DE QUE COR VOCÊ O VÊ?

»Públicado por em ago 27, 2014 | 8 comentários

 

Paulinho Vilhena acabou. Aos 35 anos e 15 de carreira, o intérprete do Salvador, de IMPÉRIO, é Paulo Vilhena. O ator amadureceu, deixou o apelido para trás, e está conseguindo colocar em prática a trajetória que traçou para seu trabalho, com personagens bem diferentes uns dos outros.  Este santista, que já foi modelo e estudante de Publicidade, anda entusiasmadíssimo com o pintor esquizofrênico da novela das nove, e, claro, com a repercussão que está tendo junto ao público. E para isso não poupa esforços: radicalizou no visual, pesquisou muito, e espera que seu personagem seja um alerta para quem tem um parente com doença mental, que precisa de tratamento. E a maturidade também é sentida no seu dia a dia. Se antes, Paulo se irritava com o assédio dos fotógrafos e paparazzi, sua postura mudou: “Agora, eu sou amigo deles. Passo; cumprimento – ‘Aí, beleza?’ -; quer tirar foto, tira; não vai mudar nada a minha vida; não estou fazendo nada de errado.”

entrevista: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

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Como chegou ao comportamento do Salvador?

Estudei bastante a patologia, e, assim, vieram as figuras, as pessoas, que tinham passado pela doença. A Tande Bressane (uma das diretoras de IMPÉRIO) já tinha me dado um toque sobre o Arthur Bispo do Rosário (artista plástico, que passou mais de 50 anos na Colônia Juliano Moreira, diagnosticado como esquizofrênico paranoico). Então, comecei a conectar a patologia aos artistas brasileiros que tinham sido identificados como doentes mentais e foram grandes nas artes. Vi que havia uma turma. Busquei também a história da Nise da Silveira (psiquiatra contrária às formas agressivas de tratamento, como eletrochoque e lobotomia), que foi a criadora do método para extravasar essa angústia, usando a arte. Fui por esse caminho.

Você viu algum filme?

Vi documentários sobre o Arthur, e algumas outras coisas na internet, YouTube, além de casos reais.

Como você começou a fazer o gestual do personagem?

Fui estudando partes do meu corpo que poderiam dizer muito em relação a essas vozes, que os esquizofrênicos ouvem e eles respondem. Gestos como essa ‘perturbação’ no pescoço, as muitas piscadas, como se fosse uma carga de informação e uma carga de pensamentos que não cessasse. E o mais interessante é que o primeiro dia de gravação foi no (Instituto) Nise da Silveira, entrei no ônibus (camarim), botei o figurino, peguei um mamão, e fui dar uma volta por lá. Num dado momento, virei uma ruazinha e encontrei um pátio fechado, com vários doentes.

E você com um mamão na mão?

Com mamão, mas já com a figura, a postura, exercitando o personagem. A hora em que olhei bem para eles, falei: ‘Puxa vida, eu vou lá! Vou me aproximar’. E fiquei durante uma hora e meia.

Eles conversaram com você?

Conversaram entre si, falavam comigo, eram ideias totalmente desconexas, mas ficamos bem próximos. Eles me aceitaram, não tive uma rejeição.

Como crianças quando se juntam. Mesmo não se conhecendo, elas se unem…

Isso. Rola uma harmonia, né? Eu entrei no convívio deles, comecei a fazer parte.

Mas você falava coisas desconexas também?

Falava coisas com palavras, gestos, carinho, abraços, dava mamão na boca dos caras, das mulheres também. Foi uma experiência impressionante.

E eles gritavam?

De vez em quando tinha uns barulhos que vinham do nada – acho que uma necessidade de libertação interior -, e uns grunhidos. E tem uma coisa muito sexual também… As reações são variadas dentro do universo deles. E eu fiquei ali naquele processo de absorver os detalhes, me deu muito subsídios de movimentos, de tiques, de nuances.

 

 

No primeiro dia em que o Salvador apareceu, houve um momento em que você parecia estar falando com a câmera. Mas era com as vozes. Quem não entende a patologia deve ter pensado que era direcionado ao público. Uma cena muito impactante.

A repercusão foi muito boa, positivíssima. Fiquei bem impressionado, porque foi uma cena, mas é que a novela está muito bem.

O fato de você usar as cores ao falar – ou não – com quem se aproxima, no caso o Orville (Paulo Rocha), também surpreendeu muita gente.

Isso o Arthur Bispo do Rosário fazia. Quando li o texto, tinha acabado de estudar um pouco sobre esse grande artista. Quando uma pessoa se aproximava, ele perguntava: ‘De que cor você está me vendo?’. Se ela falava: ‘Não tô vendo cor’, ou dizia a cor ‘errada’, ele não conversava. A hora em que eu li, pensei: ‘É uma referência clara do Bispo do Rosário’.

Quando vi a gravação da cena em que você diz a Orville que já tinha ido a Paris, imaginei um passado glorioso para ele. Perguntei sobre isso ao Aguinaldo Silva, que me respondeu : ‘Ele foi a Paris no delírio dele, assim como foi a milhares de lugares. É um cara que não tem família, não tem ninguém, está jogado no mundo’.

Isso é perceptível na segunda cena, quando o personagem estava rabiscando na parede da cela. Aquela solidão, a intensidade dos traços… Naquele dia, a Ana Durães (artista plástica e ghost painter de atores), a pessoa que faz todos os trabalhos, trouxe o material para colocar na cela. Aí, ficamos só eu e ela. Peguei um caderno, e a Ana falou: ‘Vamos fazer uns exercícios, você vai desenhar objetos que eu mostrar’. Ela mostrava e eu desenhava. Depois, pediu: ‘Agora sem olhar’. Eu desenhava, enquanto ficava olhando pra ela. Fizemos vários exercícios assim. Isso já me deu uma mostra de como usar os materiais, e os  movimentos que deveria fazer.

Mas aí já estava com pincel?

Com carvão, grafite que eles chamam. Fiquei um tempo nesse exercícios, e pedi a Ana pra ficar um pouquinho sozinho. Ela saiu, tranquei a cela, e comecei a ‘entrar’ em tudo o que tinha vivido ali naquelas duas horas e meia. Das pessoas reais com as doenças, e da questão artística. Comecei a fazer tipo um balé na cela, pintar as paredes, fiz uns traços, fiquei exercitando esses movimentos. Na hora da cena já estava muito imbuído da história toda, aí começaram a aparecer as vozes, a falar de um lado com as vozes, e de outro com ele mesmo.

Você sabe que as vozes respondem ao esquizofrênico, né?  E é bem diferente de amigo imaginário, que ajuda a construir a personalidade das crianças, e depois desaparece.

Sei. Elas vão afastando os que tem a patologia cada vez mais da realidade.

 

 

Num futuro próximo, Orville e Carmen (Ana Carolina Dias) se unirão para colocá-lo no manicômio judiciário e dar todo o material que Salvador precisa, pegarão os quadros prontos e venderão, afirmando que são de um pintor que não gosta de aparecer.

É muito sério, além de um crime, uma falta imensa de caráter. Mas a Ana mete mais o pé, o Paulo está fazendo uma coisa muito legal, que é humanizar o Orville através da nossa relação, que já chegou a um estágio quase fraternal. Tem uma cena em que a gente se abraça… Ele está trazendo isso de uma forma interessante para o personagem.

Mas não deixa de explorar o doente… A certa altura haverá uma fuga dos detentos do manicômio, e você vai junto. Quando se vê na rua, olha para uma galeria, reconhece um cartaz com a foto de uma de suas obras e fica angustiado. Aí, encontra uma mulher que vai acreditar na sua história e ajudá-lo a fazer justiça. O que você gostaria que acontecesse com seu personagem?

Nossa! Não sei… Não sei se essa mulher vai se tornar uma cuidadora, uma paixão, ou se terei essa pessoa como mãe.

Acho difícil no estágio da doença dele se envolver amorosamente, não acha?

A minha irmã, Christiane, é psiquiatra. Contei tudo do personagem com detalhes, perguntei a ela se ele teria cura, e ela disse que é muito difícil. Então, acho que não vai viver nenhuma paixão. 

 

 

Como você vê a saúde mental no Brasil? Ainda existe muito preconceito, rejeição das famílias em mantê-los em casa, como pregava Nise da Silveira…

Estou levando para um lado também que é o da função social, a questão da saúde pública mesmo. Penso muito nisso, porque é um alerta. Há famílias que têm pessoas com essa doença em casa, e não sabem o que é… Talvez não saibam nada sobre isso! É muito triste. Acho que é uma maneira de alertar. Tirá-las do desconhecimento, da ignorância.

