NOSSO PORTAL BATE RÉCORDES!

Posted on : 30-12-2010 | By : aguinaldo silva | In : Aguinaldo Silva Digital

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QUERO DORMIR, PO**A!!!!!!

Depois de 66 reveillons posso dizer sem medo de errar – quem já viu um, viu todos. Assim, tendo desistido de ir a Paris – por causa do frio e da neve -, fui para o Hotel Tívoli Oriente disposto a me esbaldar até o último fio de cabelo no Casino de Lisboa. Mas, terminado o jantar no Aqua & Sal, o restaurante do Oceanarium, onde o peixe mais interessante era um garçon gostosinho, mas totalmente atribulado – coitado! -, pensei: phueda-se o fim de ano! E voltei para o hotel onde estava hospedado; mas não para o lobby ou para o bar que me pareceram riquíssimos de expectativas, e sim para a solidão da minha suíte, no décimo-quarto andar, onde me joguei na cama e dormi no mesmo instante. Quando acordei, uma hora depois, cataplum! Já tinha passado da meia-noite. Claro, abri minha garrafa de champanhe, mas não bebi um gole sequer, derramei tudinho pela janela abaixo pro santo. E fui ver que mensagens haviam entrado no meu celular: havia uma, postada (diretamente de um barco que navegava à deriva no Rio Reno) pelo meu querido Moacir Jardim – que Deus o tenha aqui entre nós agora e sempre. No barco – dizia ele na mensagem, havia nada menos que quize beebas alemãs a dar pinta e a provar que nem Hitler conseguiu dar jeito nas meninas: ora viva! Feliz Ano Novo pra você também, Moacir quereeeedo. As fotos foram tiradas quando eu ainda achava que ia me dar bem no fim-de-ano lisboeta. Quem sabe numa próxima vez não me aparece alguém com um bigode enoooooorme?…

Enquanto eu dormia, um Papai Noel piedso providenciou algumas fotos da queima de fogos que acontecia a apenas alguns metros da minha janela… E eu perdi! De qualquer modo, as ofereço a vocês: parece que o reveillon aqui no Parque das Nações rolou animadésimo!

Ah sim: e no telemóvel havia muitas mais mensagens é claro. Uma delas, diretamente de Paris – ela conseguiu chegar lá! – da minha querida Marília Gabi Gabriela, que me mandou um milhão de beijos, os quais eu devolvo agora em dobro: saudades de você, quereeeeda!

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Meu negócio, como vocês já estão fartos de saber, são números. Os da minha conta bancária, os do Ibope… E agora também os de acesso ao Portal do Aguinaldão: estes parecem até que tomaram uma dose cavalar daquele comprimido azul, pois não param de crescer! Ontem, numa sexta-feira em que todo mundo devia estar na rua se preparando para o reveillon e a ressaca que a ele se segue, bateram seu próprio recorde. A impressão que tive, enquanto via o número de acessos aumentando sem parar, é que eu tinha assassinado pelo menos meia dúzia de Totós de uma só vez, tamanha era a minha audiência. Fomos nas alturas e, pra tornar as coisas ainda melhores, até um barraco entre comentaristas nós tivemos! E, como vocês também já sabem, depois de números a coisa que eu mais adoro é um belo de um barraco. Parabéns, Davi e Alex, achei o máximo!

Sim, sucesso absoluto, é disso que gosto. Pra festejar, mal acordei hoje, decidi fazer alguma coisa especialíssima… E pra isso tomei o caminho de Sintra e fui almoçar no Lawrence.

 

Ah, o Lawrence… Nem vou dizer do que se trata, pois ainda estou assim, meio lazzy, sob o efeito de um vinho dos Deuses, por isso vos digo: se quiserem saber o que é o Hotel Lawrence, lá em Sintra, procurem na mãe dos preguiçosos (que hoje eu também sou um deles), a Wikipedia.

Claro, essa ascensão do Portal do Aguinaldão, que, mesmo sem um patrocinador ou anunciantes, não para de ver sua audiência crescer, não seria possível se não fossem vocês, meus comentaristas e colaboradores, que entenderam o espírito da coisa e aqui estão em regime de plantão permanente. O resultado é o que se vê: 678 mil votos computados no nosso concurso para eleger “O Maior Brasileiro de Sempre”, mais de 300 mil na eleição para “Os Melhores do Ano”, dezenas de milhares nas enquetes… Tudo isso em menos de dois meses.

E aí vocês me perguntam:

“Foi bom, meu bem, quer mais?…”

E eu respondo que não foi apenas bom, foi ótimo… E eu quero mais ainda! O último dia do ano está aí, vamos festejar condignamente…

De preferência aqui no portal do Aguinaldão: vamos entrar em 2011 e continuar por este novo ano adentro sempre juntos!

 

 

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QUEM NÃO COMUNICA SE TRUMBICA!

A preciosidade que transcrevo abaixo foi desencavada de algum arquivo implacável pelo nosso comentarista Alex Spínola. Trata-se de um artigo de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, sobre a difícil arte de comunicar em televisão. Nessa época de tantos tropeços na programação televisiva, é bom ler com muita atenção o que um dos mestres do veículo escreveu com tanta propriedade.

Sempre que alguém fala em Boni eu me lembro daquela famosa cena entre William Holden e Glória Swanson em “Sunset Boulevard”: diante da grande estrela do cinema mudo agora no ostracismo, ele diz: “você era grande”. Ao que ela rebate na bucha: “eu continuo grande. O cinema é que ficou pequeno”. Boni poderia dizer isso da televisão, e muita gente acha que seria apropriado…

Ouçam a voz do mestre:

Criar cenários, iluminar, cortar, gravar, editar, etc., etc. são funções artísticas importantes e fundamentais na produção de um programa de televisão. Mas todas elas, mesmo executadas com perfeição, não fazem necessariamente um bom programa. Uma boa produção é indispensável, mas não é tudo. Júlio Gouveia, o pioneiro produtor de televisão, dizia com propriedade que se um livro fosse muito interessante ele resistiria a uma boa leitura frente as câmeras, sem um corte sequer, sem qualquer produção. Bastaria um narrador competente. Infelizmente os recursos de produção fazem alguns profissionais acreditarem que forma é mais importante do que conteúdo.

O espectador não é bobo. Não adianta apostar em móveis, cadeiras, escadas, elevador que não vai a lugar algum, carros, barcos, novidades tecnológicas, cenários mirabolantes, cidades fantásticas, desertos, rios e montanhas.Também não adianta berrar com quem está em casa porque se baixa o volume, muda de canal ou, simplesmente, desliga. Nem gritos, nem sussurros. E é bom lembrar que bater palmas para o próprio umbigo é tão ridículo como uma “merchandising” mal feita. O que importa é a capacidade de comunicar. É não ser egoísta pensando no produto apenas como mais um produto.

É fundamental pensar em quem está do outro lado, em casa, com o controle remoto na mão. Não basta um produto bem realizado. É preciso que ele seja realizado para quem vai ver. Que interesse e… muito. E que seja capaz de prender o interesse. Que tenha potencial para durar o tempo para o qual foi projetado, para não encher linguiça. Minutos, horas, meses ou anos. O Max Nunes, quando lhe apresentavam um novo programa, sapecava: “me conta como vai ser o décimo segundo”.

Um programa bom pode resistir ao tempo, mas não pode ser como um restaurante velho “sob nova direção”. Ou aquele sabão de sempre “agora em nova embalagem”. Uma novidade formal é bem vinda, mas não pode ser anunciada, promovida e alardeada como se fosse a descoberta da pólvora. Basta que seja percebida. Só vale a pena botar a boca no mundo e dar tiro de canhão se a novidade for de conteúdo. Nereu Bastos, na velha TV Tupi, quando algum produtor exagerava nos pedidos de materiais, costumava retrucar: “pergunta na sua casa se alguém já ligou a TV para ver o sarrafo da TV Rio, o pano da Tv Excelsior ou a mesa da Globo?” Um exagero do Nereu, mas com um fundo de verdade.

O que se quer ver mesmo é alguma coisa que atravesse a tela do televisor e mexa com a gente. Fazer televisão é fácil. Comunicar é difícil.

(José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, Boni)

NOVELA É COISA DE MACHO!

Posted on : 27-12-2010 | By : aguinaldo silva | In : Aguinaldo Silva Digital

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“O MAIOR BRASILEIRO”: 510 MIL VOTOS!

