natasha Mazzacaro para um caderno especial de O Globo sobre o aniversário de Petrópolis. Mas eu, às voltas com o final de “Império” não respondi às perguntas a tempo. Por isso ela não foi publicada, o que, com a devida licença de Natasha, eu o faço aqui e agora.

 1. Quando surgiu a ideia de fazer a Casa Aguinaldo Silva de Cultura? 

 A idéia é antiga e me veio quando escrevia “Fina Estampa”. Sou um colecionador compulsivo de obras de arte e fotos antigas, tenho um acervo bastante respeitável e precisava de um lugar onde pudesse exibir tudo que reuni nesses anos todos, e que também servisse de sede para meus cursos de roteiro – já dei três – de modo que pudesse torná-los periódicos. Com o passar dos anos a idéia foi ampliada: agora quero criar outros cursos – de interpretação é um deles – a cargo de especialistas, um cineclube que exibirá, apenas para sócios, ciclos de grandes cineastas e minisséries de tevê seguidos de debate, uma sala de exposições itinerantes, outra para exibição de partes do meu acervo próprio… Sem esquecer a festa, é claro: haverá sempre uma atração musical nos fins de semana. Enfim, vou transformar a Casa num polo de agitação cultural. Para isso vou colocar lá o que há de mais moderno em matéria de equipamentos audiovisuais.

 2. Por que ela será construída em Petrópolis? 

 Pensei primeiro no Rio, mas aqui as coisas são bem mais difíceis e complicadas. Além disso já há na cidade um excesso de casas de cultura. Como sou cidadão petropolitano (honorário), amo esta cidade onde tenho casa há mais de quinze anos, e sei o quanto ela é carente desse tipo de iniciativas culturais, pensei, porque não em Petrópolis?

 3. Você já teve um restaurante na cidade, gravou cenas da novela por lá, sente alguma relação especial com o município? Quando essa relação começou? Qual é a sua primeira memória de Petrópolis? 

 R. Minha primeira memória de Petrópolis é de quando cheguei lá, certa madrugada de 1968, fugindo do Cenimar (a polícia politica da Marinha), que andava à minha procura. Desci na rodoviária, me hospedei no primeiro hotel que achei (o York), de manhã resolvi dar uma volta para conhecer a cidade… E me apaixonei. Nunca mais abandonei Petrópolis. Tive um apartamento no hotel Quintandinha, depois outro em Itaipava, agora estou no Centro da cidade. Comprei a Locanda della Mimosa para que ela não fechasse e, depois de sanear suas finanças e fazer várias melhorias, eu a vendi a um empresário da própria cidade. Enfim… Meu amor por Petrópolis já dura mais de cinco décadas, vai fazer Bodas de Ouro.

 4. Como a casa irá funcionar? Li que a ideia é fazer uma pousada, restaurante, salas para cursos, sala de cinema – ou seja, me pareceu um mega projeto.  Existe alguma casa semelhante no Rio ou em Petrópolis? 

 R. Em Petrópolis, sei que não existe projeto igual… E também sei que ele vai fazer um grande bem à cidade. No Rio, a não ser mega-centros culturais, como o Centro Cultural Banco do Brasil ou a Fundação Moreira Salles, não sei de nenhum que tenha as mesmas intenções. Meu objetivo é fazer da Casa Aguinaldo Silva de Cultura um polo de agitação cultural constante. E atenção: tudo sairá do meu bolso, não quero patrocínio, espero apenas a boa vontade das autoridades locais e o apoio presencial dos petropolitanos. Como não haverá patrocínio, tive a idéia de criar a pousada e o restaurante, que funcionarão independente da casa, mas servirão para dar a ela respaldo financeiro.

 5. O estado/país está carente de lugares assim? Por que? 

 R. Pela mesma razão por que temos tão poucas livrarias, porque há cada vez menos teatros, porque os cinemas de arte estão sumindo… Porque no Brasil não se dá atenção à cultura, por aqui ela é vista como um bem muito, mas muito supérfluo mesmo. Não se espere que os governos, que já enfrentam tantas dificuldades, mudem isso. Mas quem, como eu, produziu bens culturais e se beneficiou financeiramente disso tem a obrigação de fazê-lo.

