COMO SERÁ A MASTER 3

»Públicado por em jul 25, 2015 | 33 comentários

 

Dos oito roteiristas que trabalharam comigo

em “Império” quatro eram ex-alunos da Master

Na foto acima, comigo, a partir da esquerda: Nelson Nadotti, Márcia Prates, Maurício Gyboski, Megg Santos, Zé Dassilva, Rodrigo Ribeiro, Renata Dias Gomes e Brunno Pires. Gyboski, Megg, Rodrigo e Brunno foram alunos da minha master class. Abaixo, Lília Cabral faz uma palestra para os alunos durante a Master 2.

 

Com certo atraso, pelo que peço o habitual milhão de desculpas, venho agora divulgar o (pré) regulamento da minha master class 3. Por que “pré”? Por que ele ainda poderá sofrer pequenas modificações, mas nenhuma que modifique substancialmente o todo aqui descrito.

Aí vai:

A master class 3 será realizada na Casa Aguinaldo Silva de Artes, em Petrópolis, do dia 16 ao dia 27 de novembro deste ano.

Serão dez dias de aulas, sempre pela manhã, de 9h às 13h e de segunda a sexta-feira, com um intervalo de meia hora para o coffee break.

As aulas serão sempre práticas, com todo um aparato áudio-visual, e terão como objetivo elaborar uma sinopse, com perfil de personagens, e mais a escaleta e o texto final do primeiro capítulo de uma novela.

Os alunos assinarão um termo de compromisso no qual cedem os direitos de negociação da sinopse à CASA – Casa Aguinaldo Silva de Artes, que, em caso de venda – como aconteceu com a sinopse da Master 1, da qual saiu a novela “Fina Estampa – terá o produto desta dividido igualmente entre os que a elaboraram, menos o responsável pela master.

Serão apenas 15 alunos, número ideal para que todos mereçam atenção por igual nesse tipo de trabalho. Durante o decorrer do trabalho eles serão divididos em grupos de acordo com a escolha do responsável pela master.

Para participar da seleção, todos os alunos terão que apresentar recibo de compra do DVD “A Arte de Escrever Novela”, de minha autoria. Sem o recibo não haverá inscrição, e não há o que discutir quanto a isso.

Os inscritos serão submetidos a uma prova presencial na Casa Aguinaldo Silva de Cultura em data – ou datas, dependendo do número de inscritos – a ser anunciada com a devida antecedência.

A prova, cujo conteúdo só será revelado na hora, será julgada por mim e mais duas pessoas cujos nomes serão mantidos em segredo até que seja feita a seleção final dos escolhidos. Os nomes destes terão que ser revelados quinze dias antes do início da master, para que possam se organizar, pois terão que ficar em Petrópolis, no Rio ou cidades próximas durante a realização das aulas.

Ao contrário das duas primeiras, que foram grátis, a Master Class 3 será paga. O total a ser reembolsado pelos anos será divulgado antes da prova. Haverá um pacote especial para os que prefiram se hospedar na pousada que funcionará na Casa Aguinaldo Silva de Cultura.

Roteiristas que participaram das masters 1 e 2 poderão participar da master 3, mas terão que se submeter à prova seletiva junto com os demais candidatos.

Em caso de desistência de um dos selecionados, este será substituído por outro candidato, já que além dos 15 selecionados, outros cinco ficarão na reserva.

Todos as questões referentes à Master Class 3 estão aqui respondidas, pelo que não merecerá atenção nenhuma mensagem, whatsapp ou e-mail com perguntas que aqui já foram respondidas.

A turma reunida durante uma das aulas da Master Class 2 . Dentre eles Lucas Nobre e Virgílio Silva (terceiro e quinto na fila do alto)  foram contratados como pesquisadores em “Império” e Tatiana Contreiras, Fátima Diniz e Simone Mousse (segunda, quarta e quinta na fila de baixo) foram co-roteiristas de “Lara com Z”.

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11 CENTÍMETROS DE GREY

»Públicado por em jul 22, 2015 | 4 comentários

 

 …Ou aquela velha história pra boi dormir

segundo a qual tamanho não é documento

Como diria mestre Ancelmo Gois, não é nada, não é nada… Não é nada. Mas dois assuntos me chamaram a atenção nos jornais de hoje. O primeiro foi a pesquisa feita pela Universidade de Munique, na busca para uma resposta à pergunta que – diz um jornal – “há séculos atormenta os homens”: como seria, aos olhos das mulheres, o pênis ideal? A pesquisa ouviu uma centena delas e a maioria elegeu “a aparência estética em geral” como o principal critério. Tudo bem, a voz da maioria é quase a voz de Deus, mas algumas ouvidas por mim discordam. Há quem os prefira tortos, ou cabeçudos e até aqueles com uma bela de uma fimose.

