NEM TÃO FELIZES PARA SEMPRE

»Públicado por em out 20, 2014 | 20 comentários

 

O que dá mais trabalho de montar e produzir: um casamento de verdade ou um de mentira? Depende: se o de mentira for numa novela das nove, e se esta novela das nove for “Império”, então podem apostar que o casamento de mentira dá muito mais trabalho, pois a gravação dele vai durar pelo menos três dias. Foi que aconteceu na semana que passou, quando foi gravado o casamento, que afinal não se concretiza, entre Maria Clara e Enrico, e sobre o qual eu prometo falar hoje pela última vez, até que vocês o assistam – e a todas peripécias que nele se desenrolam – a partir desta quarta-feira. (Aguinaldo Silva)

texto: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

Nunca vi noiva fazer tanto discurso. Principalmente, quando não tem casamento! Ou será por que só fui a um não-casamento, o de Maria Clara (Andréia Horta), em IMPÉRIO? Pra abrir a festa, usando o lindo vestido da estilista Letícia Bronstein e uma tiara de brilhantes, ela agradeceu a presença de todos naquele dia, em que foi “do céu ao inferno em poucas horas”. Mas como a designer mesmo disse: “O show não pode parar”. E foi um tal comer, beber, dançar, fofocar… E assim se passaram três longos dias de gravações na Casa das Canoas, em São Conrado.

No último dia, mais um discurso, no qual Clara agradeceu o sucesso do evento a duas pessoas. O primeiro seu ex-quase-futuro-sogro, o cerimonialista Claudio Bolgari – e o diretor Pedro Vasconcellos pediu palmas para o personagem de José Mayer, sendo que os figurantes mais empolgados mandaram os indefectíveis “uhus” e assobios. E o segundo a Vicente (Rafael Cardoso). “Vicente de quê mesmo?”, pergunta a noiva na hora do elogio. Tímido, o rapaz responde: ‘da Silva’. E a designer, já demonstrando uma ponta interesse: ‘Ao chef Vicente da Silva, que merece todas as estrelas do mundo, pela comida que nos serviu’. E os dois rodopiam ao som de Fly Me To The Moon, com Frak Sinatra. E Cristina (Leandra Leal), cheia de ciúmes, deixa o salão.

Aliás, as músicas escolhidas para as gravações foram sensacionais: além de Fly…, tocaram New York, New York, e I Get A Kick Out Of You também com Sinatra, For Once In My Life, com Stevie Wonder, e Give Me The Night, com George Benson. Não sei se serão essas que vão ao ar nos capítulos da festa, mas que deram um toque nostálgico do bem, deram. Todos os atores adoraram. Na hora da canção de Benson, que é mais animada, Daniel Rocha e Paulo Rocha mostraram seus dotes de dançarinos com a noiva, que prometeu bailar com todos os homens que estivessem ali.

Claro que ela não conseguiu cumprir a promessa, mas os pares pés-de-valsa , com ênfase para Alexandre Nero, se saíram muito bem. Isso sem falar nos momentos em que os diretores precisavam gravar as conversas na pista, e retiravam o som, deixando elenco e figurantes dançando como se não houvesse amanhã, mas sem ouvir música. E os estilos de todos davam certo, mesmo assim.

Para Andréia Horta, o não-casamento foi a melhor coisa que pôde acontecer à sua personagem. “Ela já vinha sentindo que não ia dar certo, que Enrico (Joaquim Lopes) não era quem imaginava. Clara corre atrás dele até o último momento pra tentar ver se ele vai à cerimônia, mas com as atitudes do Enrico, a festa acaba sendo uma celebração a uma nova vida para minha personagem, aos novos sonhos que virão. Ela sente-se livre de um problemão a longo prazo. Está forte e determinada”, explica a atriz, que nos minutos em que espera o momento de gravar os discursos mostra seus dotes de cantora, com Asa Morena, de Zizi Possi, Vou Deitar e Rolar, com Elis Regina, e até uma versão cômica de Estoy Aquí, da Shakira.

Aliás, quando não estão gravando, vários atores põe no ‘ar’ a ‘trama mexicana’ La Bastardita (criada por eles), sobre a situação de Cristina. Quando a camelô dança com o Comendador (Alexandre Nero), o diálogo é sobre Eliane (Vanessa Giácomo/Malu Galli). E Zé Alfredo, que não gosta de responder sobre seu passado com o grande amor, deixa Cris na pista. Parte do elenco que estava sentada no peitoril da enorme janela, em frente, começando por Andréia Horta, ‘entra’ com La Bastardita: ‘Que papito esse! No tem que hablar de la mamita muerta! No tem! Estoy muy triste’. Gargalhada geral pela interpretação de Andréia.

Mas o que impressionou a todos nesses dias na Casa das Canoas foi a eficiência da equipe, a paciência dos diretores, e a dedicação dos profissionais de beleza. O tempo todo os cachos à base de babyliss  e as escovas para deixar os cabelos lisos eram refeitos, uma mecha teimosa sempre voltava para o lugar, e as maquiagens eram retocadas em vários momentos. Na maioria dos casos os atores nem precisavam pedir: os profissionais já apareciam do nada para resgatar o visual do início da festa. Antes de começar o último dia, a equipe do ASDigital deu uma passadinha no camarim feminino. Depois que Diego Nardes tinha feito o make de Suzy Rêgo, o cabeleireiro Deivid Bogo tratava milimetricamente a franja da atriz, que usou o penteado com gel durante o evento. “Sou superdetalhista, tento que fique perfeito. Me cobro demais”, comentou Deivid. E todos no camarim comentaram quanto isso é bom para a profissão.

