A FILHA QUE VOCÊ QUERIA TER

»Públicado por em abr 14, 2014 | 48 comentários

 

UMA ENTREVISTA COM MARINA RUY BARBOSA

Podem dizer que sou cafona, não ligo. Mas que Marina Ruy Barbosa parece uma daquelas bonecas de biscuit ou um camafeu, parece. Só que, aos 18 anos e nove de carreira, ela é muito mais do que uma beleza ruiva natural. Talentosa, inteligente e preocupada com gatos abandonados nas ruas do Rio – leva-os para casa, cuida e consegue quem os adote -, a atriz encara seu primeiro desafio na TV: ser Maria Isis, amante do José Alfredo de Medeiros (Alexandre Nero), explorada pelos pais e execrada pela ex do Comendador, em Falso Brilhante, próxima novela das 21h da Globo. E Marina está animadíssima com a sua personagem interiorana que esbanja sensualidade, mas tem um quê de ingenuidade. A partir do quarto capítulo da trama, ela poderá ser vista, com as madeixas cortadas na altura dos ombros e figurino tentador. Namorada do ator Klebber Toledo há três anos, ela fala sobre personalidade forte, experiências sensitivas, virgindade,e a grife que está lançando, entre vários assuntos que vocês vão adorar. 

texto: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

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Maria Isis sonha mesmo em ser modelo ou uma moça esperta que veio de São Fidélis (interior do Estado do Rio) para a capital arranjar um homem rico?

Eu li a sinopse e recebi os primeiro capítulos. Ela aparece na novela no quarto capítulo, já com 22 anos, mas conheceu o Comendador aos 18. Pelo que entendi foi por acaso o encontro deles, se esbarraram perto da Império (joalheria). Acho que ela veio mesmo para o Rio tentar a vida de modelo, e acabou se encantando, admirando e se apaixonando pelo José Alfredo – pela pessoa que ele era, e a segurança que poderia dar à minha personagem.

Ela era pobre?

Era. Com 18 anos ainda era uma menina, mas ele trouxe uma maturidade muito grande para ela, ensinou muita coisa que Maria Isis não tinha acesso no interior.Acho que pra você amar uma pessoa, um dos princípios é a admiração. Não foi por interesse. Eu acho que ela pode fazer algumas loucuras, por conta da mãe, Magnólia (Zezé Polessa), que é uma aproveitadora. Mas também pode fazer qualquer loucura por amor ao José Alfredo, para segurá-lo, tê-lo por perto.

Maria Isis não sente que é usada por ele?

Acho que os dois se usam. Ela usa a experiência, a maturidade que ele tem, e a segurança que dá; ele usa a companhia, o carinho…

Mas ela pensa em ter uma situação mais estável, casar-se com o Comendador?

Acho que no começo ela está satisfeita com o que ele proporciona, mas com o tempo quer mais daquele relacionamento.

Você não acha que os pais de sua personagem, Magnólia e Severo (Tato Gabus), estão prostituindo a filha quando pegam o dinheiro da mesada dela para ter boa vida em Copacabana?

Eles se aproveitam mesmo. Quando se mudam pra Copacabana para ‘proteger’ a filha, na verdade estão ali para tirar uma casquinha.

Eles são mau-caráteres?

Acho que estão se aproveitando da situação, não sei até que ponto vão demonstrar mau-caratismo. E como o Aguinaldo (Silva, autor da novela) vai desenvolver isso.

E tem ainda o Roberto, o irmão vive às custas dela.

Também. Ele não gosta de trabalhar, é preguiçoso e quer encontrar uma mulher rica que o banque. Às vezes, a gente lê na sinopse, mas nos capítulos tudo pode mudar. (pausa). Pensando naquilo que você falou antes, não sei se é prostituição… Acho que ela é a ‘cachorrinha’ do Comendador.

Por que não dá um basta nessa extorsão da família? Ela não pensa no futuro?

Acho que ela está vivendo um dia de cada vez. Pelo que vejo da Maria Isis, ela tem uma malícia de mulher e, ao mesmo tempo, uma ingenuidade de menina. Ela ama o José Alfredo de verdade, e vai se envolvendo cada vez mais. Não sei se tem essa visão de futuro, de ficar rica. Ela gosta de estar com ele.

 

PERSONALIDADE FORTE, DECIDIDA E MADURA

Pensando bem, se não fosse algo mais profundo, não duraria quatro anos. Ele teria trocado Maria Isis por outra, não?

É, não duraria. Ele é um pouco carente, também. E tem aquela história mal resolvida com a Eliane (Malu Galli), seu grande amor do passado. Ele não se apega realmente a ninguém. Acho que ele tem medo.

O Klebber Toledo é nove anos mais velho do que você. Acha que se apaixonaria por um homem de 50 anos?

Não sei… Tudo é muito relativo. Como te falei: o amor acontece por vários motivos. O Klebber é o meu primeiro namorado. A nossa diferença de idade é grande, mas acho que com o tempo não vai parecer tanto. Eu admiro a pessoa, o jeito dela, o caráter. Isso não tem a ver com a idade.

Mas você não se vê com alguém tão mais velho como o Comendador?

Não me imagino. Namoro com o Klebber há três anos, o meu coração já está preenchido (risos).

Quando a mulher está no auge da vida, um homem idoso pode não querer  acompanhá-la, podá-la, aí vem as brigas…

Mas quando você está num relacionamento, também tem que se adaptar. Por amor tem que fazer escolhas, abdicar de certas coisas para a relação dar certo.

Até que ponto vai o ‘se adaptar’? Ele chega ao ‘se anular’?

Se anular nunca! Não pode deixar de viver a sua vida para viver a do outro, e sim saber viver a dois.

Você nunca largaria seu trabalho se pedissem?

Não! Amo meu trabalho. É ele que me move.O Klebber sabe disso, que sinto muita falta quando não estou trabalhando. Tenho paixão pelo que faço. Não tem como abdicar.

Você tem personalidade forte.

Tenho, sim!

Parece uma pessoa decidida…

Eu sou muito decidida. Acho que porque comecei muito pequenininha, com 9 anos. É uma profissisão difícil, tem que ter muita responsabilidade, e eu estudava e trabalhava ao mesmo tempo. Mas foi uma escolha minha, algo que sempre amei. Na vida você tem que ser decidida mesmo, correr atrás do que quer, se posicionar. E sempre tive o apoio da minha família, que foi importantíssimo.

Você ouve o que seu pais falam, mas a decisão é sua ou deles?

A decisão é minha.

Desde que começou a trabalhar?

Sempre ouvi muito o que eles falaram, mas também levo em conta o que acho, o que estou sentindo, para fazer as coisas de acordo com que penso. Mas nunca fui muito maluquinha.(risos)

Suas decisões são racionais.

É, sempre pensei e tentei escolher o melhor.

E sempre deu certo?

Acho que toda decisão que você toma, perde de um lado e ganha de outro. Sempre há prós e contras. Nunca dá para ter certeza. Você tem que escolher e fazer as tentativas.A vida é feita de tentativas.

