JACARÉS, COBRAS E SAPOS!

Posted on : 29-06-2012 | By : aguinaldo silva | In : Aguinaldo Silva Digital

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 AGUINALTAS MAIS UMA VEZ!

Mais um encontro de Aguinaltas aconteceu neste sábado, desta vez no Planeta´s, que é uma espécie de La Fiorentina (o carioca) lá em São Paulo. Janaina Ávila, a bendita é o fruto entre os homens na foto, foi quem organizou tudo. Eu, preso aqui em Itaipava – na verdade amarrado ao pé da mesa pra ver se produzo a tal peça de teatro que anda encruada -, não pude ir, mas estava lá em espírito com a turma. Na foto, da esquerda para a direita como é de praxe: Lucas Nobre (o Nobrezito, e eu tinha escrito “Mendes”!), Ângelo Augusto Borges, André Kbeção, Bruno Fracchia, Alex Spínola, a própria Janaina, Davi o inefável Vallerio e Bruno Joel. No próximo pessoal, eu não falto!


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HE WILL BE BACK!

 

Que Tonico Bastos que nada, foi graças a Cro Valério que Marcelo Serrado ganhou todos os prêmios disponíveis na estante nacional este ano, e é por isso que será obrigado a vivê-lo outra vez… Onde? Ainda não posso dizer! Mas os fãs de Crô e do Marcelo ficam avisados que o personagem terá vida longa… E em breve estará aí de novo.

 

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RIDLEY SCOTT É O CARA!

 

 

Já viram  “Prometheus”, o novo filme de Ridley Scott? Se ainda não viram, dêem uma olhada no trailler aí em cima e depois vão correndo pro cinema mais próximo, sem esquecer que ele é num magnífico 3D. Eu sou suspeito pra falar, porque sou macaca de auditório de Sir Ridley, mas uma coisa vos digo: se “Prometheus” não for ao Oscar, será mais uma injustiça contra esse grande diretor, do qual os capas pretas da Academia de Hollywood visivelmente não gostam… Ou teriam dado a ele o Oscar de melhor diretor quando o seu ”Gladiador” ganhou o melhor filme… Sem falar em “Black Hawk Down”, que foi ao Oscar, mas só ganhou dois prêmios técnicos e é outra obra prima desse diretor inglês que eu recomendo.

 

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AFOGADO EM ROTEIROS!

 

Entro com muito cuidado no e-mail do Concurso Nacional de Roteiros e constato com certa apreensão que, embora ainda faltem dois meses para o encerramento das inscrições, já temos mais de duas dezenas de trabalhos entregues. Por que a apreensão? Simples ó Zé Ruela, porque eu serei um dos três juízes do concurso… E temo que aconteça algo parecido com a minha master class (na foto abaixo, eu at work na segunda), na qual 1053 pessoas se inscreveram e eu, pobre de mim, tive que ler 1053 cenas!

 

 

E se chegarem 1053 roteiros? Cada um terá 120 páginas, portanto, façam as contas: 120.360 páginas. Eu e os outros dois juízes, depois de ler todas elas, teremos virado clones ambulantes daquele personagem de “Tia Júlia e o Escrevinhador”, o romance de Mário Vargas Llosa, o qual era capaz de se comunicar apenas através de tramas, que ele criava infindavelmente uma após a outra. Será isso o que o destino me reserva, e pior, eu ainda vou pagar 100 mil do meu próprio bolso pra passar por esse inferno astral?

Não, mil vezes não! Quanto a ler 120.360 páginas, tudo bem, se for esse o meu destino eu o cumprirei página a página, linha a linha, letra a letra. Agora, pagar do meu próprio bolso já é outra história. Vou já correr atrás dos meus contatos e conseguir um patrocinador que pague não apenas o prêmio, mas quem sabe resolva dobrá-lo? Assim, em vez de cem milhas, teremos duzentos para dividir entre os cinco felizes ganhadores e os juízes, que não vão ter o trabalho de ler os roteiros de graça, pois ninguém é de ferro.

