UMA NOITE NO GARIMPO…COM DIREITO A BUCHADA DE BODE

»Públicado por em dez 20, 2014 | 11 comentários

 

Já passava das 23h da sexta-feira, 19/12. No meio do matagal, na cidade cenográfica do Projac, uma trilha estreita e íngreme. Pedras, buracos, insetos e uma placa encostada na árvore na qual se lia: “Próximo passo é a morte”. Lá na frente, uma fogueira, que tornava o calor ainda mais insuportável. Homens com chapéus de palha, roupas envelhecidas e sujas de pancake (para parecerem manchadas de terra) vão, em poucos segundos, devorar um pratarraz de macarrão à bolonhesa. E adivinhem quem está com eles? José Alfredo Medeiros (Alexandre Nero)… Que logo depois, já de volta a Santa Teresa, teria que traçar – o que fez com visíveis satisfação e apetite – um outro pratarraz… De buchada de bode verdadeira!

texto: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

Isso mesmo: o Comendador voltou ao garimpo. Só que, dessa vez, de camiseta regata, calça envelhecida e boot pretos, para colocar a mão na massa, ou melhor, nas pedras. Ele aproveitou a fuga, depois da falsa morte, para passar seis meses entre os garimpeiros da fictícia Nova Califórnia (homenagem à obra de Lima Barreto e citação da novela “Fera Ferida”, do mesmo autor de “Império”), em Minas Gerais. E olha que não faz feio usando a bateia: consegue até alguns diamantes…

 Mas voltemos à barraca, onde cerca de 15 homens famintos – entre eles o diretor da novela, Pedro Vasconcellos, alguns integrantes da produção e o fotógrafo Fco Patrício – caem de boca no espaguete, entregue pela produção no prato de alumínio com jeito de “envelhecido”. E Nero, depois de ter gravado cenas traçando uma buchada de bode, no Bar do Manoel (Jackson Antunes), dá suas garfadas no macarrão. Novela também é sacrifício.

Mas o ator está mais contente do que se tivesse um diamante cor de rosa. “Estou feliz demais! Faria tudo outra vez”, garante. “Meu personagem quis voltar às suas origens – não o Nordeste, que é de nascença, mas o garimpo, onde criou raízes. Ele não tem pai nem mãe, não tem mais irmão. Junto aos garimpeiros é o seu lugar. E queria sentir na pele o que é sangrar as mãos, não apenas negociar pedras”, conta Nero. E acrescenta:

“Nasci nos anos 70, e adorava a saga de Rocky Balboa (Sylvester Stallone). No Rocky II, quando ele perde a luta, o treinador diz que deve voltar ao primeiro ginásio para reconquistar os ‘olhos de tigre’. Acho que é assim com o Zé Alfredo. E eu também sempre volto a Curitiba (onde nasceu), tenho que estar com meus amigos, manter os pés no chão”.

“Mas você não ficou deslumbrado?” – observo. “Não, porque mantenho minhas raízes”, explica. Insisto: “O assédio, os elogios, as críticas positivas da mídia envaidecem?…”.  E Nero responde:

“Nada. Eu sou o cara da moda. Nesse momento todo mundo me ama, me adora ou me odeia. É aquele êxtase, que acontece, que faz parte da profissão. Mas acaba e volto a ser o Nero de sempre. Mas se antes eu matava um leão por dia e um rinoceronte, à noite, a partir de agora pode ser um leão dia sim, dia não”.

Perfeccionista, o ator afirma que o importante é fazer o melhor em cena. “Fama não tem nada a ver com talento. Se eu acreditar em todas as pessoas que dizem que sou bom ou ruim… Sou um crítico muito cruel com meu trabalho. Mas, também, se estiver fazendo um negócio bom pode vir Deus e dizer o contrário que eu digo: ‘Você está errado!’”.

 Pedro Vasconcellos chama o Comendador para mais duas cenas próximas à fogueira (‘movida’ a gás, com um bombeiro sempre por perto):  uma na qual ele usa seu celular para perguntar a Josué (Roberto Birindelli) se está tudo bem em casa, se os filhos estão tratando bem Cristina (Leandra Leal), e outra, olhando para a lua, cheio de saudades. Pena que o céu estivesse muito nublado, e o satélite não deu o ar da graça – mas nada que os efeitos especiais não resolvam.