Enquanto isso, Lília Cabral com rolinhos -feitos por Deivid – e maquiagem de Maxwell Pinheiro, esperava a hora de se aprontar, lendo seu texto. Do outro lado da sala, Maria Ribeiro estava nas mãos de Maxwell, com as madeixas feitas por Elian Nascimento, a mesma que estava dando os toques finais no coque de Andréia Horta, já maquiada por Diego. É claro que havia vários maquiadores e cabeleireiros no set, e esses que foram citados representam os colegas incansáveis, que se utilizam de necessaires transparentes com nome e fotos das estrelas de IMPÉRIO, onde ficam guardados todos os produtos que elas geralmente usam.

Enfim, o não-casamento acabou sendo bom não só para a filha do Comendador, que agora começa uma nova fase disputando o coração de Vicente com Cristina, como para todos que estiveram na festa, e se divertiram com as cenas e os bastidores.

 

 

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“DANÇAR” E DANÇAR

»Públicado por em out 17, 2014 | 20 comentários

fotos: Fco. Patrício

 

Que o casamento de Clara e Enrico não se realiza vocês já estão mortos de saber. Também já sabem que a noiva - depois de fracassar na sua tentativa de convencer o noivo a deixar de lado a homofobia e ir à festa organizada pelo pai gay - anuncia aos convidados:

- Não é porque não vou casar que deixarei de ter a minha festa de casamento!

E abre a sessão dançando com o primeiro cavalheiro – que não podia ser outro senão o próprio pai, sobre o qual ela diz ser o homem mais importante de sua vida… E depois continua dançando com um a um dos convidados, até chegar à cozinha e tirar pra dançar ninguém menos que o responsável pelos quitutes da festa: o chef Vicente, que vai herdar o restaurante depois que Cláudio expulsar de lá o irascível Enrico.

Claro, nessa verdadeira quadrilha em que se transforma a não-festa, todos dançam, e alguns “dançam”. Um que “dança” é o complicado Enrico. E outra, que dança muito bem, é ninguém menos que Cristina; inesperadamente tirada pra dançar pelo cavalheiro que pode ser seu pai, ela não se faz de rogada e rodopia pelo salão toda feliz nos braços de Zé Alfredo, o Homem de Preto.

Foi um senhor não-casamento, no qual acontece de tudo e mais um pouco – inclusive um flagrante de Danielle no marido José Pedro com Amanda. Um evento tão grande que durou nada menos que três dias – tempo necessário para a gravação de todos os detalhes -, tudo isso num cenário hollywoodiano:  a Casa das Canoas, que é um dos maiores locais de eventos sociais do Rio de Janeiro.

Vejam algumas fotos tiradas ontem, e aguardem amanhã as que serão tiradas - já que a festa ainda continua - numa grande galeria na reportagem final sobre este acontecimento que muda os rumos de várias tramas de “Império”, a minha, a sua, a nossa novela.

 

 

 

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CENAS DE UM CASAMENTO

»Públicado por em out 16, 2014 | 5 comentários

 

Ou seria melhor dizer

“cenas de um não casamento”,

já que o noivo não vai aparecer?

texto: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

 

 

 

Um luxo só! Festa de casamento pra ninguém botar defeito. Mais de 200 convidados chiquérrimos fiquei louca por vários vestidos do figurino da Globo! -, garçons bonitões circulando com delícias e muito, muito champanhe (à base de guaraná, mas o que vale é a ficção). O espaço da festa, um sonho à parte: a Casa das Canoas, em São Conrado, repleta de arranjos com flores brancas e rosa-chá, candelabros de cristal, mobiliário do século passado, e peças de artes lindíssimas. Sem falar no local reservado para a cerimônia: uma passarela de espelho, com 48 cadeiras de cada lado, e o altar improvisado na frente tudo isso entre dois lagos com carpas e vários peixes ornamentais, no meio de um pedaço da Floresta da Tjuca. Deslumbrante, diriam os colunistas sociais que comentam casamentos. Mas só tinha um probleminha: cadê os noivos? Nada de Enrico (Joaquim Lopes) e Maria Clara (Andréia Horta). Mas a festa bombou assim mesmo. E foi longa!

As gravações do não-casamento começaram às 8h e foram até às 23h, de quarta, 15/10. Nós, da equipe do ASDigital, chegamos às 13h, e encontramos convidados almoçando no espaço montado em frente à casa de festas, outros com tablets esperando sua vez de gravar, alguns descansando, na parte de cima de casa, e os diretores Pedro Vasconcellos e Davi Lacerda enlouquecidos para manter o silêncio necessário, com tanta gente circulando e conversando.

 

De repente, o elenco todo foi chamado: era a cena de Clara correndo, vestida de noiva, saindo da festa atrás de Enrico. Como era apenas um vulto passando em frente à câmera, foi utilizada uma dublê de Andréia com o véu e o penteado da atriz. No que ela corria, Orville (Paulo Rocha) e Carmem (Ana Carolina Oliveira) ficavam boquiabertos, Zé Pedro (Caio Blat) e Danielle (Maria Ribeiro) sussurravam por causa de mais um vexame, Amanda (Adriana Birolli) fazia cara de quem estava gostando demais, Érika (Leticia Birkheuer) passava o bafão pra Téo (Paulo Betti), pelo telefone, os convidados pareciam horrorizados, e os fotógrafos espocavam seus flashes.

Depois veio a parte mais animada: muita música e os figurantes arrasando no salão. Complicado para os diretores manter tudo sob controle: as pessoas circulando na hora certa, entrada e saída dos garçons, mil solicitações para que todos se mantivessem de pé a essa altura, e com aqueles saltos altos, o cansaço já imperava. Mas o clima de animação e a chiquereza vão ficar patente no vídeo.

Enquanto isso, um intervalinho para a maior parte do elenco. Numa das salas, Ana Carolina e Paulo Rocha nos seus respectivos tablets, e, no sofá, Caio Blat com a cabeça no colo da esposa Maria Ribeiro, recebendo cafuné, e, no outro canto, a linda Kiria Malheiros, a Bruna, tirava um soninho. Mais bonitinho do que isso só Daniel Rocha, no salão ao lado, dormia, coberto pelo paletó do João Lucas, com algumas almofadas e… fazendo biquinho. Meigo demais!