O pior é que, como se não bastasse, o Léo Alves produz esse Blogando 6 que publicamos hoje aí embaixo, no qual prega deslavadamente o envio de mais e mais roteiros, além de anunciar o dele próprio e, de bandeja, fazer propaganda do Festival de Cinema de Muqui, cidade da qual nos dá imagens belíssimas num primoroso videoclipe. É claro que, atraídos por esse verdadeiro canto de sereia do Léo, mais e mais roteiristas se inscreverão no meu concurso – ai de mim de novo!

 

 

 “Meu Deus”, diria minha amiga Bernie Pitters lá de Paris, “por que tu sempre arranjas sarna pra te coçar?” E olhem que ela não sabe da missa em latim nem a metade. Não sabe, por exemplo, que na segunda quinzena de julho este Portal vai passar por modificações radicais, que estão sendo cuidadosamente planejadas, e se transformará numa revista, com atualizações diárias, e sessões a cargo (por enquanto) de quatro colaboradores que são: Simone Magalhães, Davi Vallerio, Lara Romero e Virgílio Neto, além de mim é claro, que continuarei aqui a dar os meus pitacos, sempre em atualizações diárias. O que isso significa? Que, a partir da segunda quinzena de julho, cada vez que você entrar no Portal do Aguinaldão encontrará uma novidade. O que pra vocês já é bom vai ficar muito melhor, porque mais informativo, por isso aguardem.

Claro, tudo isso não é apenas diversão, é trabalho. Mas como eu adoro trabalhar, nesse campo tenho outras novidades. Na próxima semana viajo para Lisboa, onde fico apenas o tempo suficiente para renovar o meu documento de identidade. De lá sigo para Miami, onde terei as primeiras reuniões de criação com os roteiristas americanos que estão fazendo a adaptação de Fina Estampa para os States onde a novela estréia em janeiro com exibição coast to coast… Te mete!

Trabalho, trabalho… E diversão de permeio. As duas coisas eu tive ontem à noite, no lançamento do “Guia de Gastronomia, Hospedagem e Lazer”, de Christiane Michelin, que abrange Petrópolis e adjacências, incluindo Itaipava e claro, a nossa Locanda dela Mimosa. O coquetel de lançamento foi aqui em Itaipava, no Restaurante do Barão, ao qual compareceu meia Petrópolis. Na foto acima eu apareço com Paquito, do restaurante Parador Valência, Christiane Michelin (a autora, a autora!) e Alessandro Vieira, o Barão em pessoa, cujas especialidades gastronômicas podiam ser testadas numa fartíssima mesa.  O Barão, que tem na caça uma de suas especialidades, ao me ver chegar anunciou a título de brincadeira: “vais comer um jacaré”. Eu pensei rapidamente nos vários jacarés que tive de comer ao longo da minha vida (além das cobras, lagartos e, principalmente, sapos) e lhe respondi: “obrigado barão, mas hoje eu dispenso”.

Se essa vida de trabalho e diversão me cansa? Mas nem um pouco quereeeedos, tanto não cansa que hoje à noite eu já estarei lá na Locanda, onde foi feita a foto abaixo, na qual o sommelier Antônio Costa mosrtra suas aptidões diante de um sempre atento Fábio Teixeira. Tim tim pra vocês também!

 

SOCORRO REVERENDO DAVIDSON!

Posted on : 22-06-2012 | By : aguinaldo silva | In : Aguinaldo Silva Digital

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BLADE RUNNER: 30 BELOS ANOS!

 

 

“Eu vi coisas nas quais sua gente  jamais acreditaria. (…) Todos esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva”.