Você estará agarrada ao Comendador em cenas calientes. Seu namorado pode sentir ciúmes?

Acho que a gente já passou dessa fase, sabemos dividir bem trabalho de vida pessoal. Nossa vida profissional tem que ser bacana para os dois.

Ele critica seu trabalho, e você o dele, ou ficam melindrados em falar?

Estamos juntos há três anos, ele é meu primeiro namorado, e chega um momento que já há muita intimidade. Você se preocupa, claro, nunca vai querer machucar a outra pessoa, e tudo é o jeito de falar. Mas acho que já existe a intimidade de poder dizer o que pensa, para ajudar. A gente se ajuda, troca muito, não só na vida pessoal como no trabalho. E isso é ótimo.

 

EXPERIÊNCIAS SENSITIVAS QUE TORNAM-SE REALIDADE

Quando o Comendador resolve afastá-la de sua vida, Maria Isis diz que está grávida.

Eu sei que isso acontece, mas ainda não conversei com o Papinha (Rogério Gomes, diretor de núcleo da novela). E fico imaginando as outras coisas que ela pode fazer para mantê-lo por perto.

Ela tem pesadelos, uns surtos, atitudes agressivas…

Acho que é muita pressão. Ao mesmo tempo em que está apaixonada – quer que seja uma coisa pura, recíproca -, ela está sofrendo a pressão da mãe. Magnólia coloca na filha uma responsabilidade que ela não tem, que não deveria ter com 18 ou 22 anos, de manter aquela família com o que recebe do José Alfredo. Era para Maria Isis viver aquele momento sem interferência. A mãe tinha que estar ali para apoiar, ajudar, bater papo, aconselhar, mas não para pressionar em busca do dinheiro.

E sei que você, na vida real, também tem pesadelos.

Acho que sou um pouco sensitiva.

Então, você tinha muito a ver com a Aninha, que interpretou na novela ‘Começar de Novo’ (2004)?

Ela era um anjinho que tentava salvar o Marcos Paulo. (pausa)Nossa… Pensando agora… É muito louco isso, né?

Você já teve muitas experiências sensitivas?

Não sei se é coincindência, mas a gente acaba achando que aquilo é uma coisa que não é natural.

Por quê? Você pensa e acontece?

Às vezes, eu penso. Às vezes, tenho sonhos. E aquilo acontece. Mas não é sempre. É de vez em quando.

E os pesadelos? São sobre fatalidades?

Não, nada muito pesado. Nada de morte, do mundo acabar, nada assim.

Você acha que esses sonhos ruins e problemas que Maria Isis enfenta fazem parte da ansiedade dela em resolver a situação com José Alfredo?

Acho que tudo isso acontece por causa da confusão na cabeça da minha personagem. Qualquer loucura que ela fizer, qualquer desequilíbrio, pode ser por conta desse amor e até virar uma obsessão.

E ela ainda vai sofrer mais pressão quando a Maria Marta (Lilia Cabral) descobrir o caso do Comendador.

Vai ter barraco! (risos)

Maria Isis se aproxima de quem tem carinho por ela, o João Lucas (Daniel Rocha). Aí, fica a questão…

Ela está fazendo isso pra provocar o Comendador ou porque realmente se interessa por João Lucas? (risos) Ou ela está vendo alguma coisa nele do pai mais jovem? Vai saber… Acho que há várias possibilidades.

Tem um momento em que os pais se afastam, mas quando ela volta a ter dinheiro, reaparecem e Maria Isis os rejeita.

Isso mostra que ela tem personalidade, não é uma bobinha. É uma moça que tem desejos de mulher, com medos de menina. Na hora do ‘vamos ver’, ela coloca a opinião dela.

E por falar em desejos de mulher, que já foi até uma novela da Globo, sua personagem vai aparecer de baby-doll e calcinha com o Comendador?

Eu estou muito animada! Eu me apaixonei de cara pela Maria Isis por ser também uma personagem diferente de tudo o que já fiz, mais complexa, mais densa. É um grande desafio, e todo ator precisa de oportunidades assim. Eu comecei muito novinha e o público vai acompanhando o meu crescimento e amadurecimento a cada personagem. Sempre gostei do trabalho do Aguinaldo, então foi tudo isso que me animou muito e também porque o figurino vai ser bem diferente: barriguinha de fora, calcinha e sutiã, decote e shortinho. Ela vai ficar quase sem maquiagem. Ela tem uma sensualidade natural, que aflora. Ela não é vulgar, não é periguete.

E vai ter cena de silhueta nua?

Não sei ainda, acredito que se o Aguinaldo escrever algo assim, vai ter um motivo, um porquê. Se for necessário, estou supertranquila.

Mas o telespectador poderá ter dúvidas diante das nuances do comportamento dela: será uma cobra ou boazinha, mas produto do meio?

Eles vão ficar na dúvida, até eu mesmo! A gente nunca sabe como o Aguinaldo vai conduzir a personagem.

E em que referências você se inspirou?

Eu vi um filme muito bom do Bernardo Bertolucci, ‘Beleza Roubada’ (1996). A Lucy, interpretada pela Liv Tyler, é sensual, mas não estava nem aí, e os caras ficavam loucos por ela. É de uma inocência, de uma naturalidade que atrai. Vi também ‘Lolita’, as versões de 1962 e 1977, e ‘O Leão no Inverno’ (1968).

 

   ‘Virgindade, sexo, não têm regra: cada um tem a sua hora’

Você é filha única. Quando era menor sentia-se sozinha, pedia um irmão?

Nunca pedi. E nunca me senti sozinha, porque quando fiquei um pouquinho mais velha, já comecei a trabalhar, fiquei perto de muita gente, sempre tive bons amigos e uma ótima base familiar.

Acha que até por ter estudado em colégio religioso, tem uma postura conservadora ou diferente da das meninas de sua idade?

Acho que a palavra não é nem conservadora. Eu sou muito família. E, graças a Deus, nunca precisei fazer nada escondido dos meus pais, sempre fui muito amiga deles. O Klebber também é muito amigo dos meus pais,  frequenta minha casa. Sempre tive essa cabeça de ser uma menina familiar, gosto de estar em casa, e da companhia do meu pai e da minha mãe.

Quando você deu seu primeiro beijo…

Contei pra minha mãe na hora! Para o meu pai, eu falei um pouquinho depois (risos). E ela (a mãe, Gioconda) nunca foi de falar: ‘Meu Deus, acho que você não deveria ter feito isso’.

Ela conversa sobre tudo com você: drogas, sexo, tipos de violência?

Tudo.

Desde sempre, de que era pequena?

Desde sempre. E acho isso muito bacana. A gente tem uma relação muito aberta. Ela não me ‘prende’ pra não fazer nada, só me dá opinião e conselhos pela vivência, pela experiência que tem. E eu uso a minha opinião em cima do que ela me fala. Acho que, às vezes, as pessoas me veem muito com a minha mãe, com meu namorado, e falam: ‘Nossa, a mãe não a deixa sozinha’. Não é isso. É porque eu gosto de ter os meus pais por perto.

Hoje em dia é difícil ver uma relação tão próxima entre jovens e pais.