 

Aproveitei para circular pela casa, conversar com Carmo Dalla Vecchia, que assume o tom misterioso do seu Maurílio Ferreira, e aproveita para elogiar o texto do autor de IMPÉRIO: “O Aguinaldo é apimentado. Ele tem um diálogo que fica bem azeitado na boca dos personagens. Estou adorando fazer a novela”.

Nova etapa: Pedro Vasconcelos chama para outra a cena a ser gravada no espaço da cerimônia. O padre impaciente com a demora (mal sabe ele…) dos noivos. Silviano (Othon Bastos) leva um copo de água, dá uma enrolada, pede que ele espere um pouco mais. Num trecho do caminho que leva ao outro lado da vegetação da Casa das Canoas estão Rafael Cardoso e Leandra Leal, ‘batendo’ seus textos. Aproveito para parabenizar o intérprete de Vicente que foi pai, há duas semanas, de Aurora. E, com olhos brilhando, ele conta como foi o parto humanizado (antigo normal) de sua mulher, Mariana Bridi, e como o bebê é tranquilo e dorme bem.

Mais um circulada e encontro a família Bolgari sem Enrico, claro. Converso muito com Juliana Boller, a Bianca, um oásis de compreensão em relação ao pai e à vida. José Mayer brinca: “Entrevistou a filha na vida real, e agora a da ficção, é?”, fazendo alusão à matéria com Julia Fajardo, a Helena. Insisto em ‘conversar’ com ele também, mas o ator brinca novamente, tangenciando: ‘Minhas filhas já me representam’. Enquanto isso, o camareiro se esmera em manter perfeito o laço da gravata de Claudio Bolgari, e a cabeleireira em deixar as madeixas grisalhas de Zé Mayer ainda mais charmosas. Mas eis que vem linda e castanha arrisco dizer que seu look era o mais bonito da festa -, Suzy Rêgo. Animadíssima com o sucesso e os bochichos que sua Beatriz vem causando, a atriz tenta lembrar como serão seus próximos dias de gravação para marcar uma entrevista para o ASDigital. Não dá tempo: é chamada para retocar a maquiagem.

 

 

E mais uma cena, a última antes de trocar a equipe de produção que ficará até às 23h: Claudio e o Comendador (Alexandre Nero) sentados, em clima de fim festa. O pai do noivo, claro, bem derrubado por tudo que aconteceu. Só que o início da cena pedia que ele desse uma bronca no pessoal da produção do evento fictício, e o barulho da retirada de cadeiras, caixas, ornamentação, o início da montagem para as sequências noturnas, além do vozerio, estavam atrapalhando. O sempre calmo Pedro Vasconcellos aumenta o tom de voz, e pede um minuto de silêncio, “como num estádio, como se alguém tivesse morrido”. Ele ensaia com os dois atores, enquanto o contrarregra enche as garrafas de champanhe com guaraná. E grava três vezes, conseguindo o silêncio exigido.

Para levantar um pouco o astral do cerimonialista, Zé Alfredo diz que a festa vai ficar para a história do Rio de Janeiro, pede-lhe que não o chame mais de “senhor”, que são amigos. E brindam com a champanhe-guaraná. O Comendador se levanta, deixando Claudio sozinho, com seus tristes pensamentos. E ouvimos um “corta” do diretor, que agradece a todos pela participação na primeira parte da gravação da festa, e pede desculpas pelos momentos tensos. Muitos vão jantar no refeitório improvisado, alguns vão embora, outros chegam. E como toda festança que se preza leva mais de um dia para ser gravada, tudo continua hoje, quinta, 16/10.

Resumo da ópera: tudo perfeito… só faltaram os noivos!

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AMANDA, A MÁ E A BOA

»Públicado por em out 15, 2014 | 5 comentários

Adriana Birolli não tem papas na língua. Aos 27 anos, esta curitibana de lindos olhos azuis conta que escolheu ser atriz aos 8, é determinada, fala o que pensa e acredita que o importante é o ser humano, não a beleza. Tanto que ela é de pouca vaidade: glamour e produção ficam para ocasiões especiais, principalmente à noite, quando sai com o amado, o ator Alexandre Contini, de 29 seu segundo namorado. E como na vida real, a Amanda, de IMPÉRIO, também vai se apaixonar por um ator: Leo (Klebber Toledo). Isso mesmo, ela vai resgatá-lo da rua da amargura literalmente -, despachar Zé Pedro (Caio Blat), bater de frente com Maria Marta (Lília Cabral) para ficar com o ex de Claudio (José Mayer). Isso é que é mulher poderosa!

entrevista: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

Vamos falar das suas personagens em IMPÉRIO. Você mudou o visual, mas as duas são más, uma menos do que a outra. Como lidou com a composição delas?

Acho que o fundamental é que antes de fazer a Maria Marta, fiquei sabendo que faria também a segunda fase, como sobrinha dela. Isso me ajudou muito, porque peguei a Marta – que já tinha o dado de ser anos 1980 -, foquei muito na caracterização, não só no figurino, que ajuda demais, como na sobrancelha grossa, que dá uma diferença. E a personagem, até por ser uma mulher de outra época, tem atitudes diferentes, Mais ou menos com a mesma idade da Amanda ela já estava separada uma vez, casando-se de novo, e constituindo família. Mas Amanda ainda não: estava na Europa, vivendo a vida, aprendendo muita coisa, como já é da mulher moderna: trabalhando, fazendo uma carreira.

Não querendo se encostar em homem nenhum, como a tia.

Apesar das provocações, de que aceitei dinheiro do José Alfredo (Alexandre Nero) para morar na Europa, a Danielle usa isso contra mim. Acho que Amanda é uma mulher que teve coragem de ir pra vida, não foi uma opção pelo jeito… Nem sei se ela gostava mesmo do José Pedro (Caio Blat).