 

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Saio de uma chuvosa Itaipava para o Rio de Janeiro e mal chego à cidade não dá outra: cai um temporal daqueles de abalar até os pelos do ânus. Acordo de madrugada com relâmpagos a riscar o ar, trovões a ribombar, água a escorrer em catarata de todas as calhas, e o alarme da minha casa – aturdido com toda aquela barulheira – a anunciar que dentro de quinze segundos vai disparar. Corro a desligá-lo antes que ele o faça e o exército de Israel – que é o melhor do mundo e treinou os monitores da empresa que cuida de minha segurança – cheguem à minha porta; e, atônito, me pergunto que espécie de fuku, de mandinga, de maldição é essa que lançaram sobre mim, e que funciona de tal forma que, onde quer que eu ande, chove, chove e mais ainda chove. Foi assim em Lisboa, no Porto, em Paris, em Itaipava e agora no Rio… E é aí que, às 5h30m da matina, sentado na minha cama de 2×2 metros, que paira no meio da minha suíte de 45m2 como se fosse um navio, faço a alguém que não está presente à pergunta:

E essa chuva que não passa reverendo Davidson?…

E pronto: mergulho de cabeça no túnel do tempo. Essa é a pergunta que Sadie Thompson faz a certa altura ao seu inimigo, o reverendo Alfred Davidson, que, pra esconder o tesão que sente por ela, quer expulsá-la a qualquer preço da ilha de Samoa (que está superlotada de fuzileiros norte-americanos loucos pra transar) sob a acusação de ser prostituta. É esse o plot de Chuva, um dos melhores contos de W. Somerset Maughan (na foto abaixo), escritor inglês, maricona que, até morrer em 1965, ficou sempre com um pé dentro do armário, e grande, imenso escritor que anda meio esquecido, mas deve ser relido com urgência (por favor: começem com Servidão Humana, e aproveitem, depois de ler o livro, pra ver o filme com Bette Davis e Leslie Howard).

 

 

Chuva, uma emblemática e claríssima história sobre a discriminação e o preconceito, foi filmado várias vezes – da última, com Rita Hayworth, é que tirei o clip lá do alto e a foto aí de cima. E virou uma peça de teatro que se transformou num veículo para que uma legião de grandes atrizes se mostrasse em todo o seu esplendor. O filme de Rita, com José Ferrer como o reverendo Dadvidson, é de 1953. Oito anos antes, em 1945, a peça foi montada no Brasil pela atriz que é considerada a maior mulher-viado de quantas por aqui existiram (Cláudia Raia perto dela é fichinha): Dulcina de Moraes (é ela de blusa de bolinhs, at work em Chuva, na foto abaixo).

 

 

O modo como Dulcina a certa altura pronunciava esta frase na peça (“e essa chuva que não passa reverendo Davidson?”) virou um mote entre os gays enrustidos da época, e se perpetuou pelas décadas afora. Lembro-me de, ainda menino e recém-debutado, ouvi-la dos gays “mais idosos”, no começo dos anos 60, nos jardins do Quem-me-Quer, no Recife, como se fosse um mantra destinado a neutralizar algum tipo de aflição:

E essa chuva que não passa reverendo Davidson?

Samuel Kreimer, mais conhecido como Sally Langor, uma espécie de Blanche du Bois judia, e que se apresentava como “a única bicha circuncisada de Pernambuco, a pronunciava como ninguém… E é dela o accent que peço emprestado agora para repeti-la.

Se existe uma frustração na minha vida, é de nunca ter visto a mulher-viado e grande, imensurável atriz Dulcina de Moraes atuar no quer que seja incluindo Chuva. Mas o fuku que faz com que chova onde quer que eu vá (Deus me livre de passar sequer perto da ilha de Samoa!) pelo menos me levou a lembrar de tudo isso: Dulcina de Moraes, Rita Hayworth, Somerset Maughan… E até Samuel Kreimer! Talvez porque, antes de sair de Lisboa (e numa noite chuvosa) eu tenha revisto Servidão Humana (1937), o filme, e constatado mais uma vez o quanto Bette Davis é uma atriz moderna… E sem saber ligado os circuitos todos que, nessa noite de temporal, me proporcionaram essas lembranças… E talvez até exorcizado o fuku e o mandado pra puta que o pariu de onde veio, pois não é que, enquanto eu escrevia a chuva passou?