A última gravação da noite foi dentro da barraca de dormir. O Comendador, já com um agasalho – preto, claro -, deitado na rede, lembrando-se de seu amor, Maria Isis (Marina Ruy Barbosa). Só que na hora da gravação a equipe percebeu que se a outra rede, ao lado da de Zé Alfredo, sustentasse o figurante escolhido para deitar ali, poderia haver problemas, já que era tudo feito de pedaços de madeira, palha e toldo. O diretor resolveu na hora: “Pega um magrinho e bota aí”. Mesmo assim, ele sentiu falta de mais gente na tenda: “Vamos botar um outro caboclinho deitado ao pé do Nero”. E assim foi feito, dando a impressão no vídeo de que a barraca parecia lotada.

À meia-noite em ponto, o “Ok! Boa noite a todos” do diretor. E Nero, com seu habitual senso de humor, gritou pra mim, ao deixar o ‘acampamento’: “Não vai escrever esse negócio de que sou polêmico só pra vender jornal, revista…”, Diante da minha cara de surpresa, ele acrescentou: “Pra vender o blog do Aguinaldo Silva!”. E deu uma risada.


 

VOLTANDO AO COMEÇO   

 

Gravação de novela tem algo que adoro: tudo se passa no agora, ou seja, a cronologia vai pro espaço. As cenas que contei aí em cima foram as últimas a serem gravadas. Mas a equipe do ASDigital chegou às 20h na cidade cenográfica para presenciar o reencontro do Comendador com Cristina. Tudo acontece dentro do carro, dirigido por Josué. Depois da passagem de tempo (seis meses), ele volta e se esconde na casa de Manoel. Mas a saudade é muita e pode acabar com sua farsa de homem morto, já que ele não se contenta em ficar oculto na casa do amigo. Na conversa rápida com a filha mais velha, Zé Alfredo comenta: “Sua reza deu certo… Não só a reza”. E os dois dão um abraço emocionado. Conversam mais um pouco, sob os olhares do fiel escudeiro, pelo retrovisor, e lá se vai o Comendador gravar no bar.

É a hora da buchada de bode – pela qual Manoel cobra R$ 35, mas o prato e a guarnição de arroz branco são fartos. Com uma dose de pinga Gostosona, a R$ 2, e uma garrafa de cerveja Capital, a R$ 7, o freguês sai bem servido. Mas é claro que Zé  não paga nada e, nas cinco vezes em que foi regravada a cena, ele enchia a “iguaria” – como seu personagem define a buchada – de pimenta. Eu já estava tensa só de ver, quando me disseram que o condimento não era de verdade. Ufa!

O reencontro dos amigos e o jantar acontecem  de madrugada. Manoel diz que já estava quase jogando a comida fora, achando que ele não viria. Zé Alfredo garante que por nada perderia aquela iguaria: “E vou tomar essa pinga de levantar defunto, que esse defunto aqui tá precisando!”. Risos e brindes com a cenográfica Gostosona. Preocupado porque o dia já está amanhecendo, Josué não come, e avisa o patrão que deve voltar ao esconderijo. Mas o ex de Maria Marta (Lília Cabral) está tão feliz que continua degustando a tal buchada (como diria a minha avó: ‘O que é de gosto regala a vida’…) até tomarem o último trago de cachaça, bebendo “ao defunto”.

São 21h45, e o carrinho que circula pelo Projac aparece para levar Nero e Birindelli ao camarim. Eles vão fazer uma troca de roupa. O intérprete do Josué aproveita e coloca num prato um pouco da buchada pra ir comendo pelo (curto) caminho. O Comendador fica no camarim, esperando a hora de ir para o garimpo, e  seu motorista volta ao bar, onde, agora, encontra Antoninho (Roberto Bonfim). Os dois conversam com Manoel.

É aí que o Presidente da Unidos de Santa Tereza conta que Zé Alfredo nunca tinha pegado numa bateia e que estava achando que a novidade não ia dar certo. “Pra começar no garimpo tem que ser novo. Tu vê os filhos do Zé… Eles nem imaginam como a terra pare um diamante”, comenta o ex-garimpeiro. E Jackson, Birindelli e Bonfim são liberados.

