HAJA RABO!

»Públicado por em jul 27, 2014 | 26 comentários

QUERIDO DIÁRIO MEU: (19)

 

Meu Deus, meu Deus, mas que bandeira é esta,

que impudente na gávea tripudia?

                              (Castro Alves, “Navio Negreiro”)

São 19h18m, parei de trabalhar agora. Eu sei, hoje é domingo, tem um jogo de futebol rolando, a torcida está gritando lá embaixo (essa gente é mesmo insaciável), mas isso não me diz respeito… Pois domingo ou o diabo a quatro: até janeiro não terei um dia de folga. Ou – eu lhes pergunto outra vez – vocês pensam que escrever novela é coisa pra mariquita?

Até seria, se alguma mariquita se aventurasse na profissão achando que nela a vida é fácil. Mas não é não, meus queridos, aqueles diálogos precisos, cortantes, que vocês estão vendo no ar ditos por todos os personagens de “Império” dão um trabalho do cão: aos que os escrevem, a Márcia Prates que os revê primeiro, e depois a mim, que faço a última revisão e dou meu toque… E, obsessivo como sou, depois de tudo pronto ainda volto lá… E antes de entregar os capítulos à produção mudo mais um pouco de tudo. Tudo isso sem atrasar um dia sequer o trabalho.

Eu sei, toda obsessão mal administrada vira uma doença. E quando se trata de escolher a palavra certa numa fala de um dos meus personagens, sim, eu reconheço: sou doente terminal. Por isso trabalho tanto – para que aos meus ouvidos os diálogos da minha novela, ditos pelos magníficos atores que estão no seu elenco, soem igual a música.

Ou não foi música o que vocês ouviram no horário das 9 durante esta semana?

Não, apaguem a frase acima, esqueçam que a escrevi, não sou mais aquele fanfarrão que se vangloriava. A idade finalmente me trouxe um pouco de sabedoria… E esta fez com que me tornasse o mais modesto dos escribas. Sei que estou apenas esquentando o lugar para os grandes novelistas que virão depois de mim – Gilberto Braga e João Emanoel Carneiro, duas estrelas. Claro que não estou à altura de tão alto mister, algumas pessoas nunca esquecem de deixar isso bem claro – mas faço o possível.

E o meu possível é o que vocês viram na semana que passou – uma novela que é igual ao brasileiro comum: limpinha e honesta. Agora, se pra fazer aquilo eu e meus colaboradores morremos todos os dias e temos que ressuscitar no dia seguinte e começar tudo de novo, imaginem os percalços por que passam os grandes novelistas.

Uma amiga minha, que está acompanhando a novela em Paris, e cujo nome não digo, me enviou um e-mail bastante irônico no qual afirma que “Império” é apenas um “Rebu”… com fritas. Não percebi o que ela quis dizer com isso, mas, levando em conta o primor que é a novela das 11, considerei o comentário um elogio. Acho que ela quis dizer que minha novela consegue ser requintada e popular, o que, para um novelista, seria o melhor dos mundos.

Sim, as pessoas continuam a perguntar se estou feliz… E eu respondo que não propriamente… Porque estou anestesiado. São 19h35m agora, e eu ainda tenho que ver aquele último filme da Meryl Streep (com a Júlia Roberts), e depois ler mais algumas páginas de “Lugares Escuros”, de Gillian Flynn, um romance que lhes recomendo fortemente.

Escrevi mais este parágrafo acima e agora são 19h38m. Com isso completei 12 horas com o rabo sentado nesta cadeira, com pequenas pausas de cinco minutos pra tomar café ou água de coco. Já sei que, quando levantar daqui a pouco, estarei com a bunda dormente e as pernas meio mortas… Mas não me queixo de nada, pois também já lhes disse e agora repito: adoro o que faço, acho o ato de escrever mais gostoso e compensador do que, por exemplo, fazer sexo.

Tanto adoro que amanhã, às 7h30m da matina, ainda escuro aqui em Petrópolis, me sentarei outra vez diante do computador para mais uma jornada… E, chova ou faça sol, assim será até janeiro.

 


Como diria meu alter-ego Téo Pereira: publique-se!

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A VILÃ QUE NÓS AMAMOS

»Públicado por em jul 26, 2014 | 8 comentários

 

Por conta da estréia de “Império” a Revista de TV do jornal O Globo me convidou para fazer uma entrevista com Lília Cabral, a terrível Maria Marta que vocês agora estão vendo no ar, e eu aceitei. O texto é o que se segue. As fotos, uma espécie de making off da entrevista – que também foi gravada em vídeo – ficaram a cargo de Fco. Patrício. A repórter Natália Castro, de O Globo, também participou da entrevista. Deliciem-se! (Aguinaldo Silva)

Muita gente acredita em “pé de coelho”, aquele amuleto da sorte que só traz coisas boas para nossas vidas. Eu, por exemplo, acredito. E um dos meus talismãs é a Lilia Cabral. Desde a primeira vez em que trabalhamos (em ‘Vale tudo’, de 1988), sempre que nos juntamos numa novela esta fez sucesso… E nesses anos todos minha admiração por ela só aumentou. Lilia é uma atriz espetacular, versátil e agregadora. É aquela pessoa que faz questão de ver a equipe unida, que põe sua experiência a serviço de todos, principalmente dos atores novatos. Quando comecei a escrever “Império”, criei o personagem de Maria Marta para ela. Depois da Griselda de “Fina Estampa” (2011), queria que ela fizesse uma das minhas vilãs — e deu certo! Lília está na minha novela, e a Revista da TV ainda me deu a oportunidade de voltar aos meus tempos de jornalista e fazer uma entrevista com ela. Confira abaixo o resultado de mais este encontro agradável que tivemos.