Como assim? Acha que ela foi embora na marra?

Essa família é muito perigosa. Sabe Deus o que aconteceu nesse 30 anos! Porque o Imperador e a Imperatriz são capazes de tudo…

Você acha que ela voltou ao Brasil por algum outro interesse?

Não sei. Quando chega, ela pragueja contra família toda: ‘Eu voltei e vou dar um banho em todos vocês’. Então, tudo é possivel.

E ela foi irônica com José Pedro, não sei se pelo casamento dele ou para balançá-lo.

É da personalidade dela, sem dúvida, por tudo que chega pra mim. Mas as pessoas se defendem de maneiras inexplicáveis, às vezes. Vai ver ela é completamente apaixonada até hoje, mas o jeito de lidar com isso é assim. Não tenho como adivinhar, o Aguinaldo está lá no (capítulo)105, e eu ainda estou no 90 (risos). Mas acho possível tudo. Uma das grandes vantagens de trabalhar com Aguinaldo é que ele deixa muitas brechas, muitos ganchos.

Isso permite aos atores ‘viajarem’ nas possibilidades de seus personagens, não?

É muito rico para o ator trabalhar com todas essas possibilidades. Eu não vou cega e reta numa opção só. Nunca. Isso faz com que nós, atores, tenhamos que nos desdobrar em dez, abrindo um leque de opções. Eu nunca entrei no meio de uma novela. Então, é muito diferente. Um papel como Amanda, que chega ‘causando’, abre para o público outras possibilidades.

Acho que as pessoas não tinham tanta implicância com Maria Marta como tem com Amanda, por dar em cima do marido de outra.

Ninguém quer que alguém chegue e atrapalhe algo que está indo bem. Apesar de Maria Marta (Lília Cabral) não gostar, a princípio aquela relação funciona para os dois. Aí, chega uma mulher inescrupulosa querendo acabar com aquilo… E sei que incomoda muito a mulher, porque eu não quero que alguém venha a fazer isso com meu namorado.

 

Nesse caso, se você encontrasse um rapaz comprometido, não se envolveria?

De forma alguma. Claro que já olhei pra homem comprometido, e achei interessante, mas existe um momento em que a gente decide. Você se permite se apaixonar ou não.

Não acredita em amor à primeira vista?

Não. Acredito em encantamento à primeira vista. Já me encantei muito. Mas não acredito em paixão arrebatadora, incontrolável, à primeira vista. Você pode simplesmente se afastar da pessoas, acabou!

Você é muito pragmática…

Eu não quero atrapalhar a vida de ninguém, não faria com uma mulher uma coisa que não quero que façam comigo. Nunca traí na minha vida, não por causa da fidelidade em si, mas, acima disso, tem a lealdade com a pessoa. Se o combinado com meu parceiro é fidelidade, eu serei fiel por lealdade. Se um dia a gente se olhar e falar que não dá mais para ser fiel, porque está faltando algo para ambos, a gente pode conversar e tentar uma outra proposta. Mas com lealdade e honestidade.

Quando você fala em outra proposta é…

Um casamento aberto. Não sei… (pausa). Nunca conseguiria deitar na minha cama, abraçar o meu amor, dormir de conchinha depois de ter ido pra cama, há três horas, com outra pessoa. Não gosto disso. Você escolhe a pessoa para estar ao seu lado. Por que vai escolher alguém para enganar, mentir, trair? Tem muita gente que se diverte com isso, que acha que é uma pimenta pra vida, que tem três namorados.

Fidelidade é fundamental. É isso?

O que estou dizendo é como eu gosto de levar minha vida, e ter minhas relações. Mas conheço pessoas que gostam de ter dois, três, ao mesmo tempo pelo prazer de ficar nesse jogo, nessa brincadeira, de se desdobrar em mil para um não descobrir o outro. Tudo é possível. Talvez por eu ser atriz, e viver isso o tempo todo, ter esse privilégio de seduzir o José Pedro, transando com o Leo, vivendo essa vida maluca da Amanda, por exemplo. Tenho esse privilégio de ser milhões de mulheres durante a minha vida.

 

PAIXÃO DE AMANDA POR LEO FAZ ZÉ PEDRO SURTAR

Por falar em Leo, Amanda sabe que ele é gay, e transa com ele. Ela é uma mulher do mundo, é moderna, ou alguém que segue seus impulsos?

Acho que ela encontrou um gato, um homem que chama a atenção. E qual o problema? Eu particularmente não vejo problema.

Você acha que muitas pessoas optam sexo casual: gostou, transou e depois nunca mais?

No caso deles não foi bem assim, porque acabaram desenvolvendo uma relação. Mas muita gente faz isso. Não vejo problema algum. Cada um tem seu corpo, e faz dele o que quiser. O ruim é quando um está iludido na relação. Mas também faz parte da vida, relacionamento é isso.

Amanda vai se apaixonar pelo Leo. E ele por ela. Você acha que ela pode ter ciúme do Claudio (José Mayer), do passado dele?

Acho difícil que Amanda virar Danielle, louca de ciúmes, porque não é o perfil dela. Mas talvez seja alguém de quem ele precisa, já que ficou em casa esperando a vida acontecer até agora. escondido num relacionamento sem possibilidade de viver algo pleno. Porque tem isso: a questão de ser o outro na vida de qualquer um, sendo homossexual ou heterossexual, você acaba vivendo em segundo plano.

Leo vai ficar sem nada, depressivo, e virar um mendigo gato. Sua personagem vai fazer tudo para tentar salvá-lo, inclusive pedir ajuda de Cláudio (José Mayer). Como você vê isso?

