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Pra quem ainda não sabe: os aguinaltas são pessoas que se conheceram virtualmente aqui no meu portal (ou até antes, no antigo blogão), passaram a se corresponder entre si e se tornaram amigos. De vez em quando um grupo deles promove um encontro pra se conhecer pessoalmente. Os do Rio Grande do Sul, liderados pelo nosso Alexandre Ganso, já fizeram vários. No Rio de Janeiro tivemos um recentemente… E neste sábado aconteceu o primeiro aqui em Lisboa… Um encontro mais internacional ainda, porque a ele compareceu Gabriela Vidal, uma brasileira que mora em Nápoles!
Claro, falou-se muito dos ausentes, e o ausente mais comentado foi… Moacir Jardim! Mas também se falou de tudo – de novela, do Brasil, da situação de Portugal, de outros aguinaltas… Lá estavam, além de Gabriela, Magdalena Salinas, aqui mesmo de Lisboa, que organizou tudo; Susana Rocha, que veio do Porto com o marido Nuno Santos (Nuno ou Bruno Santos? Meu Deus, ninguém conseguiu me tirar essa dúvida!); Paulo Andrade, que é de Aveiro; eu e o Luis Ferreira que, na ausência do Moderador Francisco Patrício, se encarregou das fotos.
O almoço foi no bistrô do Sheraton Hotel, cuja diretora de comidas & bebidas, Ana Maria Lamas, fez questão de nos receber em grande estilo. Eu, que já sou cliente de lá – sempre almoço no bistrô do Sheraton depois de passar por uma sessão de massagem e embelezamento no SPA do hotel – adorei tudo.
E adorei mais ainda as duas horas durante as quais decorreram o almoço e a conversa. De tanto assunto, quase não saíamos mais de lá! Vejam as fotos. Na de cima, pela ordem: eu, Magdalena, Gabriela, Paulo, Nuno (ou Bruno!) e Susana. E aqui embaixo, também pela ordem: Nuno, Susana, Magdalena, eu, Gabriela e Paulo Andrade. No final, ficou decidido: o próximo encontro em Portugal será no Porto! Estarei lá.

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MARIA MACHADÃO ESTÁ VIVA!

Eu sei, não é preciso que me digam, mea culpa: fui infeliz no comentário feito no twitter sobre a futura performance de Ivete Sangalo como Maria Machadão em “Gabriela” (na foto acima). Mas senhores do júri, antes de me condenarem à fogueira, por favor, me ouçam, que eu tenho um atenuante… Morro de ciúmes da Maria Machadão de Eloisa Mafalda (na foto abaixo); e se tivesse de selecionar dez performances inesquecíveis em telenovelas nos últimos 37 anos, esta certamente estaria na lista.

Na época de “Gabriela” eu trabalhava à noite, e assim não via televisão, e menos ainda telenovelas. Mas “Gabriela”, fã de Jorge Amado que era, vi o que pude numa televisão instalada num jirau da redação de O Globo onde então ficava o segundo caderno, e onde reinava outra figura inesquecível da minha vida, o jornalista Carlos Menezes. Todos os dias, às dez da noite, eu anunciava: “vou fazer um lanche!” E corria pro jirau, ligava a televisão baixinho e ficava esperando que aquele desfile de super-atores culminasse com a aparição diária de Mafalda e suas sobrancelhas que pareciam perguntar aos que a viam: “que droga de mundo é esse?”
Mafalda era uma atriz e peras. Tive a honra de trabalhar com ela várias vezes – uma num telefilme chamado “A Vida Começa aos 50” em que ela contracenava com Lima Duarte (era uma história romântica!), outra, em “Pedra Sobre Pedra”, na qual ela fez Gioconda Pontes, uma das minhas vilãs inesquecíveis (pelo menos pra mim)… Sem falar em “Roque Santeiro”, na qual ela viveu outra personagem icônica, a dona Pombinha. Paulo Ubiratan, o maior de todos os diretores de novelas, sempre me dizia: “na dúvida chama Lima Duarte”. O que ele não dizia, mas tenho certeza que pensava, era: “e se ainda restar alguma dúvida chama Eloísa Mafalda”.
Essa grande atriz, que deixou a televisão, mas faz muita falta, fez de Maria Machadão, na minha modestíssima opinião, uma personagem capaz de passar a humanidade inteira com um simples alçar de suas sobrancelhas. Sua performance foi maior que a vida… E por isso, só por isso (mil perdões Ivete!), é que este seu fã ardoroso gostaria que Maria Machadão fosse sempre ela.
Mas como eu mesmo digo aqui, o mundo gira e a carruagem anda. E assim uma nova versão de “Gabriela” daqui a pouco irá ao ar. Pra quem se lembra da primeira, como eu, comparar será inevitável… Mas não será justo. Aquela “Gabriela” foi a melhor possível do seu tempo… E pra televisão, que tempos de ouro eram aqueles, meu Deus!
Mas agora os tempos são outros. Assim, eu venho aqui, muito humildemente, retirar o que disse sobre Ivete, ainda mais depois de constatar, olhando sua foto lá em cima, o quanto ela ficou linda como Maria Machadão… Tão linda que, de todas as mulheres do Bataclan, seria a mais requisitada se “Gabriela” fosse a vida real e não uma novela.
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“O QUE QUE É ISSO, GENTE?”
O documento abaixo, uma carta aberta assinada pelo ator Wagner Moura, já foi muito lido e discutido. Mas, pela sua pertinência, nunca é demais divulgá-lo, por isso peço licença ao ator, e à Globo.Com, que o divulgou originalmente, para republicá-lo aqui, sem maiores comentários, já que ele fala por si só… E diz tudo.

“Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera rindo.
Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui percebendo que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que sacaneiam as pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo “que coisa horrível” (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro.
Mesmo assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do táxi depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a perna, uma coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara, cê tá louco, me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto, tipo assalto, em que reagir é pior.
” O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice ”
O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.
Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade. Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa. Tive pai e mãe. Tinham pais esses paparazzi que mataram a princesa Diana? É jornalismo isso? Aliás, dá para ter respeito por um sujeito que fica escondido atrás de uma árvore para fotografar uma criança no parquinho? Dois deles perseguiram uma amiga atriz, grávida de oito meses, por dois quarteirões. Ela passou mal, e os caras continuaram fotografando. Perseguir uma grávida? Ah, mas tá reclamando de quê? Não é famoso? Então agüenta!
O que que é isso, gente? Du Moscovis e Lázaro (Ramos) também já escreveram sobre o assunto, e eu acho que tem, sim, que haver alguma reação por parte dos que não estão a fim de alimentar essa palhaçada. Existe, sim, gente inteligente que não dá a mínima para as fofocas das revistas e as baixarias dos programas de TV. Existe, sim, gente que tem outros valores, como meus amigos do MHuD (Movimento Humanos Direitos), que estão preocupados é em combater o trabalho escravo, a prostituição infantil, a violência agrária, os grandes latifúndios, o aquecimento global e a corrupção. Fazer algo de útil com essa vida efêmera, sem nunca abrir mão do bom humor. Há, sim, gente que pensa diferente. E exigimos, no mínimo, não sermos melecados.
No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a “cagada” que havia feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos. Será?” — com Isabel Cristina Silva





























