Quem será O Maior Brasileiro de Sempre? Só saberemos o nome dele no dia 5 de junho. Mas a essa altura já podemos dizer que o concurso lançado pelo nosso portal, ainda em sua primeira fase, é um grande sucesso. Até hoje (dia 30/12) à 07h56m já haviam votado nos seus preferidos um total de 510 mil eleitores. Claro, alguns desses votos saíram dos mesmos computadores e, portanto, foram repetidos, pois essa fase inicial do concurso, na qual serão escolhidos os 30 semifinalistas, permite isso. Mas a partir da segunda fase, que começa no dia 05 de fevereiro, a cada IP só será permitido um voto, portanto… O pega pra capar vai ser medonho! Nossas previsões é que, já nesta primeira fase, cheguemos a mais de um milhão de votos… O que, levando em conta que bancamos sozinhos o concurso, é um resultado de encher de orgulho qualquer canal internético, inclusive dos jornais, que dificilmente atingem tais números em suas enquetes.

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Jantei com Walcyr Carrasco de novo. Dessa vez foi no Olivier Jardim, um dos restaurantes mais bem freqüentados de Lisboa… E eu posso vos garantir que nessa noite, por conta da nossa presença – kakakakakakaká! – a freqüência foi ainda melhor. Tão melhor que o Olivier não resistiu e veio à nossa mesa perguntar o que achamos da comida, que estava, como se dizia antigamente, supimpa!

E se a comida estava assim tão boa, e a garrafa de Pêra Manca que degustamos com ela nos pareceu perfeita, a conversa, ah, a nossa conversa… Vou dar um conselho a quem de direito: dêem um jeito de evitar que roteiristas do primeiro time se reúnam com tanta frequência, porque, quando eles se reúnem…

Aí a coisa não presta!

Sim, porque nossa conversa foi apenas sobre trabalho, e nela botamos muitas coisas a respeito do assunto nos seus devidos pratos limpos. Eu e Walcyr chegamos a uma conclusão terrível, que é: quando você está prestes a entrar no ar com uma novela, e depois, quando já está no ar, não dá sequer pra piscar, ou já leva chumbo!

Eu sempre disse que gênios da literatura existem por aí a dar com o pau, e o Chico Buarque de Holanda, com todos os prêmios e honrarias e a irmã ministeriável, é o maior exemplo deles. Você senta lá no seu escritório e diz pra si mesmo: vou escrever um livro sensacional… E manda bala.

Agora, senta no teu escritório, meu quereeeeeedo, diz pra si mesmo: “vou escrever uma novela sensacional”, e vai em frente pra ver uma coisa: você vai ter que desperdiçar muito sangue, suor e lágrimas antes de chegar lá… Se é que chega!

Porque escrever uma novela para 40, 50 milhões de pessoas – ou 30 milhões quando a novela não faz sucesso – não é coisa pra mariquita. É trabalho de macho! Mesmo que a pessoa em questão seja uma doce e fofa senhora, como é o caso da Maria Adelaide Amaral ou da Glória Perez. Os novelistas não podem enganar ninguém – o público não deixa. Por isso, quando estamos no ar, temos que dar tudo de nós… E ainda ir além dando mais alguma coisa… Que não é o que vocês estão pensando.

Foi sobre isso que eu e o Walcyr conversamos enquanto comíamos um bacalhau fresco que estava dos deuses: sobre o fato de que exercemos uma das profissões mais difíceis e desgastantes que existem no Brasil, por isso somos poucos e cada vez mais raros…

E por isso somos temperamentais, irascíveis, mal humorados, cachorros da moléstia e tudo mais que nós quisermos – porque, fazendo o trabalho importante que fazemos, sim: temos esse direito!

E agora chega. As imagens falam por si.

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CRIATIVIDADE, 10!

http://www.youtube.com/watch?v=wSwdYKqdcTE

Nosso comentarista Leonardo Alves mereceu nota 10 em criatividade ao produzir e nos enviar o vídeo acima. É um comentário dele em forma de  vídeo, e é também uma contribuição para que nosso portal – que é meu e é também de vocês todos, se torne mais dinâmico. Parabéns, Léo. Se eu tivesse o direito de fazer alguma crítica ao seu trabalho diria apenas que ele, da próxima vez, pode ser um pouquinho menos longo.

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AN ARTIST AT WORK

Estava eu caminhando pela Rua Augusta, na Baixa de Lisboa, quando me deparei com Joel de Oliveira (nas fotos), um brasileiro que dança samba, mas sem aquelas mariquices que tornam o samba um produto musical puramente suburbano do Rio ou de Salvador. Joel, com sua dança cheia de reminiscências brasilianas, consegue fazer o samba transcender o folclórico pra se transformar numa dança de saudade, de lembranças do exílio, ou seja, numa manifestação mágica, realmente nacional… E muito séria, como é, por exemplo, o tango argentino. É um artista nato, capaz de deixar a platéia boquiaberta, como vocês podem ver nas fotos. Todos os meus aplausos vão hoje para ele.

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O HOMEM QUE GANHOU O “EMMY”!

Antônio Barreira escreveu três novelas – “Fascínios”, “Flor do Mal” e “Meu Amor” – e, já com a terceira, ganhou nada menos que o Emmy Internacional. Dessa forma o novelista português garantiu o prêmio, pelo segundo ano consecutivo, para a língua portuguesa, já que o Brasil ganhara no ano anterior com “Caminho das Índias”, de Glória Perez. É ele o nosso entrevistado da vez. Nossa conversa teve como cenário um dos restaurantes mais charmosos de Lisboa, a Brasserie Flo.

1, Meu Amor, a novela de sua autoria, ganhou o Emmy Internacional. Alguma vez em sua vida de novelista chegou a sonhar com um prêmio desse tipo?

AB: Nunca. Jamais me passaria pela cabeça a nomeação para um prémio desta importância, quanto mais a vitória. Nem nos meus melhores sonhos. Juro que se me deitasse e sonhasse que tinha ganho um Emmy Internacional com uma obra da minha autoria, acordaria a achar que estava a delirar. Mas a verdade é que o sonho impossível se tornou realidade. Confesso que nunca penso em prémios ou distinções. Eu escrevo para o público, e a adesão do telespectador à obra que estou a fazer é o meu melhor prémio. Não escondo que me sinto orgulhoso por ter ganho um Emmy, embora a nomeação, por si só, já fosse uma vitória. Afinal, o júri da Academia que atribui os prémios já havia considerado Meu Amor uma das três melhores novelas do mundo. Acabou por escolhê-la como a melhor. Creio que isso deve encher de orgulho não só todos os que trabalharam neste projecto, mas também todos os que fazem ficção em Portugal.

2, Acha que os portugueses deram suficiente publicidade à conquista desse título… Ou ele merecia mais? Afinal, esta seria a Copa do Mundo das novelas…

AB: Na altura da nomeação, houve alguns jornais que deram o devido destaque, mas a maior parte da imprensa ignorou por completo. Quando Meu Amor venceu o Emmy, aí houve um destaque muito maior. No entanto, ainda há gente mal informada em Portugal e estou a falar de algumas pessoas que ocupam funções relevantes nos órgãos de comunicação social portugueses. Houve mesmo quem comparasse esta conquista a uma vitória nos Jogos Distritais de Futebol, quando se trata, afinal, do Campeonato do Mundo. Prefiro pensar que é por ignorância pura do que são o International Emmy Awards e não por inveja ou despeito, duas características muito dominantes, infelizmente, no país em que vivemos.

E aqui creio que cabe uma explicação, o mais sucinta possível, sobre o que são os Emmy. Existem os Emmy Awards que premeiam os produtos que são feitos nos EUA e os International Emmy Awards que premeiam tudo o que se faz na indústria televisiva fora dos EUA, ou seja, por todo o mundo. Segundo o que a organização nos disse em Nova Iorque, na Categoria Telenovela, estiveram a concurso obras de cerca de 120 países, que foram avaliadas por um júri com mais de 700 membros de 50 países diferentes. Esse júri escolheu aquelas que considerou ser as três melhores para a nomeação. E ainda para quem desconhece o que se faz pelo mundo, mas cuja obrigação é informar-se antes de dizer determinadas coisas, nós estávamos a concorrer com dois países que têm uma indústria no ramo. A indústria audiovisual argentina é fortíssima e a filipina está em crescimento aceleradíssimo. Basta ir a uma feira internacional sobre televisão para ver o potencial destas indústrias.

Feito este parêntesis, a vitória teve o destaque que teve na imprensa portuguesa. Teve aquele que os jornalistas acharam que deveria ter. Infelizmente, neste país, ainda existe um pseudo intelectualismo, em que se critica tudo o que se conquista e sempre pelas piores razões. No entanto, o povo português valorizou e isso é o mais importante. E fico contente por saber que fez eco noutros países tão díspares, como a Áustria e a Rússia, onde foi bastante divulgada.

 

 

3, Desde quando é telenovelista?

AB: Comecei a escrever profissionalmente em 2003, com a novela Saber Amar, após ter ganho um concurso lançado pela então NBP, agora PLURAL, para a descoberta de novos talentos na área do guionismo. E, desde então, nunca mais parei.

4, O que fez até chegar a Meu Amor?