 

Dez minutos depois de deixarmos Santa Teresa, já estamos em Nova Califórnia. Aliás, num intervalo rápido, o diretor comenta como o nome escolhido pelo autor de “Império” para a cidade do garimpo o fez viajar no tempo:

“Era o título inicial de Fera Ferida, que o Aguinaldo (Silva) escreveu em 93, na qual eu fiz o Etevaldo Praxedes. Cheguei a receber capítulos ainda com o nome de Nova Califórnia”, comentou Pedro…. E eu também embarquei na sessão nostalgia: “eu cobri essa novela. Foi nela que Murilo Benício, que é seu contemporâneo, estreou, fazendo um gari gago e atrapalhado…”. Pedro retomou a palavra: “pois é! Eu ia fazer esse papel, mas o Paulo Ubiratan (falecido diretor) me chamou e disse que tinha um outro, que achava mais o meu perfil. Aí, conheci o Murilo, ficamos amigos até hoje…”.

E assim termina mais uma madrugada cheia de emoções e boas lembranças nos bastidores de “Império”. 

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NANÁ PEDE A MÃO DE XANA!

»Públicado por em dez 19, 2014 | 3 comentários

 

Depois que Xana tem mais uma de suas “crises de ciúmes” por causa de um telefonema que Naná recebe de Antônio – o maitre do restaurante “Vicente” – ela decide passar para os finalmente e pergunta a ele: “por que tu não me pede logo em casamento?” Xana quase tem um troço ao ouvir isso e Naná vai em frente: “já que tem tanto ciúme de mim e não admite nem mesmo que eu pense em outro homem… Tu cerca, cerca, me rodeia… Por que não me pede pra casar contigo, então?”

 

 

fotos: Fco. Patrício

 

Na maior saia justa, Xana reage: “tá brincando comigo, né? Pegadinha!” Naná diz que não, estava só perguntando se ele nunca pensou na hipótese… E Xana se interroga: por que pensaria? Naná explica: “tu adora dormir de conchinha comigo, que eu sei. Nem deixa eu olhar pra outro homem, que já vem rosnando igual a um rottweiler. No fundo, no fundo, tu queria era casar comigo, né?”

E é aí que Xana se refaz e parte pro ataque:

“Claro que não, Naná. Por acaso um colibri pode se acasalar com um hipopótamo?  Nós pertencemos a espécies diferentes, que não se cruzam!”

Naná discorda: “pra mim tu é um homem e eu sou uma mulher, ué!” Mas Xana segue na sua explicação para o não-casamento entre os dois: “tu não entendeu, vou explicar de novo. Eu sou um daqueles plugues de três pininhos, e tu é uma daquelas tomadas antigas. Não tem encaixe, entendeu?” Naná discorda de novo:

“Se botar adaptador tem! E adaptador que eu falo é o jeito de viver. Olha o exemplo de seu Cláudio e dona Beatriz. Podia ser o tipo deles”.

Xana parte pra galhofa: “péssima comparação. Eles tiveram dois filhos, e eu nunca vou ficar grávida!” Naná reclama porque ele não leva o assunto a sério, e Xana resolve encerrar o papo de vez:

“Naná, a gente é amigo! Eu sinto tua falta, sim, tenho ciúmes, sim, mas é da tua amizade, e só! Tenho medo que, se tu arrumar alguém, essa coisa tão bonita que une a gente fique em segundo plano. E depois, pra duas pessoas se casarem, precisa muito mais que adaptador ou adaptação… Precisa de sexo! Por isso é melhor esquecer este assunto… Ou rir dele”

E é aqui que Naná cai na real… E concorda: “é, né? Pra não estragar a amizade”. Xana brinca: “somos uma dupla dinâmica, Naná! E não um casal…”

Xana reflete um instante, enquanto Naná o observa, e divaga:

“Mas já pensou? Eu de véu e grinalda, metido num vestido de cauda longuíssima, com um buquê na mão… E tu de paletó e gravata, nós dois chegando assim diante do padre?…”

Naná: “o coitado ia ter um ataque!”

E os dois encerram o assunto se abraçando e dando as maiores risadas.

 

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MAS ELE VAI VOLTAR!