Mas é uma bobagem, né? Eu tenho que valorizar a presença deles. Estão bem, com saúde, e podem estar ao meu lado.

Você nunca tem medo de sua mãe ir contra algo que você não espera? Por exemplo, você está há três anos com o Klebber, seu primeiro namorado, consequentemente a pessoa com quem você transou pela primeira vez. Ela conversou sobre isso?

Tem coisas que fazem parte da vida de qualquer mulher, que é o natural, o normal. A gente já se expõe tanto na profissão, fala às vezes sobre nossa vida pessoal… E existem coisas que acho que só dizem respeito a nós.

Você é virgem?

Não vou falar (risos). Gente, eu sou uma menina normal, com 18 anos, e namoro há três anos. Essa coisa de virgindade, de sexo, não tem regra. Cada um tem a sua hora, o seu momento. O legal é ter isso com alguém bacana, que esteja na mesma sintonia que você.

Acha que para transar é preciso estar apaixonada?

Acho que precisa querer e pronto! E que a mãe tem que saber falar (sobre o assunto) para não criar um monstro.

 

MARINÁTICAS, PENSAMENTOS POSITIVOS E RICK MARTIN

Você gosta muito de falar sobre você no Twitter. É uma forma de desabafo?

Eu gosto muito de ir lá, e dividir o que acontece comigo com os fãs.

Eu vi a foto da menina que tatuou no braço MRB, com uma ‘moldura’ em volta.

Essa fã que tatuou minhas iniciais me acompanha há quatro, cinco anos, e me deixou emocionada.

Ela é uma ‘marinática’ (junção de Marina com fanática) legítima!

Ela é! (risos)

Como surgiram as ‘marináticas’?

Foi uma invenção das próprias fãs. Acho muito legal isso! Eu gosto de ter um contato frequente com elas.

Quantos seguidores você tem nas redes sociais?

No Twitter são cerca de 700 mil. No Instagram, 1 milhão. O Facebook eu não uso muito, mas acho que tem 600 mil agora. É muito legal receber todo esse carinho. Gosto de saber o que eles falam, pensam, trocam. Sempre dou uma olhadinha e respondo.

De vez em quando, você promove um minichat, e eles perguntam sobre tudo.

Eles é que pedem (risos). Aí, no dia em que tenho mais tempo livre, fico lá, respondendo. Antigamente era twitcam, mas hoje não dá para fazer isso. Respondo pelo celular mesmo, mas não deixo de dar uma teclada com eles. É gostoso, sabe? São pessoas que acompanham meu trabalho, que torcem por mim, que me admiram e sempre mandam uma mensagem positiva. E é interessante como você, de longe, está influenciando outras pessoas, fazendo bem a elas, de certa forma. Tem uma frase que eu falo e os fãs adotaram: “Acredita que acontece”. Muitos passaram a ter esse lema para a vida. Quando você tem pensamentos positivos e mentaliza, as coisas boas acontecem. É daquele livro também ‘O Segredo’, da Rhonda Byrne.

Você gosta do assédio? Tem paciência em tirar fotos, dar autógrafos?

Pois é… Tem gente que não tem, mas eu tenho muita. Posso tirar várias fotos num dia, mas para aquela determinada pessoa é a única vez que vai me ver na vida. Posso estar num lugar que nunca mais vou voltar, e é a única oportunidade que ela terá de me encontrar. É um momento especial para ela, não posso decepcioná-la. Por exemplo, conheci Rick Martin, que estava hospedado em um hotel em Ipanema, e ele foi um amor.

Você é fã dele?

Eu estava com uma amiga, e ela adora o trabalho dele, ama as músicas, e me disse: ‘Vamos lá, tirar uma foto’. Eu também tirei. Mas se ele não tivesse sido muito simpático, ficaria aquela impressão: ‘Poxa, que decepcionante’. Porque é a única vez que vou encontrá-lo na vida. Ou talvez não. Não sei. Mas ele foi ótimo, falou pra postar no Instagram, brincou comigo, foi fofo. Ele fala bem o português. E isso mostra que quer ter uma relação mais próxima com os fãs brasileiros.

 

SANDÁLIAS, RÍMEL E TURMALINAS

Você está sempre no rol das atrizes mais bem vestidas. Você gosta de moda?

Nunca fui de me preocupar com isso. Eu mesma escolho as roupas que vou usar. Não gosto de seguir moda, e sim do que serve em mim, do que tenha a minha cara. Tenho amigas que adoram marcas. Mas não ligo.

Soube que você lançou uma grife de sapatos.

Lancei um linha com o meu nome para a UZA Shoes. Esta que estou usando (uma sandália de couro, rajada, de salto alto, fino) é da minha linha. Tem tudo: sandálias, sapatos, botas, sapatilhas, chinelinhos . E fiz questão de que fossem acessíveis ao público.

E o que faz para manter a forma?

Nunca gostei de exercícios que eu não sentisse prazer. Fazia musculação, e me sentia entediada. Hoje, faço aula de (ginástica) localizada e boxe. Em relação à alimentação, evito refrigerantes e frituras, como mais grelhados, saladas, massas no almoço, e não à noite. Não sou radical. Não faço nada pra enlouquecer, posso comer alguma coisa diferente. Minha preocupação é a saúde.

Seu cabelo é motivo de admiração de muitas mulheres…

Mas eu não faço nada. Mesmo! Uso o shampoo que tiver em casa, só, de vez em quando, eu passo creme pra hidratar as pontas. Não tenho cuidados especiais, uso um hidratante nos cotovelos e nos joelhos, esmalte clarinho – quase sempre -, e blush e rímel para sair. Não tenho essa coisa da glamourização. Tem momentos que saio de chinelos, descabelada (risos). Sabe aquele filme Um Lugar Chamado Nothing Hill? A personagem da Julia Roberts fala para o do Hugh Grant: ‘Tem homens que dormem com a atriz e acordam com a realidade’.(risos) Tem que ser feliz e pronto.

Quando falei com você pela primeira vez, na festa de lançamento de Belíssima (2005), você tinha muito mais sardas no rosto. Ou foi impressão minha?

Quando fui gravar a novela na Grécia peguei muito sol. Usava protetor, mas quando pego mais sol do que o normal aparecem mais sardas. Mas eu gosto de praia (risos). No início do ano fui a (Fernando de) Noronha. É muito bom pra relaxar. A Baía do Sancho foi eleita a praia mais linda do mundo (pelo site especializado Trip Advisor). Tem tanto lugar lindo no Brasil, que muita gente não conhece.

 

 

Não tem jeito: além de muito bonita e antenada, você é considerada estilosa. Vamos conferir isso?(risos)

ESTILO DE VESTIR -

“Eclético. Posso usar vários estilos, tendências, cores, dependendo do dia, do momento, do evento.”

ESTILO MUSICAL -

“Amo MPB! Adoro Marisa Monte, Vanessa da Matta, Maria Rita, Cazuza… E dos internacionais adoro Beatles”.

