PARA, EU QUERO DESCER!

»Públicado por em set 3, 2015 | 8 comentários

 

Que merda geral é essa

que tá acontecendo, me digam?

(foto: Fco. Patrício) 

Ando com preguiça e com raiva e com insônia e cheio de impaciência e à beira de um ataque de nervos por causa de tudo isso que está acontecendo do lado de fora da minha janela, com esse Brasil que insiste em se apequenar, em ser mesquinho, em acreditar nas mais cabeludas mentiras e nos maiores estelionatários – acho que, quanto a estes últimos, sim, somos os pentacampeões de todo o planeta -, e também com o que anda rolando com o resto do mundo…

Me digam: por que a foto daquela criancinha morta emocionou o universo inteiro – menos os governantes dos países dos quais crianças como aquelas são obrigadas a fugir nas condições mais miseráveis e precárias?

Mais uma vez as organizações não governamentais que vivem à custa de governos se unem para dizer que a Europa tem a obrigação de receber e ajudar e encaminhar todos os que tentam entrar lá das maneiras mais precárias e por vezes mortais. Tem mesmo? Só em agosto 100 mil fugitivos do pesadelo terceiro-mundista pediram refúgio à Alemanha. Neste andar de carruagens, serão 1,2 milhão num ano. E isto só na Alemanha, sem contar os que tentam ficar na França, na Espanha, na Itália… Como dar de comer e abrigar tanta gente, me digam?

O que as Ongs não dizem é que, em torno do desejo dessa gente de fugir do mundo insensato em que vive, criou-se um verdadeiro comércio. Tem muito vagabundo faturando à custa do pânico destes sem destino. São os que enriquecem à custa da desgraça (ou da ingenuidade alheia, caso do Brasil) sem que ninguém se preocupe em denunciá-los ou puni-los.

Não sei, mas acho que o mundo, pelo menos como o conhecemos e fizemos a duras penas, está caminhando para um desfecho trágico. E, nestas circunstâncias, me digam, faz sentido eu ficar aqui pensando no meu próximo livro, na minha próxima peça de teatro ou na minha – curuzes! – próxima novela? Claro que não!

De uns dias pra cá não consigo fazer mais nada além de ficar puto da vida.

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PEÇAM DESCULPAS A GRAZI

»Públicado por em ago 29, 2015 | 16 comentários

 

De repente começou a chover elogios sobre a cabecinha loura de Grazi Massafera. Até os que adoravam tripudiar da pretensão da ex-BBB de ser atriz – diziam que ela, como todos os outros saídos do programa, não era do ramo – passaram a amá-la. Agora ela é a Moça da Capa, a Garota do Dia…

 

Mas eu não vejo razão para esse escândalo todo. Nunca duvidei da capacidade da menina Graziela. Desde que ela sacudiu os cabelos praquele tal de dr. Rogério, o malvadinho do BBB que tentava cooptá-la pra turma do mal, e disse a ele: “olha aqui pra você, ó”, passei a gostar dela. Tanto que devo ter sido o único rapaz solteiro da galáxia a não torcer por Jean Willys e sim por Grazi na final do programa. Ela perdeu no curto prazo, mas deu um jeito de continuar na briga… E a longo prazo Jean é quem perdeu, pois foi parar no Partido dos Desesperados, Perdidos e Mal Pagos, o PSOL… Curuzes! Enquanto ela vai ganhar todos os prêmios de atriz no próximo ano.

 

Quanto ao fato ora apregoado segundo o qual Grazi, como se fosse por um milagre de Nossa Senhora de Fátima, se tornou atriz, esta é uma coisa que ninguém se torna, gente. Perguntem a Fernanda Montenegro: ou é ou não é… Mas só pode mostrar que é se tiver a chance de viver um personagem consistente. Finalmente deram um destes a Grazi e ela, que é sábia, montou no cavalo ajaezado que lhe passou à frente e saiu a trotar como se pisasse nos outros astros do elenco distraída.

Por que não fez isso antes? Porque só lhe ofereceram papéis de mocinhas bobocas. Duvido, por exemplo, que Isis Valverde se tornasse a atriz que é se, ao longo de sua carreira, tivessem lhe dado apenas as personagens que até aqui tinham dado a Grazi Massafera. Ao contrário do que disse aquele italiano chatíssimo, a vida não é bela, pelo contrário – começa e termina mal, é difícil, frustrante e horrorosa. Mas algumas poucas pessoas se mostram duras na queda e assim conseguem driblar todos os traumas. Grazi Massafera, essa criatura linda e atriz que agora finalmente brilha, sem dúvida é uma delas. Por isso, o que eu lhe desejo é…

Auguri, querida.