Se você observar bem, Léo já é melancólico. E Amanda, um rastilho de pólvora. Mas como ninguém é uma coisa só, dependendo da situação e dos sentimentos, as coisas podem mudar. Ela vê que ele está se autodestruindo, e tenta ajudá-lo. Conseguindo tirá-o da rua com ajuda de Claudio, ela se humaniza nesse momento. Se você lembrar, ela chegou com sede de vingança, toda armada, protegida em relação às pessoas, e quando está com Leo ela é muito mais solar, consegue ser espontânea. Bem diferente de quando está com a família, na qual tudo muito difícil.

É interessante esses dois lados da personagem aflorarem em tão pouco tempo em que Amanda surgiu na novela.

Ninguém é nada. A gente está, graças a Deus, em constante transformação. Eu nunca vou me privar de poder ser o que quero, e vai ser excelente gravar esse lado da personagem, essa reviravolta.

Ficar apaixonada pelo Leo vai transtornar a vida de José Pedro, que a esta altura já estará separado de Danielle.

Ele vai ficar péssimo, sem Danielle e sem Amanda (risos). Mas talvez seja importante para o personagem que vive naquela redoma, manipulado pela mãe.

José Pedro, num surto de homofobia, perguntará como Amanda pode trocá-lo por “aquele viado”. E Maria Marta vai questionar o que a sobrinha viu em Leo. A resposta é: “Quer saber mesmo? Porque ele me diverte muito em todos os sentidos”.

(risos) Nossa! Que loucura! Mas tem sentido. Ela já gostou dele desde a primeira vez que o viu. Amanda exala sexo, e isso com amor então… Acho que é um caminho bem bacana para os dois.

DOIS NAMORADOS, CIÚMES E LIBERDADE

Acha que a mulher quer um estereótipo, que, na cabeça delas, o homem deve ser muito mais intenso?

Acho que é muito mais simples. Quando se fala de amor, paixão, a gente se apaixona, a gente ama o que a pessoa é. Você vai se casar com 20 anos, e seu marido com 60 que já terá engordado 40 quilos, vai estar careca, usando oclinhos na ponta do nariz… Então, você se apaixona pelo que o ser humano é. Ele pode se manter um cara gato o resto da vida, pode acontecer, existem milhões de exemplos. Mas não é isso que a gente, a princípio, vê. Claro que pra dar um ‘pega’ tá bom. Se você não vai comprar pro resto da vida tá lindo.

Mas você também vai embarangando, se tiver mais ou menos a idade dele, já não será mais aquela pessoa de quando tinha 20 anos.

É, mas um se cuida, outro não. Tem muito isso. Só quero dizer que a gente se apaixona pelo ser humano. No fim das contas, pra casar, a gente decide quando vê aquele ser humano que lhe completa, que dá apoio, que dá suporte… Só posso falar pela minha experiência. Tive dois namorados, o atual e o segundo.

Dois namorados sérios, você quer dizer?

Na minha vida só tive dois. Namorei seis anos o primeiro, e agora estou há quatro com o segundo. Eu tive ‘ficadas’ entre uma coisa e outra. Nunca tive namoradinho de mentira só pra dizer que era.

 

 

Você faz planos para o futuro?

Hoje eu faço.

Mas quando começou a relação?

Não. Eu amo meu ex-namorado até hoje.

Ama?

Amo como irmão. Hoje é outro tipo de amor. É uma pessoa maravilhosa, tem um caráter inabalável, ia estar do meu lado onde fosse, ia me apoiar assim como eu ia apoiá-lo. Isso que eu acho fundamental num relacionamento, se quer constituir família. O pai dos seus filhos você vai escolher pelo olho azul, que pode nem aparecer na criança? Não, eu quero um cara que tenha valores, que saiba passar esses valores assim como eu. É nisso que baseio a importância da relação.

Isso você encontrou no Alexandre?

Sem dúvida. No outro namoro éramos muito novos, eu tinha 16 anos, e ele, 17.

E o Alexandre pensa o mesmo que você em relação a tudo isso?

Imagino que sim. Ele é muito parecido comigo. Pra você ter uma ideia, ele nunca namorou. Tem 29 anos, e eu sou a primeira namorada dele.

Ele é de alguma religião que não permite?

De jeito nenhum. É porque ele dizia: ‘O dia em que eu arrumar namorada tem que ser uma que me entenda, me deixe livre, que eu seja eu, enfim’. Ele queria eu! (risos) E apareci. Porque ele também é ator, a gente se dá muita liberdade, eu viajo sozinha, faço o que quiser sozinha, e ele também.

Geralmente os homens têm sentimento de posse, não dá essa liberdade toda. Se sente que a mulher está escapando, fica enlouquecido.

Acho que tanto homem como mulher. Tenho amigo assim: lindo, maravilhoso, bom caráter, tudo de bom. Mas descobri, recentemente, que ele é um demônio de ciumento, e eu nunca soube, porque nunca acompanhei os relacionamentos dele de perto.

Ia perguntar se você já teve um ciumento na sua vida… Bom, um dos dois já fez alguma cena de ciúmes na rua?

Nunca. Imagina! Eu mostro mulher pro meu namorado, ele me mostra homem. Não tem o menor problema. Gente, é ilusão a pessoar querer achar que outra nunca olha pro lado uma vez na vida. Não é verdade? Você acha possivel se casar e nunca mais olhe pra homem bonito na sua vida?

Olhar o belo é inerente ao ser humano. Mas pode rolar um ciuminho…

Não tem problema, é um ciúme gostoso, saudável, a gente se sente lisonjeada, não tem problema. Mas imagina se fosse assim: apaga esse e-mail agora, não quero fale mais com esse cara. Viu? A diferença é essa. Não é que Alexandre não sinta ciúme, claro que sente, ele não é desprovido de sentimentos. Eu também sinto, mas nunca vou impedi-lo de fazer alguma coisa. Se alguém der em cima dele, quem está dando em cima é ela, cabe a ele não corresponder.

Já aconteceu isso?