Conheço pessoas que falam dos pacientes com problemas mentais com definições do tipo: ‘Ele é maluco’.

A gente mal e mal consegue ter educação, saúde pública – chegar num hospital e ser atendido -, que dirá um tratamento específico para pessoas sem condição financeira e que têm patologias como a esquizofrenia.

Acha que a família também deveria também receber remédios gratuitamente, como os doentes com diabetes e hipertensão?

Mas é f…, porque recebe, e vai dar como? Pode acarretar um outro problema. Sei lá… A pessoa não tendo esclarecimento, vai que pega o remédio e toma, ou não dá na hora certa, ou se esquece… Já me falaram que se misturar com bebida dá ‘loucura’… Tem muito disso, né? Quando não têm esclarecimento e apoio permanente podem fazer isso…

 

Você não acha que o pior para o doente mental é que em algumas instituições ainda há uso de terapias como eletrochoques, as injeções apelidadas de ‘sossega leão’?

Tem um filme que deixa bem clara a situação dessas clínicas, que é  ‘Bicho de Sete Cabeças’, da Laís Bodanzky. O cara entra como usuário de maconha, e vai se tornando um doente mental, através da aplicação desses remédios, desses  tratamentos. A lobotomia é isso: botava o cara para dormir como um vegetal. E fica lá largado até morrer. É muito horrível.

Seu personagem, pelo menos, não se envolve com os outros, que poderiam ficar com raiva e querer matá-lo…

Tem esse isolamento, que é uma proteção. Mas, ao mesmo tempo, há momentos em que ele tem surtos, que sai gritando. Ninguém gosta disso…

Mas o cara considerado ‘maluco’ sempre causa medo. Quando diz que matou a namorada com três facadas, o outro detento acha que ele pode matá-lo também…

Mas na cadeia, o bandido mesmo pensa:  ‘Vou ficar com medo desse maluquinho? Passa o rodo nele logo’. Ou: ‘Vou esperar ele me dar uma facada?’. Nada! Bota três capangas, passa o rodo e um abraço.

Na minissérie A Teia você era tenso, ansioso, muito machista, tinha reações variadas… Isso é bom no seu trabalho, né?

É ótimo, isso para o ator não tem preço. Explorar cada um ao máximo, se dispor a isso. Acho que é o que eu vinha buscando, e vou continuar buscando ao longo da minha trajetória. Está tudo muito organizado. Acho que tem a questão da maturidade como ator para poder dar conta. Porque imagina pegar um personagem como esse (Salvador) e errar, ou não dar conta? Aí, você joga fora uma oportunidade incrível por falta de experiência.

Você acha que esses personagens mais recentes vieram na hora certa?

Exato. E numa ordem também muito boa, porque o Barone (de A Teia), por exemplo, era muito articulado, estudado, de família. Tinha um background forte. Era um cara estrategista, muito bom no que fazia, no planejamento dos assaltos. Era o cara.

O vilão é melhor? Todo mundo fala que é, mas nem sempre o bonzinho precisa ser um idiota.

Mas aí é que está, depende de como você faz, uma coisa que sempre penso para os personagens que interpreto é que o ser humano nunca é só uma coisa. Ele é tridimensional, tem outros lados, e também o bem e o mal. O barato de interpretar é poder mostrar cada um deles, de acordo com aquele personalidade, mas é bom também quando ele mostra facilidade. O vilão é mais interessante, ele institui o caos, faz com que as coisas ecoem.

 

Você começou na TV com 20 anos, no seriado em Sandy & Junior. Ficou com medo do estigma de galã?

Quando entrei não tinha consciência desse estigma, nem sabia que existia. Mas, ao mesmo tempo que não tinha consciência, ao longo dos três anos (duração do seriado), fui começando a observar esse universo, observar atores que me interessavam,  que eu tinha como referência, como o Fabio Assunção, por exemplo. Caras que eu assistia, e que tinham uma inquietação de buscar coisas diferentes. Isso me serviu muito como referência. A partir daí comecei a planejar a minha trajetória versátil, para não ficar no mesmo lugar. Para o ator é bom fazer um galã, mas não é bom fazer sempre.

A versatilidade implica muitas vezes em radicalizar, como fez com seu visual. É fácil pra você?

Estava com cabelo comprido e barba grande para ter opção do que poderia fazer (cortar ou manter) no personagem seguinte. Aos poucos, foram acontecendo as transformações. Com os profissionais da caracterização fui criando esse visual aos poucos. Cortei o cabelo de um jeito, depois chegamos ao atual. Também pensei no bigode: é uma homenagem a um grande surrealista (o pintor Salvador Dali), e uma vontade de introjetar mais o perosnagem. Ah, Van Gogh também.

Mas nada de cortar a orelha, né?

(risos) Não, pode deixar.

Achei interessante esse furo feito no início da manga da sua camiseta, onde você colocar o polegar.

Pensamos em cada detalhe. Parece uma atadura na mão dele, não acha? Porque ele fica puxando a manga o tempo inteiro. E achei que assim ficaria legal.

Quando cheguei à gravação, vi você completamente concentrado, parecia que não estava vendo ninguém. E o Felipe Binder (diretor) me disse que você só tira o fone de ouvido, com músicas, na hora do ‘gravando’…

É muito difícil entrar no perosnagem, não fico entrando e saindo. Quando estou nele vou até acabar a cena. Depois baixo a bola, passo uma água no rosto, e, quando retorno, as músicas que ouço me ajudam a retomá-lo. Porque se eu não ficar com ele posso perdê-lo, e é difícl encontrá-lo novamente, do jeito que eu posso interpretá-lo.

Mas afinal o que você fica ouvindo?

Quer ouvir? (e coloca um fone no meu ouvido, com trechos de duas músicas).  A primeira é do System of  a Down (banda de metal americana). Tem uma coisa mais densa, da atmosfera, da porrada. A outra é do Eddie Vedder (conhecido também por ser vocalista da banda americana Pearl Jam), mais introspectiva.

 

MODELO, PADRINHO E SURFISTA

 

Por que optou pela carreira artística?

Não foi uma opção. Eu gostava muito de Biologia. Pensava em fazer Medicina, Odontologia. Como não era inteligente suficientemente para Medicina, fiz vestibular para Odontologia. E passei, em Santos, mas não cursei porque era muito caro. Minha mãe me deu um cheque para pagar a faculdade, e fiquei em choque: tá doido! Sabia da condição da família. Pedi a ela um tempo, mais seis meses de cursinho para decidir o que fazer. E comecei a trabalhar na loja do meu pai, de revelação de fotografias, no Guarujá. Nesse tempo comecei a posar para fotos. Acabei indo para São Paulo, trabalhando como modelo. Mas minha mãe insistia que eu tinha que fazer uma faculdade. Resolvi cursar Publicidade, mas depois de seis meses tranquei a matrícula. Dei preferência ao traballho do que ao estudo. Aí, foi natural, vieram a publicidade, a televisão…

Mas em 2008 você ficou sócio de uma grife de streetwear, ainda existe?

Não, acabou. Todas essas coisas paralelas não existem mais. Não sou mais empreendedor, comerciante, nada. Sou ator. Quero me dedicar integralmente à carreira artística.

E com um personagem que o absorve tanto, como consegue conciliar as gravações e o teatro, com a comédia romântica Tô Grávida, ao lado de Fernanda Rodrigues?

A peça volta agora em setembro, no mesmo teatro (Fashion Mall) e nos mesmos dias. Não interfere em nada porque já estamos em cartaz há quase um ano, é perto, e meu trabalho na novela é em uma locação só. Houve uma conversa antes com o diretor, e estabeleceu-se esse entendimento para manter as duas coisas. Na peça, o casal é pego de surpresa pela gravidez, e passa a relatar como isso mudou a vida dos dois.

A Fernanda Rodrigues é mãe da Luisa, de 4 anos e meio. Você ainda não é pai. Como está sendo fazer esse papel?

Fui no feeling, sou padrinho da filha dela. Tive convívio com eles (Fernanda, o marido, o ator Raoni Carneiro, e Luisa) desde a gravidez. Sou um padrinho cúmplice, parceiro, mas é aquela história: cada um tem seu dia a dia diferente. Mas minha postura não só de ir lá, dar um presente, brincar e ir embora. Quando minha madrinha era viva fazia isso, então, não quero repetir. Eu vou, dou um rolé, levo ao cinema, ao teatro. A gente tem uma relação muito gostosa, muito bonita.

E você conversa na linguagem dela?