 6. Qual é o endereço da casa? Como ela foi escolhida? 

 R. A casa fica na Avenida Ypiranga, 524. Eu a comprei dos moradores antigos. Pensei primeiro na Koeller, mas lá temos um problema sério, que é a dificuldade de estacionamento. A belíssima Avenida Ypiranga tem dezenas de mansões, como essa que comprei, que estão em decadência, pois seus proprietários e moradores já não podem mantê-las. Não adianta dizer que aquilo faz parte do Patrimônio Histórico da cidade e deixar que ele se deteriore. O meu projeto para a Casa de Cultura foi totalmente aprovado pelo IPHAN, e não fará nenhuma modificação na Casa, cujo projeto inicial será totalmente respeitado. Aliás, para provar isso, colocarei logo à entrada as plantas originais do imóvel, que é de 1916, já que as localizei, comprei e mandei restaurá-las.

 7. Quando começaram as obras e qual é a data da inauguração? 

 R. As obras começaram em meados de janeiro, depois de aprovadas pelo IPHAN. Como devem ser feitas com o maior cuidado – sou muito exigente quanto à obediência das regras que me foram impostas pelos órgãos oficiais – ainda não tenho uma data exata para a inauguração. Mas gostaria primeiro de inaugurar até meados de junho a Casa de Cultura e o restaurante – que será de comida portuguesa – e só depois a pousada.

E chega a hora da pizza:

não é assim que tudo acaba?

Terminada a cerimônia lá no Quintandinha, Fco. Patrício, Fábio Teixeira e eu resolvemos comer uma pizza, não por acaso numa pizzaria que fica quase em frente à Casa Aguinaldo Silva de Cultura, na rua Ipiranga. Como a casa já estava quase fechando, os garçons e a turma da cozinha concordaram em nos atender, mas com uma condição: que eu respondesse a uma pergunta… E lá veio ela: “por que você matou o comendador?” Primeiro comemos a pizza, regada com um bom vinho, e depois, é claro, eu não respondi à pergunta… Mas concordei em tirar uma foto com a turma e publicar aqui em meu blog. Promessa feita e cumprida, a foto é essa aí de cima. (Aguinaldo Silva)


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SUCESSO OU AUDIÊNCIA?

»Públicado por em mar 17, 2015 | 40 comentários

 

A audiência do primeiro capítulo de uma novela, vocês sabem, não é indicativo de nada. Há novelas que estouram a boca do balão já na primeira cena, outras vão comendo o pirão pelas beiradas até se transformarem em grandes sucessos de público… Enfim, cada novela é uma novela e cada autor tem seu jeito de conquistar a audiência. “Babilônia” tem tudo para se tornar mais um sucesso do Trio Regina que a escreve – Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes -, mesmo tendo começado com uma audiência discreta. Vejam aí embaixo a audiência dos primeiros capítulos de todas as novelas exibidas a partir do ano 2000.

Babilônia – 30.7 pontos (prévia).
Império – 33 pontos.
Em Família – 31 pontos.
Amor à Vida – 35 pontos.
Salve Jorge – 35 pontos.
Avenida Brasil – 39 pontos.
Fina Estampa – 41 pontos.
Insensato Coração – 37 pontos.
Passione – 37 pontos.
Viver a Vida 38 – pontos.
Caminho das Índias – 39 pontos.
A Favorita 35 – pontos.
Duas Caras 41 – pontos.
Paraíso Tropical – 41 pontos.
Páginas da Vida – 40 pontos.
Belíssima 45 – pontos.
América 48– pontos.
Senhora do Destino – 51 pontos.
Celebridade – 46 pontos.
Mulheres Apaixonadas – 45 pontos.
Esperança – 42 pontos.
O Clone – 47 pontos.
Porto dos Milagres – 47 pontos.
Laços de Família  – 44 pontos.

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ELE ESTÁ VIVO… E CANTA!

»Públicado por em mar 16, 2015 | 47 comentários

 

 

 

Eu não queria. Na verdade, ninguém queria que Império chegasse ao fim. Foi uma longa, trabalhosa, mas gratificante jornada dias e noites adentro. Nos oito meses de novela no ar, o Brasil viveu uma catarse como há muito não se via.

Quem não amou a rude elegância do comendador? Quem não odiou, amou e chorou com Maria Marta? Quem não se extasiou com as histórias tragicômicas de uma história que deu novo fôlego ao gênero telenovela?