(Pra encerrar, a título de curiosidade: prestem atenção na foto de Rita dançando com o “marujo” Aldo Ray em Chuva aí embaixo e respondam à pergunta que afligiu todas as bichinhas da época e nunca foi respondida de modo satisfatório: ele estava ou não, digamos assim, excitado?)

GABRIELA SIM, MEUS CAMARADAS!

Posted on : 13-06-2012 | By : aguinaldo silva | In : Aguinaldo Silva Digital

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by LARA ROMERO

(enfim, uma crítica que não é cricrítica)

Não é de meu tempo a primeira versão de GABRIELA com Sônia Braga (atriz não tem idade, né? Crítica loira piauiense muito menos!), entonces vou deixar pros melhores (e piores, risos fifi) esse negócio de comparar alho com bugalho, Sônia com Juliana e Walcyr com  Walter (Georger Durst). Cruz credo! Haja W!

No início era o verbo … e balas pra todo lado. A apresentação do Coronel Ramiro Bastos foi chato-didática, previsível porém suficiente. Well, a escuridão desequilibrada, a maquiagem SUPOSTAMENTE rejuvenescedora (traduzindo, malfeita, mal feita e mau-feita) do Fagundes e, algo que não soube indentificar, destoava do conjunto: bem sei que o êxtase é ofertado a poucos (Irmãos Coragem, A Gata comeu, Vale Tudo, Roque Santeiro, Guerra dos sexos, Tieta, etc) mas esperava, no mínimo, suspiros de aprovação.

Abre parêntesis. Gosto demais do Fagundes como vilão. Antoninho pode quase tudo (ele não é o Tony Ramos, né?) mas na pele do vilão é imbatível. E a maquiagem envelhecedora, risos, foi bemfeita, bem feita e bem-feita, risos que-p*rra-esse-acordo-ortográfico. Fecha parêntesis.

E eis que do serão árido e estorricado brota um sorriso aliviado e o tao almejado suspiro de aprovação.

A cena da apresentação de Gabriela, notadamente a primeira parte, é de encher os olhos: luz que cega, calor que desespera, miséria crua e semi-nua (óbvio, e a macharada agradece), o ótimo enquadramento e a nova mobilidade das camaras, a expressão facial e corporal do Tio Sílvio (fico devendo o nome do ATOR talentosíssimo), a voz do sertanejo acompanhada da contraditória embora verdadeira teimosia dos que nada tem a perder, a esperança. Entrei em VIDAS SECAS do mestre Nelson Perreira dos Santos (assistam), passeei pelo CANGACEIRO (Lima Barreto, assistam também) e visitei DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL (Glauber Rocha, assistam again de novo, of course)..

Se o resto não prestasse, ainda assim sairia no lucro. Felizmente o resto cumpriu o mandamento nº 1 das novelas: provocar no telespectador a vontade de assistir o próximo capítulo.

GABRIELA ETC E TAL

- IVETE SANGALO: Sotaque perfeito. Faz uma Maria Machadão que canta (e com grandes chances de encantar). Atrai zum-zum-zum, disse-me-disse, holofotes e anunciantes. Querem mais o quê, suas cobrinhas vaidosas, sua Photoshop vencido e sua minhoca elefante?

- MARCELO SERRADO: Voz de macho. Queixo de macho. Caminhar de macho. Pose de macho. Macho de 1900 e antigamente. AI PÁRA! O Valcirrrrr (ou o diretor ou o manda-chuva de plantão) correu atrás do talento comprovado em Fine Pedigree – para noooossa alegriiiiia.

