MAS ELE VAI VOLTAR!

»Públicado por em dez 18, 2014 | 2 comentários

 

 

Como disse muito bem Maria Marta aos jornalistas que a cercaram na porta da Império em busca de alguma declaração sobre as acusações contra o comendador: no comments, ou, para os que faltaram às aulas de inglês – palavras dela – “sem comentários” para o magnífico, cheio de presságios, triste, soturno e ao mesmo tempo pulsante capítulo de hoje de “Império”. Eu e minha equipe (Márcia Prates, Nelson Nadotti, Maurício Gyboski, Zé dassilva, Rodrigo Ribeiro, Brunno Pires, Renata Dias Gomes e Megg Santos), nos sentimos profundamente emocionados e orgulhosos por ter produzido tão alta dramaturgia, que é fruto do esforço de todos. E parabenizamos aos que deram tudo de si para que o resultado fosse o que foi: espantoso. Rogério Gomes e sua equipe de devotados diretores, o elenco brilhante, o pessoal da técnica, e mais cabeleireiros, figurinistas, maquiladores, camareiras, enfim… Todos que nesta novela dão sentido à expressão “trabalho de equipe” e não medem esforços para que ela fique para sempre na memória do nosso povo.


fotos: Paulo Belote/TVGlobo

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CORRE, JOSUÉ, CORRE!

»Públicado por em dez 18, 2014 | 1 comentário

 

O amigo fiel tem duas horas para desenterrar o comendador José Alfredo e evitar que ele morra de verdade. Mas Salvador, o pintor maluquinho, cruza o seu caminho, acontece um atropelamento e aí… Ele pode chegar tarde!

 

Depois de velado e sepultado, na hora prevista o comendador José Alfredo Medeiros atravessa de volta o rio dos mortos e abre os olhos dentro de sua tumba. Tudo foi programado. Lá dentro ele tem oxigênio pra duas horas, o suficiente para que Josué o retire do caixão, que está hermeticamente fechado. Nada poderia dar errado…  Não fosse o modo intempestivo como Domingos Salvador, o pintor maluquinho, entra na história. Depois de discutir com Orville e Carmen, ele foge de Santa Teresa a correr, desatinado, acaba se jogando na frente do carro de Josué e é atropelado. A ampulheta do destino começa lentamente a escoar. Em sua tumba, o comendador vê o oxigênio nas últimas, já acabando… E ainda longe do cemitério, por conta do atropelamento, Josué tem o carro interceptado.

fotos: Fco. Patrício

 

O que acontece a partir daí é uma corrida contra o tempo e contra a morte. E se minha modéstia me permitisse dizer de um dos capítulos de Império que é uma obra prima eu diria deste 133, que vai ao ar na próxima segunda-feira, dia 22 deste – pra quem participa da novela – maravilhoso mês de dezembro.

 

As cenas do atropelamento de Salvador Paulo Vilhena), e da aproximação dele de Helena (Júlia Fajardo), que vai passando no local por acaso, foram gravadas ontem na Avenida Chile, no centro do Rio, e o trabalho todo consumiu cerca de dez horas. Detalhe: meus colaboradores e eu não levamos mais do que uma hora para escrever e revisar uma, duas, três vezes toda a sequência…

E aqui é preciso que se fale sobre o desgaste que é participar da linha de frente de uma novela. Uma coisa é o autor  fazer com que um personagem seu viaje ao planeta Marte e passar isso para o papel… E outra é exigir que atores, diretores, técnicos e mais todo o circo necessário realize a cena e a torne inesquecível.

Embora aqui  tarefa fosse bem mais fácil – não era uma viagem ao planeta Marte e sim um simples atropelamento -, vocês não podem imaginar o trabalho que ela deu até que o resultado se tornasse digno do alto nível de qualidade da realização que – mil vezes obrigado! – é um dos destaques de Império. Nos meus 40 anos de televisão, posso dizer sem medo de errar que esta é a primeira vez em que, em nenhum momento, mesmo na cena mais trivial, a realização desmereceu o texto – até pelo contrário. E, para um autor voraz e empenhado como eu, isso vale muito.

 

O diretor David Lacerda, no comando de uma equipe de 180 pessoas, não mediu esforços para que tudo saísse à altura da qualidade da novela. A certa altura chegou até a deitar no chão (na foto acima) para mostrar a Paulo Vilhena e Júlia Fajardo o melhor modo de se comportar na cena.