 

Depois de uma heroína absoluta em “Fina estampa”, agora você é uma vilã poderosa. O que é mais divertido?

Ah… A vilã toda poderosa (risos). Porque a estrutura dramática da heroína, pelo menos da sua, não era um clichê, a Griselda era muito desconstruída, né? Ela não tinha referência de beleza ou vaidade, tinha referência como mulher, mãe e sobrevivente. É um erro pensar que, para fazer uma heroína, o ator precisa lançar mão de clichês. Não! É completamente equivocado. Ela foi um desafio grande pelo comportamento e pela essência, que eu abracei. Quantas pessoas são massacradas pela vida e têm que continuar seguindo em frente, independente, porque as obrigações pedem? Eu lia o texto e chegava a doer. Mas, por outro lado, a vilã é assim: como dizia a Mara Manzam em “O clone”, “cada mergulho é um flash” (risos). Cada frase, você pega o rojão e espoca. É um tipo de colorido dramatúrgico, principalmente quando você está nas mãos de um bom autor. Se a gente estiver nas mãos de um autor maniqueísta, em todos os sentidos, não haverá esse colorido. Mas a boa vilã é aquela que acorda de manhã, toma café, é capaz de levar o filho na escola… E é uma “FDP”. A Maria Marta tem várias causas. Em todos os âmbitos, onde ela puder agir de acordo com o que acha certo, vai fazer. Cada capítulo é uma Copa ganha!

Você é fantástica. Ninguém mais diferente de você do que a vilã. Onde foi buscá-la?

Ah, nem sei (risos). Eu costumo olhar os amigos que trabalham com muita referência… Eu, quando fui para a escola de Artes Dramáticas, nunca tinha feito nem teatro amador. Quando tinha que me apresentar para as bancas, entrava nas histórias da minha vida e da minha família, muito pouco no conhecimento cultural e teatral. E, todas as vezes que vou começar um trabalho, me dedico ao que o texto tem a oferecer. Sobre o que vou falar, o que o autor está me dizendo. Eu leio muito. E a cada leitura, vem uma visão diferente. Meu prazer é sentar com o texto e me divertir, mesmo que eu tenha que fazer todo mundo chorar (risos). Vai muito da memória emotiva, do meu dia a dia, das minhas observações. E até o meu comportamento vai mudando, vou ficando imbuída da personagem e já começo até a ler as maldades e a achar uma delícia (risos). Mas eu já conheci várias Maria Martas, claro. Inclusive já trabalhei com algumas (gargalhadas).

Nos bastidores, você é sempre solícita com os mais jovens. Isso surgiu sem que você se desse conta ou é tarefa do ator?

Vou dizer com franqueza. Quando comecei, ainda na escola, me chamaram para uma leitura com pessoas muito importantes, e não fui bem tratada. Estava nervosa, era inexperiente e fiz uma leitura péssima. Aí, fiz a novela “Os adolescentes” (1981), da Ivani Ribeiro, e sofri a mesma coisa. Chegava em casa péssima e pensava: “Será que é assim?” Mas não fiquei com raiva. Hoje eu olho para algumas pessoas, que continuam na ativa, e sei bem o que fizeram comigo (risos), bem no comecinho. Mas isso não significa que eu teria que fazer também. Se tiver alguém do meu lado, principalmente um jovem, não quero que ele tenha uma imagem no futuro, assim, como eu tenho dessas pessoas. Quero que eles sintam em mim um ponto de apoio, porque eu precisei e não me deram. Foi bom porque aprendi a me virar sozinha, mas acho que quem chegar perto de mim, e me pedir, eu vou ser a primeira a acatar. Dia desses, cheguei ao camarim, e a Julinha Lemmertz (protagonista de “Em família”) tinha me deixado uma orquídea. Fiquei tão emocionada, que fui até o set e a abracei forte. É bom saber que há colegas que torcem por você, e você torce por eles, porque se não estiver todo mundo no mesmo barco, não adianta, não dá certo. Quantos jovens talentosos já passaram por mim e cresceram… O próprio (Alexandre) Nero, meu Deus do céu, né? Que estreou comigo e não olhava para mim. Ele tremia em “A favorita” (2008), sem ninguém para ajudar. Falei: “Não se preocupe, você está muito bem”. Já está mais do que provado que uma andorinha só não faz verão.

Você demorou para ser protagonista, embora merecesse. E arrasou nas novelas que fez. Quando recebia esses personagens, no que pensava?

Sabe que nunca fiquei triste? Porque minha motivação não era ser a protagonista. Eu me lembro de “Vale tudo”, quando fiz o sucesso com a Aldeíde: depois, quando veio “Tieta”, pensei que o Paulo Ubiratan (diretor-geral) fosse me colocar num papel que eu queria muito fazer, a amante do Armando Bógus, feita pela Luiza Tomé. Eu achava que poderia fazer. Quando ele me chamou, li assim. “Dona Amorzinho”. Tinha uma linha de descrição na sinopse. Eu tenho até hoje guardada! Fiquei mixuruca, porque estava idealizando. Aí, ouvi do Paulo que precisava de mim ali com a Rosane Gofman ao lado da Perpétua (Joana Fomm), e que eu não me preocupasse, pois teria uma história. A novela começou, e a participação foi aumentando, havia falas, cenário, história. Aprendi essa lição de que não adianta a gente querer o primeiro lugar. É isso que tenho? Então é o que vou defender. Nas novelas seguintes, fui crescendo. O primeiro autor que me viu de outra forma foi o Maneco em “História de amor” (1995), depois em “Laços de família” (2000), e em “Viver a vida” (2009), quando fiz um personagem forte. Quando você me convidou para a protagonista, eu tinha até vergonha de falar, quando as pessoas perguntavam. Eu não falo nada, não faço questão do rótulo, quero fazer bem feito. Se eu for me lembrar, na minha época de análise, eu reclamava de gente destalentada (risos) que estava com papel bom. Isso eu achava ruim. E no teatro, corri em paralelo, porque, nas peças, eu era protagonista e acho que foram me vendo. Bom, de todos os trabalhos que fiz, se reclamar de três… Estou no saldo.