- SEU NACIB, ops, HUMBERTO MARTINS: Talento. Homem (mais testoterona, risos). O Charmoso que agrada, o que não é lindo e nem precisa. Escolha perfeita.

- FIGURINOS E CENOGRAFIA: dos pobres, dos ricos, na Caatinga, na cidade etc. PALMAS PRO POVO DA TÉCNICA. Elas e eles merecem.

 

- MÚSICA: Thank god não estragaram o tema de abertura com besteiras pseudo modernas. De resto, vamos esperar a apresentação de todos os personagens e das tramas com seus respectivos fundos musicais. Porém os nomes citados na imprenssa já anunciam good news.

- MEU CHAMEGO, MEU IOIO, MEU IAIA, ADORO: Miss Pirangi (o ator Gero Camilo).

- PROXIMO ÍDOLO DAS MADURAS, DAS BEM DURAS, risos, e DA TIA ODOSINA: O Clemente (Daniel Ribeiro), aquele que “fez mal”, que “descabaçou”  a Gabriela. Tão duvidando? Pois olhem o homem aqui, limpinho da Silva: http://tvg.globo.com/novelas/gabriela/Bastidores/noticia/2012/06/conheca-o-jagunco-que-vai-sacudir-o-coracao-de-gabriela-no-inicio-da-trama.html

- OBS PESSOAL: A linda cena na Caatinga e no sertão nordestinos, que mencionei lá em riba, foi ambientada no “Parque Nacional da Serra das Confusoes”  (na altura do município de Bom Jesus, Sul do Piauí) e no  Parque Nacional Serra da Capivara (sudeste do Estado do Piauí, ocupando áreas dos municípios de São Raimundo Nonato, João Costa, Brejo do Piauí e Coronel José Dias). Conheço essas paragens de cabo a rabo e de cor e salteado. Lindas, intensas e somente para fortes.

- SALVE Laura Cardoso, José Wilker, Ary Fontoura, Mauro Mendonça, Chico Diaz, e  Bete Mendes. AH e SALVE LAURA CARDOSO AGAIN DE NOVO!

REMAKE OU NÃO REMAKE: EIS A QUESTAO

Nem melhor, nem pior – apenas intrometida e saliente. Quem? Minha amiga Myrian, mais paraguaia que a Perla das antigas e que mandou dizer o seguinte:

- “eu assisto novelas brasileiras desde sempre. O remake de TI TI TI foi bom e deu ibope. O remake do ASTRO foi bem bom e deu ibope. O remake de GABRIELA parece que vai ser bom. O remake de GUERRA DOS SEXOS quem sabe pode ser bom. Mas vamo deixar de enrola-enrola e botá esse bando de roteiristas pra trabalhar, né DONA GLOBO?  E quem nao quiser que faça fifin, em minúsculas mesmo! (lembrando que  tem gente boa doida pra entrar na PLIN PLIN e com ideias novinhas em folha)“

 

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MAS NÃO SE MATAM CAVALOS?

 

 Depois de oito temporadas e 177 episódios (eu não perdi nenhum!) House acaba na quinta-feira, às 22 horas, aqui no Brasil, sempre no Universal Channel. O seriado teve altos e baixos, mas seus fãs mais fiéis, aqui e no resto do mundo, garantiram as altíssimas audiências. Nos últimos tempos eu via mais por dever de ofício que por diversão, achava que a personagem já tivera a espinha quebrada pelos roteiristas e não era mais a mesma, mas enfim… O Dr. Gregory House foi um sucesso desde o primeiro instante (estreou aqui no dia 14 de abril de 2005). Mas o título deste último episódio – “Everybody dies”, todo mundo morre) é a prova evidente de que mesmo uma criatura onipotente como o médico pra quem a morte era uma inimiga a ser combatida de todas as formas também encontra o seu amargo fim.