»Públicado por em dez 18, 2014 | 12 comentários

 

 

Como disse muito bem Maria Marta aos jornalistas que a cercaram na porta da Império em busca de alguma declaração sobre as acusações contra o comendador: no comments, ou, para os que faltaram às aulas de inglês – palavras dela – “sem comentários” para o magnífico, cheio de presságios, triste, soturno e ao mesmo tempo pulsante capítulo de hoje de “Império”. Eu e minha equipe (Márcia Prates, Nelson Nadotti, Maurício Gyboski, Zé dassilva, Rodrigo Ribeiro, Brunno Pires, Renata Dias Gomes e Megg Santos), nos sentimos profundamente emocionados e orgulhosos por ter produzido tão alta dramaturgia, que é fruto do esforço de todos. E parabenizamos aos que deram tudo de si para que o resultado fosse o que foi: espantoso. Rogério Gomes e sua equipe de devotados diretores, o elenco brilhante, o pessoal da técnica, e mais cabeleireiros, figurinistas, maquiladores, camareiras, enfim… Todos que nesta novela dão sentido à expressão “trabalho de equipe” e não medem esforços para que ela fique para sempre na memória do nosso povo.


fotos: Paulo Belote/TVGlobo

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CORRE, JOSUÉ, CORRE!

»Públicado por em dez 18, 2014 | 5 comentários

 

O amigo fiel tem duas horas para desenterrar o comendador José Alfredo e evitar que ele morra de verdade. Mas Salvador, o pintor maluquinho, cruza o seu caminho, acontece um atropelamento e aí… Ele pode chegar tarde!

 

Depois de velado e sepultado, na hora prevista o comendador José Alfredo Medeiros atravessa de volta o rio dos mortos e abre os olhos dentro de sua tumba. Tudo foi programado. Lá dentro ele tem oxigênio pra duas horas, o suficiente para que Josué o retire do caixão, que está hermeticamente fechado. Nada poderia dar errado…  Não fosse o modo intempestivo como Domingos Salvador, o pintor maluquinho, entra na história. Depois de discutir com Orville e Carmen, ele foge de Santa Teresa a correr, desatinado, acaba se jogando na frente do carro de Josué e é atropelado. A ampulheta do destino começa lentamente a escoar. Em sua tumba, o comendador vê o oxigênio nas últimas, já acabando… E ainda longe do cemitério, por conta do atropelamento, Josué tem o carro interceptado.

fotos: Fco. Patrício

 

O que acontece a partir daí é uma corrida contra o tempo e contra a morte. E se minha modéstia me permitisse dizer de um dos capítulos de Império que é uma obra prima eu diria deste 133, que vai ao ar na próxima segunda-feira, dia 22 deste – pra quem participa da novela – maravilhoso mês de dezembro.

 

As cenas do atropelamento de Salvador Paulo Vilhena), e da aproximação dele de Helena (Júlia Fajardo), que vai passando no local por acaso, foram gravadas ontem na Avenida Chile, no centro do Rio, e o trabalho todo consumiu cerca de dez horas. Detalhe: meus colaboradores e eu não levamos mais do que uma hora para escrever e revisar uma, duas, três vezes toda a sequência…

E aqui é preciso que se fale sobre o desgaste que é participar da linha de frente de uma novela. Uma coisa é o autor  fazer com que um personagem seu viaje ao planeta Marte e passar isso para o papel… E outra é exigir que atores, diretores, técnicos e mais todo o circo necessário realize a cena e a torne inesquecível.

Embora aqui  tarefa fosse bem mais fácil – não era uma viagem ao planeta Marte e sim um simples atropelamento -, vocês não podem imaginar o trabalho que ela deu até que o resultado se tornasse digno do alto nível de qualidade da realização que – mil vezes obrigado! – é um dos destaques de Império. Nos meus 40 anos de televisão, posso dizer sem medo de errar que esta é a primeira vez em que, em nenhum momento, mesmo na cena mais trivial, a realização desmereceu o texto – até pelo contrário. E, para um autor voraz e empenhado como eu, isso vale muito.

 

O diretor David Lacerda, no comando de uma equipe de 180 pessoas, não mediu esforços para que tudo saísse à altura da qualidade da novela. A certa altura chegou até a deitar no chão (na foto acima) para mostrar a Paulo Vilhena e Júlia Fajardo o melhor modo de se comportar na cena.

Esse encontro de Salvador e Helena é importante para o futuro dos dois na novela, já que eles vão se envolver – pois muita gente me pede que o “pintor maluquinho” arrume uma namorada – e formar um novo casal que vai dar o que falar na novela. Graças a ela Salvador vai se livrar progressivamente da influência às vezes positiva de Orville (Paulo Rocha) e sempre negativa de Carmen (Ana Carolina Dias) Ao mesmo tempo Helena, até aqui atrelada à história de Marta, de quem era secretária terá a partir de agora sua história própria.