Ela é inteligentíssima, me dá aula.(risos) Tem sacadas que fogem ao entendimento. Parece que tem 18 anos, mas são só 4 e meio. E eles são pais muito legais, presentes, amigos.

Acha se tivesse uma parceira hoje teria maturidade para ser pai?

Acho que sim. É dificil ter absoluta certeza, porque depende muito dessa relação. Você pode se achar maduro, mas a relação pode não ser madura. 

Você faz ou fez terapia?

Fiz poucas sessões, para esclarecer pontos obscuros da vida, questões familiares e pessoais. Era caro e não estava conseguindo esclarecer. Aí, parei. Mas tive um terapeuta que foi incrível, rápido, e ele falou: ‘Vai viajar!’.

E você foi surfar?

Fui. Na época, eu não sabia se as pessoas gostavam do Paulo, ou do que o Paulo fazia. Ficava muito nesse questionamento. Pensava: ‘Será que sou o mesmo cara que nasceu em Santos?’, ‘Será que sou realmente capaz de ser querido pelo que sou, e não pelo que faço?’. Porque ao atuar, as pessoas se aproximam, é mais fácil de ser aceito. Aí, viajei para Indonésia sozinho, sendo essencialmente eu, onde ninguém me conhecia, e vi que era um cara legal, que as pessoas gostava de mim pelo que eu sou. 

Mas teve uma época difícil. Você não gostava de fotos, de assédio…

Aquilo era uma coisa pesada, dura de entender, de passar por aquilo. É como se fosse uma imposição: tem que passar por isso.

Havia problemas com fotógrafos, com paparazzi.

Eu me sentia muito invadido, então não queria, não gostava, não achava certo. Eu falava, mas não adiantava nada espernear, porque eles continuavam ali. Agora, eu sou amigo deles. Passo; cumprimento – ‘Aí, beleza?’ -; quer tirar foto, tira; não vai mudar nada a minha vida; não estou fazendo nada de errado.

Mas até chegar aí demorou. Máquinas quebradas, discussões… Você acha que agora, mais maduro, chegou ao equilíbrio em relação a isso?

Eu tinha atitudes de ímpeto, sou capricorniano, impulsivo. Também sabia que estava fazendo o que meu coração mandava. É muito fácil ter assessores para lhe blindar, e você virar um bunda mole, que admite tudo, que baixa a cabeça para todo mundo, que todo mundo espera que você faça. Mas esse não sou eu. Tenho personalidade. Sou o que eu sou. Agora, ninguém é obrigado a gostar de mim.

No caso das moças, sua personalidade sempre fez sucesso, geralmente, em relações que duraram um bom tempo. Seu último relacionamento, com a atriz Thaila Ayala, foram três anos…

Foram cinco anos juntos (sendo três de casamento). É tão dificil falar disso… Todo dia busco um monte de coisas. Busco me aprimorar mais como profissional, como surfista, como amigo, e os relacionamentos acontecem naturalmente, quando duas pessoas se encontram. É isso!

 

 

O QUE PENSA SOBRE…

MATURIDADE -

‘É conquistada com o tempo. Pouco a pouco, passo a passo’.

LIBERDADE –

‘É poder fazer escolhas’.

VIDA -

‘ A coisa mais valiosa que a gente tem. É muito importante saber viver bem’.

CASAMENTO –

‘Um elo de comprometimento, que pode ser desfeito a partir do consenso’.

ASSÉDIO -

‘O surf me ensinou muito. Por exemplo, que você tem que chegar num local com muito respeito, sem forçar, pedindo licença. Isso vale pra tudo, pra todo tipo de aproximação’.

MEDITAÇÃO –

‘Adoraria fazer mais. É um tempo para perceber o corpo, se olhar internamente, ter autoconhecimento. E conhecer o outro também, se bem que, como diria Caetano (Veloso), ‘de perto ninguém é normal’.

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“VAI LÁ E FAZ OUTRA!”

»Públicado por em ago 26, 2014 | 11 comentários

 

QUERIDO DIÁRIO (24)

 

(Hoje vou dar uma rapidinha,

por absoluta falta de tempo)

 

Vida de autor de novela não é fácil.A rotina do dia a dia é arrasadora e inflexível – você não pode falhar uma, muito menos se dar ao luxo de ficar satisfeito com uma meia bomba; tem que se comportar feito o comendador José Alfredo, que ontem à noite, mesmo dormindo e bêbedo feito um gambá, deu duas na Marta… E fez a Imperatriz chorar em pleno ato… “De felicidade”, segundo ela mesma!

Quando o comendador, nu, virou de barriga pra cima e Marta viu alguma coisa nele – que a CAM não mostrou – e reagiu maravilhada, eu esqueci que tinha escrito a cena e sabia o que era e murmurei: “nossa! É agora que a Censura me capa!” Pois achei, como o Brasil inteiro, que o que ela estava vendo era outra coisa, e não a cicatriz da bala, lembram?, do tiro que o comendador levou quando era jovem lá no Monte Roraima.

A cena foi lindíssima, belamente dirigida e interpretada… E embalada por um clássico das trilhas das novelas: “Dona” de Sá e Guarabira, originalmente interpretada pelo Roupa Nova em “Roque Santeiro” – era a musica da Porcina! -, e agora interpretada, num arranjo bem mais épico, como eu pedi, por Alex Cohen pra ser o tema musical de Maria Marta. Vai estourar de novo nas paradas.

E foi cena pra provocar, se não fosse o maldito – e inócuo, horroroso, do mais profundo mau gosto – horário eleitoral, récordes de audiência. Mas como? Quando os freaks da política sairam do ar a audiência estava em 13.7! Mesmo que a novela tenha disparado até chegar aos 34, na média, enquanto aqueles fins-de-carreira ocuparem os 50 minutos anteriores a ela, “Império” terá sempre que correr contra o tempo pra botar a audiência no trilho de novo, e aí… Eu, que sou viciado em récordes de audiência, faço o possível pra nem pensar nisso ou me jogo pela janela e me estabaco todo lá embaixo.

Mas, Diário Meu, enquanto traço mal e porcamente essas linhas fico a pensar nas cenas, que vou escrever daqui a pouco, sobre a ida de Zé Alfredo e Isis ao Monte Roraima – sim eles vão lá no capítulo 86, pra celebrar um casamento simbólico… E aí me perco.

Que é que eu queria escrever mesmo?

Ah sim, eu queria dizer que, se vida de autor de novela é difícil, a vida dos atores, dos produtores, dos diretores, da equipe toda que dá tudo de si pra que ela seja um sucesso brutal… Não o é menos.

Que o diga Fco. Patrício, que nessa madrugada acompanhou e fotografou as andanças da trupe de “Império” pelas muitas esquinas de Copacabana, a gravar uma cena aqui, outra ali, com a paciência do inseto que finalmente se mexe e retoma o seu caminho interrompido durante o terremoto (ai, que frase mais esquisita é essa? Parece dilmês, que é a nova língua oficial dos brasileiros!)

Então, pra que vocês acompanhem “Império” com unção religiosa, e os críticos a elogiem impiedosamente, a verdade é que nós, as quase 300 pessoas empenhadas no trabalho de botar a novela no ar, nos matamos todos. E quanto ela acabar, ouviremos dos que nos pagam a seguinte frase, dita do modo mais casual possível:

“Até que essa tal de “Império” foi legal. Agora vão lá e façam outra”.

E o pior é que a gente vai lá e faz mesmo… Outra melhor ainda!

 

 

(Duas horas da manhã: da minha janela, observo enquanto a equipe de Império, em plena pista da Avenida Atlântica, desarma o circo pra voltar para o Projac. Como diria o comendador: well done, boys. Às 11 horas, o diretor André Felipe Binder, que comandava os trabalhos e todos os outros, estarão a postos para começar tudo de novo)

 

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ALÔ ALÔ INTERNAUTAS!

»Públicado por em ago 24, 2014 | 11 comentários

 

Aguinaldo Silva ganha espaço no site de Império para interagir com os fãs da novela.Nesta área o autor conversa com internautas, adianta acontecimentos da novela e lança perguntas ao público: ‘Quero saber o que essa turma acha da minha novela’

 

Aguinaldo Silva vai adiantar fatos da trama em

‘Império no Ar’ (Foto: Camila Camacho/ TV Globo)

Tem novidade no Gshow! Agora quem é fã de Império pode se conectar com Aguinaldo Silva, diariamente, logo após o Jornal Nacional, no Império no Ar. Isso mesmo! Nesta área exclusiva, o público pode conferir os comentários de Aguinaldo, saber em primeira mão o que vai acontecer na trama e responder às perguntas do autor. Imperdível!