 

 À guisa de consolo, daqui a pouco, às 22 horas, no Warner Channel, estréia a sequela de Dallas, o primeiro seriado de televisão que eu vi quase todo.  É, como eu disse, uma sequela, pelo que eu li a respeito os roteiristas tentaram modernizar, ou atualizar a história, e para isso lhe deram até toques ecológicos desses que serão discutidos inutilmente na tal de Rio + 20. Mas J. R. e Bobby Ewing estarão lá, e o que é melhor, vividos pelos atores originais, Larry Hangman (que na vida real sobreviveu até a um transplante de fígado) e Patrick Duff, embora a velha rixa tipo Caim e Abel entre os dois aconteça agora entre seus filhos. Assim, mais uma vez cruzaremos a porteira do rancho Southfork para bisbilhotar a vida de uma das famílias mais barraqueiras da televisão de todos os tempos. E atenção, quem acha que não vai valer a pena que se acautele. Em sua estréia nos Estados Unidos, na quarta-feira passada, Dallas teve 7 milhões de telespectadores; foi a maior audiência da estréia de uma série de tevê esse ano… E eu já botei pra gravar.

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ÍNDIO QUER (MAIS) APITO!

Eu disse no twitter que não tinha sobrado índios nas aldeias, de tantos que tinham vindo para essa tremenda boca livre que é a Rio + 20, e teve gente que, em resposta, quis até me capar por causa disso. São os que acham que, por conta de tudo o que aconteceu na época da descoberta e da colonização (quando o Brasil sequer existia), temos uma dívida eterna para com os índios e devemos saudá-la escancarando a porta de quantos cofres sejam possíveis em Brasília e distribuindo com eles todo tipo de benesses.

O resultado dessa política de má consciência aí está. Existem 502 mil supostos e presuntivos índios no Brasil. Digo supostos e presuntivos porque índio não é só quem vive em ocas – tem muita gente que batalha em todas as frentes  como cidadãos brasileiros, mas, se a gente for fazer um teste de DNA, no fim de contas também são índios… Embora prefiram ser apenas pessoas em vez de pertencer a alguma tribo.

Mas voltemos: como eu disse, existem 502 mil índios no Brasil segundo o censo… E a essa altura eles já são donos de 13,2% do território nacional, divididos em várias reservas indígenas, às quais os órgãos governamentais encarregados de proteger essa ínfima parte da população brasileira não vê a hora de acrescentar mais e mais territórios. O resultado disso é que hoje em dia já cabem a cada índio 224,5 hectares do território nacional… E eles, deitados em suas redes, agradecem.

Mas não me cabe discordar de políticas governamentais – a mim e a vocês só nos cabe pagar impostos. E não sou eu que vou aqui contestar o direito adquirido de cada índio vivo aos seus 224,5 hectares de terra brasileira – o que eu quero é mostrar que, quando disse que tinha índios demais na Rio + 20, eu estava certo. Por isso, leiam a matéria abaixo, publicada hoje na Folha de São Paulo on line, e vejam que, dito pela boca dos próprios defensores dos índios, eu estava certo:

“Nem porco come isso aqui. Se comer morre”, gritava Uaratã pataxó, mostrando uma marmita de péssima aparência (arroz, feijão preto, macarrão e um pedaço de gordura) que, segundo ele, estava estragada e sendo servida aos índios que participam da Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio+20, no Aterro do Flamengo.

“Quem dá isso aqui não tem amor à vida. O índio é vida”, dizia o pataxó, do alto de um palco. A seu lado, um colega de outra tribo filmava tudo com um smartphone. Na plateia, cerca de uma centena de pessoas, atraídas pelo discurso. Os índios se revezavam ao microfone, afirmando ter passado mal por causa da comida estraga e reclamando por não terem tido atendimento médico.

“Esse é o Brasil sem fome: comemos comida estragada”, disse uma índia.

Os próprios representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), responsável pelos índios presentes na Cúpula dos Povos (e por sua alimentação), reconheceram que cerca de 400 quentinhas estavam estragadas.