Namorei o Alexandre escondido durante muito tempo, porque a gente queria ver se ia dar certo. Um dia, uma amiga trancou ele no banheiro e queria dar uns ‘pegas’. Eu ia fazer o quê? Na verdade, o que eles tinham era uma aventura gostosa, se encontravam e ficavam de vez em quando. Mas ela não sabia que ele estava namorando alguém. Por isso, não falei nada.

Você parece ser uma pessoa muito sincera…

Só falo na cara se me pedir. Tenho amigas que eu sei o que está acontecendo com elas, mas espero que venham me perguntar o que acho da situação. Na minha casa todo mundo fala o que sente, e o que acha uns para os outros. Eu não entro em discussões, em debates, que vão magoar ou deixar a pessoa numa situação constrangedora. Mas falo tudo o que penso, tenho personalidade forte.

 

FEIJÃO, FUTEBOL E FRUTA TIRADA DA ÁRVORE

Aos 15 anos, você optou pela carreira artística…

Na verdade eu resolvi com 8. Tirei meu DRT com 16, e todo mundo me cobrava o que eu ia fazer profissionalmente. Só que, depois da aula, eu ia para o teatro, trabalhava, já ganhava dinheiro com isso. Então fiquei pensando para o que ia prestar vestibular, não queria que fosse para artes cênicas. Acabei escolhendo publicidade no ‘uni-duni-tê’ (risos). E foi o curso perfeito pra mim. Era meu hobby, e o teatro, a profissão.

Sua família dava força para a carreira artística?

Ela sempre me apoiou em tudo. Meus pais sempre disseram: você é inteligente, tem possibilidade para fazer qualquer coisa. Eu fui escoteira, vajei muito pelo Brasil e para fora também, pratiquei vários esportes, trabalhei na loja da minha mãe, e na empresa do meu pai. Enfim, foram várias experiências, até que vim para o Rio contratada como ‘oficineira’, depois de ter feito a Oficina da Globo. Eu e toda minha turma ficamos contratados por mais um ano, e me chamaram para a novela Beleza Pura. Era para ser uma participação, mas o papel foi aumentando. Depois veio Viver a Vida. E era engraçado que, com 15 anos, nunca entendi a ironia e o sarcasmo dos personagens que fiz. Trabalhei arduamente isso e, justamente na primeira novela, era o que eu precisava, já que fiz uma adolescente que estava no auge da revolta, e usava o sarcasmo direto. Era boa em provocar os outros e colocá-los em seu lugar.

Aí, veio Fina Estampa (2011). Ela lhe deu grande visibilidade, não?

Muita gente, na rua, até hoje me chama de Patrícia (nome da personagem na novela de Aguinaldo Silva). Ela era muito verdadeira, batalhava pelo que queria.

E a Amanda? O que você tem em comum com ela?

Sou muito intensa, forte. Mas não sou de elogios falsos para conquistar as pessoas. Se eu não gostar de alguém, ela vai logo saber.

Soube que você nunca fez dieta na vida. Deve ter gente que morre de inveja, né?

Agradeço a papai e mamãe que me fizeram direitinha (risos). Quando eu era criança, minha mãe ficava preocupada porque me achava magra. Mas eu me alimentava bem, só não conseguia comer muito. Ela me levou na benzedeira, me dava sempre Biotônico Fontoura, mas eu não conseguia comer mais. O bom é que existem os abusos que a minha genética permite.

 

Você come de tudo?

Eu como mal (risos). Às vezes, vejo as pessoas no Projac comendo saladinha, quiche, e eu pergunto: ‘Não tem uma gordurinha, aí, não?’. Não que eu não goste de salada, mas eu prefiro arroz, feijão, carne… Legumes e verduras só sem temperos. Na casa dos meus pais, como somos três filhos (ela, a estilista Letícia e o músico Carlito), minha mãe tinha um armário de lanches, cheio de pacotes de salgadinhos, biscoitos, bombons, vários tipos de doces, e eu acabei fazendo o meu próprio armário na minha casa do Rio. Quando tenho vontade, vou lá e como.

Você gosta de cozinhar?

Gosto. Minha especialidade é feijão, com linguiça calabresa, paio, costelinha defumada, bacon, lombo… É quase uma feijoada. E a gente come com farinha.

Então você equilibra num café da manhã light?

Meu café da manhã é pão, presunto, queijo e Nescau. Sou muito criançona (risos).

Aliás, que história é essa de pegar frutas da árvore do vizinho?

No meu bairro tem muita ameixa, e as que eu peguei foram dos galhos estavam para o lado de fora da casa. Sempre subi muito em árvores. Como toda escoteira amo a natureza. Já fiz rapel, adoro altura, subi no balão do (Domingão do) Faustão, gosto de velocidade, adoro o mar. Quando íamos à praia na infância, passava o dia inteiro na água. E minha mãe levava aquela farofada… Eu brincava na rua, jogava futebol. Meu lado mais vaidoso, feminino, começou com o teatro. Tinha que me maquiar para entrar em cena, comecei a me produzir para ir a eventos, mas no dia a dia sou totalmente natural. Só uso um protetor solar.

E seu estilo de vestir?

Vai do mais simples ao mais brilhante. Tem dia que gosto de me arrumar, sair cheia de acessórios, colocar salto. E outros, uso só um macacão. Mas num evento profissional demoro dias para escolher o que vestir. Fico pensando em como as pessoas que estão me convidando querem me ver, e tento não decepcioná-las. Agora, não tenho nenhuma paciência para provar roupa em shopping. Geralmente, compro quando viajo. Na primeira fase da novela, tive um dia de folga em Genebra e encontrei peças lindas. O meu estilo é mais para despojado, chique e moderno.

 

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“SALVEM NOSSAS CRIANÇAS”

»Públicado por em out 13, 2014 | 9 comentários

 

Leonardo é vítima de homofobia

em festa de aniversário infantil

Desgraça pouca é bobagem na vida de Leonardo. Desempregado e deprimido depois que o caso com Claudio Bolgari veio à tona, o aspirante a ator vai afogar suas mágoas em um bar.