Esse encontro de Salvador e Helena é importante para o futuro dos dois na novela, já que eles vão se envolver – pois muita gente me pede que o “pintor maluquinho” arrume uma namorada – e formar um novo casal que vai dar o que falar na novela. Graças a ela Salvador vai se livrar progressivamente da influência às vezes positiva de Orville (Paulo Rocha) e sempre negativa de Carmen (Ana Carolina Dias) Ao mesmo tempo Helena, até aqui atrelada à história de Marta, de quem era secretária terá a partir de agora sua história própria.

 

 

 

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PATRICINHA MALVADINHA

»Públicado por em dez 17, 2014 | 15 comentários

 

A Patrícia Kogut não consegue ser boa jornalista nem quando tenta ser má. Na sua ânsia de descobrir um jeito de derrubar “Império”, ela diz hoje que os capítulos da novela estão chegando “picotados” (sic) por conta das mudanças na personagem Cora. Se ela fosse menos relações públicas dos amigos e aparentados e mais jornalista, iria a campo – ou mandaria suas auxiliares – e descobriria que hoje vai ao ar o capítulo 129 e a produção já recebeu, prontos, acabados e fechados, até o capítulo 144, o que dá mais de duas semanas de frente aos roteiristas. Mas ela não é boa jornalista, e não é cada vez mais, entre outras coisas porque se acha mais poderosa do que realmente é. Só não leva uma nota zero, porque esse negócio de nota zero é coisa de quem entrou na profissão por portas travessas e até hoje não sabe o que está fazendo lá. Não sei se é o caso dela, mas certos “jornalistas” deviam ter vergonha do jornalismo que fazem, assim como deveriam ter vergonha aqueles que lhes permitiram exercer a profissão. (Aguinaldo Silva, jornalista – de verdade – e escritor)

Ah, sim: pra não deixar de dar uma notícia (verdadeira, não falsa), que é o que um jornalista de verdade deve fazer: ontem, em plena semana pré-natalina, quando as audiências em geral sofrem uma queda, Império bateu de novo o seu récorde e deu 38 em São Paulo.

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NO PAÍS DAS SOMBRAS

»Públicado por em dez 16, 2014 | 11 comentários

 

No enterro do comendador José Alfredo Medeiros, uma daquelas coincidências graças às quais se pode dizer que a arte imita a vida… E contempla a morte. Sem que isso fosse planejado, o cortejo fúnebre passa diante do túmulo de Janete Emmer Dias Gomes, aquela que ficou conhecida e foi eternizada como Janete Clair. Alertada posteriormente para o fato, Marina Ruy Barbosa foi lá e depositou um ramo de flores.


 

texto: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

 

Realizado em petit comité, o sepultamento do Comendador José Alfredo Medeiros (Alexandre Nero), 50 anos, que faleceu de parada cardiorrespiratória em sua residência, reuniu, ontem, 16/12, familiares, amigos e alguns admiradores no Cemitério São João Batista, na Zona Sul carioca. Tudo muito discreto e chique. Bom, mais ou menos discreto, já que o caixão em mogno maciço com alças e detalhes banhados a ouro, e a quantidade exagerada de flores davam um toque de enterro-ostentação. Chique, também mais ou menos, porque compareceram nada menos do que a esposa, Maria Marta (Lília Cabral), a amante, Maria Isis (Marina Ruy Barbosa), a apaixonada pancada, Cora (Marjorie Estiano), e o blogueiro obsessivo, Téo Pereira (Paulo Betti).
Mas, graças a Deus, não houve barraco e afins. Até a filha bastarda, Cristina (Leandra Leal), foi bem tratada. E não privou o ASDigital de um comentário sobre seu pai:
“Perdi minha mãe há pouco tempo, sei a dor que a família deve estar sentindo, e isso me emociona muito. Mas, como a empresa ficou em minhas mãos, tenho uma responsabilidade a enfrentar, como líder. Por isso, meu primeiro discurso foi sobre a necessidade de união entre todos. Quando viram que meu pai havia retirado milhões da Império, antes de morrer, pensaram até em declarar falência. Mas isso não vai acontecer: minha missão é colocá-los para trabalhar”.
Moça decidida, assim como sua madrasta, a Imperatriz, que não verteu uma lágrima sequer, pois já havia “chorado tudo antes”. “Achava que um dia conseguiria falar não só do amor que sentia por ele, como de toda a vida que tivemos, das coisas positivas que fizemos, mas não houve tempo. Toda vez que pensava em investir no relaciomento, que ia haver uma recíproca, a Isis estava tão próxima que eu me afastava, e não mostrava quanto estava sofrendo. A aproximação do Maurílio (Carmo Dalla Vcchia) foi boa para acender o lado feminino, que andava abafado. Mas acho que a vida acabou pra mim”, desabafou Marta, enquanto Maria Isis, em frente, murmurava que a titular estava exagerando. Lógico que fui diretamente a sweet child:

 

“Acho que a dor real só vou sentir depois. Por enquanto é o susto, o sentimento de perda. Imagina? Foi a primeira perda que tive, meus pais, meu irmão, todos vivos, e o maior amor da minha vida se foi, e logo brigado comigo! A dor de não ter falado, de não poder nunca mais estar com ele…”. Paradinha para momento emoção. E Isis continua: “A oportunidade que a Marta me deu de ajudar a arrumar o corpo para o enterro deu uma ideia mais real do que estava acontecendo. Mas a vontade que dá é morrer junto!”.
Cuuuuruzes, como diria meu coleguinha Téo, que, por sinal, estava abatidíssimo: “Eu tenho uma certa responsabilidade no que aconteceu com ele, pelos posts que escrevi, mas não vamos exagerar, né, quereeeeeda?! Vim ao enterro porque tenho uma dimensão da grandeza dele… um homem intrépido – escreveu aí? Intrépido é bom, né? Continuando… Que encarava tudo de frente. Quer saber? Tenho uma fixação por ele, uma admiração muito grande. Aparentemente sou uma bicha louca, fútil, mas tenho uma dimensão muito grande, amarga, da vida. Estou mergulhado no mundo das celebridades, mas tenho noção que tudo é uma fogueira das vaidades. E vê lá se escreveu tudo direitinho, hein!”.
Claro que a próxima a falar só poderia ser a virgem insana, Cora dos Anjos. Mas me deu uma canseira… A criatura não parava de chorar, depois ficou catatônica olhando para o jazigo dos Medeiros de Mendonça e Albuquerque, e resolveu até deitar-se no chão – sim, no chão! – do cemitério, entre uma tumba e outra. “Não tive a chance de me despedir dele! A perda do Zé Alfredo foi dramática… O homem que eu amava! Eu me guardei pra ele, e achava que ainda poderia concretizar a perda da minha virgindade com o meu amor…”, comentou, usando um lencinho branco para enxugar os olhos.

 

 

Junto a tanta gente apaixonada, amigos e parentes do falecido Comendador também quiseram prestar homenagem. O cerimonialista Claudio Bolgari, avesso a entrevistas, desde que… bem, teve problemas com o blogueiro Téo Pereira, estava compugidíssimo. “Ele sempre foi meu melhor amigo, o mais solidário nos momentos difíceis, tomou meu partido. Um homem cheio de contradições, mas de uma personalidade interessantíssima. Fará muita falta”. O filho mais novo, João Lucas (Daniel Rocha), parecia preocupado: “Ele deixa quatro filhos e dois netos. Não sei o que vai ser da nossa família”. Mas também havia os que estavam ali a passeio. Como o chef Enrico Bolgari (Joaquim Lopes). “Vim mais porque estava preocupado em ver a Maria Clara (Andréia Horta), se ela estava com o Vicente (Rafael Cardoso)… No início do meu namoro com ela tive uma relação muito boa com o Comendador, depois até faca ele puxou pra mim”, comentou, sempre com os olhos vidrados na ex-noiva.
Já a advogada Carmen Godinho (Ana Carolina Dias) foi curta e grossa: “Vim para acompanhar meu marido, Orville (Paulo Ramos), de quem o Comendador comprou um quadro. Só isso”. E rapidamente, todos se dispersaram – menos Cora, que fez de colchão o chão de pedra, e ficou por ali mesmo.
Mas sabe qual foi o melhor de tudo? O morto não estava lá! Não é que aquela velha piada de “tenho tanto horror a cemitério que não quero ir nem ao meu enterro” valeu para o “mágico” comendador?