ESTILO OSTENTAÇÃO: JOIA OU BIJU? - 

“Uma boa biju, pra mim, está ótimo. Mas descobri que ter poucas e boas joias é muito bom. O Klebber foi quem me fez gostar mais de joias. Além do anel (de compromisso), me deu um conjunto de brincos e colar, da Lydia Dana, em ouro com turmalinas, e uma tornozeleira com figa e quatro pecinhas de ouro, significando amor, paz, trevo de quatro folhas e sorte no trabalho. O Klebber é muito romântico. Quando me chamaram pra fazer Falso Brilhante, ele me mandou flores. Sempre se lembra dos dias especiais. Eu sou mais desligada para datas. Ele é maravilhoso”.

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NOVELA É NOVELO, SÓ ISSO

»Públicado por em abr 13, 2014 | 21 comentários

 

Querido Diário (07)

Diante do computador, a mil por hora… E o dia nem amanheceu ainda!

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Anteontem fugi ao assunto que me faz voltar sempre às suas páginas: A Novela. Escrevi sobre outro tema, que me pareceu urgente, e fui execrado como sempre por fazê-lo: me chamaram de direitista, fascista e racista pra baixo… Além, é claro de “viado”. Tudo isso porque toquei num assunto que o bom mocismo declarou tabu – os problemas relacionados com o excesso de direitos e a ausência de deveres naquilo que agora chamam de “comunidade” e eu, por uma questão cultural, prefiro chamar de favelas – porque este é o nome original e mais apropriado.

Não vou voltar ao assunto – já disse o que tinha a dizer sobre ele e pelo menos na parte que me toca o considero encerrado.

Assim hoje volto ao nosso tema de sempre – A Novela. Você acredita que já estou no capítulo 12? E que todas as tramas não apenas foram apresentadas, mas seus personagens já estão vivendo situações que eu chamaria de “limites”? Pois é, porque novela hoje em dia é isso, não se tem tempo para brincadeiras, nem espaço para experimentos estéticos. Novela é novelo; se não for isso não é novela, é outra coisa… E fracassa na audiência, já que as pessoas ligam as televisões não por conta de alguma suposta novidade apresentada pelo gênero, mas por causa de sua linguagem de sempre – a do folhetim. Este aborda do modo mais direto possível as assim chamadas paixões humanas, e é dessa forma que fará sempre sucesso.

Falei demais outra vez, fiz alguma crítica impensada a alguém ou algum produto, escrevi o que não devia? Desculpe Diário meu, não me leve a mal, sou assim mesmo. Mas o fato é que, quando me perguntam sobre o que trata minha novela eu digo que ela não tem temas, tem tramas – ou seja, é um novelão como o povo gosta de acompanhar e eu adoro escrever… O que, modéstia à parte, tenho feito há quase quarenta anos com relativo, mas pertinaz sucesso. Tanto que, imagine, acabei de assinar um contrato para escrever, depois de “Falso Brilhante”, mais três nos próximos seis anos.

Claro, quando chegar à última delas estarei com 76 anos. E como tudo é possível a partir dos 70, talvez nem chegue a escrevê-la, por já estar em outro plano. E aí perguntará você, meu Queridíssimo Diário: “mas você não disse que vai viver 257 anos?” Sim, disse e repito, só não disse onde viverei tanto, pois acredito piamente naquele céu no qual a gente continua vivendo tal qual vive hoje, só que sem a angústia, o estresse, a baixa mídia pegando no nosso pé e, principalmente, sem ter que acordar cedo.

E sabe a que horas eu acordei hoje, Querido Diário meu? às 5 da matina, quando a juventude petropolitana continuava, aos milhares, a bater ponto no mais barulhento bar do universo, o Capitólio, cujo nome, por todos os motivos do mundo, é impróprio e imerecido. E às 12 já tinha perpetrado a escaleta 011, na qual o Comendador José Alfredo Medeiros e sua ninfeta Maria Isis finalmente vão às vias de fato… Aquelas mesmo em que vocês estão pensando.

Claro, mais detalhes não dou, porque a novela nem estreou ainda – antes disso ainda temos Em Familia e uma Copa do Mundo. Também não digo quantos capítulos terei já escritos no dia 28 de julho, que é nossa data de estréia. Só adianto que até lá continuarei trabalhando como um mouro.

Ai, Allah hu akbar! Eu escrevi mouro? Apaguem rápido antes que a esquerda caviar recomece com os insultos e ameaças. Melhor dizer que trabalharei como um chileno, um ucraniano… Ou até um romeno, embora estes últimos tremam de indignação quando ouvem alguém pronunciar a palavra “trabalho”…

Tentei emendar e o soneto ficou ainda pior! Por isso é melhor parar Querido Diário Meu, pois hoje não estou para brinquedo. (Aguinaldo Silva)

 

P.S.: enquanto escrevo, um ruído ensurdecedor de buzinas, sons a 4000 decibéis reproduzindo o ruído de dezenas de serras elétricas, as notas iniciais do hino de um clube esportivo, funk and fuck them all como diria o comendador José Alfredo Medeiros de Falso Brilhante, e gritos histéricos, lancinantes, aterrorizados,  enfim: uma zona geral acontece na rua em que moro em Petrópolis, no trecho debaixo da minha janela. Tudo isso por quê? Por conta da vitória do Flamengo sei lá em que torneio dos vários que ele disputa ao mesmo tempo. Pois é, eu também sou flamenguista, mas diante de tanto barulho por nada só posso dizer uma coisa: que merda!

 

 

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NOSSOS EMPIRE STATES

»Públicado por em abr 11, 2014 | 11 comentários

 

QUERIDO DIÁRIO (6)

 

Não sei porquê, acordei com essa história na cabeça. Ela é verdadeira e me foi contada por uma das senhoras que cuidam da minha casa. Foi assim. Há alguns anos atrás ela conseguiu construir uma casinha no que hoje chamam eufemisticamente de comunidade, mas naquela época era favela mesmo, e olhe lá. Pronta a tal casinha, restou sobre esta, sem uso que valesse a pena, a assim chamada laje.

Que fez minha funcionária? Vendeu a laje. É! Vendeu a alguém que estava interessado em construir outra casa ali em cima… Da qual restou outra laje, que foi igualmente vendida, até que a casa original passou a ter nada menos que quatro andares.

Bom, a tal comunidade ficava num terreno pantanoso ali entre Jacarepaguá e a Barra da Tijuca. Que aconteceu com o “arranha-céu” da minha funcionária? Começou a afundar. E afundou, afundou… Primeiro a casa original, depois as que lhe vieram por cima… Até que só restou de fora o último dos telhados – aliás, minto: a última e ainda não vendida laje.

Creiam: essa história é rigorosamente verdadeira. Não é segredo para ninguém que as casas costumam desaparecer terra a dentro ali nos confins da Favela – ou comunidade, desculpem – de Rio das Pedras. Quem constrói, tem que se mudar quando já está sendo obrigado a andar curvado ou até de quatro dentro daquilo que chamavam de casa.