Eu me assustei quando vocês contaram o sacrifício que foi gravar em Carrancas (município em MG que fará as vezes do Monte Roraima na novela). Como lida com a entrega que a profissão exige?

Vou ser bem franca: eu O-D-E-I- O aventura. Odeio, odeio. E quem leu os primeiros capítulos e viu que eu estava no “Monte Roraima” deu risada porque já me imaginavam lá. E eu não tinha nenhum contato com natureza. Todo mundo falava: “Ah, vamos ver aquela pedra”. E eu: “Eu vejo a foto” (risos). Quando você está nesse barco, reclamar não dá, não ajuda em nada. Temos que tirar o chapéu para a estrutura, porque havia 120 pessoas num lugar de acesso dificílimo. Depois que passa e você vê feito, fica feliz porque está ali na função de contar história. Se não quer, é melhor só aceitar fazer novela em que vai para Nova York (risos). Nesta, todo me perguntava se eu ia para a Suíça, e eu falava: “Não, vou para Carrancas” (risos).

Você gosta de receber o texto com antecedência?

É ótimo porque temos tempo para estudar. As nossas reivindicações são essas, as 11 horas de descanso, e a necessidade de ter o roteiro com 72 horas de antecedência. Vi a entrevista da Vivinha (Eva Wilma) no “Damas da TV”, do Viva, que fala extremamente bem de você. Ela disse que, quando fez a peça “Pato com laranja”, em que contracenava com o Paulo Autran (1922-2007), ele dizia que 80% (de atuar) é estudo, 15% é talento, e 5% é sorte. E acho que é isso. Lógico que a gente tem vocação, mas se não estudar, não adianta. Quando você chega estudado, cria melhor, pode até defender cenas. Se a pessoa acha que é só decorar, acho que cada interpretação será sempre a mesma.

Há atores que só leem as próprias cenas. E você sabe que a gente nota isso no ar? Eu noto. O ator não está na novela, está na novela dele.

Às vezes, quando você está atolado, não dá para ver a novela com tanta assiduidade. Mas ler o que vai acontecer é importante. Eu gosto de assistir às novelas que faço, ao que os colegas fazem… Às vezes, a gente muda, por vergonha alheia (risos).

Até o fim de “Império”, em fevereiro, são sete meses de trabalho árduo e desgaste. Já pensa no que fará depois?

Olha, se você falar assim: “Daqui a um mês eu tenho um seriado para fazer, um filme. Você quer fazer?”. Eu vou responder: quero (risos). Sabe por quê? Quando eu acabei “Saramandaia” (2013), pensei: “Ah, graças a Deus, estou de férias, só vou trabalhar no teatro em fevereiro, março e depois vou lançar filme, mas vou ficar de outubro a janeiro de férias, afinal não tiro férias desde 2005”. Fiquei 25 dias na Itália, não aguentava mais ver nada. Leonardo Da Vinci que me desculpe, mas tudo bem, chega!

Vamos repetir o mesmo sucesso de “Fina estampa”?

Se vamos repetir, não sabemos. Mas que estamos trabalhando para isso, eu tenho certeza que sim. Toda vez que você senta no computador, fala assim: “Eu vou mostrar como se escreve uma novela!”. E todos nós, atores que estamos na sua novela, sentamos para estudar e pensamos assim: “Eu vou mostrar como se interpreta uma novela.”

(Na foto, com Lília, Natália Castro e a

fotógrafa e videomaker Ana Branco)

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22 ANOS E JÁ IMPERADOR!

»Públicado por em jul 24, 2014 | 35 comentários

 

EXCLUSIVÍSSIMA!

O nome Roobertchay Domingues da Rocha Filho, filho do seu Roobertchay e da dona Herica, lhe diz alguma coisa? Muito, né? Principalmente nas últimas duas semanas! Como assim? Você ainda não ligou o nome à pessoa? Ele é, simplesmente, Chay Suede, o ator que encantou o Brasil, como José Alfredo, na primeira fase de IMPÉRIO, e que se despede da trama hoje, com a passagem de tempo para os dias atuais. Aos 22 anos, com “quase quatro” de carreira, este capixaba subiu o Monte Roraima, mostrou a que veio e venceu. Bombando no trending topics, vivendo agora a maratona de participar de todos os programas da Globo, prestes a gravar cinco composições suas em um EP (extended play, espécie de CD com poucas músicas), mesmo assim o galã mantém a serenidade. E explica: “A ficha ainda está caindo”. Simpático, muito articulado e maduro para sua idade, Chay conta como está feliz em estrear numa novela das nove da Globo num texto de seu autor favorito, Aguinaldo Silva. E detalhe, meninas: está solteiríssimo – depois de longos namoros, com as atrizes Sophia Abrahão e Manu Gavassi. E, ainda por cima, é um romântico inveterado. Precisa mais?

entrevista: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício e Divulgação/Globo

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Acha que seu personagem, que veio sofrido do Nordeste para o Rio, perdeu o grande amor e virou um homem rico para mostrar a Eliane (Vanessa Giácomo) e Cora (Marjorie Estiano) que não era um ‘Zé Ninguém’, como ele mesmo disse?