MORTE E VIDA ZÉ ALFREDO

Nessa longa jornada cobrindo enterros fictícios nunca vi um que fosse gravado tão rapidamente e com tanta animação. Sob a direção de Pedro Vasconcellos, mais de 20 atores ligados ao personagem de Nero, e cerca de 20 figurantes, chegaram às 7h30, ao Teatro Poeira – que serviu de camarim -, na Rua São João Batista, em frente ao cemitério. Logo todos estavam prontos, e a primeira cena, a do cortejo fúnebre, foi gravada, ao som do Réquiem de Mozart, como pedira Aguinaldo Silva, em rubrica no capítulo.
Alguns takes a mais, closes, entrada dos amigos, como Manoel (Jackson Antunes) e Antoninho(Roberto Bonfim) – ambos com tarjas pretas enroladas no braço -, o fiel escudeiro Josué (Roberto Birindelli), e os irmãos José Pedro (Caio Blat) e João Lucas deixaram o caixão vazio sobre o altar no jazigo – em cima do qual a produção de arte colocou uma placa com o sobrenome da família de Zé Alfredo e Marta.
As coroas de flores foram ‘enviadas’ pela esposa e filhos, pela Associação Brasil-Diamante (da qual o Comendador era “presidente”), por Claudio e Beatriz Bolgari , e pelos funcionários da Império e escritório de advocacia de Merival Porto (Roberto Pirillo).
Cena feita, todos dispensados. Mais umas tomadas de Téo, afastado dos outros, com olhar triste, perto de uma árvore. E… Paulo Betti também dispensado. Detalhe: todos sairam dali correndo para gravar no Projac. Só Marjorie Estiano ficou mais um pouco. O diretor pediu silêncio total. A atriz, concentradíssima, fez sua Cora emocionar a todos que estavam vendo as cenas, principalmente aquelas em que ela se deita, cansada de sofrer e na expectativa de ainda dar um último adeus a seu grande amor. Empolgado com a atuação de Marjorie, quando Pedro Vasconcellos passou por mim disse: “Pqp! Que atriz é essa?!”. Mais alguns minutos e o enterro que foi sem nunca ter sido termina.


E claro que, além da “matéria”, sobre como cada personagem se sentia diante do “falecimento” do Comendador, os atores não pouparam elogios à saída estratégica do autor em relação à falsa morte, e à construção do personagem de Alexandre Nero. Jackson Antunes chegou a dizer que é um dos papéis masculinos mais brilhantes nos últimos 20 anos. José Mayer também concordou: “Nos últimos tempos, as mulheres se mostraram mais vigorosas em personagens que foram protagonistas. Mas o José Alfredo veio como anti-herói, e isso, nos nossos tempos do politicamente correto, quebra toda aquela ideia de mocinho, do totalmente certinho, que já ficou lá pra trás”.
O problema, segundo a maioria, vem depois: quando o dono da Império voltar da labuta no garimpo, e ficar escondido na casa de Manoel. Marina Ruy Barbosa acha que a raiva de Isis por ter sido omitida do trio que sabia da jogada do Comendador vai passar logo pela felicidade de vê-lo vivo. Josie Pessoa confidenciou que está torcendo para sua personagem, Du, e o marido, João Lucas, serem os novos imperadores – até os nomes dos gêmeos que vão ter será em homenagem aos avós: José Alfredo e Maria Marta. Cristina, como atual presidente da Império, não sabe se continuará no posto, se o pai reassumirá ou se ele vai morar com a sweet child no Monte Roraima.
Antoninho, depois que descobriu a trama toda por Manoel, ainda tem esperança de ver o Homem de Preto num carro alegórico da Unidos de Santa Teresa. Já Paulo Betti acredita que seu computador vai estourar de tantos cliques com os detalhes do “ressurgido das cinzas”. Enfim, especulações mil. Mas só quem sabe mesmo o futuro é o outro Homem de Preto – e também Comendador – dono deste espaço…

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ELE ESTÁ MORTO!

»Públicado por em dez 16, 2014 | 11 comentários

 

 O DIFÍCIL ADEUS AO

ABOMINÁVEL HOMEM DE PRETO

DRAMA FORA DO CASTELO

 

Dia desses, durante entrevista a uma revista semanal, uma jornalista pouco preocupada com a fofoca e o disse-me-disse e mais interessada na análise dessa obra complexa que é uma telenovela comentou comigo: “você estruturou sua novela como se ela se passasse num reino da Idade Média. Nela, a turma de Santa Teresa são aqueles que moram fora dos muros do castelo”. Sorry, demais coleguinhas especializados em televisão, que, no frigir dos ovos, são os moradores da periferia desse castelo imperial chamado “mídia”: a tal jornalista acertou em cheio. Não é à toa que a novela se chama “Império”. Desde o começo eu queria que ela passasse para os telespectadores aquela mensagem inicial dos contos de fadas: “era uma vez, num reino distante e povoado por pessoas complicadas…” Neste momento o castelo no qual a família imperial vive seus dramas está sitiado pelos bárbaros. A hegemonia do Imperador corre risco sério. Ele deve morrer ainda esta semana, embora sua morte logo seja questionada: será apenas um truque para resguardar sua coroa? É o que veremos. Enquanto isso, fora das muralhas do castelo, mais precisamente em Santa Teresa, também acontecem dramas. O sofrimento e a angústia não são privilégios dos nobres, a plebe também padece desses males. Numa certa  manhã, na Santa Teresa cenográfica construída na parte mais remota do Projac, o ASDigital flagrou vários deles. (Aguinaldo Silva)

CORA SE PRODUZ PARA

O CASAMENTO DE DU E LUCAS!

 texto: Virgílio Silva

fotos: Fco. Patrício

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DEBAIXO DA NUVEM NEGRA

Uma nuvem negra ameaça o bonito dia de sol na cidade cenográfica de Império, no Projac. “Não pode chover” – diz alguém… Ou a frente de capítulos da novela fica ameaçada. Não choveu. Mas a nuvem – real – parece encomenda da equipe para compor o cenário da ficção.