AB: Após ter ganho o concurso que referi na questão anterior, fui convidado para integrar a Casa da Criação, empresa que faz parte da PLURAL. E aí escrevi: Saber Amar, O Teu Olhar, Queridas Feras, Mistura Fina (um tremendo flop!, mas cujo processo de escrita me divertiu bastante), Mundo Meu, adaptei a série «Os Serranos» para Portugal a partir dum original espanhol, assumi os comandos da telenovela Dei-te Quase Tudo (quando o meu colega e amigo Tozé Martinho não pôde continuar a sua obra por uma série de questões), Doce Fugitiva, coordenei parte dos Morangos Com Açúcar – Série Verão IV, colaborei na formatação da Série V dos Morangos, dei uma mãozinha ao meu colega e amigo Manuel Arouca na novela Tu e Eu, até que surgiu o primeiro grande desafio – o meu lançamento como autor titular na novela Fascínios, que foi um grande sucesso. Escrevi, em seguida, com a Maria João Mira e o André Ramalho a novela Flor do Mar, passada na Ilha da Madeira, que me deu um gozo tremendo. Por razões de escalonamento, tive que abandonar o projecto a cerca de trinta episódios do fim, para começar a escrever Meu Amor, já que uma iria substituir a outra.

5, Antes de começar na profissão especializou-se como? Fez cursos, viu telenovelas brasileiras?

AB: Comigo aconteceu uma coisa que considero estranha e rara. Aos 13 anos, eu decidi que queria escrever novelas. Na altura passava a novela Roque Santeiro em Portugal, da qual o Aguinaldo é co-autor, e eu adorava a sensação de poder manobrar a vida de todos aqueles personagens. Aos 13 anos, nós queremos ser tudo, menos autores de novelas. Muito menos quando não existe uma indústria audiovisual, porque, nessa altura, não existia em Portugal. Mas fui atrás do meu sonho. A partir dessa altura, passei a ler tudo o que tivesse a ver com a escrita de guiões para televisão, a ver muita televisão e, sim, muitas novelas brasileiras. Prossegui naturalmente os meus estudos, licenciei-me em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, mas sempre com este sonho em mente. Fiz workshops sobre escrita, frequentei cursos de guionismo, enviei várias propostas para produtoras, levei com muitos «Não!» na cara, mas nunca desisti. Sabia, cá no íntimo, que a minha oportunidade havia de chegar e chegou. Felizmente para mim, que faço o que gosto e ainda me pagam para isso.

6, Dentre as brasileiras, poderia citar as suas favoritas?

AB:Tenho muitas, mas vou citar algumas, acabando com a minha preferida. Gosto de quase todas do Manoel Carlos, com destaque para Por Amor; Roque Santeiro, Tieta, A Indomada (deliciosa e inspirada!), Selva de Pedra (só o remake, embora tenha muita pena de não ter visto o original com a magistral interpretação de Dina Sfat), O Clone, Celebridade, Senhora do Destino, Cambalacho, A Próxima Vítima e poderia enumerar mais algumas. Mas a minha preferida de todas chama-se Vale Tudo, cujo sucesso é injustamente creditado só ao Gilberto Braga, quando a novela é uma co-autoria do já citado Gilberto com o Aguinaldo Silva e a falecida Leonor Bassères. Vale Tudo é uma obra intemporal. Já passaram mais de vinte anos sobre a sua realização e continua actualíssima. Parabéns por esse grande marco na ficção brasileira.

7, Os autores de telenovelas em Portugal não têm o mesmo prestígio que no Brasil. Levando em conta que o autor é o único senhor dos destinos da novela, não acha que já está na hora de mudar isso?

AB: Eu costumo dizer várias vezes que, sem texto, não há obra. A autoria é o ponto de partida de tudo, embora, em Portugal, os autores não tenham o devido destaque que têm no Brasil, por exemplo. Creio que é hora de mudar mentalidades sim e, aos poucos, elas estão a mudar. É claro que o autor não faz a obra sozinho. Precisa de co-autores, actores, realizadores, toda uma equipa técnica, para que a obra seja posta de pé. Mas, no princípio, era o verbo… E volto a referir que, sem a palavra, a ideia e o conceito, a obra nem sequer começa. Vamos ver em que sentido a valorização dos autores irá evoluir em Portugal. Agora nota-se mais reconhecimento do que há uns tempos atrás, em que o autor era como que uma entidade fantasma, como se não existisse. Era como se os textos aparecessem por obra e graça do divino Espírito Santo.

8, Já pensou em trabalhar no Brasil? Se fosse chamado, para que horário gostaria de escrever?

AB:Trabalhar no Brasil e, mais concretamente na Globo, foi um sonho que já ousei sonhar, ao contrário do Emmy. Aliás, foi o começo do meu sonho de escrita, porque, como já referi, não existia uma indústria audiovisual em Portugal. Não descartaria essa hipótese, se houvesse uma boa proposta. No que concerne ao horário, julgo que o sonho de qualquer autor no Brasil é escrever para o tradicional horário das 8 (embora comece às 9!), até porque sou adepto de histórias mais fortes e pesadas. Mas, de modo algum, me sentiria rebaixado se escrevesse para o horário das 6 ou das 7. Tratando-se duma televisão como a TV Globo, a quarta maior estação do mundo, qualquer dos horários é bom. Até porque podemos comprovar que investem de modo forte em qualquer horário de teledramaturgia.

9, O fato de ser um autor “emmyrizado”, mudou alguma coisa no seu modo de encarar a profissão?

AB: De maneira nenhuma. Sou o mesmo António antes e depois do Emmy. Continuo a olhar com muita humildade e respeito para aquilo que faço. Acima de tudo porque não existe uma fórmula de sucesso. E o nosso juiz é o público, que é composto por milhões de pessoas. Isso só me faz sentir pequeno diante de tanta gente a quem quero que a minha obra agrade. E aproveito este ponto para fazer uma homenagem aos meus companheiros e parceiros de escrita, co-autores como devem ser chamados, colegas maravilhosos e amigos para a vida: André Ramalho, Elisabete Moreira, Mariana Alvim, Sara Simões e Lúcia Feitosa. Que voltemos a trabalhar juntos brevemente!

10, Já está com algum trabalho em vista?

AB: Estou a preparar a minha próxima novela para a TVI, que deverá estrear no próximo ano. Mas sobre a mesma nem uma só palavra. Ainda é segredo de Estado!

11, Tem opinião formada sobre a resistência dos produtores de novela portugueses às histórias rurais?

AB: Talvez não seja propriamente resistência. Temos neste momento no ar, da autoria da minha colega e amiga Sandra Santos, Espírito Indomável, que é uma novela rural e com um sucesso tremendo. Como costumam dizer, «está na boca do povo». Se calhar, podem pensar que os dramas urbanos, pela heterogeneidade de população que existe nas grandes cidades, possam ser mais transversais. Mas pessoalmente não concordo. Uma boa história, passada numa metrópole ou num lugarejo, é sempre uma boa história. Desde que fale de pessoas interessantes nós temos interesse em seguir a vida dessas pessoas.

12, E quanto à entrada cada vez maior de brasileiros no ramo aqui em Portugal: o que você pensa?

AB: Eu sou totalmente a favor da entrada de pessoas experientes e com know-how sejam elas de que nacionalidade forem. O que importa é que venha gente talentosa, cheia de garra e força, com vontade de fazer mais e melhor. Jamais me esquecerei que um dos grandes impulsionadores da minha estreia a solo foi o meu amigo André Cerqueira, que é brasileiro como toda a gente sabe. Nada contra pessoas doutras nacionalidades, desde que venham com vontade de trabalharmos todos juntos, sem imposições ou sobranceria.

13, Se eu lhe perguntasse qual a melhor novela portuguesa de todos os tempos você responderia?

AB: Claro que respondo. Esta opinião é muito subjectiva, mas é a minha. Essa novela chama-se Ilha dos Amores e é da autoria da Maria João Mira, que, na minha opinião, considero a melhor autora de novelas em Portugal.

(agradeço, desde já, esta entrevista efectuada por um autor e colega de profissão que muito admiro desde criança. Obrigado. António Barreira)

NOTÍCIAS DE “FINA ESTAMPA”!

Posted on : 22-12-2010 | By : aguinaldo silva | In : Aguinaldo Silva Digital

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A nota abaixo foi publicada hoje na coluna de Anselmo de Góis em O Globo…

 

A bela adormecida

Ana Paula Arósio não deve ficar muito tempo na geladeira na TV Globo.
A bela, que estaria com os salários cortados por ter abandonado “Insensato coração”, nova novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, foi reservada, diz um diretor global, para “Fina estampa”, próxima trama de Aguinaldo Silva. A conferir.

 

…E já me rendeu dois telefonemas de “fifís”! E olha que aqui em Lisboa são 7h42m, que significa que aí são 5h42m da manhã. Essa gente não dorme? Fica de butuca no computador dia e noite procurando assunto pra encher a paciência dos outros, é isso?