Os critérios a seguir para elas? A aparência dos pelos pubianos, o estado da pele e a circunferência. Quanto ao primeiro é fácil de concordar. Nada mais ridículo que homem com os pentelhos depilados, o que deixa seus respectivos pirus, quando em repouso, parecendo umas rãs que quase morreram de susto depois de ver o do sapo.

O estado da pele? Bem, se vale para rosto, peitos e bundas, deve valer também para o dito cujo, por isso recomendo aos meus colegas de sexo: antes de dormir lavem bem e depois usem hidratante. E a circunferência… Ah, a circunferência!… Não faço minhas as palavras da minha amiga Bernie Piters, mas as cito: “pra mim – diz ela sempre que se refere ao tema – piroca tem que ser curta e grossa”.

Sim, Bernie prefere as curtas, desde que sejam grossas. E as 100 mulheres ouvidas? De certo modo concordam com ela, já que colocaram o tamanho, aquilo que mais traumatiza os homens, em sexto lugar na lista de prioridades. Ou seja, mesmo que o seu não seja uma brastemp extra-large, quereeeedo, não se aflija nem se desespere, pois não é disso que elas gostam.

Ah sim, a tal pesquisa não foi feita para saber que tipo de pênis agradava mais às mulheres, mas para descobrir qual a opinião delas sobre a hipospádia, uma mau formação na assim chamada “cabeça” do dito cujo que faz a saída da uretra ficar numa posição incorreta. Talvez porque, ao contrário dos gays, tenham um certo pudor de apreciar o membro masculino de forma, digamos assim, mais próxima, as mulheres ouvidas pela pesquisa não se detiveram muito sobre essa tal de hipospádia, que, quando muito grave, leva seus portadores a fazer xixi, bem… Meio de lado.

Belo factóide, não? Numa terça-feira em que as notícias são mais do mesmo – todas relacionadas com a roubalheira generalizada – é tudo que a mídia deseja… Mas neste dia especial teve outro factóide que ocupou as páginas. Vejamos:

 

 

Saiu a Vogue americana e o choque foi geral, pois a imagem de Nicole Kidman, que aparece na capa clicada por Patrick Demarchelier, está, para sermos discretos e educados, muito retocada e bem diferente de sua imagem real aí em cima. Nesse caso, algumas senhoras colunistas que se referiram ao tema de forma irônica deviam antes olhar para o próprio rabo – quer dizer, para as fotos de si mesmas que colocam no alto de suas colunas… Pois, tal como os cliques que Demarchelier fez de Nicole, elas costumam ser absurdamente fotochopadas. Tem colunista de cinquentinha que se vende com vinte e cinco e assim dá o maior susto nos leitores quando estes as conhecem pessoalmente… A ponto deles comentarem: “nossa, como você parece a Fulana, aposto que é a mãe dela!”

Mas, como diria – de novo – Bernie Piters no seu francês com sotaque cearense: c´est pas grave. O photoshop, assim como a superpopulação mundial e a consequente falta d´agua que vai nos matar a todos, veio pra ficar.  Eu mesmo, que até o ano passado me orgulhava da minha pele de pêssego, agora noto em minhas fotos o surgimento de um “bigode chinês” que em breve terá que ser extirpado pela tal caneta mágica do Adobe Photoshp.

E também não podemos esquecer que o photoshop tanto funciona para o bem como para o mal. Já vi fotos de Madonna em que ela aparece como uma centenária caquética que não é, nem nunca será… Assim como vi esta foto, que publico aí embaixo, da mesma Nicole Kidman quase tão gorda quanto uma dona de casa americana que vê televisão o dia inteiro tomando dry martinis e comendo pizza com um potão de sorvete como sobremesa.

O importante é que, com duas notícias como estas, os jornais impressos podem se orgulhar de ter fotoshopado a si próprios de modo a ficar mais parecidos com os sites de absolutas futilidades… O que, agora traduzida livremente, tem a ver com a frase dita em seu francês macarrônico por Bernie Piters: não é de todo grave.

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MURALHAS DO PARAÍSO

»Públicado por em jul 20, 2015 | 7 comentários

 

fotos: Fco. Patrício 

Não conheço um único brasileiro que tenha dirigido pelas estradas portugueses sem dizer pelo menos uma vez – “isso não é uma estrada, é um tapete”… Assim como não conheço nenhum que não tenha se espantado com a calmaria no trânsito e – a não ser em dias de peregrinação a Fátima – a total inexistência de congestionamentos. Eu mesmo, que viajo muito nessas estradas – mas sempre de carona e no conforto do banco de trás – nunca resisti em dizer que a estrada é um tapete, que quase não há carros circulando, que nada lembra as esburacadas e congestionadas estradas brasileiras… Ah, que diferença das minhas sempre traumáticas passagens pela Washington Luiz rumo a Petrópolis!