 

 

 

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PATRICINHA MALVADINHA

»Públicado por em dez 17, 2014 | 16 comentários

 

A Patrícia Kogut não consegue ser boa jornalista nem quando tenta ser má. Na sua ânsia de descobrir um jeito de derrubar “Império”, ela diz hoje que os capítulos da novela estão chegando “picotados” (sic) por conta das mudanças na personagem Cora. Se ela fosse menos relações públicas dos amigos e aparentados e mais jornalista, iria a campo – ou mandaria suas auxiliares – e descobriria que hoje vai ao ar o capítulo 129 e a produção já recebeu, prontos, acabados e fechados, até o capítulo 144, o que dá mais de duas semanas de frente aos roteiristas. Mas ela não é boa jornalista, e não é cada vez mais, entre outras coisas porque se acha mais poderosa do que realmente é. Só não leva uma nota zero, porque esse negócio de nota zero é coisa de quem entrou na profissão por portas travessas e até hoje não sabe o que está fazendo lá. Não sei se é o caso dela, mas certos “jornalistas” deviam ter vergonha do jornalismo que fazem, assim como deveriam ter vergonha aqueles que lhes permitiram exercer a profissão. (Aguinaldo Silva, jornalista – de verdade – e escritor)

Ah, sim: pra não deixar de dar uma notícia (verdadeira, não falsa), que é o que um jornalista de verdade deve fazer: ontem, em plena semana pré-natalina, quando as audiências em geral sofrem uma queda, Império bateu de novo o seu récorde e deu 38 em São Paulo.

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NO PAÍS DAS SOMBRAS

»Públicado por em dez 16, 2014 | 11 comentários

 

No enterro do comendador José Alfredo Medeiros, uma daquelas coincidências graças às quais se pode dizer que a arte imita a vida… E contempla a morte. Sem que isso fosse planejado, o cortejo fúnebre passa diante do túmulo de Janete Emmer Dias Gomes, aquela que ficou conhecida e foi eternizada como Janete Clair. Alertada posteriormente para o fato, Marina Ruy Barbosa foi lá e depositou um ramo de flores.


 

texto: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

 

Realizado em petit comité, o sepultamento do Comendador José Alfredo Medeiros (Alexandre Nero), 50 anos, que faleceu de parada cardiorrespiratória em sua residência, reuniu, ontem, 16/12, familiares, amigos e alguns admiradores no Cemitério São João Batista, na Zona Sul carioca. Tudo muito discreto e chique. Bom, mais ou menos discreto, já que o caixão em mogno maciço com alças e detalhes banhados a ouro, e a quantidade exagerada de flores davam um toque de enterro-ostentação. Chique, também mais ou menos, porque compareceram nada menos do que a esposa, Maria Marta (Lília Cabral), a amante, Maria Isis (Marina Ruy Barbosa), a apaixonada pancada, Cora (Marjorie Estiano), e o blogueiro obsessivo, Téo Pereira (Paulo Betti).
Mas, graças a Deus, não houve barraco e afins. Até a filha bastarda, Cristina (Leandra Leal), foi bem tratada. E não privou o ASDigital de um comentário sobre seu pai:
“Perdi minha mãe há pouco tempo, sei a dor que a família deve estar sentindo, e isso me emociona muito. Mas, como a empresa ficou em minhas mãos, tenho uma responsabilidade a enfrentar, como líder. Por isso, meu primeiro discurso foi sobre a necessidade de união entre todos. Quando viram que meu pai havia retirado milhões da Império, antes de morrer, pensaram até em declarar falência. Mas isso não vai acontecer: minha missão é colocá-los para trabalhar”.
Moça decidida, assim como sua madrasta, a Imperatriz, que não verteu uma lágrima sequer, pois já havia “chorado tudo antes”. “Achava que um dia conseguiria falar não só do amor que sentia por ele, como de toda a vida que tivemos, das coisas positivas que fizemos, mas não houve tempo. Toda vez que pensava em investir no relaciomento, que ia haver uma recíproca, a Isis estava tão próxima que eu me afastava, e não mostrava quanto estava sofrendo. A aproximação do Maurílio (Carmo Dalla Vcchia) foi boa para acender o lado feminino, que andava abafado. Mas acho que a vida acabou pra mim”, desabafou Marta, enquanto Maria Isis, em frente, murmurava que a titular estava exagerando. Lógico que fui diretamente a sweet child:

 