“Não sou uma pessoa discreta quando falo do meu trabalho. Serei meio fofoqueiro sobre minhas tramas e meus personagens. Assim, teremos notícias quentes, novidades, comentários e muito mais”, adianta o autor sobre sua participação no espaço virtual.

Aguinaldo ama o mundo virtual
(Foto: Camila Camacho/ TV Globo)

Consagrado com tramas épicas na televisão brasileira, como Tieta, Roque Santeiro e Vale Tudo, Aguinaldo aponta que entrou tarde no universo digital, mas que leva a sério o meio. “Tudo que eu quero na vida é ser conhecido como ‘aquele vovô que escancara na Internet e adora falar com o mundo através das mídias sociais”, diz.

No Império do Ar, o internauta pode ir além de simplesmente saber novidades sobre a trama e conhecer a opinião do autor. “Quero saber o que essa turma acha da minha novela. Quero que eles se reconheçam no meu trabalho e que se considerem colaboradores dele”, afirma.

Não deixe de acessar Império no Ar, fique por dentro de tudo o que vai rolar na trama e ainda teste seus conhecimentos sobre a novela!

Saiba tudo sobre novelas, programas de variedades e reality shows da TV Globo! E veja também receitas, dicas de estilo e conteúdos exclusivos só para a web. Conheça o Gshow!

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0S 7 ACERTOS DE “IMPÉRIO”

»Públicado por em ago 23, 2014 | 7 comentários

 

(segundo a Veja online)

 

Diz Patrícia Villalba, do blog “Quanto Drama”, da Veja online, na matéria abaixo: “já que está dando tudo certo, cabe falar dos sete acertos – em vez dos erros – da novela”. Hoje em dia é  raro que um jornalista faça uma abordagem positiva sobre um assunto, mesmo quando acha que ele merece isso. A maioria pensa que apontar os erros, e não os acertos, é, como diria Téo Pereira, o que “rende cliques”. Palmas para Patrícia Villalba, portanto, que não se rende à moda sensacionalista da estação, e prefere fazer o bom jornalismo. A ela e à Veja peço licença – e comprensão – por ter aqui reproduzido matéria tão positiva.

Entre charmoso e cafona, Alexandre Nero brilha como o protagonista José Alfredo (Divulgação)

Sem rodeios: Império fez por merecer e pegou. Há um mês no ar, a trama de Aguinaldo Silva conseguiu recuperar parte da audiência na faixa das 9 e reconquistou os telespectadores que costumam se manifestar pelas redes socais. “Diante dessa unanimidade, eu me pergunto: onde foi que eu errei?”, brincou o autor, que mantém contato direto com os fãs e críticos pelo Twitter e Facebook.

Bem escrita, dirigida e interpretada, a novela não pode escapar de ser comparada a Avenida Brasil, o último grande sucesso de público e crítica da Globo. No primeiro mês, a trama de João Emanuel Carneiro marcou média de 36 pontos no Ibope. Império fecha o período com média de 34 pontos, marca ligeiramente menor, mas há que considerar que ela recebeu o horário de Em Família, de Manoel Carlos, com 30 pontos de média geral. Em 2012, vale lembrar, Avenida Brasil sucedeu Fina Estampa, também de Aguinaldo, que deixara 39 pontos de média.

É justificado, portanto, o entusiasmo que cerca a novela, uma reinvenção cuidadosa do autor, que tem muito a ver com os bons tempos de Tieta (1989) e Pedra sobre Pedra (1992). E já que está dando tudo certo, cabe falar dos sete acertos – em vez dos erros – da novela. Confira abaixo alguns pontos que fazem de Império um sucesso:

1. Trama de fases

Contar a novela em dois tempos é um recurso que vem sendo usado pelas tramas das 9 ininterruptamente desde Avenida Brasil, de 2012. Depois dela, vieram Salve Jorge, Amor à Vida, Em Família e, agora, Império. A estratégia é boa porque além de proporcionar quase um relançamento na passagem para os dias atuais, funda bases sólidas na composição dos personagens, como aconteceu agora com José Alfredo (Chay Sued/Alexandre Nero), Eliane (Vanessa Giácomo/Malu Galli), Cora (Marjorie Estiano/Drica Moraes) e Maria Marta (Adriana Birolli/Lilia Cabral).

2. Vilãs aos baldes

Um autor pode – e até deve – arriscar-se numa história sem vilão muito bem definido. Mas terá muito mais dificuldade para chegar ao coração do público. E com toda sua inspiração medieval, Império não poderia prescindir de um balde de maldades. Por isso, a novela abriu espaço para duas vilãs de grande porte: Cora (Drica Moraes), a pobre, e Maria Marta (Lilia Cabral), a milionária. Os encontros das duas são deliciosos de ver.

3. Xana Summer e Naná

Há uma galeria enorme de travestis que fizeram sucesso nas novelas. É o tipo de personagem que o público adora, quando é oportunidade para um ator mostrar seus recursos.  No caso de Xana Summer, defendido com leveza por Ailton Graça, o resultado não poderia ser melhor. E, para completar, foi muito acertada a escolha de Vivianne Araújo para companheira de cena dele, como a manicure Naná. Vale citar, ainda, as cenas dela com Juliane Popular (Cris Vianna), rainha de bateria que vive uma história inspirada no seu relacionamento com o cantor Belo. “Força amiga”, disse Naná para Juliane outro dia, diálogo entre ficção e realidade.

4. Imperador

No centro de uma trama simples, de reconhecimento de paternidade e disputa por herança, Alexandre Nero pegou o protagonista José Alfredo de jeito e consegue ser ao tempo charmoso e cafona.

5. Brokeback Mountain

Como já citei aqui, o romance entre o cerimonialista enrustido Cláudio (José Mayer) e o jovem aspirante a ator Leonardo (Klebber Toledo) é um bolero tragicômico bem temperado com a maldade do blogueiro língua-de-trapo Téo Pereira (Paulo Betti)

6. Desfrute

A novela não chega a ser das mais salientes.  Mas sabe sugerir. Maria Isis (Marina Ruy Barbosa), amante de José Alfredo que vive enclausurada numa espécie de torre, dá show diário à la Victoria’s Secret. E, como é preciso agradar a todos, Robertão (Rômulo Arantes Neto) deu para se sustentar fazendo striptease em domicílio.

7. Dial

Uma trilha com músicas de respeito, e não sucessos grudentos, é um dos atalhos para cair no gosto do público. Desde a estreia, a playlist da novela só colhe elogios nas redes sociais, misturando de Beatles a Cartola.

 

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BEATRIZ LUTA PELA VIDA!

»Públicado por em ago 22, 2014 | 13 comentários

 

Ela diz porque fica com Cláudio:

“não vou deixar que destruam minha família!”

entrevista: Aguinaldo Silva

fotos: Fco. Patrício

Encontro Beatriz e Cláudio Bolgari, meus velhos conhecidos, no saguão de um hotel aqui da orla de Copacabana. E, num momento em que fico a sós com ela, aproveito e faço as duas perguntas que todas as mulheres do Brasil gostariam de lhe fazer neste momento. A primeira: como é que você pode ser tão conivente com o fato de que seu marido tem um caso com outro homem? E a segunda: por que não larga o Cláudio e vai viver sua vida?

E Beatriz, com aquela segurança que sempre desarma seus interlocutores, me responde:

“O padre Amâncio, meu confessor, a quem contei em segredo de confissão toda essa história, me fez essas mesmas perguntas. Seu marido lhe trai com outro homem! – ele comentou chocado. E me disse que não é cristão uma mulher conviver com uma situação dessas. E sabe o que eu disse a ele? Pra mim o que não é cristão é uma mulher, mãe e esposa abandonar a própria família num momento de crise gravíssima”.

 

 

Contesto minha amiga Beatriz: na visão de todo mundo, o que você está fazendo é proteger o Cláudio, dar cobertura a ele, quando na verdade devia era abandoná-lo. Por isso, me diz: o que sua família tem a ver com isso? E ela, serena como sempre, me disse: “eu explico”.

E assim o fez:

“Quando conheci o Cláudio já sabia tudo sobre ele… Inclusive este seu lado mais, digamos assim, secreto. Mesmo assim me apaixonei por ele, tenho certeza que ele também se apaixonou por mim, e nos casamos. Vivemos felizes esses anos todos, tivemos dois filhos, um rapaz talentoso e uma mocinha linda. Quase trinta anos se passaram. Viramos amigos cúmplices, parceiros, sócios…. Em trinta anos, nunca deixamos de estar juntos um dia que fosse. Posso dizer, sem medo de errar, que eu e o Cláudio… Nós dois nos completamos. Um é a segunda metade do outro”.