Sendo o PIB brasileiro muitíssimas vezes maior que o português, estando Portugal surfando – com êxito, diga-se de passagem – na crista da onda de um mar proceloso chamado “crise”, é de espantar que o país de um modo geral seja tão bem cuidado enquanto o Brasil, pelo menos em matéria de serviços públicos, possa sem nenhum remorso ser classificado como um lixo. Estamos longe do nível português, talvez possamos concorrer com o de Bangladesh.

Dito o que, já tendo sido eu suficientemente cáustico – embora possa acrescentar com todo orgulho possível que eu não votei nessa gente, agora já posso entrar no verdadeiro tema desse post, que é minha sei lá, centésima, enésima viagem à mimosa, ancestral, patrimônio da humanidade e agora sede de um dos meus empreendimentos…A vila de Óbidos.

 

 

É lá em Óbidos que está a Casa das Senhoras Rainhas, o hotel quatro estrelas que comprei aqui em Portugal, onde fica o restaurante Comendador Silva, filial – mas inaugurado primeiro – daquele que estou montando na Casa Aguinaldo Silva de Artes, lá em Petrópolis.

Saio muito cedo aqui do Castelo onde moro (atenção, despeitados, não precisam trincar os dentes, o Castelo dá nome ao bairro onde moro, mas não é de minha propriedade) para aproveitar a brisa ainda fria que sopra do Atlântico, mas que logo dará lugar à quentura infernal dos ventos que vêm da África ali embaixo. À margem da estrada, de tão bela e harmoniosa a vegetação parece ter sido cuidada por centenas de invisíveis jardineiros, o que me faz pensar em outra das nossas desvantagens: nos países tropicais a natureza é desmesurada. Cresce demais, se espalha além da conta, permite que nasçam inúteis capinzais por todo lado… E essa desordem, essa desmedida a torna sempre feia… A não ser nos Estados do Sul, de clima temperado e paisagens mais “ajardinadas”.

Enfim: chego a Óbidos ainda muito cedo, mas já encontro a postos ali no portão principal das muralhas e sósia do ator inglês Ian McKellen a fingir que é o mago Gandalf. No estacionamento dezenas de ônibus despejam hordas de turistas de toda a parte do mundo, incluindo, é claro, dezenas de brasileiros. É bom ouvi-los a falar da beleza da vila, do fato de que ela já existia quando os tupisquaraquaquás ainda eram os únicos habitantes do Brasil, e de como as rainhas portuguesas, a quem a vila era dada de presente pelos seus reis-consortes, cuidaram bem dela.

Sim, Óbidos é uma joia… E a Casa das Senhoras Rainhas – das quais sou agora a única – é a prova disso. Era lá que as Senhoras moravam enquanto reinavam… E era de lá que davam ordens sempre proveitosas aos seus súditos e claro, aos seus reais maridos. “Façam isso e faça aquilo”, elas diziam… E – atenção, Dilma querida – sem permitir que se desviasse um centavo sequer das verbas destinadas às obras, o que significa que essa legião de diretores da Petrobrás ora na cadeia, se vivessem naquele tempo, há muito já teriam sido expostos ao apedrejamento no Pelourinho e depois levados à forca.

Mas eu vim a Óbidos não para ouvir sua bela história – que já sei de cor – e sim para fiscalizar as obras destinadas a renovar a Casa das Senhoras Rainhas e a torná-la ainda mais digna das rainhas que, vindas de toda parte, lá se hospedam, não interessa de que nacionalidade sejam, embora as brasileiras mereçam mais afagos da minha parte.

 

 

Graças a Miguel Correia (também designer dos sapatos da Mikels Shoes) e seu talento para recriar beleza do praticamente nada, tudo está ficando do meu gosto, o que significa: “lindo!” O restaurante começa a se tornar um must local, recomendado aos seus hóspedes até pelos hotéis concorrentes, com uma novidade que o torna único: a esplanada, ajardinada, artisticamente iluminada e rodeada pelas muralhas ancestrais em cujas mesas – vejam a foto acima – muitos comensais preferem que lhes seja servido o jantar.

Enfim – se alguém me perguntar: “o que você vai fazer quando parar com esse negócio de escrever novelas?” Responderei sem pestanejar: vou me dividir entre a Casa Aguinaldo Silva de Artes lá em Petrópolis, e a Casa das Senhoras Rainhas lá em Óbidos… E isso me garantirá que antes mesmo de entrar lá eu já estarei vivendo no Paraíso.

Vejam as fotos, curtam o meu hotel, que é mesmo lindo e, quando vierem a Óbidos, se hospedem lá ou comam no Comendador Silva… Sem esquecer de pedir como entrada a sopa rica de peixes (vejam a foto na galeria), que é nada menos que divina.