Por que lhe conto isso, Querido Diário meu? Porque hoje, ao passar – mais uma vez – pelas comunidades – ou favelas – que margeiam as linhas Amarela e Vermelha notei que nelas não há mais casas e sim edifícios de quatro, cinco, seis e até sete andares, verdadeiros Empire State Buildings, se formos medir as proporções dos lugares em que se instalaram. Fiquei pensando nas fundações sobre as quais se assentam esses barracos que se transformaram em “edifícios”. Até quando elas aguentarão o peso?

Veneza foi toda construída sobre estacas de madeira fincadas no mar, e está lá há mil anos. A Baixa de Lisboa ídem, e seus prédios continuam de pé, embora não seja de bom tom que se cavem buracos no seu subsolo. Mas o fato é que não se pode comparar os palazzi de Veneza e as construções resultantes da bendita megalomania do Marquês de Pombal com o improviso das nossas fav/ desculpem: comunidades. Estas, ao contrário daquelas, não foram feitas para durar nem mesmo quando tinham apenas um piso, e agora que se transformaram em edifícios… Ainda bem que – já foi comprovado pela ciência – Deus é brasileiro… E por aqui não há furacões nem terremotos. (Aguinaldo Silva)

 

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LÍLIA: UM VERDADEIRO BRILHANTE

»Públicado por em abr 7, 2014 | 25 comentários

 

Quem recebe a equipe do AS Digital é um cachorrinho branco chamado Gucci. Elegante como a dona da casa, Lília Cabral, 56 anos, ele se mantém discreto durante toda a entrevista, e até se posiciona, estrategicamente, para fotos. Enquanto isso, Lília, simpatia em forma de atriz, esmiúça sua aristocrática personagem em Falso Brilhante, próxima trama das 21h, da Globo. A vilã Maria Marta Medeiros de Mendonça e Albuquerque – que me perdoe o Gucci – vai ser o cão chupando manga, na luta para usurpar a fortuna de seu ex, o Comendador José Alfredo de Medeiros (Alexandre Nero). Mas essa paulistana da Lapa não se limita à novela e nos fala também da família, das dores, das alegrias, de sua fé, seus hábitos, enfim, um pouco de tudo que é muito importante. Inteligente, conversadeira e simples, Lília Cabral é um exemplo para todos nós.

entrevista: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

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Quando você leu a sinopse, o que pensou: Maria Marta é uma mulher apaixonada rancorosa ou ficou rancorosa porque não conseguiu manter o casamento com o Comendador?

Acho que quando você fala no rancor é porque a mulher não consegue resolver, na verdade, a vida dela. O rancor não abrange só o lado do afeto ao homem, mas também aos amigos, à família… Então, quando a pessoa tem um objetivo, e não acontece, ela se enfraquece, os sentimentos se misturam, tornando-a cada vez mais obsessiva em querer conseguir o que deseja. E, ao mesmo tempo, essa objetividade, essa determinação, que poderia ser dirigida a alguma coisa positiva, quando isso não acontece, há o lado mau. É como se você tivesse uma ferida, passasse remédio, ela não sarasse, e ficasse inflamada. Aí, o sentimento torna-se rancor.

Acha que, em geral, a mulher que sofre rejeição é vingativa? Ou ela prefere o tradicional “vou dar a volta por cima”?

Ela fala, mas nunca consegue dar a volta por cima (risos). Essa raiva que a Marta tem não é uma raiva que conheço de outras personagens. Porque a pessoa quando sente que tem o poder, independentemente do tempo, sempre acha que vai conseguir o que quer. Esse lado da vingança e o do amor caminham juntos, porque se a personagem fosse totalmente dura por dentro, não se submeteria a tantas coisas.

Acha que Marta ficou fragilizada pela rejeição?

Não, ela não é uma mulher fragilizada.

Mas a partir do momento em que sua personagem se liga à vilã Cora (Drica Moraes), planta notas em coluna contra o Comendador, Cristina (Leandra Leal) e outras pessoas ligadas a ele, não está procurando apoio para se vingar?

Ela consegue armar, articular. Não acho que tenha essa coisa que todo mundo está acostumado a ver nas personagens rejeitadas: brigas, escândalos… Está acima disso. Eu a vejo como uma mulher na qual todos esses sentimentos estão escondidos.

Foi a partir da relação com José Alfredo que ela ficou malvada?

Antes dela casar-se com ele foi abandonada por um marido que, pelo que li, não deixou nem um brochinho de herança (risos).

Na verdade, ela teve um casamento anterior por interesse, mas pelo Comendador acabou se apaixonando.

Isso está tudo guardado. Ela está acima do bem e do mal. Não posso pensar que Marta é uma pessoinha que vai fazer uma vingancinha. Não! Ela é superior a isso. Mas junto com esse lado superior é apaixonada ainda. Não quero, de cara, ficar demonstrando quanto ela é apaixonada por ele. Quero sempre deixar a dúvida, afinal tudo pode mudar… Não quero deixar essa mulher ‘entregue’, e é por causa disso que ela faz tudo. Acho que, antes de mais nada, é uma pessoa egoísta.

Mas como uma pessoa egoísta se deixa levar por um homem que a trai, que a mantém afastada dele, numa mansão em outra cidade?

Se eu for pensar assim vou tornar essa personagem pequenininha: ‘Olha o que ele fez comigo!’. Vai posar de vítima. E eu não vou e não posso fazer isso! No capítulo 5, ela chega, de helicóptero, no Monte Roraima, onde ele está, e diz: “Adivinha quem vem para jantar?”. Se eu ficasse me vitimizando, como chegaria nesse lugar?

E ele a manda embora, mas Marta insiste. Diz que veio falar sobre o filho. Ela tem sempre um subterfúgio.

Pois é. São coisas como essa que me fazem pensar: ‘Como é que vou deixá-la fragilzinha?’. Ela está acima de tudo! Se eu for pelo caminho dessa mulheres traídas, mal amadas – que conheço, porque já fiz todas – vou cair no lugar-comum, que acho que não é essa  personagem. Ela vai sofrer, amar, chorar, mas tudo com uma verdade absoluta de uma mulher que só pensa nela. Se eu começar a criar motivos para engendrar as vinganças, não será a personagem: isso faz parte da personalidade dela.

A maldade vem naturalmente…

Sabe uma pessoa astuta, inteligente, uma raposa? A raposa é, muitas vezes, mais inteligente do que o leão, porque ela tem que se safar de todos que estão em cima dela – ou pra comer ou pra servir de isca. Se eu for pelo lado ‘coitada’, daqui a pouco estou quase uma Madre Teresa de Calcutá! E eu quero que todo mundo me entenda. E me odeie, também (risos).

