Posts by agsilva

GRAZZI QUERIDA, TE DEDICO

»Públicado por em set 26, 2016 | 17 comentários

 

Grazzi Massafera ou Judi Dench?

O Emmy vai decidir.

Mas continuo torcendo pela nossa loura.

 

Já lá se vão alguns anos. Mas desde aquele BBB mais famoso algumas das minhas amizades nunca mais foram as mesmas. É que meus amigos torciam em peso por Jean Wyllis, enquanto eu era fã de carteirinha de Grazi Massafera. “Você tem que torcer é por ele”, me diziam os tais amigos cheios de som e fúria. Eu perguntava porquê e a resposta sempre me pareceu absurda: “porque o Jean é gay! Se vencer o BBB vai ser bom para a nossa classe!”

Bom… Eu nunca achei que os gays são uma classe e os heteros são outra, assim como nunca achei que devo ver homens e mulheres de maneira diferente. Para mim, todos nós – até os extremistas islâmicos – somos pessoas. Seres humanos. E, em qualquer situação, devem ganhar os que são merecedores.

Para mim, Grazzi merecia como ninguém ganhar aquele BBB. Mas na final com Jean ela perdeu. E em vez de sair por aí a resmungar, sacudiu os cabelos louros e partiu para outra. Virou modelo primeiro, e depois atriz.

“Como modelo até que dá para o gasto, mas como atriz, meu Deus, ela é péssima!”  – diziam meus poucos amigos fãs  de  Jean Wyllis que não haviam brigado comigo. E eu ficava na minha porque, afinal, a crítica concordava e desmontava com certa volúpia cada desempenho da moça.

Só que ela continuou a fazer o que sabia: ir sempre em frente, sem olhar para trás. No caminho, ainda pegou Cauã Raymond, o hiper-super-galã, com quem, tenho certeza, viveu dias felizes, que só acabaram posto que o amor é chama, embora seja infinito enquanto dure.

Alheia às críticas, porém cada vez mais segura do que fazia, Grazzi Massafera tornou-se uma atriz mediana até que… Foi chamada para fazer uma craquenta em “Verdades Secretas”. E então a grande atriz que eu sempre vira dentro dela desabrochou. Com seu desempenho visceral Grazzi galvanizou o país, e por ele vai concorrer agora ao Emmy internacional com ninguém menos que Lady Judy Dench, ganhadora de dois Oscars, além de vários Emmys, Tonys, Globos de Ouro e Baffas!

E agora, pessoal que a esnobou durante anos: algum de vocês será suficientemente idiota para dizer que Grazzi Massafera não é uma grande atriz?

 

 

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SERRA, SIM… DA CANTAREIRA

»Públicado por em set 26, 2016 | 14 comentários

 

Quando vou embora de um lugar, de uma situação ou de uma pessoa nunca olho para trás. Na minha cabeça o que não foi comigo deixa de existir.

 

Tenho um costume que mantive com o maior rigor ao longo dos meus 73 anos. Quando saio de uma situação – seja de relacionamento pessoal ou profissional, e até mesmo de moradia – nunca olho para trás. Não consigo ver as coisas de outra maneira: para mim é como se aquilo que abandonei nunca tivesse existido, ou pelo menos deixasse de existir. Alguns acham esse meu costume, tal como o ponto-e-vírgula,um defeito; uma perigosa falta de apego às lembranças atrás da qual pode se esconder uma neurose. Mas há quem pense de outra maneira e veja nisso a coragem de recomeçar com a certeza de que só é possível fazê-lo quando se parte do zero.

Não sei se é aquela coisa ou essa: não me interessa. Deixei de me interessar? Não quero mais? Então arrumo trouxa, pego nas tralhas, dou as costas e pronto: parto para outra. E outra, por exemplo, significa o que faço neste momento: trocar aquela cidade serrana onde vivi durante dezesseis anos, tive casas, negócios e – santa ingenuidade – pretensões “artísticas”e partir rumo a outra cidade, que é: São Paulo.

Não importa se já estou naquela idade em que a porta sobre a qual está escrita a palavra “saída” a cada dia fica mais próxima de nós. Quando ela se abrir para mim, caminharei em sua direção com a maior elegância. E assim a ultrapassarei, certo de que, enquanto estive do lado de cá, fiz o que me cabia – vivi a vida do modo mais intenso possível até o fim.

Mas não há como pensar em “fim” quando nossos olhos estão sempre voltados para o recomeço. Não vou apenas morar em São Paulo, assim como não morei apenas na tal cidade serrana. Lá vou trabalhar e produzir. Meu ramo é o da escrita. Literatura, dramaturgia… E jornalismo, como prova o fato de que ocupo este espaço há nove anos e, enquanto me quiserem, pretendo continuar aqui.

Escrever, vocês sabem, é como tocar piano. Os grandes mestres pianistas, mesmo os mais veteranos, treinam diariamente para não perder a prática. E como fazem isso? Passando horas ao piano. A mesma coisa faz aquele que se pretende um grande escritor. Não sei se sou um deles, acho que não. Mas todos os dias, religiosamente às 8h da manhã, sento diante do computador e escrevo. Não ao acaso ou sem rumo, pois tenho sempre uma meta a cumprir.

Nesta manhã de garoa paulista a meta deste humilde “pianista” é a coluna do Canal Extra. Ontem foi um conto chamado “Acerte na Loira”, que já publiquei no meu site, o qual resultou de uma história que me contaram sobre uma mulher que enviuvou quatro vezes de maridos muito ricos. E embora todos eles tenham morrido de modo suspeito, ela nunca foi responsabilizada pela morte de nenhum deles e assim viveu feliz e rica até o fim.