Bem, quanto à notícia. Se dependesse de mim ela não teria saído, pois, desde que um certo “diretor global” me acenou com essa possibilidade secreta, eu prometi, jurei de pés juntos pela alma da minha querida mãe que seria um túmulo. E continuo a sê-lo. Não confirmo nem desminto, espero que as notícias venham lá de cima.

 

Não posso negar que pra qualquer autor de novelas, ter Ana Paula Arósio no elenco seria um ganho. Mas existem outras opções para a personagem que me parecem igualmente atraentes.

 

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CADÊ MEU CHAMPANHE, CARAÇAS?

 

 

Escrevi o texto lá embaixo ontem à noite, depois que sai do restaurante Varanda, no Hotel Ritz daqui de Lisboa, onde tive uma ceia de Natal perfeita – pelas companhias, as conversas, a comida e a harmonização dos vinhos. Mas, além de consumir um vinho diferente para cada um dos seis pratos servidos, ainda tive que experimentar cada um deles, já que fui nomeado pelo maitre o provador oficial da mesa. Assim, acabei bebendo mais do que os outros e muito além do que a decência permitia… E bem, não sei como consegui perpetrar o tal texto, mas o fato é que, depois que o escrevi, caí durinho na cama… E acordei hoje de manhã com uma coisa que, assim como sexo, eu não tinha há pelo menos dez anos: uma ressaca. Pequena é verdade, mas suficiente pra fazer com que eu me perguntasse:

“Onde foi que errei, carajo?”

E como não pude responder a essa pergunta, desci, tomei um café da manhã devastadoramente pródigo e regado a… Champanhe, please!… Depois subi, caí na cama e fui dormir de novo.

Mesmo porque o tempo não convidava a outra coisa. Lá fora, chuva e nevoeiro. Cá dentro, no hotel, só os empregados a repetir meu nome, cada vez que eu passava, como se fosse um mantra: “sr. Aguinaldo Silva!” Quem os ensinou a dizer isso de maneira tão entusiástica? Bom, não interessa, o que interessa é que eu dormi, e quando acordei estava mais bem disposto.

Tomei um banho de banheira, arrumei a mala, desliguei o notebook e sua parafernália toda, desci, paguei a conta, mandei chamar um táxi – cujo motorista era mal humoradíssimo – e vim pra casa… Onde caí na cama e dormi de novo.

Walcyr Carrasco tinha me dito durante o jantar que hoje, em companhia de alguns amigos, iria a uma das cidades portuguesas que eu mais amo, a bela e misteriosa Évora. Disse a ele que fizesse marcação no Fialho, um dos restaurantes mais emblemáticos do País. Se ele o fez ou não eu não sei; não sei nem mesmo se viajou, já que o tempo estava péssimo… Por isso, Walcyr quereeeeedo, me dê notícias!

Quando acordei eram 14h30m do dia de Natal… E lá fora, é claro, ainda chovia a cântaros. Sentei diante do computador, abri um arquivo – Lara com Z, episódio08, que estava pela metade, e mandei bala. Às 18 horas tive um pequeno debate com o Moderador, pois ele acha que eu estou comendo mosca se ainda não mandei reservar Alexandre Borges para “Fina Estampa”, e eu, ao contrário dele, acho que Alexandre Borges é meu e ninguém tasca… Mas com todo respeito, Júlia Lemertz querida!

Mesmo com a pressão um tanto ou quanto alterada, consegui fechar o tal episódio, que termina com a casa de Lara Romero prestes a ser invadida por um bando de homens armados – não digo a mando de quem, aguardem…

Ou seja: em menos de 24 horas eu tive um jantar fantástico, uma ressaca, uma “reunião de elenco”, uma tarde de trabalho… E agora à noite, quando bateu a fome, ainda fui pra cozinha e fiz um macarrão daqueles de levar o ânus a fazer bico.

O que eu quero dizer com tudo isso? O óbvio queridinhos, que entra ano e sai ano e eu continuo vivo e bolindo… Sexy, gostosão, lindo e em plena forma…

Porque eu sou uóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóótimo!

 

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NATAL COM WALCIR CARRASCO!

 

Certas coincidências que acontecem na vida real, de tão coincidentes, fazem com que a gente se diga: “ah, isso é coisa de novela!…”

Pois uma dessas coincidências de novela me aconteceu nessa noite de Natal. Lembram do que eu disse sobre me hospedar nessa data especial no Ritz? Talvez não fosse, ia me dar muito trabalho, etc.. Mas na última hora mudei de idéia e fui: me hospedei lá em grande estilo, numa suite do décimo andar da qual dava pra ver Lisboa inteira. Marquei mesa no restaurante Varanda e, quando cheguei lá pra ceia, ou consoada, ou como quer que a chamem, quem encontrei?

Ninguém menos que Walcyr Carrasco, gente!

E claro, sentamos juntos, eu, ele e alguns amigos, para um jantar de seis pratos com vinhos harmonizados que durou mais de três horas e foi supimpa!

Se falamos sobre televisão? É claro, foi o assunto da noite! E o Walcyr me contou coisas do arco da velha. Por exemplo: aquela história de que ele interferiu nos figurinos de “Morde & Assopra” e mandou fazer tudo de novo é a maior mentira! “Eu só dei alguns palpites”, ele falou, “mas jamais faria uma grosseria dessas com a figurinista de quem, aliás, sou amigo!”

Ou seja, Walcyr foi vítima dos fofoqueiros de plantão que, nos bastidores das novelas, fornecem notícias nem sempre verdadeiras aos fifis de plantão. e ganham Deus sabe lá o què com isso.

Mas não é isso que importa, o que importa é que Walcyr está entusismadésimo com a novela, e tem todas as razões pra isso, pois a história – ele me contou todinha! – é supimpa, e eu não tenho dúvidas que vai ser o maior sucesso… Além de funcionar como novo marco na carreira de duas atrizes que eu adoro – Adriana Esteves e minha lindinha preferida, Flávia Alessandra. Sem falar que Cássia Kiss também vai arrasar, assim como Marcos Pasquim, Mateus Solano…

Ou seja, novela de Walcyr é garantia de sucesso… O que e ótimo porque, durante boa parte deste 2011 que está prestes a começar, ele com “Morde & Assopra”,  e eu com “Fina Estampa”, estaremos no ar juntos!

Ah: e o que é que as fotos lá em cima lá em cima e aqui embaixo têm a ver com isso? Nada… A não ser que nelas eu apareço me preparando, aqui na minha suíte do Ritz, pra ir jantar, na noite de Natal, em grande estilo.

 

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HOJE A FESTA É NOSSA!

 

http://www.youtube.com/watch?v=HsvT-GbhZec


Um presente especial me chega da gelada – mais que o habitual – Alemanha, enviado pelo nosso Ministro das Relações Exteriores, Moacir Jardim: este vídeo no qual  eu desejo, a todos vocês, um super, felicíssimo Natal! Infelizmente nem todo mundo aparece aí, pois o Moa teve que trabalhar com o material de que dispõe lá na distante (de nós, mas não do resto do mundo) Colônia. Os novatos surgidos aqui no Portalão, por exemplo, não aparecem… Mas certamente aparecerão no vídeo do próximo Natal, desde que nos mandem suas fotos. A todos, os que estão no vídeo e os que deveriam estar, meus votos sinceros: que tenham um ótimo Natal, e um 2011 daqueles de arrebentar a boca do balão!

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CADÊ O MEU PERU?…

Sou uma pessoa declaradamente esquisita, pois nesta época em que todos temem a solidão, eu adoro ficar só… Desde que num lugar onde haja um computador plugado ao resto do mundo, uma despensa cheia de boas comidas e bebidas, um home theater de última geração e uma estante abarrotada de DVDs e livros. Pessoas são bem vindas no meu refúgio, é claro… Se não trouxerem malas nem ficarem por muito tempo. Não que não goste de gente – gosto, mas tenho sempre tarefas a cumprir das quais ela está excluída… E nas quais, quando alguém tenta me ajudar, sempre me atrapalha.

Sou, e sinto um prazer enorme em sê-lo, um solitário. E é como tal que vou passar este Natal aqui em Lisboa: sozinho, ou melhor, na bela companhia de Annie Lennox, cujo último CD, A Christmas Cornucópia, tenho ouvido dia e noite, pois o Natal não me emociona nem um pouco, mas a música de Natal eu adoro.