A motivação dele passa longe de uma vingança. Zé não ostenta dinheiro, e sim poder. Poder de decisão, de mudar as coisas. O início de sua trajetória não passa perto dessa história de causar inveja. Quando decide que vai para o garimpo com Sebastião (Reginaldo Faria) é para tudo, custe o que custar, doa a quem doer.

Mas no início da trama, ele não parece um homem ambicioso, tanto que tenta vários trabalhos…

A vida tomou outro rumo. O destino o levou a mostrar o que tinha latente. Ele só pensa no início e no objetivo final. Vale tudo, no meio, para alcançar o que quer.

No amor, ele preferiu fugir, não ter um confronto com o irmão.

A forma mais digna que o Zé encontrou foi escrevendo a carta, contando tudo para Evaldo (Thiago Martins). Preferiu assim para que o irmão não se sentisse diminuído. Meu personagem queria viver seu amor longe dos olhos do Evaldo, mas disposto a colher todas as consequências, já que a saída encontrada foi a fuga. Quando o Zé perde o sentido da vida, que é o amor por aquela mulher, ele preenche esse vazio com uma determinação, com a ambição.

Eliane vai ser sempre o único amor dele. A relação com Maria Marta (Adriana Birolli) passa longe daquele romantismo todo…

A relação com Marta é de tesão um pelo outro, tesão pelo perigo, pelo dinheiro, pelo risco que tudo isso traz. A cena do pedido de casamento é muito mais um trato do que uma declaração afetiva. Tanto que depois é ele quem escolhe quantos filhos quer ter, os nomes deles e o da joalheria. Eles mantêm um pacto interessante aos dois, naquele momento.

Um tipo que tinha tudo para ser desprezado, mas é visto como um self made man.

Ele se auto-absolve. Tudo que conquistou foi com muita coragem. Só Zé Alfredo sabe quanto custou passar por aquilo, pensando que se o mundo não lhe deu nada, então, tinha que tomar.

Qual a sensação de estrear como protagonista na primeira fase de uma novela das nove na Globo?

Foi um conjunto de bênçãos! Uma novela das nove, do meu autor favorito – desde pequeno sempre gostei das histórias do Aguinaldo, dos personagens grandiosos, e várias vi em reprises -, a felicidade do teste ser para este personagem, a direção de núcleo do Papinha (Rogério Gomes), que é maravilhoso… Nossa!  Minhas melhores expectativas foram superadas!

E ver seu nome bombando nas redes sociais, e o assédio do público? Como está se sentindo?

Está caindo a ficha, ainda não assimilei todas as informações (risos). Até porque estou pensando muito no conjunto, na novela como um todo.

O que achei interessante é que você, sendo um rapaz bonito, foi primeiramente elogiado pelo seu trabalho e, depois, pela estética. Difícil nos dias de hoje…

Foi muito bom meu personagem ter sido bem aceito. E mudou tudo, tão de repente! Um assédio muito grande, todos se aproximando com carinho, falando sobre o Zé, dando toques de como ele deveria agir, elogiando. E, como você disse, foi o oposto: gostaram do meu trabalho primeiro. Isso é grande!

 

Um tímido que se descobriu

na música e na atuação.

Você vai gravar um EP, com cinco canções, e uma delas conta com a participação do Alexandre Nero, que também é cantor e instrumentista. Como foi esse encontro musical dos Zés?

Eu toco violão, desde os 16 anos, e também gaita, guitarra, contrabaixo… E o Nero toca banjo. Um dia, a gente estava esperando a gravação, e eu mostrei a ele uma composição na qual falo da trajetória do personagem, chama-se Falso Brilhante – que seria o nome da novela. Foi assim, cheguei pro Nero e falei: ‘Olha a música que compus pro nosso Zé’. Ele adorou, e disse: ‘O Papinha tem que ouvir’. Ouviu e adorou também. Foi muito especial. Pensei que poderia ser usada na novela, mas não sei ainda há tempo…

Você sempre gostou de cantar?

Comecei com 17 anos. Eu era muito tímido, e meu pai praticamente me forçou a participar do Ídolos, em 2010 (concurso de novos talentos, na Record). Ele achava que eu tinha potencial artístico mesmo sem saber, e investia sua vibração positiva, me impulsionava. Nós estávamos no Rio (eles moravam em Vitória) e era o último dia da inscrição para o programa. Forçado, me inscrevi. Fui passando por todas as fases, e acabei ficando em quarto lugar. Nem imaginava…

Então, seu sonho era ser ator?

Nada! Como lhe falei, eu era muito tímido, jamais achei que fosse capaz disso. Eu tinha passado para a faculdade de cinema, no Espírito Santo, queria fazer roteiros, trabalhar atrás das câmeras. E a Record me convidou pra fazer Rebelde (2011), mas rejeitei a proposta. Eles insistiram, e eu sempre rejeitava. Aí, conversaram com a minha família. Quando dei por conta já estava na novela. Completamente cru, no meu canto, quietinho. Até que fui me soltando, tomando gosto por atuar,  passei a querer fazer as cenas cada vez melhor, e fui ganhando umas ótimas da autora (Margareth Boury). A novela durou dois anos. Depois, fiz um longa, a apresentação de um programa na MTV (Hora do Chay), outro longa, e cada dia era uma descoberta nova. Foi aí que eu vi: ‘O negócio é sério, não é só curtir o que estou fazendo. Preciso ter um compromisso com essa parada’.