 

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FABÍOLA SOLTA OS BICHOS

»Públicado por em ago 25, 2015 | 31 comentários

 

Preparem seus corações

antes de ver esta Hard Talk

porque a cobra vai fumar!

 

 

Fabíola Reipert e eu já discutimos via internet e até trocamos insultos. Eu a desmenti, ela reafirmou o que eu tinha desmentido, eu pensei em processá-la e ela deve ter dado boas gargalhadas ao saber disso… Enfim, nunca fomos com a cara um do outro, mas sempre à distância… Até o dia em que resolvi entrevistá-la. Ela chegou na minha casa visivelmente tensa, achando que minha intenção era detoná-la,  mas eu a deixei falar – inclusive coisas com que não concordo – e, ao final da entrevista, descobrimos que se separados brigamos, juntos somos dois fofos. Claro que ela exagera na dose quando fala de sua especialidade, que é a vida privada das celebridades. Mas faz isso sem jamais perder de vista o fato de que é jornalista, e que o dever do jornalista é primeiro se certificar de que a notícia não é um boato, mas um fato, e então divulgá-lo. Este minha hard talk com Fabíola Reipert (“Cobríola” para os que a odeiam) beira o hard core… Mas – prestem muita atenção em tudo que ela diz – Fabíola é fabulosa.

 

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SAIBA COMO VIRAR ZUMBI

»Públicado por em ago 23, 2015 | 5 comentários

 

A última temporada de The Walking Dead foi vista por 16 milhões de pessoas. Não chega a ser o público de uma novela das 21h no Brasil (de 40 a 60 milhões), mas, em termos de Estados Unidos, é sucesso. Por isso, nada mais natural que se faça um spin-off da série, contando como surgiram os zumbis matadores. Ela é Fear the Walking Dead, que estréia hoje, às 22h, nos Estados Unidos, no Canal AMC. Não fui fã da série, não tenho a menor paciência para zumbis, assim como não tenho para cracudos (são muito parecidos). Mas como sei que muitos de vocês gostaram, dou aqui um trailler do que os americanos vão ver logo mais: vejam os primeiros três minutos de Fear the Walking Dead e decidam se vale a pena ver ou não.

 

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BOTA “HARD TALK” NISSO”

»Públicado por em ago 22, 2015 | 5 comentários

 

O que vocês vão ver agora é apenas uma palhinha ou, como dizem, um teaser da minha hard talk, gravada em vídeo, com Fabíola Reipert, também conhecida como “Cobríola”, a mais heavy metal de todas as colunistas de celebridades. Fabíola abre o jogo e fala cobras, largatos, jacarés e dinossauros na entrevista… Que vocês verão na íntegra, postada aqui a qualquer momento. Por enquanto deliciem-se com esse trailler e imaginem o que ainda vem por aí… Ah sim: o lema de Fabíola Reipert, que serve de recado aos famosos de todos os naipes, é: “não aprontem, que eu não publico”.

 

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ETERNA RAINHA DO RÁDIO

»Públicado por em ago 20, 2015 | 15 comentários

 

Diva de verdade não decepciona os fãs.  Mesmo rouca e se recusando a atender o pedido do marido e empresário, Daniel D’Ângelo, para adiar o show, Ângela Maria, 86 anos, não apenas compareceu ontem (18/08) ao palco do Theatro Net Rio, em Copacabana, como cantou lindamente.

texto: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

 

E nada de “artifícios” ou simpatias. “Você usa gengibre, por exemplo?”, perguntei. “Não acredito nisso. Tomo muita água. O negócio é que fiz uma t

urnê no Nordeste, e a gente vai se empolgando, cantando mais, e vem aquele vento do mar… Deu nisso. Mas eu não podia decepcionar quem veio aqui me ver”, comentou a cantora, que, na hora do espetáculo, interpretou algumas músicas que não estavam previstas no setlist:

“A gente sabe as que ficam melhor quando se está assim”.

“Você evita as notas mais altas, os agudos, a plateia interage e há um desgaste menor…”, completei. “Isso. Mas o importante é cantar de verdade, com a alma”, reiterou ela. E essa necessidade de “cantar de verdade” é típica dos grandes ídolos que vieram da era de ouro do rádio. Se até os muitos bons podiam ser gongados, literalmente, ou rejeitados num programa radiofônico, que dirá os medianos. Não tinha embromação: valia o gogó privilegiado, assim como o da eterna Sapoti, fonte de inspiração para as grandes Elis Regina e Clara Nunes.