 

           NADA DE SE FAZER DE COITADA, ELA É UMA RAINHA

 

Mas muitas mulheres se identificam com a traída, e até a justificam…

A mulher se identifica com uma traída quando o casamento está ‘razoavelmente’ bem, quando o cara não chega pra esposa e diz o que está se passando com ele. Como ele não conversa, um dia, sem mais nem menos, ela descobre que o marido tem outra.  Aí, fica desesperada, arrasada. Agora, uma mulher que, até então, luta pelo poder, não é assim. Quando o Aguinaldo (Silva, autor da novela) pediu que a gente assistisse a O Leão no Inverno (1968), nossa! Os diálogos são tão cruéis… O filme é uma guerra sem matança, uma guerra de palavras, psicológica. E aquela mulher (a rainha Eleanor de Aquitânia, interpretada por Katherine Hepburn) ao mesmo tempo que dizia que amava ele (o rei Henrique II da Inglaterra, vivido por Peter O´Toole) faz aquela confusão toda com os três filhos (interessados no trono). Você não sabe até onde vai o amor fraternal e o amor por interesse. Quando ela vai embora para o castelo distante, vai como rainha. Não como coitada, com os olhos murchos. É sempre superior. Esse é o entendimento que eu quero que as pessoas tenham dela.  Cruel quando tem que ser, amante quando tem que ser, mas, antes de tudo, está num trono: nada a abala.

O que você acha desse comportamento?

Eu não apóio essas atitudes. Isso é o que eu sinto como objetivo do Aguinaldo: a personagem não cair no lugar-comum e, ao mesmo tempo, ter a força de uma leoa. Ela é capaz de absolutamente tudo, mas não acredito que fique no caderninho escrevendo: ‘Agora vou fazer isso, depois aquilo’. Não. Isso já existe dentro dela. Quanto mais natural e normal eu estiver, mais cruel serei, e mais chance de as pessoas entenderem a personagem. Acho que vilania flui. Mesmo fazendo armações com a Cora, com o filho mais velho, José Pedro (Caio Blat), ela, como várias mulheres, têm muito poder.

E esse poder vai ser usado de várias maneiras…

Pensa nessas mulheres que são donas de tantas coisas e casadas com grandes empresários, executivos. Em quantas situações elas se colocam e têm que resolver? E de que maneira? De uma maneira saudável ou não? Ou colocam o coração na frente? Se eu ficar pensando que todas são assim, ‘duras’, não dá! Isso eu fui sentindo quando estava lendo os capítulos e, ao mesmo tempo,  armando na minha cabeça essa vontade… primeiro, de não me repetir; segundo, de não sentir necessidade de ‘anunciar’ o sofrimento. Se eu anunciar, ninguém sofre comigo.

Mesmo com todas essas nuances, sendo vilã, você acha que as pessoas vão aceitar a Marta?

Podem não aceitar, achar que é bem feito eu estar sofrendo, mas vão entender.

Dizem que mãe não faz diferença entre os filhos. Mas há sempre uma identificação maior com um deles. No caso da Marta é com o José Pedro. Isso é porque ele é interesseiro como ela ou por que pode manipulá-lo?

Acho que ele é o único que ela consegue manipular. Não vejo ele com dotes de um bom moço. Mas ela também foi pelo caminho do interesse. No início da trama, se o José Alfredo continuasse pobre, ela não ficaria com ele. Depois de seis meses que se conheciam, Marta diz: ‘Eu sempre pensei que fosse seguir a minha família’. E a família é aristocrata, mas ela sempre visou o dinheiro, casar-se com um homem rico, se estabelecer na vida. Até casou-se com um rico, mas que era cafajeste, e ela se separou com uma mão na frente e outra atrás. E surgiu o José Alfredo, que estava ficando rico, só que é contrabandista. Tudo que ela não pensou, mas acaba ficando com ele por ver chances reais de melhorar a vida.

Ele é um ogro rico. Precisa de uma aristocrata para lapidá-lo.

Exatamente. Mas quando a aristocrata entra na história está bastante defasada… até na postura, no trato com as pessoas. Não é aquela mulher fina, requintada. Não é uma lady.

Mas e a relação dela com Zé Pedro?

A partir do do encontro entre Marta e Zé Alfredo há o jogo de interesse. E, de fato, os dois se apaixonam. Só que ele sentiu-se traído pela necessidade de ela colocar o filho em primeiro lugar.  Há um capítulo em que ela quer que Zé Pedro a acompanhe à delegacia para resolver um problema. Ele fica com medo, Marta dá dois tapas na cara dele, e o sacode. Ele é fraco. É o filho pelo qual mais tem carinho, mas não suporta ver a fraqueza dele.

Ela fomenta a rivalidade entre os três filhos?

Eles foram crescendo, e em vez de o pai se dirigir para o mais velho, ele foi indo para o lado da Maria Clara (Andreia Horta). E a Marta sentiu ciúmes. Aquele amor que não trazia para a mulher, ele levava para a filha. E virou uma competição feminina. O João Lucas (Daniel Rocha) tem insegurança, carência, quer chamar atenção, sente-se renegado – e ele deve ser -, toma as atitudes mais inconsequentes. Ele comete um crime, e a mãe vai tratar aquilo como um ‘probleminha’ do filho. Ela é amoral. A guerra psicológica que o filme (O Leão do Inverno) apresenta, o Aguinaldo transpõe muito bem para o universo dessa família. É quase como se fosse uma doença: ela vai minando tudo e todos por um poder, que não existe! Se eles compartilhassem a vida como deve ser…

Conhece alguma família com esse nível de desestrutura?

Acho que uma família feliz recebe bem e doa bem. A da novela não tem nada disso. Estão sempre pensando em ter mais e mais e mais. Caberia em várias situações de outras tramas e, principalmente, na vida real. A felicidade é ter a compreensão do que você tem, e tornar-se uma pessoa agradecida. Essa família não tem o mínimo de humildade e sentimentos bons.

 

       FAMÍLIA: ALEGRIAS E TRISTEZAS

Você faria qualquer coisa pela sua filha, Giulia?

Faria, mas se ela cometesse um crime eu não passaria a mão pela cabeça dela. Eu ia sofrer tanto! Mas sei que a Giulia não cometeria um crime. Mesmo que fosse uma atitude errada, uma desonestidade, como é que a gente vai  defender? Ela iria procurar a defesa, porque eu não iria.

Ela tem 17 anos. Já escolheu um caminho profissional?

Giulia está no Tablado (curso de teatro), há três anos. E sinto que, cada ano que passa, ela tem uma evolução, não só de postura para vida como de maturidade. Também gosta muito de escrever, e a forma que encontra de se expressar é bonita, poética. Fez a prova do Enem, só para ter uma ideia, e na redação – que vale mil pontos – tirou 960! Eu me lembro que, quando tinha a idade dela, também adorava escrever.

Que bom que você dá força pra ela. Sua escolha pela carreira artística foi complicada, não?

Meus pais não queriam que eu atuasse. Resolvi fazer vestibular para jornalismo, na USP, mas com os pontos que fiz passei para minha segunda opção, música. E o primeiro período era de Educação Artística, para obter licenciatura e cursar música, artes plásticas ou teatro. Foi Umberto Magnani (ator), meu professor, quem me levou para o teatro e me incentivou a procurar a Escola de Arte Dramática (EAD). Eu dava aulas de artes numa escola infantil, de manhã, ia para a EAD e estudava os textos. Meus pais nem imaginavam. Desde criança – filha única, com menos atenção do que  gostaria, vivia brincando na minha casinha de madeira – que eu criava coisas na minha imaginação e me divertia com isso.