Talvez não fique em casa. Pensei em aproveitar a data e, como faço de vez em quando, me refugiar no Ritz, que hoje é uma das jóias da coroa da cadeia de hotéis que atende pelo estranho nome de Four Seasons. Ah, aquela suíte de 135 metros quadrados… Aquele mordomo a deslizar como uma sombra para deixar sobre a mesa de centro todo tipo de mimos… E a visão, lá do sexto andar, do Parque Eduardo VII, em cujas alamedas os michês portugueses, como vampiros saídos das grotas, passeiam a partir da meia-noite seu desespero…

Sim, o Ritz, como o Natal, é uma das provas de que a cultura ocidental deu certo e cabe a nós, se possível com o sacrifício de nossas próprias vidas, preservá-la. Sou radical quanto a isso. Acho que vivemos uma guerra cultural, um retorno à época das Cruzadas, e cada um deve ter plena consciência sobre qual é o seu lado. O cara do wikileaks, por exemplo, quando denuncia as mazelas do Ocidente, mas finge não saber de nada sobre os crimes dos fundamentalistas islâmicos, torna-se quinta-coluna e sim, devem ser rigorosamente punido, nem que seja com o nosso desprezo.

Mas deixemos essa guerra cultural (e não religiosa) de lado, voltemos ao Natal e ao Ritz, pois é da época de boa vontade entre os homens que estamos falando. Já me vejo entregue às mãos daquele massagista e depois, a mergulhar naquela piscina de águas tépidas; a jantar em grande estilo, civilizadamente vestido com paletó, colete e gravata; e a tomar o café da manhã no Varanda, ao som daquela flauta, ou daquele violino.

Sim, no Ritz, mesmo sem levar em conta a data, eu terei um Natal e tanto.

Mas… Levar o notebook, montar a parafernália toda que me permite plugar através dele o resto do mundo, ter paciência bastante pra suportar os brancos do wireless que, nos hotéis, nunca é lá essas coisas… Enfim, me mudar apenas por um dia… Será que vale a pena?

É Natal, bimbalham os sinos das mil e uma igrejas de Lisboa… E eu acho que vou ficar é na minha casa mesmo.

 

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SUZANA PIRES ABRE O JOGO

 

 

Suzana Pires é uma mulher. Dito assim parece estranho, né não? Mas o que eu quero dizer é que, num universo cada vez mais cheio de jovenzinhas, quase ninfetas – o da televisão, ela surgiu para ocupar o lugar da mulher adulta, que sabe o que quer, que tem plena consciência dos seus objetivos, e não foi descoberta ali na passarela da esquina, mas se preparou arduamente para seguir o difícil caminho da vida artística. Sua entrevista – uma das melhores que aqui já publicamos – deixa isso bem claro: ela não entrou no ramo só para aparecer, ou pra brincar. Sim, Susana Pires é uma bela mulher. Leiam e sintam… E esperem pra vê-la em toda a sua plenitude em “Fina Estampa”.

1) Você começou na carreira artística ainda adolescente, aos 15 anos. Quando surgiu a certeza da vocação?

R. Desde criança eu dizia que seria atriz. Mas, entre os sete e os quinze anos me dediquei à prática da ginástica rítmica e aos estudos. Quando fiz 15 anos, falei para os meus pais que estava na hora de “começar a ser atriz”. Conseguimos uma vaga no Tablado e poucos meses depois eu já estava em cartaz e não parei mais. Mas, a certeza da vocação só veio quando eu comecei a produzir as peças que queria atuar. Quando eu me comprometi a transformar um sonho em realidade, aí sim minha vocação foi colocada à prova.

2) Fez escola de teatro, artes cênicas? Qual a sua formação?

R. Comecei a estudar aos 15 anos no Tablado que é um curso de improvisação. Dos 18 aos 22, fui aluna da Camila Amado. Eram aulas particulares onde aprendi técnicas de interpretação, análise de texto, dramaturgia, filosofia, enfim, foi o lugar onde comecei a entender um pouco mais sobre a profissão. Depois, tive a necessidade de expandir meu pensamento e fui fazer faculdade de filosofia onde me dediquei a estudar Filosofia e Teatro. Muita tragédia grega! E foi aí que comecei a escrever também. Fora isso, estudei clown com o Marcio Libar e fiz cursos específicos para desenvolver o instrumental básico do ator: corpo e voz.

3) Suzana Pires é uma artista multifacetada: atua, escreve, produz… Qual dessas atividades a seduz mais?

R. Quem faz todas essas atividades é a atriz. É ela quem manda em tudo! Rsrsrs… Vou explicar melhor: se eu não estou em cena, nada funciona, porque fico desorganizada. Minha cabeça não funciona muito bem e não fico feliz. Estando em cena, tudo fica perfeito e então consigo criar, escrever, produzir… aí também não paro!

4) Como organizar tantas atividades numa vida só?

R. No início, era o Caos! Mas fui conseguindo me organizar dentro da loucura que é meu dia-a-dia. Aprendi a ter foco, concentração e a priorizar. Então, se reservo uma hora para estudar e decorar texto, só faço isso. Não atendo nem telefone. Se estou escrevendo é a mesma coisa. Se estou gravando também. E assim fui ficando mais calma.

5) O que a Suzana Pires costuma fazer quando tem um período de descanso?

R. Eu amo ficar em casa. Posso passar o dia pendurando quadros, assistindo filmes ou seriados, recebendo amigos. Gosto também de ficar quieta, costurando roupas no ateliêzinho que fiz aqui em casa. Eu descanso na minha toca. É onde me recarrego.

6) Como é sua relação com a mídia? O excesso de exposição a incomoda?

R. Nesse pouco tempo em que fiquei uma atriz conhecida tive vários momentos na mídia. Primeiro foi o “quem é ela?”: então eram matérias que focavam minha história, o que eu já tinha feito e como tinha chegado à TV. Em seguida, o foco passou a ser minha vida pessoal. E, há alguns meses o foco da mídia voltou a ser a minha vida profissional. Graças! Em todos esses momentos, inclusive nos ruins, minha relação com a imprensa e a deles comigo, foi bem respeitosa. Mas, te confesso que foram dois anos me acostumando com tudo isso, conhecendo a mídia e me conhecendo em relação a ela, escolhendo como eu iria me colocar diante de toda essa exposição. E hoje, tenho uma postura bem clara com relação a isso: a minha vida profissional é absolutamente pública. Eu trabalho para o público, para tocar o coração das pessoas com a personagem que estiver fazendo. Mas, a minha vida pessoal é pessoal. Tenho feito de tudo para manter a milha vida íntima longe dos holofotes.

7) Você é uma mulher considerada sexy. Acaba sempre por ser escalada para viver mulheres “fatais”. Isso a desagrada?

R. De maneira alguma! Eu adoro isso! Acho que a sensualidade é um atributo muito feminino, que mexe com a nossa capacidade de gerar, de fecundar, de transformar uma possibilidade em algo real. É a capacidade de carregar um certo mistério que o outro quer desvendar. Isso talvez seja o que chamamos de “fatal”. E se esse mistério for… fatal? Rsrsrsrs Vejo a sensualidade com muito humor. É um jogo saudável. E, procuro colocar nas personagens uma pitada disso, em diferentes níveis e maneiras, claro! Mas, acho que uma mulher que tem consciência do poder da presença do seu feminino faz tudo ficar mais instigante.

8) Que tipo de personagem gostaria de interpretar e ainda não o fez?

R. Geralmente, eu não escolho as personagens que interpreto. E não pergunto se é grande ou pequeno. Eu sou seduzida pelo projeto, pelos profissionais envolvidos, pelo que está sendo dito, pela questão que levanta e pela mensagem que passa. Se confio nisso, aí vou com tudo! Me concentro totalmente em contar aquela história da melhor maneira possível. Me entrego totalmente.

9) Você é formada em filosofia; como esse conhecimento a ajuda a escrever e interpretar?

R. Não sei exatamente como ajuda, mas a filosofia me “alargou”, me fez “abrir o horizonte” dentro de mim mesma. Na prática, ter estudado filosofia me trouxe o contato com obras como “A Poética” de Aristóteles, que uso muito para meu trabalho como autora e como atriz, acho que me fez conhecer melhor as origens do teatro, do drama, porque mergulhei no estudo sobre a tragédia grega. Mas, eu tenho pavor de citar frases de filósofos e ficar falando “segundo fulaninho… segundo ciclaninho”. Acho que o conhecimento vai para a célula e não para a mente.

10) Qual o melhor conselho que recebeu ao abraçar a profissão?

R. Foi o conselho de um Mestre, um palhaço com quem tive a honra de estudar: “Suzana, não se leve a sério!” – demorei a entender o que isso significava. E com o tempo, percebi que todas as vezes que “me levei a sério” perdi a confiança em mim. Não consegui “achar uma saída” para algum problema, falei mais do que ouvi e minha “criança interior” me abandonou, me deixando cheia de pudores e neuroses. Então, cuido muito para que isso não aconteça! E, vem acontecendo “uma vez a cada nunca!” rsrsrsrs

11) Quais são seus planos para este 2011 que está quase começando?