 

Acima, com o chefe Luís Pronto, e abaixo, com Luís Ferreira, o gestor de toda essa maravilha.

A acender velas, depois de pedir a Deus pelo êxito do empreendimento, e abaixo, com Luís Ferreira e Fco. Patrício em pleno almoço no Comendador Silva – Portugal.


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A ARTE DE BEIJAR GLÓRIA PIRES

»Públicado por em jul 17, 2015 | 7 comentários

 

Teatro, cinema, novela das 21h na qual

contracena com (e beija) Glória Pires…  

André Bankoff nos diz porque

está na melhor fase de sua carreira

 

Os olhos azuis e a beleza de André Bankoff já o deixaram em maus lençóis, literalmente. Vendedor de enxovais na adolescência, o ator se viu trancado em um quarto por uma dona de casa que queria muito mais do que comprar fronhas e edredons. Mas se a senhorinha não teve a sorte que imaginou merecer, o mesmo não se pode dizer do ator, que se orgulha de contracenar com Glória Pires na novela das nove. Beijá-la, então… Bankoff é determinado. Além da novela, atua numa peça em que interpreta 13 personagens – 10 deles mulheres –, ensaia outra para outubro e estreia na direção com um espetáculo infantil, estimulado pela convivência com o sobrinho de cinco anos. Pensa em casamento e filhos, apesar de solteiro e dos boatos sobre um affair com Marília Gabriela. Na Entrevista ao ASDigital, o ator abre o livro de sua vida artística e pessoal, e fala sobre um tal ‘book rosa’ na TV, sem temer críticas e dispensando o rótulo de galã.

 entrevista: Virgílio Silva

fotos: Francisco Patrício

 

AS – É verdade que você já foi jogador de futebol?

Sim, joguei quando era garoto. Eu sou de Americana (SP), então eu jogava no time de várzea. Aí minha mãe foi fazer pós-doutorado em Roma, em biomecânica do esporte, e a gente se mudou pra lá. Nessa época eu tava com 14, 15 anos. Era um time de segunda divisão, um olheiro acabou assistindo um jogo meu e do meu irmão e levou a gente pra treinar. Eu fiquei no Roma durante um ano e quando voltei pro Brasil continuei na Ponte Preta até os meus 16. Mas aí eu acabei parando, porque fui estudar, fui fazer umas coisas, enfim, tocar a minha vida de uma outra forma.

AS – Foi estudar teatro?

Já fazia teatro em Campinas, então a arte pulsava mais forte. Meus pais são separados, e eu ia muito com a minha mãe em saraus. E eu acho que isso, de certa forma, acabou me influenciando muito e criou essa vontade, esse desejo em mim. Eu comecei com 12 anos, fazendo o meu primeiro comercial e passei a fazer teatro na escola, depois fui fazer teatro em Campinas. E o “Lume”, que é o grupo de teatro da Unicamp, tinha um galpão atrás da empresa do meu pai, então eu sempre subia lá, ficava observando as aulas e assistindo os ensaios, e acho que isso também, de certa forma, culminou nesse desejo. A arte falou mais forte, o futebol foi esquecido e eu continuei no teatro.

AS – Você jogava em que posição?

Centroavante, por causa da altura. Eu era bom cabeceador, jogava bem até. Mas acho que a arte era latente dentro de mim, então eu acabei indo por esse caminho. E, poxa… Melhor escolha que fiz na minha vida. Sou feliz como ator.

AS – Mas você também trabalhou como modelo?

Trabalhei em Nova Iorque, Milão, Paris. Em Nova Iorque fiz curso de cinema, e aí voltando pro Brasil continuei estudando e vim pro Rio fazer CAL, Casa de Artes de Laranjeiras. Também fiz jornalismo na Unimep, sou formado em jornalismo. E ao mesmo tempo fazia teatro no Conservatório Carlos Gomes em Campinas.

AS – Não tinha tempo livre…

Na verdade, eu nunca tive. Meu avô paterno é cigano búlgaro, então eu já fui vendedor de enxoval. Eu vendia enxoval nas minhas férias…

AS – De casa em casa?

De casa em casa, de porta em porta, vendia cama, mesa e banho. A minha avó é ucraniana judaica, então o comércio corre muito forte no meu sangue. Com 12, 13 anos a gente já tinha a obrigação de estar inserido no comércio, aprender a vender. Eu ia pra empresa com o meu pai no sábado e no domingo e ficava lá. Nas férias eu vendia, e como eu estudava em uma escola padrão modular, eu conseguia adiantar as matérias. Então ao invés de ter um mês de férias, eu tinha dois. E esses dois meses eu pegava pra trabalhar, ganhar meu dinheiro, minha independência. Isso muito novo, porque em casa já era uma obrigação do meu pai com a gente.