É dia de luto em Santa Teresa. A essa altura os moradores do bairro já sabem da morte de José Alfredo Medeiros.

A diretora Roberta Richard, ágil, dá o comando para a gravação.  Manoel (Jackson Antunes) e Antoninho (Roberto Bonfim) estão desolados. Em respeito à memória do amigo, Manoel fecha o bar e estampa o aviso de LUTO em uma das portas. Os dois entram no carro e vão embora. A cena se repete apenas para os planos fechados.

JUREMA SONHA DE NOVO

COM JAIRO, O FILHO MORTO

 


O luto contido dos amigos do comendador dá lugar ao sofrimento de Jurema (Elizângela). A segunda cena do dia pede emoção. Elizângela não economiza.

Ela desce a escada gritando pelo filho Jairo, que vê em sonhos morto e enterrado. É de arrepiar. No meio da rua e aos prantos, Jurema é consolada pelo filho mais novo, Otoniel (Ravel Andrade), e por Antoninho.

Roberta Richard pede a câmera na mão. A diretora quer movimento, ação. O resultado é espetacular. Um plano-sequência estilo Godard com um giro de 360 graus. Sem contraplano. Show da equipe. Vai fazer chorar!

 

UMA CONFRARIA DE AMIGOS

 

No módulo montado ao lado da cidade cenográfica, os atores se preparam para as próximas cenas.

O clima é de harmonia. Já caracterizados de seus personagens, Rafael Cardoso (Vicente), Rafael Losso (Elivaldo), Leandra Leal (Cristina), Marjorie Estiano (Cora) e Lucci Ferreira (Antônio) batem um papo animado até a hora da gravação.

Viviane Araujo e Ailton Graça, sempre juntos, passam o texto de Naná e Xana… E até enquanto conversam se agarram e se abraçam, deixando claro que, também na vida real, são amigos.

Cris Vianna (Juju) conta que o ambiente nos bastidores de Império é o melhor possível. E se declara apaixonada pela novela: “Eu assisto em casa e me envolvo de tal forma que até me esqueço que faço parte dela.”

De volta ao batente. A cena no salão com Xana, Cora, Naná, Elivaldo e Cristina. Vicente não participa, mas Rafael Cardoso passeia ali pelas redondezas.

A câmera se posiciona na entrada do cenário. E não é tarefa fácil. A casa de Xana fica numa ladeira tão íngreme quanto as de Santa Teresa.

O cabeleireiro dá os últimos retoques em Cora. Elivaldo pede pressa. Cristina vem atrás. É dia do casamento de Du e João Lucas.

 

LEANDRA E O DIAMANTE NA PERNA

 

 

Coincidências – e ironias – da vida, um diamante que Leandra Leal traz tatuado na batata da perna é justamente o que não pode aparecer na cena. Leandra argumenta que tem tudo a ver com a nova fase da personagem. “Liga pro Papinha e pergunta se o diamante pode aparecer”, ela fala com a diretora Roberta Richard.

Sem ouvir sim ou não, ela se volta para o fotógrafo Francisco Patrício, que está bem ali do lado, e brinca: “O Aguinaldo autorizou.” Risos gerais.

Leandra é pura animação no set. Bem-humorada, conversa com todos, retoca maquiagem, canta…

E lamenta quando a cena acaba: “Fazer externa é tão bom. Pena que acabou rápido”, disse antes de entrar com Marjorie Estiano no carrinho elétrico e seguir para as cenas dos próximos capítulos. 

NA CENTRAL DE FOFOCAS 

Na banca de revistas,  Otoniel (Ravel Andrade) “ouve” as últimas notícias do “Gazeta de Santa Teresa”, o jornaleiro Pietro (Eduardo Spinetti),que é o fofoqueiro da aldeia, 


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IMPÉRIO 40 GRAUS!

»Públicado por em dez 14, 2014 | 36 comentários

 

Num sábado de praias e shoppings lotados, sob um sol de 40 graus, à custa de muita água mineral e muito lencinho de papel para enxugar o suor, parte do elenco de “Império” grava diante do Forum da Barra da Tijuca as cenas do surto – ou, mais apropriadamente, siricotico – que levará o blogueiro do mal Téo Pereira à prisão. “Bem feito!” – gritava o público que acompanhava as gravações… e Paulo Betti encarnava a personagem e respondia: “me aguardem, quereeedos!”