Sua mãe demonstrava carinho bordando, não é isso?

É. Ela bordava todas as blusas ou as barras das saias que eu ganhava ou herdava. E ficava toda orgulhosa de como eu estava bonita com as roupas. Estava fazendo Mandala (1987) quando minha mãe morreu (de câncer de pâncreas). Fiquei com um vazio enorme (emociona-se). A ligação com minha mãe era muito forte. Nessa época, tive síndrome de pânico, e fui procurar ajuda. Aí, fui me recuperando, veio Vale Tudo (1988) e fiquei bem.

Já seu pai era um homem muito rígido.

Só ouvi ele falar que amava minha mãe quando ela morreu.

Vocês tiveram uma discussão séria na sua adolescência, não?

Quando eu tinha 16 anos, ele me bateu. Eu disse uma coisa que ele não entendeu. Mais do que isso, ele não admitia o fato de não ter entendido. Marcou tanto essa atitude que rompi com ele, me afastei. Não queria ficar ali para sempre: ou a gente vivia, ou morria. Tinha que me libertar de todas as histórias. Acabou sendo um empurrão para eu vir para o Rio, um incentivo à minha carreira.

 

 

     CRIATIVIDADE, IMAGINAÇÃO E TALENTO

Seu primeiro exame de criatividade (para teatro), ainda na USP, exigiu muita imaginação…

Pois é. Eles davam uma frase para cada um e tinha cinco minutos para pensar no que fazer. A minha era “Ir de mão em mão até chegar à mão do irmão”. Eu sabia que não poderia ser óbvia. Olhei pela janela da USP, vi umas margaridinhas e pensei em me transformar numa delas. Eles queriam uma postura criativa: quem entrasse lá berrando, fazendo e acontecendo, não passava. O entendimento não estava na força, e sim no intelecto. E, como margarida, contei a história de um menino e uma menina, do bem-me-quer, mal-me-quer. Ia me desfolhando, até cair no chão, sem pétalas. Um jardineiro me plantava de novo, e eu renascia.

Lindo isso…

Nossa profissão requer inteligência e sensibilidade.  A Giulia é inteligente, tira notas excelentes. Aí, o Iwan (Figueiredo, marido dela) diz: ‘Mas como é que essa menina, com tanta nota boa, vai ser atriz?’. Acha que ela poderia fazer outra coisa. Mas eu digo que quanto mais inteligente ela for, mais inteligente será na arte, que requer isso. Ela também é muito criativa. Vai prestar vestibular  para Artes Cênicas, mas em qualquer área da comunicação pode ser feliz. A partir de maio, o colégio começa uma bateria de testes vocacionais. Vamos ver. Na minha escola, quando eu fazia esses testes, sempre dava artes – e eu cuidava do jornal do colégio e do teatro.

Não tem medo de que ela encontre dificuldades se escolher uma área de mercado restrito?

Toda profissão é difícil, complicada. Na carreira artística também. Estão sempre em busca de renovação e todos querem os 15 minutos de fama. Quando comecei tive que pedir muito para muitas pessoas. Fora os ‘nãos’ que levava nos testes. Giulia já me pegou mais estabilizada. Eu converso muito com ela. Quando volta do Tablado achando que não foi bem naquele dia digo que nas dificuldades é que a gente aprende e evolui.

 

 

  CONTRA O BOTOX, E PELA

BOA ALIMENTAÇÃO E EXERCÍCIOS

Em novelas você teve personagens memoráveis.

Nossa! Em Vale Tudo, o Paulo Ubiratan (diretor geral, já falecido) dizia: “Inventa aí!”, e me deixava livre para fazer os trejeitos da Aldeíde, usar chuca no cabelo, manter aquela cumplicidade com o Poliana (Pedro Paulo Rangel)… Era muito bom!

E foi com uma Marta, em Páginas da Vida (2006), que você acabou indicada na categoria de melhor atriz ao Emmy Internacional. Será que vai acontecer com a Marta, de Falso Brilhante?

(risos) A Marta tinha muito ódio! Pode ser que a Maria Marta seja pior ainda, ninguém sabe. Mas o que quero é fazer o melhor que puder, vou muito pelo texto. Quando é bem escrito, minha intenção é não decepcionar o autor, dar vida aquilo que ele escreveu. Fico preocupada em: ‘Como é que eu vou passar a verdade desse texto?’. Depois que o texto está bem ‘maleável’, na minha forma de falar, aí eu me divirto.

Você recusou várias propostas para fazer ensaios na Playboy. Nunca ficou tentada?

Em nenhum momento. E numa das vezes o contato da revista me disse que com o dinheiro eu poderia ter um apartamento, e sem ele levaria uns seis anos para comprar. E foi o que aconteceu. Com o dinheiro que eu ganhava pagava aluguel, tinha carro popular e juntava para comprar o apartamento.

Toca o telefone. É Giulia, avisando à mãe que vai chegar mais tarde.

Você fica preocupada?

Ano passado, ela ficou um mês na Inglaterra, estudando. No aeroporto, não chorei. Via aquelas pessoas aos prantos, mas queria passar segurança pra ela, que ia ficar tudo bem por aqui. E pensei: ‘Tudo que pude fazer, ensinar, ela já absorveu. O que não fizer, ela vai ter que aprender’. A gente se falava todos os dias pelo telefone. Durante a passagem do Papa (Francisco) ao Brasil tive uma semana de folga, viajei pra Londres na sexta, passei sábado e domingo com ela, e voltei na terça (risos).

Você parece tão tranquila, mas é ansiosa, não?

Sou. Mas acho que está melhorando com a maturidade. Quanto mais velha a gente fica, mais aprende, ensina, se doa, compreende… Quero ser igual a Laura Cardoso, Fernanda Montenegro, Glória Menezes. Continuar sempre fazendo arte. Não vou ficar nunca paradinha, esperando que alguém me convide. Meu perfil não é esse. Eu produzo meus espetáculos, e estou pensando num roteiro de cinema, um projeto com George Moura (roteirista) para o ano que vem. O lado confortável não me interessa. Quanto mais desconhecido, mais me instiga, mais vontade de acertar. Vou atrás do perfeccionismo.

O que você acha de procedimentos estéticos, como o botox, por exemplo?

Não gosto. Tenho medo de que aconteça uma cagada na hora de colocar, e outra: acho que tenho que me manter como sou, pela alimentação, pela malhação – que é preciso fazer, infelizmente. Se tivesse toda botocada não sei se seria chamada para os papéis escritos para minha idade.  Com esses procedimentos as pessoas mudam muito. Acho melhor fazer plástica para consertar algumas coisas, agora mexer na expressão… Tem mulheres que se modificam completamente! Em Saramandaia, recebi elogios por ser do jeito que sou, sem ter passado por intervenções. Acho que assim, a mulher (telespectadora) se aproxima de mim.

Já que você falou em alimentação, como é a sua?