Ângela não se poupou no show. Acompanhada pelo excelente violonista Ronaldo Rayol, ela interpretou músicas novas e antigas, contou histórias engraçadas, e aproveitou para divulgar o novo CD, Ângela à Vontade: “Mas vestida! Senão, as pessoas pensam que estou de biquíni ou nua”, brincou, dando aquela risada gostosa, que é marca registrada.

 

Num longo prata com camadas de babados pretos, arrasando nos brilhantes e esmeraldas, a mais votada Rainha do Rádio (entre 1954 e 1955, com 1.464.996 votos) chegou ao palco mudando as expectativas. Aliás, ela “chegou, chegou… meu corpo treme e ginga qual pandeiro. A hora é boa, o samba começou e fez convite ao tango pra parceiro”, ou seja, atacando de Caetano Veloso, com o manemolente O Samba e o Pandeiro.  Ângela deu “boa noite”, mas achou o retorno da plateia “fraquinho”. Então, ouviu, de volta, um grito em uníssono.

“É uma felicidade muito grande voltar aqui, e o momento que vivo. Depois de tantos problemas (a cantora foi espoliada por vários empresários) só estou do lado do grupo do bem: meu marido, o Ronaldo Rayol e o produtor Tiago Marques. Muitas gravadoras fecharam, muitos artistas ficaram sem gravar, inclusive eu, e o Tiago me fez gravar de novo. Nesse novo disco canto músicas daqueles que não estão mais entre nós, que muitos não conhecem, e vão conhecê-los através de mim. Assim, estou cercada por três anjos maravilhosos, que me tiraram do ostracismo, da tristeza, e me livraram do grupo do mal”, desabafou ela, acrescentando que entrou na era da Internet e que já há registro virtual de 10 mil fãs.  

Depois de se declarar “uma mulher feliz”, contou da tal temporada no Nordeste que a fez ficar rouca de tanto cantar. “Vim pelo amor, respeito e carinho que tenho pelo meu público”. E completou, na maior humildade: “Não reparem! E me ajudem”. E entrou na Vida de Bailarina, que Américo Seixas e Chocolate, escreveram para ela homenagear as dançarinas do Dancing Avenida, onde foi crooner. E além da beleza da letra, que é um lamento sobre a difícil vida que as bailarinas pagas para dançar com os clientes, Ângela Maria a interpreta com tanto sentimento, dá pausas tão certeiras e tem olhos marejados – “um sorriso na boca e uma lágrima no olhar” -, que emociona o público e o leva até aquele cabaré, no final dos anos 1940. Mas, aí, ela pula para 1964, e entoa com doçura Pra Você, de Silvio César. Pula dez anos e chega a O Portão, de Roberto e Erasmo Carlos. Outra interpretação magistral. Quando ela canta a licença poética “meu cachorro me sorriu latindo” chega a passar a mão na cabeça de um cão invisível. Com seu exercício de atriz em 21 filmes, a cantora domina o palco descrevendo o sofrimento daquele homem que volta para casa sem saber como será acolhido. Impressionante.

 

A volta ao passado vem com As Rosas Não Falam, de Cartola, e Gente Humilde, de Garoto, Vinícius de Moraes e Chico Buarque de Hollanda. Novamente olhos marejados, lembrando uma infância e adolescência difíceis, quando sua família, por falta de dinheiro, dissipou-se, e Ângela teve que morar em casas diferentes no subúrbio, em Niterói, na Baixada, até seu pai, 13 anos depois, conseguir reuni-los. Mas logo o clima portenho invadiu o teatro, com Tango Pra Tereza, de Jair Amorim e Evaldo Gouveia. E a cantora incentivando a plateia a acompanhá-la mais alto, já que a maioria estava sussurrando as canções. Uma paradinha para renovar a indicação de seu CD e agradecer a presença de “um dos maiores autores de novela do Brasil”. E luzes se acenderam sobre a poltrona do dono deste espaço, que morreu de vergonha com as palmas e gritos.