 

 

texto: Simone Magalhães

Fotos: Fco. Patrício

Ninguém segura Aguinaldo Silva: é um tal de personagem algemado e preso em IMPÉRIO que, pelo jeito, só tende a aumentar. No outro dia foi Vicente (Rafael Cardoso), enquadrado injustamente. Agora é a vez do blogueiro-virulento-em-processo-de-regeneração (ou não) Teo Pereira (Paulo Betti). Só que esse Téo Pereira teve bons motivos para acabar no xilindró: não conseguiu derrubar seu desafeto, Claudio Bolgari (José Mayer), e começou a soltar cobras e lagartos diante da juíza, rodou a baiana com a “meretríssima” (pode isso??),recebeu voz de prisão e foi jogado – literalmente – no camburão da polícia. Essa sequência, registrada sob o sol escaldante deste sábado, 13/12, sob direção de Davi Lacerda, aconteceu em frente ao Fórum da Barra da Tijuca. Depois, Téo, Claudio, Beatriz (Suzy Rêgo), Merival (Roberto Pirilo), Carmen (Ana Carolina Dias), além da louraça Érika (Leticia Birkheur), foram para o Projac gravar no estúdio as cenas anteriores e posteriores à prisão do agora “jornalista sério”. Porque novela é assim, queeeeeridos!

 

O bafafá estava marcado para as 7h30. Chegamos – eu, o fotógrafo Fco Patrício e o pesquisador da trama das nove, Virgílio Silva, que está dando o ar da graça no Rio de Janeiro – e fomos diretamente ao ônibus-camarim. Lá, Paulo Betti, envolto em seu roupão preto, dormia o sono dos inocentes, sentado na poltrona. Em volta, aquele vozerio típico de sala de maquiagem-cabeleireiro-figurino. Ana Carolina prestes a trocar de roupa conversava com Pirilo, que só faltava, segundo ele, dar o laço na gravata. Leticia, semipronta, no finalzinho da maquiagem, mas ainda sem suas bijus, repassava o texto e dava uma de suas risadas tão sonoras, enquanto José Mayer, sentado na cadeira atrás de Paulo Betti, aguardava o chamado para gravar, que veio rapidinho.

Mas, cadê Suzy Rêgo?, perguntava o produtor ao chamar o trio Zé-Suzy-Pirilo para o batente. Linda, de negro, a altiva e generosíssima Beatriz sai da cabine improvisada, no final do veículo, pronta para a ação. Os três vão para o set, e aproveito para conversar com Letícia, sem que nada, absolutamente nada, perturbe o sono do intérprete do futuro biógrafo do Abominável Homem de Preto, o Comendador José Alfredo Medeiros (Alexandre Nero).

 

Lógico que, num papo sobre amor com a assistente de Téo, não poderia faltar o nome Robertão (Romulo Neto). Mas por que Érika não assume logo essa relação, e fica com o bonitão? “Sabe que essa é a pergunta que vivo me fazendo? Eu não entendo isso! Acho que ela tem medo, deve ser trauma de um relacionamento do passado ou achar que pode perder sua independência. Afinal, ela sempre batalhou, se sustentou, gosta disso, e vem um cara, que nunca trabalhou na vida, dizendo que quer sustentá-la! Ah, não!”, comenta a atriz, dando uma de suas gostosas gargalhadas, para acrescentar depois: “Acho que o medo vai um pouco além. Ela gosta dele, mas não é muito carinhosa, tem até um jeito frio de tratá-lo, muitas vezes. Acho que Érika tinha que levar sustinho, sentir que pode perdê-lo. Não é assim na vida da gente?”. E outra risada.

Nos próximos capítulos, Robertão vira top model cobiçadíssimo pelo mulherio. “É disso que estou falando!”, observa Leticia. “Ela se queixa com o Téo, e ele diz que pra ficar com o namorado, minha personagem tem que fazer o que ele quer: casar, ter filhos, ‘brincar de casinha’. Acho que seria lindo um casamento entre eles, entrar de noiva na igreja, aquele ritual todo”, comenta a bela, com endereço certo para o dono deste pedaço.

 

Enquanto Paulo Betti não acorda do sono cinderelesco vou até o set ver o que está acontecendo com o trio feliz, salvo pelo martelo da juíza. No meio do caminho vejo os carros de reportagem dos fictícios Diário Brasileiro e Notícia Carioca, e viajo em como seria bom para o mercado dos jornalistas ‘sérios’ – para o qual Teo está quase entrando (será mesmo?) – ter mais dois órgãos de imprensa no Rio. O calor beira o insuportável, muitos copinhos de água mineral, busca por qualquer sombrinha e, para os atores, um enorme guarda-sol azul, e maquiadores de prontidão com lenços de papel, toalhinhas de rosto e os produtos tão necessários para os retoques, principalmente batom e esponja com pó, para evitar o brilho do suor no vídeo.