E o compromisso vai longe: você vai estar em Babilônia, novela de Gilberto Braga, no ano que vem, não é?

Eu ouvi sobre isso, conversei com o Dennis (Carvalho, diretor de núcleo), mas ainda não bateram o martelo. Se for verdade, vai ser mágico. Imagina começando com Aguinaldo Silva e Gilberto Braga!

 

‘Os valores estão invertidos. As coisas

são descartáveis ou fora da ordem’

 

E a timidez continua?

Nada, agora sou sem-vergonha, quer dizer, perdi a vergonha de me apresentar em público, cantar, essas coisas…

Eu entendi (risos). Mesmo assim, você tem jeito de quem prefere um programa mais tranquilo quando não está gravando. É isso mesmo?

É, sim. Sou muito caseiro.Gosto de festa, mas em casa, com os amigos, um churrasco… E não é em todo lugar que toca música que gosto de ouvir. Então, prefiro algo mais tranquilo, mesmo. Adoro ir ao teatro e ao cinema.

Que tipo de filmes?

Latino-americanos. Bom, os americanos também. Gosto muito dos dramáticos, e das comédias bem feitas. Não aquelas bobas. Acho importante ter esse lado cultural, não ver apenas como entretenimento.

Você é bem maduro para sua idade. Como vê os jovens hoje?

Os valores estão invertidos. As coisas são descartáveis ou fora da ordem. Ter um corpo sarado é muito mais importante do que qualquer coisa. E quando isso se torna prioridade, vemos que há algo de errado.

Acha que é assim também na música que estão ouvindo?

Eu gosto de boa música e de variedade. Ou seja, é preciso ter opções para fazer escolhas. Ouço MPB, samba, folk, guitarrada, música regional de vários lugares do Brasil. Sou bem eclético.

E suas composições?

São numa linha mais de rock rural, entre o brega e o romântico.

Esse estilo ainda sofre preconceito?

Não sei, mas faço o que gosto, o que acredito, o que fala ao meu coração.

E o que o seu coração está falando agora?

(risos) Que estou vivendo o momento mais feliz da minha vida!

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O ‘IMPÉRIO” RECOMEÇA!

»Públicado por em jul 22, 2014 | 46 comentários

 

Nesta quinta-feira, já no presente, José Alfredo, junto com Maria Marta e seus filhos adultos, dá uma grande festa para comemorar o aniversário do seu ”Império” , hoje uma poderosa rede de joalherias com filiais nas principais capitais do mundo. A festa acontece num momento de crise, quando o patriarca da família é pressionado pela mulher para escolher, dentre os três herdeiros, aquele que vai ocupar o lugar dele à frente dos negócios. Marta tem o seu favorito, José Alfredo tem o dele… Mas há um terceiro filho correndo por fora na luta para ver quem fica com a coroa: quem será o novo Imperador? Aguarde o desenrolar dos próximos capítulos.

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UM PRESENTINHO PRA VOCÊS

O vídeo da Carla Bruni cantando a música em francês que é o tema de Chay Suede e Adriana Birolli em “Império”

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O DISCURSO DO REI

 

Quem prestar atenção aos diálogos de “Império” e entender do assunto vai perceber que sou obcecado pela precisão do texto. Nas minhas novelas não pode ter cena de “conversa mole”, de encheção de linguiça. A cada frase pronunciada por um personagem a história tem que dar um passo… E sempre adiante. Isso dá à novela uma sensação de fluidez que faz a minha delícia e também faz – eu creio – a delícia dos telespectadores. Minhas histórias caminham sempre rumo ao futuro, nas minhas novelas não existe o hábito de andar para os lados. Mas atingir essa precisão, e a consequente fluidez, não é fácil. Vou dar um exemplo baseado no capítulo que foi ar hoje. Tem uma cena que justifica o título da novela: é aquela em que José Alfredo ao descobrir que Maria Marta está esperando um filho dele, diz a ela que vai criar o seu próprio reino. Ele faz um verdadeiro discurso, no fim do qual a pede em casamento – quer dizer, pede que em seu futuro reino ela seja sua rainha… E ela aceita. Esta cena, acreditem se quiserem, teve nove versões, até que eu considerasse pronta e acabada… E mesmo assim, antes de entregar o capítulo à produção, eu ainda fiz mais alguns ajustes. Hoje, ao ver a cena magnificamente interpretada por Chay Suede e Adriana Birolli, vi que meu esforço ao reescrevê-la e reescrevê-la até realmente chegar onde eu queria… Sim, valeu a pena.

Leiam abaixo o discurso do rei…

 

                         Você está certa, não sou um homem fino. Não tive berço nem educação, sou só um contrabandista. Mas não pense que vou ser só isso pro resto da vida. Quero que me olhem, me admirem, me respeitem, e saibam que eu valho mais que todos os diamantes da Terra, que não sou apenas  um Zé Ninguém que deu sorte na vida. Quero que me tratem como eu mereço – como um rei!

                         Eu sei, vou ter que subir muitas vezes naquele monte e trazer de lá todos os diamantes que puder até juntar dinheiro bastante pra conseguir isso. Mas não duvide do que vou lhe dizer agora.