Num momento de descontração, Ângela Maria resolveu fazer de conta que o teatro era uma casa, que todos ali eram os convidados para uma feijoada. “Bom, eu já comi a minha lá dentro (e apontou para a coxia), estou até com sede (tomou um gole de água, que estava sobre a mesa no palco). Estou convidando porque sei que o carioca gosta de um rabo… de porco, de uma boa linguiça”. Risos gerais. “Daqui a pouco vou mandar passar as bandejas com as caipirinhas. Podem esperar”, brincou, rindo também.

E Ronaldo Rayol introduz  uma das várias versões chicanas que são sucesso na voz da cantora: Falhaste Coração (Fallaste Corazón, de Cuco Sanchez, com versão de  Luis Carlos Gouveia). Mais uma de amor em seguida, com Amendoim Torradinho, de Henrique Beltrão. Mas não o sentimento lírico… “Não há neste mundo um amor mais profundo que o amor bem vagabundo, que vem lá do meu bem”.

E, mesmo rouca, a Sapoti volta à verve humorística. “E quem aqui não é Cinderela ou Cinderelo?”, pergunta à plateia que já vinha gritando pela música de Adelino Moreira. Ângela aproveitou para dividir mulheres e homens no coro de “Cinderela, menina moça, coração a palpitar. Cinderela eu sou, Cinderela… E o meu príncipe encantado vai chegar”. Quando cantou depois da plateia, ela mudou a letra: “E o meu príncipe encantado já chegou!”.

 

O amor sofrido volta à cena, com Nunca e Vingança, de Lupicínio Rodrigues; com Só Louco, de Dorival Caymmi; e com Orgulho, de Waldir Rocha e Nelson Wederkind. E a Ângela ‘stand up’ retorna, contando que sua mãe tinha um galinheiro, e a mania de colocar nomes de artistas famosos nas penosas. “Tinha Marlene, Emilinha, Dalva, mas não era por gozação de jeito nenhum! Era homenagem. Eu dizia: ‘Mamãe, imagina se eu trago uma delas aqui em casa, e você chama: ‘Emilinha, vem cá!’. Para com isso, por favor. E ela continuava. Colocava nomes até nos frangos: Manoel Barcelos, Paulo Gracindo, César de Alencar – que vivia correndo atrás da Emilinha… Até que um dia, minha mãe parou com essa mania, e jurou que agora só tinha mais um bichinho com nome. E me mostrou uma leitoa, com lacinho cor de rosa, toda bonitinha. ‘Quem é essa artista, mãe?’. E ela respondeu: ‘É você!’”. Como a maioria dos espectadores lembrava-se dos artistas cujas galinhas e galos foram “batizados” pela mãe de Ângela, a piada datada foi muito aplaudida.

E com isso, o show – que poderia continuar apresentando todo o repertório da grande Abelim Maria da Cunha, ou seja, Ângela Maria – foi chegando ao fim. Mais uma interpretação com misto de encenação teatral de Retalhos de Cetim, de Benito de Paula, e Maracangalha, de Dorival Caymmi. Um descanso na voz veio com pedido de que todos  cantassem “um hino da música popular brasileira”: Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro. Depois do coral afinadíssimo, a cantora chama Márcio Gomes, que já havia dividido o palco do Net Rio com a diva. E não é que o rapaz entrou com tudo, interpretando Granada. Que vozeirão!

Mas os espectadores continuavam pedindo pelo carro-chefe da artista – e mesmo ela dizendo: “Não sei se vou conseguir!” -,  arrasou com Babalu, sucesso há 57 anos. Palmas de pé até com a cortina fechada. Olhei em volta: havia representantes de todas as gerações. Saudade não tem mesmo idade. Eu morri de saudade de tudo que a Sapoti cantou para minha avó e meus pais.

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ELA AINDA NAMORA O BRASIL

»Públicado por em ago 17, 2015 | 11 comentários

 

Na manifestação do Rio,

a atriz Regina Duarte foi

a única voz da classe artística.

 

 

Regina Duarte foi a única pessoa da chamada “classe artística” a ter sua presença registrada na passeata de protesto de ontem no Rio de Janeiro. Brava Regina, a primeira a dizer “eu tenho medo” do que podia vir com a tomada do poder pelo PT e que, na época, quase foi crucificada por isso. Aliás, o silêncio dos artistas (sempre tão comprometidos com várias causas) em relação à roubalheira que está comendo as finanças do país, é triste e constrangedor. Sou mais Paulo Betti e José de Abreu, que assumem abertamente a defesa do PT e pronto. Eles, pelo menos têm a coragem de se manifestar a favor, assim como Regina, guerreira como sempre, se manifesta contra.

 

 

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