R. Até março, estarei focada na Janaína de “Araguaia” e na redação do programa “Os Caras de Pau”, que vai continuar na grade em 2011. Em Abril, gostaria de apresentar minha peça “De Perto, ela não é normal!” em Lisboa. E, a partir de maio, estarei focada numa nova personagem criada por um certo senhor de cabelos-mega-prateados-e-lindos-olhos-cor-de-mel. Um Deuso! Um Mestre da dramaturgia! Conhece? Rsrsrs. Quero fazer juz ao convite que recebi desse senhor incrível e arrebentar numa  “Fina Estampa”!

 

 

MAS QUE MELHORES DO ANO?…

Posted on : 19-12-2010 | By : Administrador | In : Aguinaldo Silva Digital

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QUEM TÁ COMENDO QUEM?…

Jenifer Albuquerque, atriz, roteirista, jornalista e escritora, uma nova e instigante comentarista aqui do portal, dixit: “querido Aguinaldo, queria muito saber sua opinião sobre o plágio criativo”. E citou, embora apenas parcialmente, um artigo de Gabriel Perissé: “como bem sabemos o plágio criativo é uma imitação inteligente de versos, metáforas, idéias… de autores”.

Quem é Gabriel Perissé? Vão lá na mãe dos preguiçosos, a Wikipédia, segundo a qual ele é “um escritor e professor brasileiro”, etc., etc.. Antes de responder à pergunta de Jenifer, citarei, na íntegra, o texto de Perissé ao qual ela aludiu, que é:

“O plágio criativo é uma imitação inteligente de versos e metáforas, de idéias e frases, de resultados e conclusões de outros autores, e, devo esclarecer, esse processo criativo é utilizadíssimo pelos grandes escritores, que são ao mesmo tempo grandes leitores e descobriram o óbvio: nada existe de novo sob o sol… frase que o autor do Eclesiastes deve ter copiado de algum outro escritor. (…) Mário de Andrade „confessou “ter roubado inúmeras idéias de vários autores (…) ao escrever Macunaíma, (…) T.S. Eliot retomava expressões e versos inteiros de outros escritores, (…) e com eles criou uma poesia das mais originais do século XX e de todos os tempos.”

(…) “Podemos, claro, falar que tudo isso é reelaboração, paráfrase, (re)invenção e outros procedimentos do que se convencionou chamar intertextualidade. Mas eu gosto mesmo é da expressão plágio criativo. Expressão que roubei de alguém… cujo nome esqueci. (…) É claro que a idéia do plágio criativo não é novidade, a cultura sempre funcionou desse jeito: lendas, mitologias, religiões, histórias regionais, contos de fadas, piadas, lendas urbanas… Tudo isso foi resultado de combinação e variação contínuas.”

Ou seja, Jenifer quereeeeda, minha opinião sobre o assim chamado “plágio criativo” fecha mais ou menos com a do Perissé. Somos muito menos originais do que pensamos, já que somos o produto de uma cultura que veio autofagindo-se através dos tempos. Somos o que fomos. Os grandes autores são aqueles que se tornaram a tal ponto mestres nesse processo de plagiar criativamente, que sempre pareceram mais originais que os outros.

Claro que há uma diferença fundamental entre “criar em cima de” e “copiar disfarçadamente”, e essa diferença pode ser tão sutil que acaba por gerar choro, ranger de dentes… E processos para os quais, infelizmente, os juízes não são as pessoas mais abalizadas a dar pitacos. Mas o fato é que as histórias são quase sempre as mesmas… E o diabo é que está nos detalhes.

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CADÊ OS NOVOS DRAMATURGOS?

Sim, cadê os novos dramaturgos?

Estão por aí, são muitos, mas infelizmente sem maiores chances de aparecer, como diz nossa comentarista Janaína Ávila no artigo abaixo. Eu, que me preocupo com o surgimento de novos autores e até dou cursos grátis pra ajudar nisso, assino embaixo: se não houver renovação, no caso da televisão estaremos condenados aos remakes, estes que, por mais bem produzidos que sejam, deixam sempre a sensação do “eu já vi isso”; e no teatro não teremos nada além dos besteróis que hoje prevalecem, ou dos textos traduzidos e/ou mal adaptados.

 

O PÚBLICO NÃO É BOBO

Temos ouvido, há algum tempo, que o momento é propício para a nova dramaturgia. Em São Paulo e no Rio, graças às políticas públicas desde o início da década, os grupos teatrais se consolidaram e vêm produzindo cada vez mais. Se dermos um pulinho na Praça Roosevelt, de segunda a segunda teremos de quatro a cinco espetáculos acontecendo diariamente.

No entanto, embora tenhamos uma quantidade de produção crescente, não conseguimos identificar um grande movimento de renovação na dramaturgia. A discussão sobre formação de público, tão frequente no meio teatral, tem deixado de lado um ponto importante: não adianta baratear ingresso, ou realizar  ações de divulgação, se não soubermos contar boas histórias. O público não é bobo.

O que pode ser observado é que com o ressurgimento dos grupos, o trabalho colaborativo e as criações coletivas crescem. A pergunta é se isso acontece por que há pouca dramaturgia de qualidade, ou se é justamente esse movimento que diminui o surgimento de jovens dramaturgos.

Se deixarmos de lado autores como Bosco Brasil (“Novas Diretrizes em Tempos de Paz”), Newton Moreno (“As Centenárias”), Sérgio Roveri (“Abre as Asas sobre Nós”) e outros que já se tornaram referência e não são mais “novos”, nos restarão poucos trabalhos expressivos de jovens dramaturgos.

Em busca de uma renovação temos assistido boas iniciativas, como “Ciclo de Leituras Encenadas de Dramaturgia Contemporânea”, do Club Noir, encabeçado por Roberto Alvim, jovem dramaturgo que vem apresentando ótimos textos; o Centro de Dramaturgia Contemporânea, dirigido por Paula Chagas, na Casa das Rosas; o núcleo de dramaturgia do Sesi; o CPT dramaturgia; entre outros.

Não se pode ignorar o surgimento de ótimos nomes como, por exemplo, Paulo Santoro (“O Canto de Gregório”), Silvia Gomez (“O Céu cinco minutos antes da tempestade”), Rodrigo de Roure (“Gilda”), Rodrigo Nogueira (“Play – Sexo, Mentiras e Videotapes”), Daniela Pereira de Carvalho (“Por uma vida menos ordinária”),Ruy Jobim Netto (“Do Claustro”), só para citar alguns.Contudo, poucos têm sobrevivido e conseguido de fato se firmar na cena contemporânea.

A demanda pela nova dramaturgia ainda é não suprida. O que é um reflexo do pouco valor que tem sido dado ao texto teatral. Prova disto é o corte da alínea de direitos autorais, que até bem pouco atrás os técnicos avaliadores dos projetos para Lei Rouanet praticavam, com a alegação de que o autor era o único que deveria ser remunerado apenas com bilheteria!

Além do descrédito, o autor teatral ainda enfrenta outras barreiras: como ser encenado? Uma tese recente, realizada por André Luis Gomes, mostra que desde 1958 apenas 182 autores conseguiram publicar textos teatrais. Para quem vai produzir teatro, é sempre uma guerra encontrar um bom texto.

Tentando tirar o dramaturgo do isolamento, o site www.dramaturgiacontemporanea.com.br, da jornalista Thereza Dantas em parceria com Paula Chagas, disponibiliza alguns textos para download. Uma ótima idéia, mas mistura textos consagrados à cenas experimentais. É difícil separar o joio do trigo. Mas pelo menos é uma iniciativa.

Precisamos de mais iniciativas como as apontadas aqui, pois só assim haverá uma renovação na dramaturgia e uma consequente renovação no teatro, em busca de um diálogo maior com o público.

Temos esquecido que a matéria prima básica do teatro é o texto. As encenações passam. Acabam. Só o texto é capaz de atravessar o tempo, perpetuando histórias.

Atriz e produtora, formada em letras pela USP, Janaína Ávila (na foto acima by Sérgio Baia) estudou e trabalhou com grandes diretores, como Antunes Filho, Abujanra e Berta Zemel. Seu último trabalho na televisão foi em “Tempos Modernos”. Recentemente atuou e produziu “Blitz”, de Bosco Brasil. Também produziu o evento denominado “Novas Dramaturgias em Debate” no CC São Paulo.

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CUIDADO COM O CISNE PERIGUETE!

http://www.youtube.com/watch?v=rWeEJBCMz58

Em 1977, um filme sobre o mais improvável dos temas, o balé, tornou-se um campeão de bilheteria. Seu nome é The Turning Point, “Momento de Decisão” no Brasil. Tornou-se um clássico, e fonte de inspiração permanente para roteiristas. Um exemplo dentre muitos: a famosa cena da briga entre Anne Brancoft e Shirley MacLeine, por exemplo, foi reproduzida por Gilberto Braga em “Dancin Days”, no confronto final entre Sônia Braga e Joana Fomm.

O filme só chegou a ser produzido por causa da teimosia de Herbert Ross, seu diretor-produtor, um fanático pela arte do balé. Há várias curiosidades em relação a ele. Exemplos:

Audrey Hepburn e Grace Kelly foram convidadas a escolher qualquer uma das duas personagens, mas elas não se interessaram por nenhuma.