Eu a interrompo: mas você nunca soube das escapadas dele? E ela prossegue:

“Talvez até desconfiasse. Mas nunca soube de nenhuma, porque não quis saber. Não precisava! Cláudio sempre foi meu, nunca tive a menor duvida”.

Mas aí surgiu essa história de Leonardo…

“Foi um choque pra mim – disse Beatriz -, não posso negar isso. Porém, mais chocante ainda foi descobrir o perigo que a divulgação dessa história representava para a minha família. Sim, seria fácil pra mim, como aconselhou o Padre Amâncio, fugir da vergonha, do escárnio, me separar do Cláudio, ir viver minha própria vida… Mas me diz: que mãe de família seria eu se fizesse isso? É isso que conta pra mim: a família! Não é só pelo Cláudio, como você e todos os outros acham que estou lutando. É pela família que eu e ele criamos. É pelos meus dois filhos! Porque eu sei o quanto essa história vai afetar os dois, e também sei que tudo será muito pior pra eles se eu e o pai deles estivermos separados”.

Continuo: então você reconhece que está fazendo… uma espécie de sacrifício? Renunciando ao seu amor próprio? Beatriz:

“Não vejo sacrifício nenhum em lutar pela própria família. É isso que uma mulher faz todos os dias. E quanto ao amor próprio… Você se refere à própria individualidade, não é isso? Acho que toda mulher renuncia a este “amor próprio”, que eu chamo de “individualidade”, quando resolve ter o primeiro filho. Ser mãe de família pra mim é isso: ter a noção de que você deixa de ser uma pessoa só, passa a fazer parte de uma célula, e tem que ser fiel a ela, mesmo que isso lhe cause algum tipo de sofrimento.

Não sei, Beatriz – eu insisto: mas estou achando estes seus argumentos subjetivos demais… E acho difícil que uma dona de casa comum entenda isso.

“Então deixa eu explicar com outras palavras: eu pari meus filhos. Eu os amamentei, eu os criei, eu os tratei quando ficaram doentes, eu perdi noites e noites de sono cuidando deles, eu os eduquei… E a  mulher e a mãe que sou, que é a minha essência, se orgulha disso! E o que eu vejo agora é que tudo isso que fiz, que criei está em perigo, por conta desse escândalo, por causa do comportamento do meu marido, sobre o qual não me cabe fazer juízo de valor agora, talvez no futuro, quando tudo estiver resolvido. Eu te pergunto: o que faz uma fêmea quando vê sua ninhada em perigo?”

O que eu posso te responder Beatriz? Ela luta, é claro.

E Beatriz arremata:

“Então você já disse tudo. É o que estou fazendo agora, pela minha família que inclui dois filhos e um marido: eu luto! E não se iluda, meu querido – pra defender minha família eu sou capaz de tudo”.

 

 

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SONHO DE AMOR NA PRAIA

»Públicado por em ago 21, 2014 | 11 comentários

 

O comendador tem uma fantasia secreta:

fugir com Isis para uma das ilhas gregas

texto: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

Tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, absorvendo… E de repente o Comendador (Alexandre Nero) se viu, assim, completamente de Maria Isis (Marina Ruy Barbosa). Mas não pense que o sonho de José Alfredo termina mal como Sonhos, do compositor Peninha. A “visão” do todo-poderoso da IMPÉRIO das Joias, durante o sono, tem como cenário uma linda praia deserta, com sua musa toda trabalhada na transparência de uma túnica creme, com lingerie branca de renda por baixo. Como naqueles clássicos hollywoodianos, Isis vem correndo pela areia e se joga no colo de José Alfredo, que está com olhar perdido no horizonte. Mas pensam que para por aí? Nada! Os dois correm, se abraçam, se beijam, deitam e rolam na beira do mar, demonstrando sua paixão ardente.

Num primeiro momento, ele está beijando a amante com seu corpo colado em cima do dela. Depois, de mais olhares, selinhos, risos cúmplices, ambos com os pés na água, é Isis quem fica do lado do amante, depois com metade do corpo sobre ele, dando beijinhos e fazendo carinhos no rosto do Comendador. Após tantas carícias e demonstração de que há amor de verdade entre os dois, descansam na areia: a linda ruiva com a cabeça no peito dele, deixando as ondas baterem em seus corpos. Sem pensarem nos cabelos, na maquiagem, nas roupas molhadas, ou seja, uma entrega total!

 

 

Essa cena inspiradora e intensa da novela das nove foi gravada entre a manhã e a tarde de 20/08, na Praia da Reserva, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste carioca. O diretor Felipe Binder mesclou o amor romântico do casal com o desejo dos apaixonados, mas sem descuidar da estética, dando, inclusive, uns toques em Marina, para que sua roupa não deixasse mais do que deveria à mostra.

 

 

 

“Acho que eles têm tudo para ficarem juntos. Isis amadureceu, é legal o Aguinaldo (Silva) mostrar todo esse processo que ela vem passando até chegar aqui. Apesar desse lado sensual, ainda é muito menina; a família a mantinha em cárcere privado; e o José Alfredo nunca deu um empurrão tipo: ‘Vai estudar” ou ‘Vai trabalhar”. Agora, ela entendeu que não dá para viver só para ele, quando começar a trabalhar como recepcionista no restaurante “Enrico” vai sentir-se segura e desenvolver ainda mais esse processo de amadurecimento, explica Marina, feliz da vida com o retorno que vem obtendo nas ruas e redes sociais para que a dupla ZéIsis continue junta para todo o sempre.

E essa também é a visão de Alexandre Nero. “Por mim, ele já teria vendido sua parte na empresa, casado-se com ela e ido morar nas Ilhas Gregas!”. Ao que a atriz completa: “Santorini!”, citando uma das famosas ilhas da Grécia. E os dois rirem em total sintonia.

Com a equipe do Vídeo Show sempre por perto, acompanhando a gravação do sonho do Comendador, e os integrantes da produção da IMPÉRIO preocupada com o calor, oferecendo frutas, sucos e águas, o diretor ensaiava os atores, fazia as marcas, e pedia que Marina continuasse deitada por mais algum tempo sobre o peito de Nero, porque a imagem havia ficado muito bonita no vídeo. Embora o figurino da atriz fosse bem mais fresquinho, o calor e sol que, de repente, ganharam força, a fizeram ficar muito vermelha. Nero vestia blusa de mangas e calças compridas pretas. Ou seja, vira e mexe havia necessidade de retoques de maquiagem, lenços de papel para secar o suor, copos de águas e, quando surgia um intervalo, os atores sentavam-se em duas cadeiras sob uma enorme barraca de praia.

 

 

 

“Sabe, tenho um pouco de medo da cobrança da Isis para que o Comendador se divorcie de Maria Marta (Lília Cabral) e se case com ela”, comentou a atriz. Mas você não acha que ele já está pronto para esse passo?, perguntei. “Ele também está apaixonado, acho que é hora de começar uma nova história. Mas a família dela ainda é um problema: ele pede para Isis se livrar deles, mas ela se nega. E outra coisa é que a Cora (Drica Moraes) dá um jeito de aparecer no apartamento da minha personagem, vê um porta-retrato com a foto do casal, e isso pode trazer muita confusão”, comenta Marina, que, apesar do término recente, do namoro de três anos com Klebber Toledo, o Leonardo, de IMPÉRIO, está tranquila, e afirma que ainda existe sentimento entre eles, mas que já vinham conversando sobre a separação há algum tempo:

“Ainda somos muitos novos… Mas a gente não sabe o que será do futuro, né?”.

Enquanto isso, Alexandre Nero retoca a barba, e proponho pela duzentésima segunda vez que conversemos ‘seriamente’ sobre os sentimentos do Comendador. Tudo isso porque ele fala brincando, sem demonstrar que está fazendo graça. E eu, que levo tudo a sério, fico tensa. Ele olha fixo pra mim e diz: ” Você quer falar a sério? Então vamos falar!”. E desenvolve: “Sonho não se comanda, acontece. Mas reproduz o que ele gostaria de ter, na vida real, ficar longe daquela família maluca, de todos os problemas, esquecer um pouco o passado… É aquela história mesmo de largar tudo e ir para as ilhas gregas.(risos) Desde o princípio, ele teve dificuldade de se envolver no relacionamento com Isis, mas, depois de um piripaque que o leva a parar num hospital, dá pra rever a vida toda. Mesmo assim achei que foi rápido ele dizer que a amava”.