 

AS – Você é um cara bonito, galã de televisão. Mas a beleza já te ajudava a vender os enxovais?

Sei lá, (risos) em relação ao fato de ser galã, em relação à arte, à televisão, eu não dou muito valor a isso, porque pra mim o que conta são os personagens. O fato de ser galã, quem te coloca nessa posição é o público, a televisão, e eu prefiro não ficar estigmatizado. Eu prefiro fazer personagens que possam me desafiar, que possam contribuir pro meu repertório artístico como ator e daí você vai buscando suas referências, o que quer seguir. Agora, já pra venda, em relação ao paralelo de vendedor da rua e o fato de ter o olho claro e o cabelo castanho ou loiro, enfim, de repente, sim (risos).

AS – Foi assediado?

Teve uma situação em que uma mulher pediu pra experimentar a colcha que eu vendia, pediu pra eu colocar na cama dela, e acredite se quiser, quando eu joguei a colcha e ajeitava ali a cama dela, ela fechou com chave a porta do quarto e queria ficar comigo lá dentro. Era uma daquelas casinhas do interior, aí o meu irmão estava lá fora com outro vendedor e eu comecei a gritar pra ele pedir pra mulher abrir a porta. Ele insistiu até que ela abriu e eu fui embora, mas eu consegui vender. Eu vendia bem até. Acho que a gente aprende a vender mais a conversa do que a mercadoria, então acho que é uma coisa que a gente aprende desde pequeno.

AS – Você acha que ser bonito ajuda na profissão de ator?

Como eu disse antes, o que importa pra mim são os personagens. Se ele vai ser bonito, feio, se tem que engordar, emagrecer, eu acho ótimo até quando tem esses desafios. Porque pra mim, a beleza é muito efêmera. Acho que qualquer ator que se apoia na beleza tá perdido, eu me sentiria um pouco medíocre se eu me apoiasse na beleza. Eu acho que a beleza se vai com o tempo e o que fica é o que você constrói, a sua carreira, seu repertório, seu caráter, sua conduta numa empresa, seu profissionalismo… Isso é o que conta.

AS – Mas há personagens feios que para um ator bonito pode parecer mais difícil de interpretar. Você encararia com naturalidade um personagem como o “Corcunda de Notre-Dame”, por exemplo?

Sim. Aliás, eu iria amar fazer. De repente se eu tivesse que me desconstruir, colocar uma corcunda nas costas, usar uma peruca toda desgrenhada, uma maquiagem ruim, aí sim é uma construção de ator. Eu não sei, eu acho muito mais legal fazer um personagem como o Corcunda do que um mocinho.

AS – Existe um grande personagem que você não fez ainda?

Existe sim, acho que seria um grande desafio fazer um travesti, sem ser caricato. Fazer na simplicidade, desde a hora que você coloca um salto, uma meia, vai fazer um show, da colocação da voz, os gestos, o movimento do corpo… Acho que isso pra mim seria um grande desafio. Eu acabei de fazer um gay no cinema, o meu par romântico era o Marcello Airoldi. Foi pra Cannes, tava em cartaz em Berlim e Miami nessas últimas três semanas. Pra mim foi um desafio, porque era simples, não era caricato, era muito humano. Foi bom de fazer, porque a gente vai aprendendo com os personagens.

 

AS – E você também faz uma peça no teatro em que interpreta, não travestis, mas mulheres…

Sim. Aí já vai pra uma caricatura, é onde meu me divirto bastante. Caricatura não de forma negativa, mas o simples é um pouco mais difícil. E eu faço dez mulheres e três homens, sob a direção de Roberto Lage e Lúcio Mauro Filho. O texto é baseado no livro homônimo do André Aguiar Marques, que conta a história de um cara que foi separado, que foi traído pelo melhor amigo. E eu faço tudo ao mesmo tempo, não tem nenhuma caracterização, só um jeans e uma camisa. Só mudo a voz, o corpo, e é muito rápido. Estou viajando com ele pelo Brasil.

AS – É mais difícil se a caracterização…

Muito difícil, porque eu pergunto, mudo de lugar e respondo, e mudo de lugar de novo, vou pra plateia, porque aí eu saio dos personagens e volto pro cara que foi traído. E mesmo sendo um monólogo, eu desço na plateia e converso com eles, pego opinião, então eles acabam participando, entram na história. Eu me divirto bastante.

AS – Ainda no teatro, você também está ensaiando uma peça infantil?