José Mayer, Suzy e Pirilo gravam na porta do Fórum, satisfeitos da vida com o desfecho do processo contra Teo Pereira, e são liberados para irem ao Projac gravar os tais antes e depois da prisão, comentados lááááá no início do texto. E chega a hora do blogueiro malévolo sofrer as penas da lei. Paulo Betti vem do ônibus, com cabelo meio despenteado, já que seu personagem vai se debater pra entrar no camburão, camisa com vários botões abertos sob a gravata, e brincando com os figurantes, que imitam fotógrafos. “A mídia marrom está toda aqui!”, aponta o ator, imitando a voz de seu personagem. “Mas tem jornalista séria também”, me defendo. “Ah, é você queeeerida! Mas o resto é todo marrom”, brinca Betti, para, depois me dizer: “Sabe que eu já estou morrendo de saudades do Teo por antecipação? Tem personagens que a gente quer que acabem logo, mas ele é diferente, tão bom de fazer!”.

Lembro-lhe de nossa entrevista antes de começar a novela. “Eu estava receoso, né? Não sabia qual seria o tom certo, só tinha o ‘hummmmmm’ e o bico. Mas ficou tão legal! Sabe que agora vivem me pedindo pra tirar foto fazendo o bico? E eu faço!”, conta, rindo.

E lá vão Teo, Érika e Carmen para trás da porta de entrada do Fórum. Quando ela se abre, o aspirante ao Prêmio Esso de jornalismo investigativo (sim, Betti acha que seu personagem quer chegar lá) já está algemado, sendo empurrado por dois meganhas escada abaixo até chegar ao camburão. Ele reclama, aos gritos, que não sabe se vão levá-lo “para o Carandiru, para a Papuda ou sabe-se lá para aonde”. Piorando as coisas, a advogada repete que seu cliente não deveria ter desacatado a juíza. “Cala a boca, sua anta! Você é muito bem paga pra fazer o seu trabalho!”. E os policiais “jogam” Teo na caçamba do carro utilitário igualzinho aos camburões.

 

“Cuuuruzes! Mas esse lugar é apertado, desconfortável!”. E a cada uma das 12 vezes em que foram gravadas tomadas iguais a essa, Paulo Betti colocava mais um “caco”: “Cadê o ar refrigerado?”, “Isso não pode ser: estamos em 2014!”, “Que coisa horrível, ai minhas costas!”, “Que falta de delicadeza”, “Aqui é muito quente! Já que é pra levar a gente por que não fazem a coisa bem feita?”. Na verdade, quando os dois figurantes vestidos de policiais empurravam o ator, ele batia com as costas na parte de trás do último banco do carro. Para melhorar a situação, a produção arranjou almofadas, que ficaram disfarçadas para que o ator não se machucasse. Num outro momento, a cena estava correndo bem, mas o microfone dentro da camisa dele ‘vazou’ no vídeo, ou seja, apareceu, já que a camisa estava aberta. Davi observou, o problema foi consertado e, mais uma vez, Téo no camburão, fazendo caras e bicos. Mas tão perturbado que nem percebeu os flashes dos “fotógrafos”, loucos para flagrá-lo derrotado – tanto que as manchetes, no dia seguinte à prisão, serão no nível de “Bicha Má do Oeste Passa a Noite na Cadeia”.

Num momento de intervalo, ainda sentado no camburão, Paulo Betti sorri como um menino, que está feliz com a brincadeira. Eu digo: “Está se divertindo, né?”. No tom de seu personagem, ele responde: “Adoooooro!!!”.

Quando terminam as gravações, e o diretor libera os três atores para o estúdio, a equipe do Vídeo Show se aproxima e avisa que vai passar o dia inteiro registrando a saga do blogueiro na cadeia. É porque, no Projac, Teo acaba indo para uma cela com três bandidos fortões, e só é salvo de um “carinho especial” quando um dos brutamontes o reconhece. Os prisioneiros contam que têm celular com internet, e são fãs de suas notas venenosas. No final, ele acaba até dormindo com a cabeça no colo de um deles. Mas, quando é liberado e vai para casa, o jornalista sente-se sozinho no mundo. Betti comenta:

“Ele está bebendo cada vez mais, e acho que ficará ainda mais solitário. No começo, já ficava com seu copo de whisky, na janela. Muita gente vinha comentar comigo que era bacana mostrar aqueles momentos de solidão. Mas o Téo sempre foi delirante, vivendo no mundo dele. Acho que ele vai enlouquecer, já deu vários sinais de que vai pirar”.