Em uma cena do filme Anne Bancroft joga uma bebida no rosto de Shirley Maclaine e esta reage com a mais real de todas as surpresas. E não podia ser de outra forma, já que isso não estava no script.

Juntamente com A Cor Púrpura, “Momento de Decisão” é o filme que concorreu ao maior número de óscares (onze), sem ganhar nenhum.

Eu, que tinha o balé como minha primeira opção na vida artística, não perco um musical, e menos ainda perco um filme sobre a arte da dança, que eu adoro. Por isso já tenho o meu favorito para o Oscar deste ano: é Black Swan, de Daren Aronofsky, com a lindinha Natalie Portman no papel principal.

O Cisne Negro, vocês sabem, é aquela periguete que aparece no segundo ato do “Lago dos Cisnes”, dá uma chave de coxa no príncipe e arrasa. O filme não é sobre o balé de Tchaikovsky, mas sim sobre o mundo altamente competitivo da dança, e já disparou na bolsa de favoritos para o Golden Globe, que é o primeiro passo rumo ao Oscar.

Já tenho por quem torcer.

Vejam o trailer acima, e se percam, aqui embaixo, nas curvas perigosíssimas do cisne negro de Natalie Portman.

 

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Meire Siqueira, critica cricri

Fui convocada para cumprir uma árdua tarefa: comentar os resultados da enquête sobre os melhores do ano na televisão realizada aqui no portal do Aguinaldão (não vou chamá-lo mais de Aguinaldolete Pixonete, já que agora ele é meu patrão…).

A primeira coisa que tenho a dizer é que, nessa enquête, discordo de praticamente todas as escolhas feitas pelos internautas – as minhas seriam bem outras. Mas como o que me cabe não é fazer com que minha opinião prevaleça, mas apenas elucubrar em torno do que já foi decidido…

Comecemos por partes.

Melhor novela: Uma Rosa com Amor, que teve 40% dos votos, seguida de Ribeirão do Tempo, que teve 24%. Um resultado tão viciado quanto as eleições “livres” no Irã. Ficou evidente, pela evolução das votações, que aqui houve quem despejasse votos em massa nas duas novelas só pra tirar a vitória das novelas bem melhores da Rede Globo. Por isso fico com a terceira, Escrito nas Estrelas, que teve 19% dos votos, e ressalto apenas mais um detalhe: Passione foi a menos votada.

Melhor minissérie ou seriado: A Vida Alheia ficou com 40% dos votos, mas Dalva & Herivelto com 34%, não fez feio, e seria a minha escolha, ainda mais pelo excelente trabalho de Adriana Esteves e Fábio Assunção.

Melhor atriz: páreo duro entre duas lindinhas – Nathalia Dill (Escrito nas Estrelas) e Mariana Ximenes (Passione). Qualquer uma delas, e até Cláudia Raia (Ti ti ti), a terceira colocada, merecia.

Melhor ator: deu Murilo Benício (Ti ti ti), com 38% dos votos. Mas Tony Ramos (Passione) 29%, e Humberto Martins (Escrito nas Estrelas) 26% não fizeram feio.

Melhor autor: Maria Adelaide Amaral (Ti ti ti), com 64% dos votos, foi quase uma unanimidade. Esperemos que sua próxima novela seja um original, e não um remake de outro autor – ela fica nos devendo. Em tempo: Marcílio Moraes, autor da “segunda melhor novela”, teve apenas 3% dos votos: não é estranho?

Melhor apresentador: Sílvio Santos, com 60% dos votos, foi outra quase unanimidade. O lindinho Luciano Huck ficou em segundo com 26%.

Melhor apresentadora: Eliana ganhou, mas teve Xuxa a persegui-la de perto durante toda a votação: 42 a 38%.

Melhor programa humorístico: Casseta & Planeta, é claro: 35% dos votos. A Grande Família, com apenas 17%, está a merecer umas férias… Pra que seus atores possam voltar com a idade real, pois não dá mais pra engolir Pedro Cardoso fazendo o garotão.

Melhor programa jornalístico: o Jornal Nacional, e não há mais o que dizer a respeito, já que os outros são apenas cópias.

Melhor jornalista: Marília Grabriela, com 43% dos votos, seguida de William Bonner, com 34%. Escolha justíssima.

Revelação do ano: Jaime Matarazzo (Escrito nas Estrelas), com 34% dos votos, ganhou de Klara Castanho (Viver a Vida), mas por apenas um ponto: ela teve 33%.

O Mico do Ano: outra decisão difícil. Carolina Dieckman (Passione) teve 42% dos votos, e a reprise de Sete Pecados 41%. Na minha opinião Carolina Dieckman está muito acima dessas coisas.

Melhor reality show: o Big Brother Brasil teve 37% dos votos e foi o vencedor.

Finalmente, o Prêmio Especial foi outra quase unanimidade: a reprise de Vale Tudo (novela de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères) no canal Viva mereceu 66% dos votos… E a essa altura já se pode dizer que foi essa novela, reexibida num canal a cabo, a mais comentada deste ano.

O que eu achei dos resultados? A não ser o da melhor novela, um verdadeiro disparate, não vejo neles nenhum problema. Mas sugiro ao dono do portal que, no próximo ano, acabe com esse negócio de votação aberta pela internet, porque democracia demais não está com nada. Além disso o que o povo quer é saber quais seriam as escolhas pessoais do Aguinaldo Silva, e não dos seus seguidores anônimos.

E tenho dito.

AY ALEJANDRO, NO PUEDO MÁS!…

Posted on : 13-12-2010 | By : aguinaldo silva | In : Aguinaldo Silva Digital

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I WILL BE BACK!


Sim, vocês têm razão, eu ando sumido, mas não ficarei assim por muito tempo. Prometo que ainda hoje voltarei aqui pra falar dos resultados, alguns insólitos, da nossa enquête sobre os melhores do ano na tevê. Além disso Meire Siqueira está ultimando um texto crítico sobre o estado atual dos seriados brasileiro que vai dar o que falar, portanto, aguardem. Por enquanto, pra matar as saudades, fiquem com esta minha foto acima (trabalhando, é claro), e com a foto aqui de baixo, de Victor Patrício, o filho mais novo do Moderador, que hoje faz dois anos!

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Bom, primeiro vamos falar desse rapaz aí da foto: ele é ninguém menos que Perez Hilton, a quem a Paris com o mesmo sobrenome odeia, e cujo parentesco com ela, é zeeerou. Perez, assim como Paris, é louco por um holofote… Mas a diferença entre os dois é que ele, em vez de se postar diante deles, prefere acendê-los sobre aqueles que acha dignos de serem iluminados (cruzes, será que eu não compliquei demais esse lead? Socorro Luís Garcia, me empresta o manual de redação de O Globo!).

O que eu queria dizer é que Perez Hilton com essa pinta toda é o responsável por um dos blogs de celebridade mais famosos dos States. Por mais que a foto nos leve a pensar o contrário, Mário Armando Lavandeira Jr. (é o nomezinho dele de verdade, o rapaz é filho de cubanos!) faz jornalismo pra valer, por causa das notícias que dá já esteve prestes a ser preso… E é muitíssimo levado a sério, entre outras coisas por ser uma espécie de guru de Lady Gaga, em cujo, digamos assim, guarda-roupa ele vive a dar pitacos.

Apesar do modo radicalmente descontraído como o seu editor se apresenta, o perezhilton.com não é um blog gay… Embora seja fresquésimo.

Por que frisei esse detalhe? Porque dia desses ouvi de um velho jornalista um comentário pouco edificante sobre a preferência sexual dos freqüentadores do nosso portal… E fiquei cismado. Como não costumo pedir aos nossos comentaristas que façam o teste da farinha (o jornal O Globo, que assino há mais de trinta anos e onde trabalha o tal jornalista, também nunca me pediu tal coisa), nada posso dizer sobre a preferência sexual de cada um -assunto, aliás, que não me interessa.

Mesmo assim, ainda que não com o teste da farinha, mas de um modo mais sutil, resolvi testá-los… Com a enquête na qual pergunto: você quer ver um beijo gay na televisão brasileira?

Pois, disse a mim mesmo, se a maioria esmagadora responder que sim, então o velho jornalista no fim de contas estará certo.

Mas não foi isso que aconteceu quereeeedos, tenho boas novas, somos quase todos discípulos do velho e bom John Wayne, pois, dos 8811 que votaram até agora na enquête, só 27% gostariam de ligar a televisão e ver dois bicudos se beijando.Assim, glória a Deus: estamos salvos! Somos espadas e detestamos esse negócio de agarração entre machos.

Foi isso que fiquei a pensar, diante dos resultados da enquête… Até que liguei pro tal velho jornalista pra lhe falar sobre esses números, mas ele não se deu por achado e comentou:

“E você acha que teus leitores estão sendo sinceros? Isso é puro disfarce!”