Eu estou dirigindo e produzindo um espetáculo infantil chamado “As férias da família Pig”. Eu tenho um sobrinho de cinco anos e eu fico em casa assistindo desenho com ele às vezes, isso acabou me estimulando. E eu já queria começar a dirigir, então eu chamei alguns amigos que poderiam me ajudar, fazendo adaptação de texto, me assessorar na direção, produção. E assim eu acabei concluindo o meu primeiro espetáculo como produtor e diretor. E em outubro vou estrear outro, pelo grupo Tapa, em São Paulo. Nesse eu vou atuar. Acabo a novela agora em agosto, mas já tô ensaiando esse espetáculo que se chama, lá fora, The Effect, mas aqui “A Experiência”, direção da Clara Carvalho, estreia no teatro Nair Bello, em São Paulo. Nele eu faço um garoto que é cobaia de laboratório pra medicamentos antidepressivos. Então a gente vai falar um pouco sobre depressão nessa peça, que ganhou o Emmy em 2012. É um texto inglês.

 

AS – Agora voltando pra televisão. Você começou onde?

Na Record. Meu primeiro personagem foi Bicho do Mato. Mas participação eu já havia feito em “Mad Maria” na Rede Globo e depois em “Bang bang”. Eu fiz três novelas na Record e depois saí, porque eu queria fazer teatro, me reciclar como ator, e a televisão te suga muito. Eu sempre quis transitar entre as três linguagens, teatro, televisão e cinema, e hoje eu consigo fazer isso. Estou no meu segundo filme esse ano, que se chama “Taís e Taiane”, do Augusto Sevá, uma produção Brasília/São Paulo. Conta a história verídica de um cara que foi fazer uma experiência em um vilarejo no cerrado goiano. Então ele conhece uma garota, isso quando tinha aproximadamente 20 anos…

AS – E você já filmou em Brasília?

Sim, já rodei o filme. Ele estreia em agosto no festival do Canadá, em Toronto, depois vai pra Cannes, Berlim, Nova Iorque, Miami e vem pro Brasil. Quem faz meu pai é o Jairo Mattos, e conta a história desse cara que foi fazer a pesquisa e conheceu essa garota. Ele tem um romance de uma semana com ela e depois de 20 anos recebe uma carta dizendo que ele tem uma filha que é prostituta de beira de estrada. Ele tem um filho adotivo, que sou eu. Aí ele volta e vão os dois atrás dessa garota. A história começa a contar a relação de aproximação dos dois, do filho adotivo e do pai, com essa garota.

AS – Na TV você faz o Pedro de Babilônia.

Sim, o Pedro começou como um personagem pequeno, mas foi crescendo ao longo da novela. Hoje ele é dono de boate, começou um relacionamento com a Paula (Sharon Menezes),  tá na construtora, é amigo do prefeito… É um personagem que tá transitando muito, e eu estou super feliz por trabalhar com a Glória, que é uma atriz e pessoa maravilhosa, que me surpreendeu desde o primeiro dia.

AS – Todo mundo faz sempre a pergunta lugar-comum sobre como é trabalhar com Glória Pires. E você até já se antecipou. E como é beijar a Glória Pires?

É bom (risos). A Glória é muito profissional, já me deixou à vontade desde o primeiro dia, e apesar de ser essa grande atriz, ela é muito simples e humilde. Isso é muito legal de ver, porque tem muitos atores que se perdem um pouco em relação a isso, a ter essa simplicidade e humildade, que acho que é um grande diferencial.

AS – Antes de Babilônia você fez Morde e Assopra e Saramandaia.  

Morde e Assopra, que foi mais uma passagem, uma transição. Porque o personagem não se desenvolveu muito, mas me acrescentou experiência como ator.

AS – Existe uma história de que alguns autores – um, especificamente – da Rede Globo costumam “castigar” atores durante suas novelas. Você já foi castigado?

Não. Eu acho que o autor tá ali pra escrever. Se ele acha que o personagem funciona, vai escrever mais. Se não, ele vai valorizar mais as outras histórias e deixar de escrever a sua. O público que decide muito, e o autor vai muito com o que o público entrega pra ele.

AS – A novela Verdades Secretas, no ar às 23h, aborda a polêmica do “book rosa” no mundo da moda. Existe, ou você já ouviu falar, de “book rosa” ou “book azul” dentro da televisão? E você já recebeu alguma proposta do tipo?

Não, nunca ouvi falar e não recebi. Pelo contrário, as pessoas me tratam muito bem, são bem profissionais. Agora, do jeito que a novela trata, em relação ao ‘book rosa’, acredito que exista sim. Na verdade, a gente vive em uma sociedade hipócrita, em todo lugar pode acontecer isso, em um escritório, onde o patrão oferece dinheiro pra secretária, ou um médico oferece dinheiro pra uma enfermeira. Então isso não acontece só em agências, mas em vários lugares.

AS – Falando agora de vida pessoal. Há boatos de que você estaria muito próximo da Marília Gabriela…

Isso aí já é antigo, a Gabi é uma grande amiga minha. Sempre que eu estou em São Paulo nós saímos juntos, conversamos sobre os projetos de cada um… E eu jamais acabaria uma amizade com uma pessoa de quem eu gosto muito por causa de fofocas de imprensa.