“Acho que a dor real só vou sentir depois. Por enquanto é o susto, o sentimento de perda. Imagina? Foi a primeira perda que tive, meus pais, meu irmão, todos vivos, e o maior amor da minha vida se foi, e logo brigado comigo! A dor de não ter falado, de não poder nunca mais estar com ele…”. Paradinha para momento emoção. E Isis continua: “A oportunidade que a Marta me deu de ajudar a arrumar o corpo para o enterro deu uma ideia mais real do que estava acontecendo. Mas a vontade que dá é morrer junto!”.
Cuuuuruzes, como diria meu coleguinha Téo, que, por sinal, estava abatidíssimo: “Eu tenho uma certa responsabilidade no que aconteceu com ele, pelos posts que escrevi, mas não vamos exagerar, né, quereeeeeda?! Vim ao enterro porque tenho uma dimensão da grandeza dele… um homem intrépido – escreveu aí? Intrépido é bom, né? Continuando… Que encarava tudo de frente. Quer saber? Tenho uma fixação por ele, uma admiração muito grande. Aparentemente sou uma bicha louca, fútil, mas tenho uma dimensão muito grande, amarga, da vida. Estou mergulhado no mundo das celebridades, mas tenho noção que tudo é uma fogueira das vaidades. E vê lá se escreveu tudo direitinho, hein!”.
Claro que a próxima a falar só poderia ser a virgem insana, Cora dos Anjos. Mas me deu uma canseira… A criatura não parava de chorar, depois ficou catatônica olhando para o jazigo dos Medeiros de Mendonça e Albuquerque, e resolveu até deitar-se no chão – sim, no chão! – do cemitério, entre uma tumba e outra. “Não tive a chance de me despedir dele! A perda do Zé Alfredo foi dramática… O homem que eu amava! Eu me guardei pra ele, e achava que ainda poderia concretizar a perda da minha virgindade com o meu amor…”, comentou, usando um lencinho branco para enxugar os olhos.

 

 

Junto a tanta gente apaixonada, amigos e parentes do falecido Comendador também quiseram prestar homenagem. O cerimonialista Claudio Bolgari, avesso a entrevistas, desde que… bem, teve problemas com o blogueiro Téo Pereira, estava compugidíssimo. “Ele sempre foi meu melhor amigo, o mais solidário nos momentos difíceis, tomou meu partido. Um homem cheio de contradições, mas de uma personalidade interessantíssima. Fará muita falta”. O filho mais novo, João Lucas (Daniel Rocha), parecia preocupado: “Ele deixa quatro filhos e dois netos. Não sei o que vai ser da nossa família”. Mas também havia os que estavam ali a passeio. Como o chef Enrico Bolgari (Joaquim Lopes). “Vim mais porque estava preocupado em ver a Maria Clara (Andréia Horta), se ela estava com o Vicente (Rafael Cardoso)… No início do meu namoro com ela tive uma relação muito boa com o Comendador, depois até faca ele puxou pra mim”, comentou, sempre com os olhos vidrados na ex-noiva.
Já a advogada Carmen Godinho (Ana Carolina Dias) foi curta e grossa: “Vim para acompanhar meu marido, Orville (Paulo Ramos), de quem o Comendador comprou um quadro. Só isso”. E rapidamente, todos se dispersaram – menos Cora, que fez de colchão o chão de pedra, e ficou por ali mesmo.
Mas sabe qual foi o melhor de tudo? O morto não estava lá! Não é que aquela velha piada de “tenho tanto horror a cemitério que não quero ir nem ao meu enterro” valeu para o “mágico” comendador?