Entre uma bebida e outra ele percebe que um rapaz o observa. Leonardo evita encará-lo, até que o outro se aproxima. É André, também ator, que participou dos testes para um filme com o mesmo diretor que sugeriu um teste do sofá a Leonardo.

Entre uma conversa e outra, André propõe a Léo um trabalho como animador de festa infantil para ‘fazer’ uma grana. Em princípio reticente, Leonardo acaba por aceitar.

Dia da festa, os dois ali fantasiados a animar a criançada, até que uma senhora, que observa Leonardo de longe, chama Regina, a mãe do aniversariante:

- Regina! Chega aqui. Sabia que conhecia esse animador de algum lugar. Olha isso.

Ela mostra a Regina a foto publicada no Blog de Téo Pereira com Leonardo e Claudio Bolgari se beijando.

- É o namorado do Cláudio Bolgari! Você sabia que o animador era ele?

- Claro que não! Que loucura! Ele veio com o André que foi super recomendado. Nunca contrataria se soubesse. Imagina! Que perigo pras nossas crianças.

Após endossar o preconceito, Regina vai até as crianças, anuncia um intervalo sob vaias da garotada e reprime André por ter levado Leonardo. André, então, vai até Leonardo, explica os motivos e diz que ele precisa ir embora. Leonardo argumenta com André:

- Mas o fato de ser gay não significa que eu seja pedófilo. Pelo contrário, gosto de homens mais velhos.

- Não adianta, cara, pra essa gente gay é uma ameaça.

- Isso não faz o menor sentido. O que mais tem por aí é pedófilo hétero. Não tem nada a ver com…

Nesse momento, André interrompe, diz que é uma decisão da madame. Leonardo pede desculpas pelo vexame e vai embora de cabeça baixa, enquanto a dona da casa arremata:

- Um homem tão bonito, meu Deus… E pervertido! Como é que pode?…

Arrasado, Leonardo fica a vagar pela rua... Pra onde ele vai acabar se mudando… Com o que se tornará o homeless mais gato do Rio de Janeiro.

 

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O DESESPERO DE ENRICO

»Públicado por em out 10, 2014 | 23 comentários

 

O clima era propício ao drama que se desenrolava na praia: fazia frio no Arpoador, soprava um vento sinistro e, vinda de todos os pontos de Copacabana, uma verdadeira multidão acompanhava tudo no maior silêncio, sem poder fazer nada… Enquanto um homem, entre as rochas e na areia, extravasava seu desespero ao perceber que tivera sua vida e seu futuro destruídos… Que deixara para trás a família, o trabalho e até, em pleno altar, a noiva a quem tanto adorava… tudo isso por não ser capaz de vencer os fantasmas que habitam dentro dele e que, no final dessa noite terrível, se revelam como nunca e quase o levam ao suicídio.

 

 

 

fotos: Fco. Patrício

texto: ASDigital

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O nome do quase suicida? Enrico Bolgari. Horas antes, num quarto de hotel onde ela foi atrás dele já vestida de noiva, ele tinha dito a Maria Clara que não iria à festa de casamento dos dois, embora a amasse mais que nunca, só pra não passar pela vergonha de ver o pai, Cláudio, homossexual agora assumido, comandar a festa como se fosse um general todo engalanado.

Não que ele vá desistir de Clara, não… Ela é o único fio que ainda o prende ao seu antigo mundo tão ordenado e arrumadinho. O que ele pede a ela é que adiem o casamento e o realizem depois, discretamente e sem festa. Mas ela, que já alimentava dúvidas em relação ao noivo por causa de sua visível homofobia e sua incapacidade de compreender o drama do pai – que tinha sido retirado praticamente a forceps do armário – não aceitou a proposta e lhe deixou bem claro:

“Ou a gente casa agora, ou não casa nunca mais”.

E como Enrico se mostrou irredutível, Clara rompe com ele de uma vez por todas e vai embora.

Sob o peso de tudo que sofreu nos últimos dias desde que o lado oculto da vida do seu pai foi revelado, Cláudio entra em surto. Deixa o hotel e sai a caminhar sem destino, até chegar ao Arpoador, onde, nessa noite fria e diante dos curiosos – silenciosos e mortos de pena por causa do drama que ele vive – dá vazão a todo o seu desespero.

É uma das cenas mais fortes das muitas que “Império” apresentou até agora. O diretor-geral Rogério Gomes, presente às gravações com toda a sua equipe de diretores, disse que ela é “fulcral”, por mostrar o desespero de um homem a quem o preconceito torna incapaz de compreender – e perdoar, e amar – o outro… Mesmo que o outro seja o pai a quem tanto respeitava antes de saber a verdade sobre ele.

Joaquim Lopes, na pele de Enrico, durante as gravações sofreu de verdade. Dava para perceber o quanto o drama da personagem o afetava. No meio da multidão que acompanhou as gravações no mais religioso silêncio, podia-se perceber que, nos momentos mais dramáticos, alguns choravam como se tudo aquilo fosse a mais pura e cristalina – e dramática – verdade. A emoção sempre transbordou, embora a cena fosse repetida várias vezes, e em todas o ator tivesse que trocar as roupas molhadas e sujas de areia… Só para se espojar de novo na areia e entrar na água.

No final da última tomada, enquanto a câmera sobe na grua tornando-o cada vez menor, Enrico jaz no chão, meio morto, derrotado por si mesmo.

Enquanto isso, na cena do casamento, o que vocês verão é Clara anunciar às centenas de convidados que não haverá mais casamento… Mas que, nem por isso, ela deixará de ter sua festa. Esta se realiza, ela dança primeiro com o pai, depois com todos os convidados… E por último dança com Vicente, aquele que, nos próximos capítulos, poderá significar para ela um recomeço.