                          Eu quero construir um reino! E logo você, uma paulista quatrocentona cheia de sobrenomes, diz que tá esperando um filho meu? Esse filho pode ser o meu herdeiro! O futuro dono do meu reino! Pra isso a mãe dele tinha que ser uma Rainha feito você, por isso eu te pergunto: Maria Marta de Mendonça e Albuquerque, quer casar comigo?

…E a resposta de sua futura rainha:

Não tenho a menor duvida que você terá seu reino. Prometo que te ajudarei chegar lá, e prometo mais ainda: eu te darei outros herdeiros.

 

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QUEM É QUEM NO IMPÉRIO

»Públicado por em jul 21, 2014 | 42 comentários

 

ETERNAMENTE GRATO!

A vocês todos, que me prestigiam aqui neste nosso espaço e dão força para que eu continue dando tudo de mim e fazendo o melhor possível o meu trabalho. Hoje vou dormir em paz, pois tenho plena consciência do dever cumprido. A vocês todos, meus amigos aqui do blog: obrigado, obrigado, obrigado (Aguinaldo Silva)

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(fonte: divulgação TV Globo)

 

 

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“IMPÉRIO” FAZ A FESTA

»Públicado por em jul 20, 2014 | 17 comentários

Um IMPÉRIO de luxo, glamour, gente bonita, comidinhas deliciosas e muita animação. A festa de lançamento da próxima novela das nove, da Globo, com estreia nesta segunda, abarrotou o salão nobre do Jockey Club, no Rio, ontem, a partir das 20h30. Centenas de famosos de todas as áreas – Narcisa Tamborindeguy, Regina Rique; o bailairino Thiago Soares, do Royal Ballet House; José Hugo Celidônio; o carnavalesco Paulo Barros; os cineastas Raul Guterres e Bruno Barreto; e a atriz Denise Dumont, radicada em Nova York; entre outros – estiveram presentes ao evento, e adoraram o que viram. Paulo Betti, um dos primeiros a chegar foi logo cercado pelos jornalistas para contar detalhes do seu virulento Teo. Mas foi a entrada triunfal do dono da festa, Aguinaldo Silva, que abalou as estruturas. O autor já não sabia para onde olhava, falou sem parar com a imprensa, e contou com os colaboradores da novela para ficarem em sua volta, dando a chance de ele poder comer alguma coisa.

reportagem de Simone Magalhães

fotos de Fco. Patrício

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Noite é noite. E badalação como essa pede produção. É claro que o preto imperou no evento. Mas o vermelho arrasou nos vestidos de Marina Ruy Barbosa – eleita, pela maioria dos convidados, à boca miúda, como a mais bonita da noite. Ah, e sempre acompanhada do príncipe consorte Klebber Toledo, também chiquérrimo -, Josie Pessôa e Júlia Fajardo também mostraram que inverno pode pedir  cores fortes. Júlia estava felicíssima, ao lado do pai, José Mayer. “Achei ótimo ele fazer um personagem homossexual, e poder mudar a imagem que a maioria do público tem dele, é  um tipo muito rico em possibilidades”, observou ela, que será Helena, amiga número 1 da vilã Maria Marta (Lília Cabral).

E por falar em Lília, ela desfilou, ao lado do marido Iwan Figueiredo, num vestido preto deslumbrante, com brilhos no ponto certo. Pena que estava quase sem voz. Mesmo assim deu entrevistas a quem pedia. E tocando na história dos brilhos, quem chamou atenção num modelito sensual todo prata foi Cris Vianna. Já Adriana Birolli investiu novamente num longo branco, com fenda, como aquele com que  fez sucesso na coletiva de imprensa da novela. “Não posso dizer que seja minha cor preferida, mas, com certeza, é a mais pura e energética, principalmente para momentos especiais como esse, e foi feito especialmente pela estilista Lethicia Bronstein pra a festa”, contou a bela.

Fugindo do trivial, Andréia Horta apostou num justo, nas cores coral e preto, Viviane Araújo na estampa de onça, Suzy Rêgo num longo sobretudo de couro caramelo. Mas foi o Comendador Alexandre Nero quem sobressaiu no quesito surpresa: estava de terno – com colete, gravata e tudo mais – num tom ferrugem, com sapatos marrons. “Tô bonito?”, brincava ele, com os fotógrafos que não paravam de clicá-lo.

Na linha dos discretos, os jovens deixaram as moças babando com seus ternos escuros: Klebber, Joaquim Lopes, Daniel Rocha e Romulo Neto eram os mais pedidos para selfies com fãs seletos no Jockey. Rafael Cardoso, de marrom, levou a mulher, Mariana, que mostrou que grávida – de 7 meses – também pode arrasar num vestido ouro velho. Mas há sempre os casuais, que preferem conforto, como Tato Gabus, que lançou mão de um suéter azul, e Paulo Vilhena, de camiseta branca. Por falar no ator, ele fez um corte de cabelo à la prisão para seu personagem, o detento Domingos Salvador. “Mas estou pensando em cortar mais ainda”, comentou, acrescentando que está empolgado e estudando muito para interpretar um pintor esquizofrênico.

Mas teve discrição no lado feminino também. Muitas atrizes optaram pelos tons de creme. Regina Duarte, com um modelo bordado, era a felicidade em pessoa: posou com todos que pediram, achou a festa linda, e conversou horas a fio com Aguinaldo Silva. “Está tudo tão bonito. A vida é bonita e precisamos fazer dela o melhor que pudermos”, filosofou a atriz, que fará uma participação especial em Império. Nanda Costa deixou uma nesga da barriga (ou melhor, da não-barriga) de fora;  Leticia Birkheuer, com um acompanhante de suscitar suspiros do mulherio em volta; e Leandra Leal, num modelo justinho, também abusaram do bege claro, creme ou nude, como preferirem.