 

Depois de gravarem as cenas em que terminam molhados pelas ondas que chegam à beira-mar, cabelos desgrenhados, Marina com roupão, Nero enrolando mais ainda a bainha da calça, o diretor pede só um tempinho para gravar alguns detalhes. Marina me abraça e fala: ‘Gostou? Ficou legal?’. Eu afirmo que sim, que foi um lindo sonho de amor. Ela se afasta e comento com Nero: ‘Nesses quase 30 anos de profissão acho que não vi um ator que não ficasse inseguro sobre o produto final’. Ele pondera: ‘Se não tiver isso, não é ator. É burocrata. Ou já perdeu o interesse por atuar, e faz de qualquer maneira’.

Concordo e me despeço, mas ameçando voltar para cobrir outras cenas. Ele grita: ‘Nãoooooooooo!!’. Todo mundo olha, e Nero começa a rir pra mim… Nosso sonhador é um pândego!

 

‘MAS ELA VAI FICAR TRANCADA EM CASA?!…”

É a pergunta que todos me fazem… e eu respondo: sim, Isis vai ficar trancada em casa… por enquanto. Pois a novela é longa, e é preciso construir com extrema paciência primeiro o sentimento de tédio, depois o de incômodo, e por último o de revolta da moça por causa da situação em que vive. A essa altura da minha novela – a que eu guardo em casa e vocês só vão ver daqui a dois meses, Isis já está trabalhando como door woman no restaurante Enrico, que está prestes a mudar de nome e se chamar Vicente… pois é. Quem arranja uma ocupação para ela é o próprio comendador. E uma das cenas que mais gostei de escrever na novela foi aquela em que ele a leva para a sua primeira noite no emprego e, sem que Isis o veja, fica escondido a olhar cheio de orgulho enquanto ela trabalha, pois mais do que ninguém ele sabe que só o trabalho dignifica o homem – ou a mulher, no caso – e permite que ele ocupe o seu lugar, por mais insignificante que seja – neste nosso mundo sem ter vergonha de si mesmo. (Aguinaldo Silva)

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DU, O AMIGO DE LUCAS

»Públicado por em ago 18, 2014 | 36 comentários

 

Josie Pessôa é totalmente o contrário da sua Eduarda, em IMPÉRIO. Parece tirada de um conto de fadas. Com um lindo vestido preto longo, contrastando com o cabelo vermelho da personagem rebelde, ela chega para a entrevista ao ASDigital acompanhada pela mãe, dona Aldenir. Aos 26 anos, essa niteroiense articuladíssima e com a emoção à flor da pele, já comemora 20 anos de carreira; começou aos 6, no teatro do Instituto Abel, onde estudava -, vem de uma família de valores rigorosos. Primeiro beijo, aos 16 anos, com a permissão da mãe; primeiro namoro, aos 18 ; e, aos 22, depois de muitos ‘nãos’, ela resolveu aceitar o pedido de namoro daquele que se transformou em seu príncipe encantado: o empresário Alexandre Gantois sim, ele é descendente da Mãe Menininha. O projeto é se casarem com toda pompa e circunstância daqui a dois anos. Enquanto isso não acontece, Josie se joga de corpo e alma na apaixonada Du, que, aos poucos, vai ‘salvando’ João Lucas (Daniel Rocha) do mau caminho. De irresponsável, o rapaz começa a trabalhar na empresa do pai, vai conquistando segurança e talvez não precise mais da fiel companheira de todas as horas, já que fica de olho em Maria Isis (Maria Ruy Barbosa) após o término da relação dela com o Comendador (Alexandre Nero). E o futuro de Eduarda? Ah, esse só a Aguinaldo Silva pertence…

Quando notar que João Lucas está se interessando por Maria Isis, Du ficará grávida. Acha que é um tentativa desesperada para se casar com ele ou um golpe da barriga?

Com Aguinaldo (Silva) tudo é possível, mas até agora, ainda não sei de nada. Acho ótimo se tiver esse final, e ele não me contar, porque quanto mais verdadeira eu fizer essa amizade maior será minha surpressa. Mas claro que tudo é possivel. Até então o que me parece é que ela é apaixonada.

Você não acha estranho Du estar sempre por perto? Aparecer do nada para o Lucas?

Ela fica caçando coisas para fazer junto com ele, e se sujeita a tudo para estar perto. Isso pode ser amor… ou um grande interesse.Será?(risos)

Acho que se fosse amor, com o grau de amizade que eles têm, Eduarda poderia chegar e falar. Ou ela teria uma limitação?

Ah, ela tem uma limitação.Ela sabe que, por mais que sejam amigos, ele não a vê como uma mulher, e sim como um rapaz. O Nero (Alexandre) me chama de esquisita… (risos). É que a Du é fechada nesse mundo dela. No texto, toda vez que tem algo que ela demonstra, logo em seguida, corta. Qualquer demonstração de afeto com Lucas, depois minha personagem cai em si, e corta.

Mas em alguns momentos rola uma sensualidade em tom de brincadeira, como na troca de lugar no carro, com você passando para a poltrona do motorista, e ele para a do carona…

É uma relação muito bacana porque esse carinho, esse afeto, ele só demonstra com ela. É a unica pessoa com quem consegue falar o que pensa, o que acha, de maneira mais tranquila, desabafar. E ela também. É a única pessoa que fala que ele escuta, que não fica com raiva. É o ponto de equilíbrio. É ela quem cuida o tempo todo dele.

Você não acha também que Eduarda pode ser uma criatura obessesiva? Obcecada, mas fazendo a linha amiga para estar sempre do lado dele?

Eu acho que pode tudo. Quando Aguinaldo falou da personagem, disse: ‘Josie, ela é o melhor amigo dele. Essa menina é capaz de se tacar na frente do carro para salvá-lo. Mas apesar de ser doidinha, ela é muito mais correta do que ele’. Se ele está usando droga, Du é quem vai catá-lo, se estiver bêbado, ela quem dirige. E um dia os dois estão numa festa, acaba acontecendo, ela fica grávida…

Agora tem a questão da outra, estar envolvido com a Maria Isis…

E ela já demonstra ciúmes. Quando ele fala sobre o pai com Maria Isis diz: ‘Aquele velho com aquela menina!’, e eu já começo a falar, jogar videogame sozinha, mudar o assunto.

Estranho que ele, até então, não tem nem ficante…

Nada, ela até sacaneia uma hora: fala que ele está precisando de mulher, porque ela é a única pessoa com quem ele se relaciona. A outra ele vê como mulher, e isso deve matar a Du por dentro.

Se for o caso de ela ficar sozinha com o filho acha que vai ser uma pessoa amarga ou fará a linha bola pra frente?

Acho que vai lutar por ele. De alguma maneira, ela vai querê-lo por perto o tempo todo. Está tão bonitinha a relação dos dois! Acho que todo mundo alguma vez na vida já foi apaixonado por um amigo. E ele gosta dela, independentemente de tratá-la como homem ou mulher.

Eduarda tem tanta ascendência sobre João Lucas que vai conseguir que ele trabalhe…

Ela o carrega pra empresa. E quando perguntam quem ela é, minha personagem diz que é secretária dele (risos). Ela vai ficar sempre do lado dele. Ela fala que ele nasceu pra isso. E acredito que João Lucas vai tornar-se um grande homem.

Você acha que ele vai mudar? O que poderia mudá-lo?

O amor. Também acho que ele vai virar o dono da empresa, e casado comigo (risos).

 

 

AMIGOS, AMIGOS,

NAMORADOS À PARTE

Você acredita na amizade homem e mulher sem que um dos dois se interesse pelo outro ou tenha desejo?

Eu sempre tive mais amigo homem do que mulher. E nunca houve um envolvimento maior. Tenho uma certa dificuldade de lidar com mulher. Não sou pessoa que vai pro salão ficar horas, de bate-papo, não tenho paciência pra isso. Acaba que eu mesmo faço meu cabelo, minha unha, depilação, tudo. Pelo tempo que se gasta, sabe? Tenho, sim, grandes amigas, que também não são assim.

Você nunca namorou um amigo?

Nunca. O Rafael Zulu é meu amigo desde os meus 14 anos. No primeiro curso de teatro dele eu estava junto. A gente se conheceu na aula. Na hora de embora, ele comentou que era de São Gonçalo, e eu morava em Niterói. Perguntei se ele queria carona. O curso era em Botafogo (Zona Sul), eu ia e voltava com minha mãe. Aí, ele passou a ir comigo. Sempre trabalhamos juntos, fizemos várias peças. Ele é ‘Zulu’ porque eu dei o nome.

Por quê?

Na verdade, na época, tinha um Big Brother com um participante bonitão que se chamava Zulu. Mas quando dá entrevista, ele fala que é por causa da tribo dos zulus, que eram homens guerreiros. (risos) O nome é Rafael Gervásio, não dá, né? O mais engraçado é que hoje em dia ninguém o chama de Rafael. Zulu pegou.