Império não terminou. Só não vamos mais sair do trabalho às pressas pra chegar em casa antes da novela. Mas ela estará – e como estará – guardada em nossos corações e memórias. Ou atire a primeira pedra quem não vai sentir saudades da saga do abominável homem de preto!

O sucesso de Império foi comemorado com festa, na sexta-feira, com a presença do elenco e equipe, que assistiram ao último capítulos juntos. Houve choro. Houve aplausos. Houve declarações de amor. Houve entusiasmo.

E pra celebrar, ninguém melhor que o comendador pra fechar a noite. Ou melhor, comendadores. Nero e Chay Sued subiram ao palco para uma canja musical. E deixaram bem claro que José Alfredo jamais morrerá. (Virgílio Silva)

 

NERO SAI DO COMENDADOR. MAS SERÁ

QUE  O COMENDADOR SAIRÁ DE NERO?

Como vocês podem constatar no vídeo lá no alto, já no sábado Alexandre Nero usava uma boina para cobrir a farta cabeleira do Comendador José Alfredo Medeiros, que hoje será devidamente podada. Ordens expressas da direção-geral da novela que estréia em outubro, da qual ele será protagonista, que também o proibiu de usar roupas pretas em público. O objetivo é conseguir que o telespectador esqueça o comendador e suas (des) aventuras, e Nero seja aceito em um novo personagem.

Vamos passar por cima do fato de que, depois de viver um personagem assim tão intenso, o ator devia ficar mais tempo fora da telinha. O que interessa agora é acompanhar (e ser solidário com) a luta de Nero para arrancar de dentro de si, em tão pouco tempo, esta figura que o marcou tão profundamente.

Alguns personagens que criei, tão intensos quanto este, ficaram mais tempo dentro dos atores que os viveram do que a decência permitiria. Só para citar alguns exemplos, comecemos pelo mais remoto deles. No filme “República dos Assassinos”, de 1978, baseado em romance meu, roteiro escrito por mim, Anselmo Vasconcelos, uma grande revelação do cinema nacional, viveu com rara intensidade o travesti Eloína. E aí… Bom, Anselmo sabe o quanto foi difícil arrancá-lo de si depois disso. Betty Faria, grande, imensa atriz, nunca mais deixou de incluir em suas personagens alguma coisa de Lili Carabina. José Wilker continuou sendo Giovanni Improtta até a morte, e Marcelo Serrado até hoje tem algum sangue de Crodoaldo Valério correndo em suas veias. E o que dizer de Regina Duarte, cujos olhos ainda brilham com aquela mesma malícia de Porcina?

Assim, esperemos que, quando Nero voltar à telinha – repito: já em outubro! – a farta cabeleira não esteja lá, muito menos algum resquício de cor negra em suas roupas, mas, principalmente, não haja mais o menor vestígio de José Alfredo Medeiros lá no íntimo mais remoto e obscuro deste grande, quase brutal ator com quem tive a honra de trabalhar durante estes meses todos. (Aguinaldo Silva)

 

Só para constar: a notícia me chega em pleno domingo, num e-mail saído da Rede Globo: “o site de IMPÉRIO estabeleceu o recorde de todos os tempos, entre os sites da TV Globo. O ultimo recorde era de AVENIDA BRASIL.” Só repito a notícia… Sem comentários.

 

E, PARA ENCERRAR…

Lília Cabral: em “Império”, nunca menos que Divina.

 Rogério Gomes: o maestro que qualquer novelista pediria a Deus.

 

Pedro Vasconcellos e Rogério Gomes, dois diretores-gerais da pesada 

Eu e meu dream team de co-roteiristas. Pela ordem, a partir da esquerda: Nelson Nadotti, Márcia Prattes, Maurício Gyboski, Megg Santos, Zé Dasssilva, Rodrigo Ribeiro, Renata Dias Gomes e Bruno Pires.

Agora me respondam sinceramente: tem culpa eu?

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OPINIÃO VALE UM MILHÃO

»Públicado por em mar 14, 2015 | 111 comentários

 

OLHA O VIRAL!

 

A frase do comendador ao atirar em Maurílio virou o maior viral na web. Já vi várias versões diferentes, e adorei esta com Audrey Hepburn.