MORTE E VIDA ZÉ ALFREDO

Nessa longa jornada cobrindo enterros fictícios nunca vi um que fosse gravado tão rapidamente e com tanta animação. Sob a direção de Pedro Vasconcellos, mais de 20 atores ligados ao personagem de Nero, e cerca de 20 figurantes, chegaram às 7h30, ao Teatro Poeira – que serviu de camarim -, na Rua São João Batista, em frente ao cemitério. Logo todos estavam prontos, e a primeira cena, a do cortejo fúnebre, foi gravada, ao som do Réquiem de Mozart, como pedira Aguinaldo Silva, em rubrica no capítulo.
Alguns takes a mais, closes, entrada dos amigos, como Manoel (Jackson Antunes) e Antoninho(Roberto Bonfim) – ambos com tarjas pretas enroladas no braço -, o fiel escudeiro Josué (Roberto Birindelli), e os irmãos José Pedro (Caio Blat) e João Lucas deixaram o caixão vazio sobre o altar no jazigo – em cima do qual a produção de arte colocou uma placa com o sobrenome da família de Zé Alfredo e Marta.
As coroas de flores foram ‘enviadas’ pela esposa e filhos, pela Associação Brasil-Diamante (da qual o Comendador era “presidente”), por Claudio e Beatriz Bolgari , e pelos funcionários da Império e escritório de advocacia de Merival Porto (Roberto Pirillo).
Cena feita, todos dispensados. Mais umas tomadas de Téo, afastado dos outros, com olhar triste, perto de uma árvore. E… Paulo Betti também dispensado. Detalhe: todos sairam dali correndo para gravar no Projac. Só Marjorie Estiano ficou mais um pouco. O diretor pediu silêncio total. A atriz, concentradíssima, fez sua Cora emocionar a todos que estavam vendo as cenas, principalmente aquelas em que ela se deita, cansada de sofrer e na expectativa de ainda dar um último adeus a seu grande amor. Empolgado com a atuação de Marjorie, quando Pedro Vasconcellos passou por mim disse: “Pqp! Que atriz é essa?!”. Mais alguns minutos e o enterro que foi sem nunca ter sido termina.


E claro que, além da “matéria”, sobre como cada personagem se sentia diante do “falecimento” do Comendador, os atores não pouparam elogios à saída estratégica do autor em relação à falsa morte, e à construção do personagem de Alexandre Nero. Jackson Antunes chegou a dizer que é um dos papéis masculinos mais brilhantes nos últimos 20 anos. José Mayer também concordou: “Nos últimos tempos, as mulheres se mostraram mais vigorosas em personagens que foram protagonistas. Mas o José Alfredo veio como anti-herói, e isso, nos nossos tempos do politicamente correto, quebra toda aquela ideia de mocinho, do totalmente certinho, que já ficou lá pra trás”.
O problema, segundo a maioria, vem depois: quando o dono da Império voltar da labuta no garimpo, e ficar escondido na casa de Manoel. Marina Ruy Barbosa acha que a raiva de Isis por ter sido omitida do trio que sabia da jogada do Comendador vai passar logo pela felicidade de vê-lo vivo. Josie Pessoa confidenciou que está torcendo para sua personagem, Du, e o marido, João Lucas, serem os novos imperadores – até os nomes dos gêmeos que vão ter será em homenagem aos avós: José Alfredo e Maria Marta. Cristina, como atual presidente da Império, não sabe se continuará no posto, se o pai reassumirá ou se ele vai morar com a sweet child no Monte Roraima.
Antoninho, depois que descobriu a trama toda por Manoel, ainda tem esperança de ver o Homem de Preto num carro alegórico da Unidos de Santa Teresa. Já Paulo Betti acredita que seu computador vai estourar de tantos cliques com os detalhes do “ressurgido das cinzas”. Enfim, especulações mil. Mas só quem sabe mesmo o futuro é o outro Homem de Preto – e também Comendador – dono deste espaço…

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ELE ESTÁ MORTO!

»Públicado por em dez 16, 2014 | 11 comentários

 

 O DIFÍCIL ADEUS AO

ABOMINÁVEL HOMEM DE PRETO

DRAMA FORA DO CASTELO

 

Dia desses, durante entrevista a uma revista semanal, uma jornalista pouco preocupada com a fofoca e o disse-me-disse e mais interessada na análise dessa obra complexa que é uma telenovela comentou comigo: “você estruturou sua novela como se ela se passasse num reino da Idade Média. Nela, a turma de Santa Teresa são aqueles que moram fora dos muros do castelo”. Sorry, demais coleguinhas especializados em televisão, que, no frigir dos ovos, são os moradores da periferia desse castelo imperial chamado “mídia”: a tal jornalista acertou em cheio. Não é à toa que a novela se chama “Império”. Desde o começo eu queria que ela passasse para os telespectadores aquela mensagem inicial dos contos de fadas: “era uma vez, num reino distante e povoado por pessoas complicadas…” Neste momento o castelo no qual a família imperial vive seus dramas está sitiado pelos bárbaros. A hegemonia do Imperador corre risco sério. Ele deve morrer ainda esta semana, embora sua morte logo seja questionada: será apenas um truque para resguardar sua coroa? É o que veremos. Enquanto isso, fora das muralhas do castelo, mais precisamente em Santa Teresa, também acontecem dramas. O sofrimento e a angústia não são privilégios dos nobres, a plebe também padece desses males. Numa certa  manhã, na Santa Teresa cenográfica construída na parte mais remota do Projac, o ASDigital flagrou vários deles. (Aguinaldo Silva)