Depois dessa não tem jeito: não me resta outra saída senão sair às ruas usando um modelito igual ao de Perez… Que aí na foto deve estar se achando a própria Paris…

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CADÊ A NEVE, CARAÇAS?…

A noite cai, e paira no ar de Lisboa uma estranha névoa, digna de um filme sobre Jack, o Estripador. Olho pela janela e nada vejo além de vultos sinistros a deslizar pela minha rua: seriam fantasmas da época de Dom Henrique? Sinto-me na Londres de Sweeney Todd: uma impressão que não cessa quando amanhece e a névoa continua. Sinto que Miss Depressão está a rondar a minha porta, e por isso decido:

“Vou sair daqui, caraças!”

E pego a primeira limusine rumo à Serra da Estrela, onde pretendo cair de bunda na neve. Viajo três horas, chego lá e – horror! – cadê a neve? São Joaquim, naqueles dois dias do inverno em que lá neva, seria mais pródiga. Meu Deus, fugi da depressão lisboeta e agora vou dormir aqui, num hotel vazio, a dois mil metros de altura, cercado de pedregulhos por todos os lados? É claro que tomarei uma garrafa inteirinha de vinho do Porto, e depois me jogarei do penhasco mais próximo. Por isso, tiro fotos na última poça de neve que resta em toda a serra, caio de bunda como tinha prometido a mim mesmo…

E fujo!

Três horas de viagem, chego de volta a Lisboa ao anoitecer e – my Gosh! – o nevoeiro está pior ainda! Agora ele não só tomou as ruas todas, como invade as casas. Acendo as luzes, mas é inútil – elas não iluminam mais que lampiões a gás da época vitoriana… O que me remete de novo à época mais sinistra de Londres.

E aí eu me pergunto: mas que merda é essa? O que é que está acontecendo com o clima?

Não sei, mas acho que estamos chegando a um novo fim dos tempos.

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1, Ah neném, eu também quero! Alex Reis, na foto acima, é o gato da vez na televisão. Depois de passar por uma bateria de exaustivos testes, foi escolhido pra viver “Leandro”, o personagem de Morde & Assopra que vai disputar com Mateus Solano a robô vivida por Flávia Alessandra! Tudo isso em meio aos dinossauros do Jurassic Park de Walcyr Carrasco. Pra quem anda dizendo que as novelas andam uma mesmice, aguardem, porque dessa vez o nosso querido Walcyrzinho vai ainda mais longe que naquela do macaco pintor.

2, E aquela figura já meio cacarecada continua em busca da eterna fonte da juventude… No elenco teen de suas produções! O vetusto senhor não confia em ninguém de mais de vinte anos.

3, Por falar em fonte da juventude, gente, como o tempo passa depressa! Lembram da ninfeta Deborah Secco de “Confissões de Adolescente”? Em “Insensato Coração” ela já faz uma trintona daquelas turbinadas! Mas continua, como diria o meu prateado patrão a respeito de si próprio, sexy, gostosona e linda.

4, Semana passada publiquei aqui uma foto de Hebe Camargo com uma blusa transparente que lhe mostrava as peitocas. Agora, por dever de ofício, publico outra foto (acima) , na qual ela aparece careca! Mas deixo bem claro: Hebe querida, você é um monumento, não é uma pessoa comum, por isso, quanto a esse tipo de exposição, soy contra.

5, Não são apenas os palmípedes do futebol que casam e depois têm que pagar pedágio às periguetes. As tenistas também. Vejam o caso da Martina Navratilova: separou de Toni Taylor, a primeira companheira, e teve que morrer em 2,3 milhões de euros; separou da segunda, Judy Nelson (ex-Miss Texas!), e dessa vez pagou 2,7 milhões; agora está casada Júlia Lemigova, uma ex-Miss Rússia. Resta saber até quando… E quanto isso vai lhe custar.

6, Por último, um recadinho ao meu querido Rodrigo Faro: depois dessa tua performance como Shakira (na foto acima) acho que agora, em matéria de espanto, só te resta mesmo botar uma fantasia de baiana e dizer que é (na foto abaixo) Dona Ivone Lara!

7, Ah sim, um recadinho: aos que andaram festejando o sumiço da minha colega Meire Siqueira, a crítica cricri aqui do portal, sorry, periferia, mas ela vai voltar em breve com um daqueles textos polêmicos, aguardem.

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ALGUÉM AÍ QUER CONSOLO?…

Você já teve o seu “paroxismo histérico” hoje… Ou não sabe do que se trata? Se não sabe, eu lhe digo: “paroxismo histérico” era como os médicos da era vitoriana chamavam o orgasmo das mulheres, que era considerada uma manifestação “anti-natural” e, como tal, tratável medicamente.E adivinhem qual foi o “remédio” que eles acabaram encontrando para este assim chamado “mal”? Nada menos que o dildo, o vibrador, o vulgarmente conhecido “consolo”! A história da invenção deste “dispositivo”, hoje sabiamente considerado um presente da era vitoriana para as mulheres, será contada num filme apropriadamente chamado “Hysteria” (na foto acima), sob a direção de Tanya Wexler e com um elenco estelar: Jonathan Pryce, Hugo Dancy, Gema Jones, Rupert Everett e Maggye Gyllenhaal (na foto abaixo), a quem caberá o privilégio de viver a personagem que, acidentalmente, testou pela primeira vez a eficácia do “instrumento”.

Não que o vibrador fosse uma novidade absoluta, não… Ele existia desde tempos remotos, como o demonstram certas gravuras rupestres em que senhoras pré-histéricas/quer dizer: históricas, são vistas na intimidade a utilizá-los. E em algumas civilizações teve versões bastante criativas, como aconteceu na Grécia antiga, onde, feitos de madeira ou couro, deviam ser enchidos com água ou leite de cabra e lubrificados com azeite, e eram oferecidos às solteironas ou às mulheres casadas cujos maridos tinham de se ausentar pra fazer a guerra e lá se dedicar àquelas brincadeiras entre homens.

Mas, comuns à história do homem desde os primórdios, os vibradores, bem como outros divertimentos sexuais, foram sumariamente banidos durante a idade média, e só voltaram a surgir na segunda metade do século XIX, e assim mesmo “oficialmente”, como remédio para mulheres, por assim dizer, inquietas. Em pouco tempo tornaram-se tão populares que, pasmem, acabaram sendo o quinto dispositivo doméstico elétrico a ser lançado no comércio, pela norte-americana Hamilton Beach (os outros quatro foram a máquina de costura, o ventilador, a chaleira e a torradeira elétrica): chegaram às lojas à frente dos aspiradores e dos ferros de engomar!

Tânya Wexler, uma cineasta americana lésbica assumida e (as duas estão na foto acima, e Tanya é a da direita) oficialmente casada com sua colaboradora Ammy Zimmerman (detalhe certamente irrelevante para o assunto em pauta), teve a idéia de contar num filme a história desse instrumento, cuja (re) invenção é atribuída ao médico inglês Joseph Mortimer Granville (vivido em “Hysteria” por Hugh Dancy). O roteiro, escrito por Jonas Lisa e Stephen Dyer, com a colaboração de Howard Gensler, explica que o auxílio sexual era visto como uma parte essencial do kit de medicamentos necessários para tratar as mulheres neuróticas.
“Quando ouvi sobre a invenção do vibrador senti que, se nunca tivesse feito outro filme na minha vida, teria que filmar essa história”, disse Tanya Wexler ao jornal The Observer, em Londres, onde o filme está sendo rodado, segundo ela num tom de comédia: “há algo sobre essa década de 1880, e quão rigorosos eram os códigos culturais, que o torna engraçado”. Toda a gente fazia de conta que aquilo era uma coisa médica e não sexual, e fingia que realmente acreditava nisso.”
Desde os tempos de Hipócrates à era Vitoriana, o diagnóstico e o tratamento da “histeria” da mulher “problemática” foi um tema constante na literatura médica. Já a prática da estimulação em busca da cura – às vezes manual, realizada por uma enfermeira ou pelo próprio médico – começou por volta de 1650 nos consultórios, nos quais também se recomendava às mulheres vítimas de ataques de ansiedade que “andassem a cavalo”, ou se exercitassem “vigorosamente” numa cadeira de balanço.

De todo modo, através da história do homem, mesmo quando sumiu de circulação, o “consolo” foi sempre tido como um objeto assim, meio mágico… Até que, no século XX passou a fazer parte do imaginário pornográfico e agora, exposto nas vitrines das sex shops, tornou-se comum.

Eu, por exemplo, conheço uma senhora que tem uma gaveta cheia deles… E não só os exibe aos mais íntimos, como até os trata por nomes, sem esquecer de dizer que o “Durão Barroso”, por ser “curto e grosso”, é o seu favorito…