E os outros amigos? Davam em cima de você?

Não, os meus amigos, não… Se um dia um gostar de mim, já deixa de ser amizade, porque vai ter que me falar.

Mas você acha que isso acaba com uma amizade?

Eu acho. Tenho amizade a ponto de o amigo me ligar e falar que está saindo com fulana. Se eu gostar, e ele me ligar, não vou saber como reagir a isso. Como vou reagir a algo que vai me machucar? Vai ser uma amizade falsa. Acho que tem de falar quando está interessado.

Acha que amizade com mulher pode ser falsa por haver competição?

Com certeza. Acho que lidar com mulher é muito mais difícil. Tenho uma grande amiga, estamos sempre unidas, e ela é verdadeira. Só dá certo esse tipo de amizade: quando é verdadeira. Ela se acha menos bonita do que eu, sei lá como se fala isso, e dizia: ‘Ai, Josie, não quero sair hoje com você, não, se não o pessoal todo olha pra você…’. É uma amiga que fala o que sente, poderia dar qualquer desculpa, mas, na cabeça dela passa isso.

Dona Aldenir – Ela não é feia: é exótica.

Uma amizade assim não é fácil de encontrar. Por isso, sou pessoa de poucas amigas. E como tenho dois irmãos mais velhos (Juliano, 30 anos, e Jales, 31), sempre fui criada muito com meninos.

Os nomes são todos com ‘J’?

É! A família inteira, da parte do meu pai. Jales, Jamile, Jaline, Joana, José Carlos, Janete, por aí vai…

Vai chegar um tempo, que começam aqueles nomes esdrúxulos…

Não, aí vai parar (risos)

Dona Aldenir – Meu papagaio se chama João Paulo.E a minha cachorra, Júlia.

Seu papagaio tem o nome do meu filho… Mas, Josie, você tem cachorros também, né?

A Malu, Maria de Lurdes, uma yorkshire, foi por causa de uma peça que fiz. A Júlia é anterior. Tem o Pingo, adotado. E dois buldogues, um inglês e um francês: Jack e Charmander.

 

 

O PRÍNCIPE RESSURGE

DA ADOLESCÊNCIA

No caso do Alexandre, como é que foi? Sei que era adolescente quando o conheceu. Ele morava perto de você?

Eu tinha 13 anos, e ele mora em Niterói. É uma cidade grande, mas que, na verdade, é ‘pequena’, todo mundo se conhece. Ele é oito anos mais velho do que eu. Como comecei a fazer teatro com 6 anos, isso me deu uma maturidade, só convivi com gente muito mais velha. Com 14 anos fazia uma peça com Rosamaria Murtinho, viajando pelo Brasil. Além disso, sempre estive perto dos meus irmãos mais velhos. Sempre fui a mais responsável, porque meu pai cobrava muito isso. Tinha que ter nota alta para continuar fazendo teatro, Eu era carta na manga de qualquer amiga – quando saía e falava (para a mãe): ‘Josie vai’, ela podia ficar tranquila que eu ia tomar conta. Sempre saía, mas nunca fiquei com ninguém. Só fui beijar na boca com 16 anos. E tenho 26 anos…

Dona Aldenir – O negócio do beijo eu falava: ‘Josie, quero ser a primeira a saber. Não quero saber por ninguém. Se alguém vier falar alguma coisa, quero dizer que eu sei’. E o primeiro beijo eu estava junto com ela.

Conta Josie…

Era uma festa em Niterói, numa boate. O Mateus Rocha, o Luka Ribeiro, que faziam uma peça com a gente, tinham uma banda, e iam fazer show. Eu falei pra ela: ‘Ó, mãe, vou ficar’, mostrei quem menino, claro. Ela fez aquela cara e falou que estava tudo bem.

Era só ficante ou o rapaz queria namorar?

Não era nada demais, eu já o conhecia, fazia peça junto com a gente. Era amigo. Minha mãe disse que tudo bem, mas, quando ela viu, falou: ‘Chega, vamos embora!’. (risos)

Chegou a namorar com ele depois?

Não, só fiquei.

Dona Aldenir – Ela ficou com medo de mim. A Josie trabalhou com a Thalita Rebouças (escritora de livros e peças para meninas adolescentes), que falava que eu era a inspiração dela. Muita coisa que eu dizia pra Josie, do nosso relacionamento, ela colocou nos livros. Em várias crônicas fui citada.

Mas e o seu príncipe, o Alexandre?

A gente sempre se encontrava por Niterói, fui crescendo e sempre falando pra ele que não queria namorá-lo. A gente tinha o mesmo círculo de amizade. Fui esbarrando com ele ao longo da minha vida, ele sempre chegava em mim, e eu dizia que não.

Por que? Ele tinha namorada?

Ele namorou, terminou… Eu só fui namorar pela primeira vez com 18 anos. Depois de dois namorados, no período em que estava solteira, coincidiu de ele estar também, e a gente se encontrar. E toda vez ele sempre pedia para ficar…

Mas nem beijo?

Nada. Sempre fui muito chata. Se ele estava num camarote, e dizia: ‘ Ah, fica aqui comigo’, logo falava não. Normalmente, já tem tanta mulher em volta nessa situação, que eu não gostava de estar lá, não seria mais uma. Primeiro, nunca bebi, era difícil a abordagem porque não tinha o que fazer. E,pra mim, homem solteiro acaba ficando com muitas mulheres. Eu achava que ele era ‘galinha’, porque pegava, e as meninas se apaixonavam. Só que, na verdade, ele não queria isso. Toda vez que eu o encontrava, falava: ‘Não sou mulher pra você. Não vai dar certo!’

Como aconteceu o ‘encontro’?

Meu amigo, Daniel Lacerda, que é amigo do Alexandre também, me chamou pra ir a uma casa noturna da qual era sócio, a Boate Praia, na Lagoa. E Xande também era sócio. Eu fui, ele veio…

Até que eu resolvi tentar.

Isso foi que dia, mês e ano?

A gente começou a namorar oficialmente dia 3 de dezembro de 2010. Esse encontro na boate foi uns três meses antes. Pensei bem antes: ele é um rapaz bonito, interessante, inteligente, porque pra mim aquela coisa de falar: ‘ Aí, gatinha!’, quando a conversa não desenvolve, não dá. Outra coisa, não sei ficar. Beijar na boca e virar as costas não é uma coisa que me interessa.

Ficou com medo de ele namorar você porque era uma coisa que queria há tanto tempo, e depois terminar? Tipo um troféu.

Não, eu tinha certeza que não.Depois que a gente foi saindo para jantar, conversar, vi que era muito certinho como eu, queria me apresentar à família. Temos isso em comum. Não dá pra você levar qualquer um em casa. Eu tinha certeza de que ele ia me pedir em namoro. Ele já tinha planejado ser no dia 31 de dezembro, na festa de réveillon, na casa dele, mas no dia 3, disse que não estava aguentando e me pediu. Quando fomos lá, já me apresentou como namorada.

Gente, parece uma história saída do túnel do tempo. Ninguém imagina que nos dias de hoje ainda há essa formalidade, esse envolvimento familiar todo… Bom, sua família aceitou,né?

Demorou mais tempo a ir lá em casa, uns dois meses. Era muito engraçado. Tem uma história bonitinha. O nome da boate é Praia. Comecei todo dia de noite a sair, e falava: ‘Pai, tô indo pra Praia’. Aí, um belo dia ele virou pra mim: ‘Que negócio de praia é esse que você vai? É lual?’ (risos). .

Mas você não falava do Alexandre para ele?

Ele sabia, já conhecia a família do Xande. Antes de a gente ficar, eu fui ao banheiro da boate, e meu irmão catou ele pelo braço e perguntou: ‘Quais são suas intenções com minha irmã?’. Ele respondeu: ‘São as melhores possíveis, só estou esperando que ela me dê uma oportunidade’.

Mas e agora, quatro anos depois, essa situação não desenvolve para um noivado?

Quando a gente começou a namorar, falava assim: daqui a cinco anos a gente se casa. Porque só tenho 26 anos, sou muito nova ainda. Só que cinco anos estão chegando muito rapidamente! (risos). Então, daqui a dois anos a gente se casa. Filhos, lá pelos 30 e poucos.

Ele tem ciúmes do seu trabalho?

Claro que tem. Mas não é muito… Ele me dá muita força. Mas é difícil lidar. Uma vez fiz um clipe, tinha um beijinho, nada demais, nem aparecia nada, ele falou: ‘Josie está lindo, mas…’. Na hora sabe… É uma coisa que aos poucos você vai lidando.