 

Comento que o personagem é obsessivo, que vai sentir-se uma das “viúvas” do Comendador, ao achar que ele realmente morreu; que vivia querendo derrubar Cláudio, seu único amor; e, agora, pretende ser um jornalista sério. “Ele é temido, odiado. E quem não quer ser amado, respeitado? Com isso, Teo realmente está fazendo um trabalho investigativo sobre a vida de José Alfredo. Se você pensar bem, ele já foi um jornalista, depois virou blogueiro decadente, e quer voltar ao que era. E, como todo mundo, ganhar o prêmio Esso, o Pulitzer…”, comenta, rindo. E completa, após trocar de roupa no ônibus-camarim e seguir para o resto da jornada de trabalho neste sábado calorento:

“Teo sente a necessidade de ser respeitado. É como o ator que passa a vida inteira fazendo peças leves, e, um dia, resolve montar um espetáculo mais denso, e não dá certo. Aí, ele começa a colocar umas piadas, uns cacos, mas não consegue a notoriedade e os prêmios que espera com aquilo. Tem muito mais coisa envolvida aí.” 

 

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O BELO ADORMECIDO

 

O som ao redor não incomoda Paulo Betti. Deitado numa poltrona, fone nos ouvidos e olhos fechados, o intérprete de Teo Pereira vive uma espécie de universo paralelo. Som é um eufemismo para a babel de vozes a ecoar nos poucos metros quadrados do ônibus-camarim montado pela produção de Império no estacionamento do Forum da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Atores, atrizes, maquiadores, cabeleireiros, técnicos… Todos a falar – e alto – sem cerimônia. Sem medo de incomodar. E Paulo Betti ali. Incólume! De dentro de um ‘cômodo’dentro do camarim, onde os atores se trocam, sai José Mayer. Elegante, de terno e gravata, cumprimenta a todos, faz umas piadas e sai. Paulo Betti, ali! Em seguida vem Suzi Rego, linda, pronta para incorporar Beatriz mais uma vez. Ela pergunta pelo ‘Zé’ ao que alguém responde: “Foi atrás do Léo”. Risos.

Ambiente mais descontraído, impossível.  Sentada, enquanto é maquiada, Letícia Birkheuer quer saber se Érika vai ser pedida em casamento por Robertão. Alguém diz que sim. “Nunca me casei em novelas. Casamento é bom demais. Mas só em novela” – brinca a atriz. Gargalhada geral. Menos Paulo Betti, que continua dormindo, é claro!

Circo montado para a cena que abre os trabalhos. Na frente do Forum, Claudio, Beatriz e Merival (Roberto Pirillo) comemoram a vitória do cerimonialista sobre Teo Pereira na justiça. Cena curta. Tudo muito rápido e os atores são liberados.

 

Paulo Betti segue no ônibus em sua concentração-quase-catarse.

Agora, técnicos, contra-regra e  produção ajeitam os últimos detalhes da principal cena do dia: a prisão de Teo Pereira por desacato a autoridade. Perto dali, carros caracterizados de imprensa rodeados de fotógrafos-urubus doidos por uma carniça.

Eis que surge Paulo Betti travestido de Teo Pereira.

A cena é gravada inúmeras vezes. Teo sai do Forum algemado a cuspir sua ira contra todos. Nem mesmo a advogada Carmem (Ana Carolina Dias) é poupada da língua ferina do blogueiro do mal. E a cena se repete, se repete, se repete… Até o ‘valeu’ final do diretor Davi Lacerda com Paulo Betti no camburão. E o ator mantém as caras e bocas, para delírio de Letícia Birkheuer, que não poupa nas gargalhadas. Nesse clima meio ‘Quarto Poder” meio “Montanha dos sete abutres” termina mais uma gravação externa de Império. Publique-se! (Virgílio Silva)

 

 

 

 

 

 

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TÉO PEREIRA VAI EM CANA!

»Públicado por em dez 13, 2014 | 4 comentários

 

 

Veja na sequência abaixo as fotos exclusivas da prisão de Téo Pereira por desacato à Juíza em pleno Forum . Inconformado com a sentença da meritíssima no processo que Cláudio Bolgari movia contra ele, o bloqueiro do mal teve um ataque, um piti, um siricotico que resultou na sua detenção e teve que passar a noite na cadeia. Aguarde amanhã a reportagem completa sobre a prisão de Téo e os detalhes da noite que ele passou numa cela com mais três presos.

fotos: Fco. Patrício


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