AS – Porque a Gabi tem essa fama de se relacionar com homens mais jovens, então as pessoas se aproveitam disso…

Ela pode. É bonita e inteligente. Mas a imprensa fala mesmo…

AS – Você sempre encara o que sai na imprensa com naturalidade ou alguma coisa já te deixou mal?

Eu encaro, porque às vezes as pessoas criam coisas e propõem situações que elas imaginam. Então eu não vejo nada de ruim, porque essas notícias são substituídas por outras muito rapidamente e são esquecidas.

 AS – E as críticas?

Pra mim tudo bem, porque eu sou ator, então as pessoas estão ali pra assistir meu trabalho, e algumas podem gostar e outras odiar. Não posso agradar todo mundo. Eu vou pelo público, se eu vejo que eles gostam, não vai ser uma crítica que vai me afetar.

AS – Na entrevista em vídeo que o ator Paulo Betti deu ao ASDigital, ele disse que a nota zero do Theo Pereira em Império o deixou abalado. Mesmo com toda experiência, anos de carreira, ele ainda se sentiu afetado…

Assim você vê a experiência e a trajetória do ator. Quando ele recebeu a nota zero, foi porque uma pessoa estranhou o seu trabalho. Mas ele esperou o público se acostumar e pegar o personagem, e o Theo Pereira se tornou um sucesso. Eu acho que as críticas são uma coisa boa, elas te mantêm em movimento. Porém, o que não pode é deixar que elas pesem ao ponto de te atrapalhar e te jogar pra baixo. Aí é uma cilada. A crítica deve ser usada de forma que te faça crescer.

AS – E com as redes sociais, as críticas estão mais agressivas e instantâneas…

O público hoje tá mais exigente. Então eu assisto meu trabalho pra ver o que está bom ou ruim. Sou muito crítico em relação a isso, acho que meu maior crítico sou eu mesmo. Se eu vejo que está bom, eu procuro maneiras de melhorar ainda mais. E se eu vejo que está ruim, principalmente em início de novela, eu tento achar o tom do personagem, o que leva um tempinho, mas é normal acontecer.

AS – E a relação com as e os fãs?

Deu uma aumentada, agora com a novela das nove.

AS – Existe uma diferença de quando você está em uma novela das sete e uma das nove?

Sim, bastante. A novela das nove é o programa de maior audiência da Rede Globo, então sua exposição é maior. E é bom, porque as pessoas acabam conhecendo mais o seu trabalho.

AS – Você é assediado nas ruas?

Não era muito, mas agora com a novela das nove, estou sendo mais.

AS – Como você reage a isso?

Eu atendo as pessoas, converso, tiro foto… Isso não mudou a minha vida, pelo contrário, continuo o mesmo.

AS – Mas existem aquelas fãs mais exaltadas…

Sim, tem. Mas nunca tive história de alguma fã louca se descabelando por mim. Teve uma vez que eu tava em um mercado em São Paulo e quando eu virei um dos corredores uma mulher gritou que me reconhecia, que eu fazia o Pedro na novela, e começou a comentar sobre meu papel. Eu acho isso bacana, porque significa que você ta conseguindo chegar no objetivo que você deu pro personagem.

 

AS – Você já se sentiu atraído por uma fã?

Eu estou solteiro e tem várias fãs que são lindas. Então se eu me sentir atraído por uma fã, solteiro, não tenho o menor problema com isso. Mas nunca aconteceu de eu me envolver com uma fã.

AS – Está solteiro por opção?

Não, estou solteiro porque eu terminei e comecei a emendar um trabalho no outro. Na verdade, eu estou muito focado no trabalho e bem tranquilo em relação a isso.

AS – Apesar de solteiro, casamento está nos seus planos?

Claro, quando eu achar a pessoa certa quero me casar, ter filhos, formar uma família. Eu vejo isso na minha casa, a relação do meu irmão com meu sobrinho e também sua esposa. Quero ter uma família um dia, ter de dois a três filhos.

AS – Você faz baile de debutantes, presença vip?

Já fiz presença, mas baile de debutantes, não. Não faço e nunca fiz. Acho que é mais por conta da minha idade, 33. E nessas festas preferem chamar atores mais novos, como os de malhação, com uns 18, 19 anos. Mas se me chamassem eu iria tranquilamente. Financeiramente deve ser bom. Quando eu era da Rede Record, eu não tinha uma vitrine como tenho hoje na Rede Globo, então eu não trabalhava muito. Mas com a novela das nove já aparecem mais coisas, mais oportunidades de trabalho.

 

AS – Existe diferença entre trabalhar na TV Record e na TV Globo, em relação a cobrança?