Amanhã será a conclusão de outra história, chamada “Canção de Bernadete”, a biografia não autorizada de uma certa amiga minha,que em Quixeramobim, no Ceará se chamava Bernadete Maria da Conceição, mas hoje é conhecida como Bernie Piters em Paris, onde vive rica e feliz, embora ninguém saiba como ela chegou a esta situação, digamos assim, tão vantajosa.

E depois de amanhã? A pauta é a sinopse da minha próxima novela, O Sétimo Guardião. Preciso entrega-la à Rede Globo em novembro e já em janeiro terei que produzir os seis primeiros capítulos…

Mas onde é que eu estava mesmo? Acho que divaguei e me perdi. O que eu queria dizer é que da tal cidade serrana não quero levar nem o pó que, nestes dezesseis anos em que lá vivi, se acumulou em minhas sandálias – por isso as joguei fora. E, cheio de grandes esperanças dignas de um personagem de Charles Dickens, parto com a certeza de que São Paulo, amigável com os forasteiros como sempre foi, sem dúvida gostará de mim.

 

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SÁBADO, DIA DE SAIAS CURTAS

»Públicado por em set 24, 2016 | 1 comentário

 

Minhas dicas culturais para este fim de semana.

Veja o vídeo e depois escolha o seu programa.

 

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QUANDO AS VACAS VOAM

»Públicado por em set 21, 2016 | 19 comentários

 

Na minha humilde opinião o  prazo de validade das novelas ditas realistas já venceu. O que o telespectador quer de novo é delírio, muita imaginação e magia.

 

(Em “Pedra sobre Pedra”, com as participações luxuosas de Eva Wilma e Tânia Alves, Osmar Prado, o Sérgio Cabeleira, é finalmente  levado para sempre pela sua madrinha, a lua)

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 O RETORNO À MAGIA

 

Talvez vocês não se liguem nisso, mas escrever telenovelas não é coisa pra mariquitas. É assustador. É estressante. É difícil. Afinal, o autor da novela das nove tem que atrair e prender a atenção de pelo menos 50 milhões de pessoas durante seis, sete, oito meses… Prazo no qual não pode se dar o direito de adoecer, se apaixonar, brigar com a chata da mulher ou o idiota do companheiro, se envolver com problemas de amigos ou vizinhos… Pois não deve se desviar um minuto sequer de sua motivação principal: a feitura da novela. Claro, por conta de tudo isso ele ganha um belo salário, mas posso lhes garantir que toda a grana do mundo ainda seria pouca pra tanto sacrifício.

É por este processo que estou passando agora, embora só vá estrear em março de 2018: comecei a trabalhar numa novela. Uma vez o romancista norte-americano Norman Mailer escreveu que a literatura era uma prostituta velha na qual todo escritor tenta provocar um orgasmo, mas só consegue arrancar dela risadas de escárnio. Acho que se pode dizer a mesma coisa dos autores telenovelas. Cada um de nós, quando entra no ar, quer arrebentar a boca do balão. Mas já fica feliz se não acabar crucificado pelos centuriões da mídia especializada.

De qualquer modo aqui estou: são 19 horas de domingo e afinal consegui concluir a tarefa que  pretendia dar por encerrada às 15: fechar mais dez páginas da sinopse de “O Sétimo Guardião”, título da minha próxima novela. A idéia era almoçar depois. Mas agora nem jantar vou – de tão cansado perdi a fome.

Venho de uma enfiada de quatro novelas ditas realistas: “Senhora do Destino”, “Duas Caras”, “Fina Estampa” e “Império”. Mas, depois da última andei me perguntando: “será que o povo ainda quer ver isso?” E concluí que não. Acho que, nos dias difíceis em que vivemos, as pessoas já vêm realidade demais nos jornais de tevê e querem fugir dela nas novelas. Assim, decidi trilhar de novo um caminho no qual me tornei especialista: o do realismo mágico – ou fantástico, ou alternativo, ou distópico, ou como queiram. E será neste mundo à parte, onde tudo pode acontecer, que se passará minha próxima história.

Vejam só como as coisas mudam. Em 2008, depois de “Duas Caras”, escrevi justamente o contrário e decretei: “chega de firulas! Agora quero fazer uma novela em que as personagens, de tão reconhecíveis, passem a mais absoluta credibilidade. Uma novela de todos nós, cujas personagens, totalmente envolvidas com o cotidiano, pareçam ter saído da própria realidade, brotado bem ali na esquina da nossa casa”.

Foi desta minha decisão que nasceu a Griselda de “Fina Estampa”, de longe a personagem mais popular que já escrevi. Em “Fina Estampa”, uma novela carioca tendo a Barra da Tijuca como fulcro central, ninguém foi além do centro da cidade, ou de Jacarepaguá. No máximo viajou um fim de semana pra Cabo Frio ou alguma cidade serrana.

Agora não. “O Sétimo Guardião” se passa em Serro Azul, uma cidade que não existe, situada na fronteira montanhosa entre São Paulo e Minas, onde é vizinha de outras duas cidades nascidas de minhas novelas – Tubiacanga e Greenville. Ou seja, num mundo inteiramente criado pela imaginação, que tudo permite e a tudo torna possível. Será que vai dar certo? Os telespectadores, já saturados dessa história real de “fora isso” e “fora aquilo” embarcarão comigo nesta viagem? É nisso que, para o meu próprio bem, eu acredito.


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MAS NÃO VOU DAR NOTA ZERO

»Públicado por em set 15, 2016 | 3 comentários

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