CORA SE PRODUZ PARA

O CASAMENTO DE DU E LUCAS!

 texto: Virgílio Silva

fotos: Fco. Patrício

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DEBAIXO DA NUVEM NEGRA

Uma nuvem negra ameaça o bonito dia de sol na cidade cenográfica de Império, no Projac. “Não pode chover” – diz alguém… Ou a frente de capítulos da novela fica ameaçada. Não choveu. Mas a nuvem – real – parece encomenda da equipe para compor o cenário da ficção.

É dia de luto em Santa Teresa. A essa altura os moradores do bairro já sabem da morte de José Alfredo Medeiros.

A diretora Roberta Richard, ágil, dá o comando para a gravação.  Manoel (Jackson Antunes) e Antoninho (Roberto Bonfim) estão desolados. Em respeito à memória do amigo, Manoel fecha o bar e estampa o aviso de LUTO em uma das portas. Os dois entram no carro e vão embora. A cena se repete apenas para os planos fechados.

JUREMA SONHA DE NOVO

COM JAIRO, O FILHO MORTO

 


O luto contido dos amigos do comendador dá lugar ao sofrimento de Jurema (Elizângela). A segunda cena do dia pede emoção. Elizângela não economiza.

Ela desce a escada gritando pelo filho Jairo, que vê em sonhos morto e enterrado. É de arrepiar. No meio da rua e aos prantos, Jurema é consolada pelo filho mais novo, Otoniel (Ravel Andrade), e por Antoninho.

Roberta Richard pede a câmera na mão. A diretora quer movimento, ação. O resultado é espetacular. Um plano-sequência estilo Godard com um giro de 360 graus. Sem contraplano. Show da equipe. Vai fazer chorar!

 

UMA CONFRARIA DE AMIGOS

 

No módulo montado ao lado da cidade cenográfica, os atores se preparam para as próximas cenas.

O clima é de harmonia. Já caracterizados de seus personagens, Rafael Cardoso (Vicente), Rafael Losso (Elivaldo), Leandra Leal (Cristina), Marjorie Estiano (Cora) e Lucci Ferreira (Antônio) batem um papo animado até a hora da gravação.

Viviane Araujo e Ailton Graça, sempre juntos, passam o texto de Naná e Xana… E até enquanto conversam se agarram e se abraçam, deixando claro que, também na vida real, são amigos.

Cris Vianna (Juju) conta que o ambiente nos bastidores de Império é o melhor possível. E se declara apaixonada pela novela: “Eu assisto em casa e me envolvo de tal forma que até me esqueço que faço parte dela.”

De volta ao batente. A cena no salão com Xana, Cora, Naná, Elivaldo e Cristina. Vicente não participa, mas Rafael Cardoso passeia ali pelas redondezas.

A câmera se posiciona na entrada do cenário. E não é tarefa fácil. A casa de Xana fica numa ladeira tão íngreme quanto as de Santa Teresa.

O cabeleireiro dá os últimos retoques em Cora. Elivaldo pede pressa. Cristina vem atrás. É dia do casamento de Du e João Lucas.

 

LEANDRA E O DIAMANTE NA PERNA

 

 

Coincidências – e ironias – da vida, um diamante que Leandra Leal traz tatuado na batata da perna é justamente o que não pode aparecer na cena. Leandra argumenta que tem tudo a ver com a nova fase da personagem. “Liga pro Papinha e pergunta se o diamante pode aparecer”, ela fala com a diretora Roberta Richard.

Sem ouvir sim ou não, ela se volta para o fotógrafo Francisco Patrício, que está bem ali do lado, e brinca: “O Aguinaldo autorizou.” Risos gerais.

Leandra é pura animação no set. Bem-humorada, conversa com todos, retoca maquiagem, canta…

E lamenta quando a cena acaba: “Fazer externa é tão bom. Pena que acabou rápido”, disse antes de entrar com Marjorie Estiano no carrinho elétrico e seguir para as cenas dos próximos capítulos. 

NA CENTRAL DE FOFOCAS 

Na banca de revistas,  Otoniel (Ravel Andrade) “ouve” as últimas notícias do “Gazeta de Santa Teresa”, o jornaleiro Pietro (Eduardo Spinetti),que é o fofoqueiro da aldeia, 


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