Sim, a noite estava fria no Arpoador, um vento soprava sinistro… Mas a alta voltagem da emoção, loucura, desespero e dor que aquelas pessoas presenciaram, mesmo sendo apenas uma cena de ficção, esquentou a alma de todos.

 

ELES SÃO OS CARAS!

Vejam a devoção, a quase unção com que parte da equipe de “Império”, sob o comando de Rogério Gomes (de óculos) acompanha a gravação desta cena da maior importância. Eles agem assim em qualquer externa, assim como nas gravações nos estúdios. Por isso, já está mais do que na hora desse autor que vos fala agradecer a estes fantásticos profissionais pelo esforço e pela dedicação ao nosso texto, e deixar bem claro esta verdade: sem eles a novela não seria o que é, nem resultaria em toda a comoção que anda provocando. Sim, eles são os caras. (Aguinaldo Silva)

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QUERO QUE DU TENHA O FILHO!

»Públicado por em out 9, 2014 | 72 comentários

 

Vejam só o que é melodrama, a essência da novela, em seu estado mais puro: “Vale Tudo”, meados de 1988. Glória Pires descobre que está grávida do malandrão Carlos Alberto Riccelli, mas quer casar com o milionário Cássio Gabus Mendes, o filho de Odete Roitman. Desesperada, com a barriga já lhe crescendo e sem saber o que fazer, ela entra em desespero. Até a noite em que, durante uma ópera no Teatro Municipal em companhia do namorado Cássio e da futura sogra Odete, tem a ideia salvadora. Finge que vai ao banheiro e, ao som da “Casta Diva” que é cantada no palco e ecoa dramaticamente pelos corredores do Municipal, se joga espetacularmente da grande escadaria no foyer do teatro, e claro, perde a criança. A cena, magnificamente dirigida por Denis Carvalho e interpretada pela sempre monstruosa Miss Pires, nunca sairá da memória dos que a viram, inclusive dos censores da ditadura, que ainda atuavam na época e a liberaram… sem cortes.

 

Porque estou escrevendo isso? Bem, vocês devem ter lido hoje, no jornal Extra, a notícia sobre a gravidez de Du, personagem de Josie Pessoa em “Império”. Ao saber que engravidou na única vez em que transou com João Lucas, ele vai à casa deste e diz à família dele reunida à mesa de jantar:

“Eu não quero ter esse filho!”

Só isso. A matéria também diz que ela vai se jogar da escada na casa do noivo – não vai se jogar, vai cair, num acidente que deixará muitas dúvidas. Mas foi o bastante pra que um amigo meu, que me conhece desde 1978, viu todas as minhas novelas, e é uma pessoa a quem eu respeito muito, ligasse pra mim e me dissesse:

“Não acredito que você vai usar sua novela pra fazer apologia do aborto!” E, antes que eu pudesse sequer dizer “bom dia pra você também”, ele acrescentou: “aposto que vai botar a personagem numa daqueles clínicas da Baixada onde falsos médicos arrancam fetos a tesouradas!” E bateu o telefone na minha cara.

Liguei de volta pra ele e falei:

“Fulano, você me conhece há quase 40 anos, sabe o quanto sou  responsável no meu trabalho e conservador em matérias de costumes… E é capaz de pensar uma coisa dessas a meu respeito?”

A resposta que ele me deu:

“Na verdade eu não pensei, mas uma pessoa, depois de ler a notícia no jornal, conversou comigo e me convenceu de que você era capaz de fazer isso”.

Desliguei o telefone e, confesso a vocês, fiquei paralisado. Ainda estou assim, e é possível que assim continue nos dias próximos. Se alguém a quem não conheço e respeito pensasse isso sobre mim, tudo bem, eu ignorava. Mas uma pessoa que convive comigo há anos? Que de uma forma ou de outra está sempre próxima de mim? Que acompanha como poucos o meu trabalho… Imaginar que vou fazer a apologia do aborto numa novela que é vista por 50 milhões de pessoas só porque alguém – que eu aqui declaro com todas as letras mal intencionado e suspeito - cochichou no ouvido dele que eu podia fazer isso?

Sinceramente, meu velho amigo, você, ao acreditar neste cretino maledicente, simplesmente acabou comigo.

Claro, vocês dirão que tudo isso não passa de frescura minha, que uma única opinião, mesmo de uma pessoa a quem respeito muito, não devia provocar em mim tamanha agonia.

Mas provocou. Pois eu senti que acima da amizade, e do respeito que rege a nossa relação, esse amigo acha que, na verdade, eu não passo de uma pessoa abespinhada ou, mais grave ainda, de um monstro.

A esse amigo – e a vocês todos – me vejo obrigado a fazer o que não devia – contar já agora como se desdobrará a história da gravidez de Du no futuro. Sim, ela rola espetacularmente escada abaixo no apê do comendador, e sim, vai parar numa clínica. Mas, ao contrário de Glória Pires, que, eu repito, teve na sua tentativa de aborto as bençãos da Censura Oficial da Ditadura, ela não perde o filho… Porque, ao contrário do que o meu amigo pensa, minhas novelas dizem todas a mesma coisa que é: só a família nos salva da barbárie. Neste ponto eu sou, repito, o mais conservador de todos os autores – basta ver quão poucas vezes, em minhas novelas, os casais se desfazem ou trocam de pares.

Por tudo isso, e apesar dos percalços por que passa – sem os quais não haveria uma novela de 202 capítulos -, repito com todas as letras: Du não perde o filho. E Lucas, ao vê-la em perigo, descobre que Isis pra ele era apenas uma fantasia, e a pede em casamento em plena clínica… E lá pelo capítulo 180 de “Império” Du com sua barriga já enorme casa com Lucas numa grande festa… Cena que escreverei com grande prazer se ainda estiver aqui para fazer isso.

De qualquer modo, fica a dica para o tal que andou cochichando no ouvido do meu amigo: mais melodrama, cara, e menos fuxico.

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