Tirei o glúten e o doce (chocolate, sorvete). Eu tomo café com leite com um pouco de açúcar. Mas como bolo sem glúten, ricota sempre, leite semi desnatado, grelhados, tudo temperado com azeite, muito peixe, sucos, cereais, damasco, grãos, e como de três em três horas. Tirei a fritura, e massa é difícil ter. Ontem (véspera da entrevista), por exemplo, comi no almoço uma omelete de claras (de ovos) com mussarela de búfala, e salada verde. No jantar, peito de frango, vagem e lentilha. Fui acostumando o organismo e, há mais de um ano, emagreci nove quilos e mantive. Não estou bem? E não estou sofrendo (risos). A malhação é no palco, e ando 40, 50 minutos, todos os dias, no Jardim Botânico. Quando estou trabalhando não dá. Acordo às 5h30, pra estudar o texto, já me acostumei, porque a casa ainda está em silêncio, e fica mais fácil. Mas estudar mesmo é no fim de semana.

Mas assim você nem tem tempo de ver TV.

Vejo! Durmo depois das 22h. O que assisto mais são às séries. Gosto de Breaking Bad, Mad Man e Downton Abbey. Aliás, o mordomo da minha personagem, o Silviano (Othon Bastos), é inspirado no de Downton Abbey.  Estou sempre muito envolvida com o trabalho. Além de fazer agora a peça Maria do Caritó, em Natal e Fortaleza, no dia 15/4 tenho leitura de mesa com o Papinha (Rogério Gomes, diretor de núcleo). Estou estudando os quatro primeiros capítulos para pegar a embocadura da personagem, para que já esteja bem íntima dela na outra semana, quando começar a trabalhar com a “família” da Marta. Dia 17/4 estreia o filme Julio Sumiu, no qual faço a Edna, mãe do Julio (Pedro Nercessian), que desaparece, e ela vai atrás dele.

 

                       

                CINCO TEMAS PARA PENSAR

1- O que é a FELICIDADE para você?

É o meu trabalho e a minha filha. Não preciso de mais do que isso.

2- Você sofreu um aborto espontâneo aos 37 anos, e teve a Giulia com 39. Em algum momento ficou com MEDO?

Não tive medo nenhum. Minha mãe já tinha falecido, e a sensação que eu tinha é de que ela estava ali ao lado falando: ‘Você não precisa se preocupar porque vai dar tudo certo’. Eu, agora, só tenho medo de avião.

Medo avião remete ao medo da morte?

Eu fico pensando na minha vida, na família… Mas tomo um remédio e vou. Começo a conversar com as pessoas, puxo assunto, conheço gente, até com o comandante fui parar na cabine. De resto não tenho medo de nada.

3- Tem RELIGIÃO?

Sou católica. Não praticante de ir à missa toda semana, mas vou à igreja. E gosto de rezar, de ler sobre a vida dos santos… acho lindo. Tem vários que eu gosto: Santo Antônio, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora das Graças, Santa Rita de Cássia, Nossa Senhora de Fátima, São Judas Tadeu.

Você fica interessada por terem vida de mártir?

Não é só por isso. É por terem uma vida dedicada. Muitos morreram em função de outros. Não que isso seja uma inspiração pra minha vida, mas é um respeito… é de onde vem a fé.

4-Como define FAMA?

Chegar em algum lugar, e uma pessoa tiver a necessidade de vir falar sobre quanto admira o que você faz. Isso, pra mim, é um respeito ao meu trabalho. E quando você vira protagonista, qualquer coisa que faz tem que tomar cuidado, porque já vira matéria. E pode ser deturpada se a pessoa não gostar de você. Eu escuto, fico quieta e aquilo vai embora.

5- O BRASIL tem jeito?

O jeito é ser honesto. Se você partir do princípio que agindo corretamente conseguirá ajudar a todos, num país grandioso como esse, qual a dificuldade? Nenhuma! A responsabilidade tem estar em tudo que o país promove: educação, saúde, moradia. Se fossem corretos, se a educação tivesse avançado… Por que ela não avançou? Porque não há interesse. E o que foi desviado, que seria para a educação e não foi? E para a saúde? E todas as atitudes em relação ao bem estar  da cidade? Se você tem um comportamento ético, por que em outros países dá certo, e aqui não dá?

Você acha que ensinar a pescar é melhor do que dar o peixe?

Com certeza. Isso que você dá é pensando em receber um voto. Ao passo que se você ensina, ele vai ter informação, um ofício e poder votar espontaneamente.

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RUMO À PORTA DE ENTRADA

»Públicado por em abr 6, 2014 | 26 comentários


 Eu me vejo nas fotos: este senhor que se dedica a mil projetos na esperança de sobreviver a todos eles. E depois penso no que acontece de repente – como esta morte súbita de José Wilker – e nos coloca frente a frente com a rude, grosseira, horrorosa realidade, e aí me pergunto: até quando? Costumo dizer a vocês que vou viver mais 257 anos, mas claro, isso não passa de uma brincadeira. Sei que, como dizem os portugueses, já estou tramado. Que alguma coisa postada atrás de uma porta, ou num beco mais escuro, está à minha espera. E então leio numa coluna da net que “Geração Brasil” vem aí, e que se eu não caprichar muito em “Falso Brilhante” a outra é que será o sucesso do ano. E sabem o que eu respondo? Phuedam-se todos. A vida, já disse Shakespeare, é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, mas vazia de significado. Fecho com ele. E fico aqui à espera daquela esquina, daquele beco… Ou – meu Deus, será que depois de tantos eu ainda mereço? – do grande sucesso do ano. (Agonildo Salva)

De qualquer modo, enquanto eu ainda estiver por aqui e tiver forças – ou mesmo que não as tenha – darei o máximo de mim. Por isso “novelas do ano”, se cuidem, porque a bordo deste helicóptero, rumo ao santuário que é o Monte Roraima… FALSO BRILHANTE está chegando!

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ELE SE FOI, FICAMOS MENORES

»Públicado por em abr 5, 2014 | 19 comentários

Ainda ontem falei dele: já estava escalado para uma participação especial em Falso Brilhante, mas também era nossa alternativa para o personagem que Dan Stulbach talvez não possa fazer. Não sei o que dizer. Eu o conheço desde os tempos do Movimento de Cultura Popular em Pernambuco – em 1961! -, fizemos dezenas de trabalhos juntos… Sim, não sei o que dizer, só: adeus Zé. Sem você, ficamos menores.

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PERIGUETE SIM, MAS DO BEM!

»Públicado por em abr 4, 2014 | 51 comentários

Ah, mas este Alexandre Nero é mesmo um sortudo. Como se não bastasse ser casado com Lília Cabral e ter com ela cenas de arrepiar os cabelos, ele ainda terá essa lindinha aí, a Marina Ruy Barbosa, como amante em Falso Briilhante! Ela será Maria Isis, uma periguete do bem, pois é perdidamente apaixonada pelo homem a quem devia explorar. Isso para desespero dos pais dela, Magnólia (Zezé Polessa) e Severo (Tato Gabus Mendes), que veem a filha como uma verdadeira mina de diamantes e querem arrancar dela o próprio – e dispendioso – sustento. Marina lavando os pés de Nero na primeira cena em que aparecem juntos vai dar o que falar…

(foto de Fco. Patrício)

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