A funcional é normal. Você acorda, estuda seu texto, vai gravar, o estúdio também começa à 13h e termina às 21h, isso não muda nada. O que muda é a audiência de uma e de outra, a sua exposição se torna bem maior. Agora, em relação à política da empresa, acho que só os executivos vão poder informar melhor.

AS – Voltando a falar sobre ser galã. Apesar de recusar o rótulo, você acha que existem características definidas pra se tornar um?

Não sei, acho que as pessoas meio que te empurram pra isso. E tá muito relacionado à beleza, então eu não dou muito valor a isso, como eu já havia dito, porque ser galã é muito pouco pra um ator, o que importa é sua carreira, seu repertório. Hoje, o público tá tão exigente, que você não consegue mais isso. No passado talvez isso tenha até convencido, mas hoje com a internet e as redes sociais, não. Então ou você é um bom ator, que faz um bom trabalho, ou vão te qualificar como um ator ruim.

 

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PAULO BETTI ABRE O JOGO

»Públicado por em jul 13, 2015 | 10 comentários

 

Hard talk com Timóteo d´Alembert,

aliás, Carlão Batista,

aliás Ypiranga Pitiguary,

aliás, Téo Pereira… Aliás, Paulo Betti 

fotos: Fco. Patrício

 A entrevista durou mais de 50 minutos durante os quais eu perguntei e Paulo Betti respondeu tudo que tínhamos direito. O difícil, depois, foi reduzir o material para 33 minutos, já que cada resposta dele era tão imprescindível quanto – desculpem a falta de modéstia – minhas perguntas. Por causa das idas e vindas na edição tivemos que atrasar um pouco a publicação da entrevista, mas aos que a esperavam ansiosos eu garanto: a espera valeu a pena. Paulo Betti, além de grande falador e conversador é um dos atores mais articulosos e ciosos de sua profissão que conheço. Aqui ele fala de tudo: da vida, da arte, da política, dos maus feitios de alguns que estão envolvidos com esta última, do preconceito e do sucesso que – graças a todos os deuses –  nos persegue implacavelmente a mim e a ele. Vejam o vídeo abaixo até o fim, pois vale a pena… E aguardem a minha próxima Hard Talk, sabem com quem? É segredo, quereeeeedos”

 

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HARD TALK COM PAULO BETTI

»Públicado por em jul 9, 2015 | 3 comentários

 

Fiquem de olho porque, a qualquer momento, vamos publicar aqui a entrevista que eu fiz com Paulo Betti num vídeo no qual ele olha para o olho da câmera – aliás, três câmeras – e solta o verbo. Por enquanto, só para vocês tomarem conhecimento do que está por vir, vejam o teaser abaixo… E aguardem, quereeeeeedos! 

 

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MASTER CLASS JÁ TEM DATAS

»Públicado por em jul 9, 2015 | 15 comentários

 

Isso mesmo, já bati o martelo. Minha master class 3

será na Casa Aguinaldo Silva de Cultura

nas duas últimas semanas de novembro.

 

Vejam aí em cima esta sala da Casa Aguinaldo Silva de Cultura, lá em Petrópolis, onde eu me deixei fotografar todo pimpão. Notaram os degraus no chão, típicos do soalho de um teatro ou um cinema? Isso não foi planejado a toa, já que, quando pronta, a sala ficará como aparece  na foto abaixo:

Ou seja, teremos na casa um cinema by High end, com equipamentos de última geração, dignos de uma verdadeira sala multiplex , acoplado à sala de aulas na qual, nos dias 16 a 27 de novembro, darei minha master class 3 para 15 alunos selecionados. Como será feita a seleção? Depois dou mais detalhes. Por enquanto só posso dizer que ela contemplará mais 15 eleitos além dos 15 primeiros, os quais já estarão selecionados  para a Master Class 4, que acontecerá em 2016 logo depois do carnaval… E antes das Olimpíadas, é claro.  Sobre a seleção só posso dizer que ela será justa e certeira. Não haverá apadrinhamentos nem o famoso QI – quem indicou -, pois, nos cursos que dou, só uma coisa conta para que eu aceite alunos: o mérito. Pois foi por causa do mérito, da extrema disciplina e da enorme força de vontade que cheguei onde cheguei, e não porque tinha as costas quentes ou santos fortes que me empurrassem pra frente. Aguardem: quando novembro vier, nesta sala aí embaixo que, na próxima semana começa a ganhar teto, soalho e revestimento (acústico) de paredes, estaremos, eu e 15 felizardos, reunidos durante duas semanas, de segunda a sexta, cinco horas por dia, tramando juntos uma sinopse e o primeiro capítulo de uma novela…Que, como aconteceu com “Fina Estampa” – sonhar é bom e possível – poderá até ser comprada por uma certa emissora.


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