Muita gente circulando, comendo, bebendo – isso eu conto já já – e quietinha na hora em que foi exibido o vídeo da trama. Quem ainda não tinha visto ficou admirado, quem reviu teve a certeza de que vai ser sucesso certo.

 

COMIDA, BEBIDA

E DISCO MUSIC

 

A primeira impressão ao entrar no salão era a lindíssima decoração, com imensos arranjos com rosas chá, orquídeas, flores em tons pastéis, e pequenos arbustos espalhados pelas laterais, além de lustres e candelabros iluminados com velas. Sem falar na exposição de cópias de joias em redomas de vidros no centro do salão, remetendo às peças desenhadas por Maria Clara (Andréia Horta) e às pedras que trouxeram a riqueza aos Medeiros. A média luz (nossa, parece bolero…), em tom lilás, e a música instrumental não muito alta foram perfeitas para imprensa nacional e internacional registrarem a maior parte do elenco que esteve por lá.

O quesito comes e bebes foi um primor. Ninguém precisava esperar pelos garçons: por todo o salão havia mesas e espaços reservados a gostosuras e bartenders (um amigo, dono de uma agência de publicidade, me disse que dava pra reunir facilmente essas duas últimas palavras…). Além da Chandon correr solta, os convidados podiam escolher drinques feitos especialmente para a festa.

No cardápio, o Império (vodca com cereja amarena, xarope de açúcar, limão siciliano e club soda)  era o mais solicitado. Algumas dúvidas entre o Pedra Preciosa, Talismã, Monte Roraima, Trama e Diamante. Mas a perdição mesmo era o menu. Canapés, camarões com creme, pequenas delícias japonesas e brasileiras… Com esforço os convidados podiam manter a linha dieta. Mas o raviolle com mussarela de búfala, nozes e molho pomodoro; o picadinho de carne, com mini batatas souté e farofa; e o salmão grelhado eram um apelo sem possibilidade de rejeição.

Para onde se olhasse havia mesas com essas iguarias. Paulo Betti, feliz da vida com o seu Teo, não tinha qualquer problema em falar sobre personagem entre uma garfada e outra. Fez sua própria junção: comeu e repetiu o salmão… com farofa. “Tá bom isso!”, observou o ator, no meio da conversa.

 Já Rui Vilhena, autor da próxima trama das 18h, Boogie Ooggie, não resistiu à mesa de doces – aliás, assim que ela foi montada num canto estratégico, entre o meio do salão e a varanda lotada, acho que todas as dietas e detoxis foram por açúcar abaixo. As tarteletes estavam um escândalo! Sem falar nas bombinhas de creme, e brownie de nozes, entre outros.

Mas houve um stop para quem não quisesse incrementar mais suas gordices: o DJ abriu os trabalhos, lá pelas 23h, com Dancing Queen, do ABBA, e os mais animados correram para a pista – assim como essa que vos escreve. A seleção musical era seventy total, irresistível. Barry White e Gloria Gaynor encheram a pista. Mas teve também quem ficasse no entorno, só olhando as imitações de Travoltas ou curtindo seu próprio par. Bonito ver Jonas Torres e a esposa, Danielle, olhos nos olhos, complementados por selinhos, de vez em quando.

Só que a meia-noite foi chegando, e como o dono da festa acorda às 5h30, ele despediu-se de todos, ainda acabou sendo atingido como  alvo de mais dezenas de selfies, e foi pra casa sonhar com a estreia de segunda-feira. Detalhe: com a abertura ao som de nada menos do que  Lucy In The Sky With Diamonds.

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A GRANDE NOITE DO “IMPÉRIO”

 

Simone Magalhães já disse tudo com sua precisão habitual. As fotos de Fco. Patrício – serão dezenas em uma galeria que publicaremos aqui embaixo daqui a pouco – também falam por si mesmas. Mas eu precisava dar minha visão pessoal da festa… E ela é a seguinte: em quatorze novelas que escrevi, nunca tinha sentido uma vibração tão positiva. Na festa, em que trabalhei como é de praxe – dando dezenas de entrevistas, conversando com os atores que aproveitaram a ocasião para me fazer perguntas sobre os seus personagens, e (novidade) me submetendo ao ritual de fazer muitas, muitíssimas selfies, senti por toda parte a alegria, a confiança e a certeza dos que participam da novela: vamos fazer bonito, e estamos dando tudo de nós para isso para que isso aconteça.

Sabemos que há uma expectativa muito grande por conta de “Império” e tudo faremos para não frustrá-la. E a única maneira de fazê-lo é atráves do nosso trabalho. O que nós queremos? Dar alegria aos 40 milhões de telespectadores do horário das nove da televisão brasileira, e não mediremos esforços para isso. Confio que chegaremos lá, e ainda mais confio em Rogério Gomes, meu diretor de núcleo, que está “morando” no Projac, disposto a produzir junto comigo e toda a nossa equipe, o melhor dos nossos trabalhos.