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CADA UM DIZ O QUE QUER!

 

 “Não sei se gostei ou não do final. Isso não tem importância. Mas sabe quando é que eu vou esquecer que esse comendador um dia existiu? Nunca!” (De Joseane, minha secretária para assuntos do lar em Petrópolis, num whats app após o final do último capítulo)

 

Dois comentaristas habituais do meu facebook emitiram lá suas opiniões sobre o final de “Império”. Embora divergentes, são igualmente lúcidas, por isso me sinto na obrigação de republicá-las aqui, já que esta será uma diretriz do meu blog (ou site), agora que a novela acabou. Vamos dar voz aos que têm alguma coisa a dizer publicando seus textos aqui.

ÀS PORTAS DA ETERNIDADE

” Felomenal! ” , como diria a personagem de José Wilker, foram as cenas finais da novela Império, de Aguinaldo Silva. A atuação de todos foi estupenda. A fotografia, no todo e, em especial, do Monte Roraima, foi de um deslumbramento só!… Fiquei vidrado do início do capítulo ao fim. Foi assim no início da novela em julho de 2014 e não poderia ser diferente na conclusão da trama. 
Quando se deu o roubo da fortuna do Comendador José Alfredo ( Alexandre Nero ), fiz várias suposições sobre a identidade do famigerado Fabrício Melgaço até que fechei o ciclo com dois possíveis candidatos: Josué, o ‘braço direito’ do Comendador e finalizei com seu primogênito José Pedro ( Caio Blat ).

E, não é que mirei no espelho e acertei no espectro?… ( rs )
Quando deu o intervalo em que o Josué, apontava a arma para o Comendador, fiquei na expectativa de que ele poderia ser o verdadeiro algoz do José Alfredo. Agora, o final “hitchcokiano”, com a aparição em cena do criador entre suas criaturs foi sensacional! Parabéns, “mestre das fantasias e ilusões” por mais esse efeito digno de um Comendador das Letras.

E agradeço também por reafirmar ateoria da minha saudosa e inesquecível vó Maria Dionízia de “que aprendemos a vida inteira e morremos sem saber de tudo”.

O Comendador, está mais vivo do que nunca, tanto é que deu as caras no lançamento do livro biográfico do ” Abominável Homem de Preto. E que esse comendador de fato possa ter muito mais décadas de existência e livramentos de sinistros do que teve o fictício! Até seu retorno à telinha, mestre. Boas féria. Abraços, paz, amor, saude e sucesso sempre! (Helm Writter Oliver)

 

BOM DIA, TRISTEZA

Aguinaldo Silva, você sabe que desde o começo de Império eu estive na sua torcida. Quando o Comendador José Alfredo Medeiros apareceu pela primeira vez sobrevoando o Monte Roraima, ao lado da filha Maria Clara (Andreia Horta), pensei, será um sucesso. Acredito na força do primeiro capítulo, pois é nele que o autor planta a sua história.

Então, esse Comendador caiu nas graças dos telespectadores. 
Agora, estão todos se sentindo meio órfãos e tristes.
Não que você tenha a obrigação de fazer um final feliz para suas novelas, eu respeito a sua decisão, mesmo porque você falou que iria escrever um novelão. A novela inteira foi muito boa, mas com todo respeito, não gostei do final. Triste e deprê! De qualquer forma, parabéns por mais este grande sucesso. (Paulo Senna).

 

E EU, O QUE TENHO A DIZER?

O que eu tenho a dizer é que não mudaria uma vírgula sequer do final de “Império”. Diminuir este personagem que foi durante a novela inteira maior que a vida, torná-lo um abestalhado cujo único conflito, no final, seria com que mulher ele iria ficar – se com Marta ou Isis -, passar a impressão falsa e idiota de que ele, ao contrário do que acontecerá com todos nós na vida real, viveria eternamente, seria torná-lo pequeno, roubar dele o tom épico no qual foi forjado durante esses 203 capítulos. Cito aqui  a frase célebre de Getúlio Vargas em sua carta-testamento: “saio da vida para entrar na história”. Sim, este comendador ao qual dediquei durante doze meses meu sangue, meu suor e minhas lágrimas, certamente diria isso. (Aguinaldo Silva)

 

 

 

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