Mas você abriria mão dele caso pedisse que deixasse sua carreira?

Eu abriria mão, já falei isso pra ele. Ou ele aceita, ou aceita. Ele fala isso também: ‘Josie, se algum dia eu for te atrapalhar a ponto de saber que estou te prejudicando na carreira, não faz sentido a gente estar junto’. No início de Fina Estampa, ele falava: ‘Você pode pegar qualquer um na novela menos o Rodrigo Hilbert”. (risos). E justamente minha personagem ficou com ele! Depois do Rodrigo, ele fala: ‘Tá tranquilo’.

 

ASSÉDIO, EMOÇÃO E

OPÇÕES PARA O FUTURO

Você é atriz, jornalista, está terminando a faculdade de Moda, tem uma loja com sua mãe, num shopping em Pendotiba, ou seja, faz mil coisas e está sempre simpática, receptiva ao assédio do público…

Eu acho fundamental, fico muito feliz de sair e ter o reconhecimento. É o reconhecimento imediato que a TV dá. O feedback que você tem é o da rua. A gente recebe tanta coisa bonita, carinho, declarações. Não sei ser imparcial, me apego, respondo a todo mundo. Desde o teatro, gostava de atender a todo mundo. Fazia muito espetáculo infantil, que tem um público muito fiel, e vinham os pais com as crianças tirarem fotos, pedir autógrafos, dar abraços, beijos. Quando chego no Projac, as meninas estão lá do lado de fora, e, às vezes, passam o dia inteiro lá para dar um ‘oi’ a um ator ou atriz. Valorizo muito isso.

Por que você se empenhou demais para chegar lá, não?

Eu fiz figuração na Globo. Toda vez que entro no set faço questão de falar se tiver um figurante. Fora isso, a indiferença é muito ruim. É uma pessoa que está ali, faz parte da cena, não custa dar um boa tarde, boa noite. Como comeci muito nova, passei por muita coisa. Já ouvi muito ‘não’, mandarem maquiar na figuração, botarem em outro camarim para não ficar com as atrizes… Nossa, quando você pega uma produção como essa! Nunca vi nada igual. Sensível, trata todo mundo de maneira igual, com carinho, respeito, independentemente de ser ator, figurante ou participação.

Com certeza esse clima bom vai pro ar.

Seus pais sempre lhe deram força?

Meu pai nem um pouco. Ele é empresário. Eu estudava no Instituto Abel, tinha um curso de teatro que pedi para fazer. Começou como brincadeira, mas logo depois comecei a fazer muitas peças. Ainda teatro amador. Mas entrava em temporada, cartaz, bilheteria, tudo. Fui fazendo, mas aquilo me tomava um tempo enorme.

E eles falavam o quê?

Meu pai, enquanto era um hobby ficava mais tranquilo. Mas quando foi vendo, lá pelos meus 12 anos, que era uma coisa muito séria, que estava tomando muito meu tempo, eu viajava, não fazia passeio de escola, deixava de fazer muita coisa, ele dizia que não era isso que queria para a filha. Quando estava com 14 anos, já fazia teatro profissional, o musical Personalíssima com a Rosamaria Murtinho, que confiou em mim, falo que ela é minha madrinha. A sorte é que tive a minha mãe. Ela era professora de Português, saía do trabalho, me pegava e levava. Era vida corrida e ela estava sempre do meu lado. No meu aniversário de 14 anos, a Rosamaria foi lá em casa, jantar comigo. Aí, meu pai foi assistir à peça. Quando me viu naquele palco, falou: ‘É, não tem mais jeito, não. Vou ter que aceitar isso’. Agora está na fase do orgulho. Passou da fase da vergonha para orgulho.

É uma carreira dificil, você tem que passar por vários percalços.

Olha, o que o Aguinaldo fez por mim… (chora) Toda vez que falo nisso me emociono, porque todos os dias quando acordo penso: ‘Batalhei tanto por isso, não é possível que fechei um capítulo na novela das nove’. (aos prantos) As pessoas não têm noção do que passa pela cabeça, de toda trajetória, de todos os ‘nãos’ que recebi, de tudo que deixei de fazer na minha vida, do quanto lutei por isso. É muito difícil. Fico vendo as minhas cenas… Cara! Não estou acreditando nisso!

Fica tranquila. Vai borrar a maquiagem, hein?! Vamos continuar? Depois de Malhação, Zorra Total, entrevistas na Master Class 2, Fina Estampa… E como apareceu o curso de Jornalismo nesse caminho?

Desde pequena gostei de escrever, apresentei programas na TV de Niterói, Break Musical e Player Magazine, uma revista contando as coisas de Niterói, os eventos culturais e tal. Sempre gostei. Sei que faculdade de artes cênicas é maravilhosa, mas falei que posso suprir isso fazendo curso de história da arte, e é bom ter outra garantia de profissão. Fiz jornalismo na UFF. Pensei em ter uma segunda opção, que eu gostasse também.

Mas por quê? Você acha que poderia deixar a carreira artística?

Não quero passar fome, né? Preciso ter o meu dinheiro, uma outra profissão, não dá para ficar à mercê de uma coisa que pode não acontecer, que não depende tanto de você, um concurso que você pode fazer e passar. Você joga com sorte e todos esses outros fatores que falamos.

 

 

TROCOU FRITURA POR

REFRESCO DE MARACUJÁ

Na adolescência, você ia muito a fast-food.Você era gordinha, não?

Era. Não sofria bullying porque sempre fui muito despachada, e eu me achava linda. Não me achava gorda. Acho que eu fazia as pessoas acreditarem nisso. Uma vez, estava num intervalo do curso de interpretação da Andreia Avancini, comendo batata frita. Aí, apareceu uma produtora de agência e me disse: ‘Por que você não troca isso por uma maçã? Se emagrecer, quero você na minha agência’. Aquilo foi meu start.

E aí você parou de ir a lanchonetes de fast food?

Eu diminui, andava com uma garrafinha de refresco de maracujá. Me dava fome, bebia o refresco. E com certeza me deixava mais calma. Foi ótimo, foi a fase que dei mais uma espichada.

Mas você fez uma reeducação, passou a não comer o quê?

Evitava batata frita, fritura, fast food, coisas assim.

Como é que você equilibra isso?

Quando estou trabalhando, sempre consigo manter meu peso tranquilamente. Estou com 54 quilos. Normalmente, com 57, 58, estou ótima, mas no vídeo fico gordinha. Com 54 fico melhor. Aí, dou uma segurada: evito fritura, glúten, tiro carboidrato, fico mais na proteína durante a semana… Não sou uma pessoa de academia. Na verdade, odeio academia. Adoro dançar, já fiz jazz, sapateado, hip hop, zouck, salsa, por conta também do trabalho como atriz. Acho que para o ator ser completo tem que saber tudo. Já fiz aula de canto, tento, me esforço, mas não é uma coisa que eu tenha aptidão. Mas me esforço pra isso. Fiz música no espetáculo com a Rosamaria (Murtinho), não tinha solo, mas pra estar decente no vozerio, né? Fiz dublagem, que é outra coisa que achava interessante dentro da profissão. Fiz violão. Tudo que possa somar…

O que você acha dos tratamentos estéticos, dos excessos que pessoas fazem para mudar rosto e corpo?

Todo mundo fala que tenho uma pele ótima. E tudo que faço é só passar um protetor solar fator 50. Odeio a sensação daquela pele melada, ele é completamente seco, você passa, e parece que acabou de lavar o rosto. E maquiagem todo dia por causa da novela.

Mas você gosta de sair maquiada…

Gosto, aprendi a gostar por causa do teatro. Tem que aprender a fazer sua própria maquiagem. Você fica viajando dois, três meses com a peça, e não tem maquiador. No dia a dia, passo rímel, um corretivo, nisso eu sou um pouco vaidosa. Estou usando mais batom com esse cabelo. Dá uma amenizada.

De quanto em quanto tempo a tintura tem que ser retocada?

Toda semana, pintando ele inteiro, porque desbota muito rapidamente. Agora, a gente achou um shampoo e um condicionador que repõem o vermelho, que dão cor. Tem que aplicar como uma tinta. Estava desbotado, passei ontem e voltou o vermelho. E ele hidrata pra caramba. Esse cabelo vermelho é a coisa que mais me perguntam.

E que outras modificações você faria por uma personagem? Qualquer uma?

Qualquer uma! Corto, raspo o cabelo, engordo, emagreço, o que precisar. Meu corpo tem que servir à personagem.

 

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