E agora o detalhe fútil, só pra justificar as fotos abaixo. Na festa de uma novela cuja trama central se passa numa cadeia mundial de joalherias, e que tem como tema musical nada menos que “Lucy in the sky with Diamonds”, dos Beatles, é de praxe que se tire do cofre e se exiba nossas joias. Eu fiz isso – pesquei várias no cofre do banco e tratei de usá-las. Nas fotos abaixo estão algumas. A essa altura todas já voltaram a dormir na segurança do banco, mas antes fiz as fotos. Adoro jóias, assim como adoro sapatos – os que usei na festa são da Mikels Shoes, minha grife portuguesa. A caveirinha de diamantes, que usei pendurada no pescoço, é para lembrar à minha tola vaidade que eles – os diamantes – são eternos, mas os autores de novelas não - a eles pode parecer impossível, mas se não se cuidarem também fenecem e morrem. (Agonildo Salva)

E para quem ainda não viu: aí embaixo está o link da chamada de elenco da novela, já com a música dos Beatles:

http://t.co/2a9Lsxrj8Q

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É A ANSIEDADE, ESTÚPIDO!

»Públicado por em jul 18, 2014 | 20 comentários

 

Três horas da manhã. Um vento sinistro que sopra do mar faz as janelas do meu quarto estremecerem de vez em quando. Numa dessas estremecidas eu acordo num susto… E me vem a sensação de que, ao interromper meu trabalho para o descanso noturno, esqueci nele alguma coisa. O que seria?

(fotos: Fco. Patrício)

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Não adianta, não vou dormir mais até descobrir o que é. Por isso me levanto, visto um trapo qualquer, vou para o escritório, ligo o computador e, enquanto espero – e as janelas continuam a estremecer com o vento -, me lembro de uma frase icônica de “Chuva”, a adaptação para o teatro de um conto de Somerset Maughan:

“Meu Deus, reverendo Davidson… E esta chuva que não passa!”

Esta frase, dita numa das montagens da peça por Dulcina de Moraes, que além de grande atriz era uma mulher-viada, tornou-se icônica entre os gays durante décadas. Lembro-me de um professor de música lá do Recife, Samuel Kreimer, também conhecido como Sally Langor, a pronunciá-la após meia dúzia de chopes como se fosse a própria… E a repito pra mim mesmo, nesta madrugada em que uma frente fria se aproxima do Rio: “meu Deus, reverendo Davidson… E esta chuva que não passa!”

E aí me lembro do que havia esquecido na escaleta: “o banho de espuma da Birolli!”

 

 

Abro imediatamente a escaleta 00X (não digo o número nem morto, ou a produção me pede todas!) e trato de acrescentar a cena. Adriana Birolli, que no passado de “Império” é a Maria Marta vivida por Lília Cabral, no presente é Amanda, a sobrinha desta, enviada para um doce exílio em Londres pelo comendador José Alfredo Medeiros (Alexandre Nero) por causa de um romance, que ele decretou proibido, com o primo João Pedro (Caio Blat). Anos depois ela volta, trazida pela tia, para separar o filhinho preferido dela de sua atual mulher, Danielle (Maria Ribeiro).

Durante o exílio em Londres Amanda tratou de estudar e arranjar uma profissão… E se tornou designer de sapatos. Se ela vai usar alguma griffe na novela? Sim, vai usar Mikels Shoes, é claro. Mas isso não vem ao caso.

O que eu queria dizer é que uma novela é escrita assim: com um minimo de ordem, mas, principalmente, à base de muitos sustos. Depois de escrever tantas, já sei que muitas outras vezes, enquanto “Império” estiver no ar, acordarei no meio da noite com esta sensação horrível de que, meu Deus, reverendo Davidson, eu esqueci de alguma coisa!

Se eu voltei a dormir depois de encher o cenário de velas perfumadas e deixar a Birolli mergulhada na espuma? Claro que não! A essa altura já eram mais de 4h da matina. Eu ia acordar às 5h30m, mesmo… Fiquei zanzando pela casa, fui parar diante da geladeira, e aí me lembrei de outra cena icônica: Bette Davis, a Margo Channing de “A Malvada”, tentando decidir se come ou não um bombom de chocolate enquanto discute com o marido sobre sua própria decadência física.

Na cena Bette come o bombom é claro… E ao lembrar disso abri a geladeira disposto eu mesmo a fazer alguma extravagância. Tinha lá umas sobras do jantar de dois dias atrás – carne de sol ao molho de ferrugem e batatas cozidas. Não fiz por menos – esquentei na geladeira e bati tudo… E só depois de raspar a travessa é que  lembrei do… “meu Deus, reverendo Davidson, o meu regime!” E aí corri pro banheiro e, com perdão da má palavra, chamei o Raulllll e rejeitei tudo.

(Téo Pereira quereeedo, aprenda de uma vez por todas… Isso sim, é uma confissão intima!)

Depois de tomar um banho, me encher de cremes e me perfumar todo – eram 5h – criei coragem e fui me pesar (de novo): ontem à noite eu estava com 83,8 quilos e agora estou com… 83,5! Depois de todo esse blablablá inútil perdi 300 gramas. “E esses 82 quilos que não chegam, reverendo Davidson!”

Sim, Dulcina, Bette queridas, 82 quilos: este é o peso a que preciso chegar até amanhã às 20h30m, ou a calça tamanho piu-piu do Armani que pretendo usar na festa de lançamento de “Império” fará um papo digno do boneco da Michelin na minha cintura. Ainda falta um quilo e meio pra desembarcar lá! Será que consigo? Se não almoçar nem jantar hoje, se só consumir líquidos durante o dia de amanhã, e se tomar um diurético, talvez esteja com os tais 82 quilos à noite… E mais talvez ainda esteja vivo.

Aí a Marília Gabriela me liga e exige: “resuma tudo isso que você escreveu numa palavra só!” E eu obedeço: “ansiedade”!!!!!

(Quem vê cara não vê coração… E muito menos vê tripas)

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