“Já estamos resolvendo a situação da comida. Não conhecemos as empresas aqui no Rio. A que contratamos não tinha condições de atender a demanda. Já mudamos de fornecedor, hoje à noite já vai ser servido por outra empresa”, disse Kretã, um índio kaingang, membro da Apib.

Segundo ele, além da falta de estrutura da empresa contratada para servir a comida (que ele não soube nomear), o excesso de índios também prejudicou a organização.

“Houve um acordo entre as organizações indígenas, cada uma traria um certo número de participantes. Seriam 1.100 indígenas, que ficariam no Sambódromo, mas chegaram 1.700. Não tínhamos estrutura”, disse Kretã.

Por fim, o representante da Apib disse que nesse tipo de evento os índios costumam montar um restaurante local, com cozinha coletiva, mas que a Prefeitura do Rio não permitiu tal estrutura no Aterro (cujos jardins são tombados pelo Iphan).

“Amanhã (18) bem cedo vamos à prefeitura para pedir a liberação da cozinha comunitária, para fazermos um restaurante aqui. Não tem como servir direito 1.700 quentinhas por refeição.”

 

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A CENSURA É UMA MERDA

A convite da revista Veja e do Jornal da ABI produzi recentemente os dois textos abaixo, que já foram publicados e, de certa forma, estão interligados. O primeiro, parte de uma reportagem de capa da revista sobre abuso sexual contra crianças, dá minha visão pessoal sobre esse ato de violência nefando que eu mesmo sofri na adolescência; o segundo, por conta da proibição em 1975 de Dez Histórias Imorais, um dos meus livros, aborda a questão da censura nos anos de chumbo da ditadura, mas transcende essa época para chegar aos dias atuais e falar da nova forma de censura, tão odiosa quanto a daqueles tempos, a do politicamente correto.

Tanto a Veja como o Jornal da ABI foram além de onde a vista alcançava na abordagem dos dois temas e assim produziram dois documentos primorosos. No caso do jornal, há na matéria várias preciosidades, entre elas o fac simile parecer do censor que aconselhou a proibição do meu livro, e que eu também publico abaixo. Quem quiser ler a matéria completa no jornal pode acessar este link: http://www.readoz.com/publication/read?i=1049976

 

A MARCA DA PANTERA

“Levei 54 anos para confessar que, após fugir de uma sessão de bullying no colégio – que se transformou num quase linchamento -, ainda fui vítima de abuso sexual por parte daquele que, supostamente, me defendeu e abrigou. Por isso, entendo que milhões de adultos que tenham igualmente sofrido abuso quando crianças não o confessem jamais. Afinal, o predador sexual mais perigoso não é o que está na rua, e sim o que convive com essas crianças e adolescentes, às vezes dentro da própria casa, e que usa todo tipo de artifício para alcançar seus objetivos, incluindo o carinho e a amizade. Uma coisa eu sei: por mais que criemos uma barreira entre nós e a agressão – que inclui oi absoluto silêncio sobre o assunto -, somos suas eternas vítimas, pois ficamos marcados para sempre por ela e a carregamos, como um sinal invisível, uma espécie de marca da pantera, pela vida afora.”

 

UMA ESTRANHA VERGONHA

 

 

“Aqui em Portugal, onde estou neste momento, não tenho condições de dizer em que ano “Dez Histórias Imorais” foi publicado. Talvez no final dos anos 60, ou bem no começo dos anos 70 (N. da R.: a primeira edição é de 1967, uma brochura de tamanho pequeno, com 148 páginas. Houve ainda uma segunda edição em 1969). Era um livro de contos que, sem maiores pretensões, reunia minhas primeiras histórias, escritas ainda na adolescência. O título foi idéia do editor, Hermenegildo Sá Cavalcanti, da Gráfica Record, o mesmo que me informou sobre a proibição do livro.

“Foi proibido por quê?” – eu perguntei na época, e ele não soube responder. Não havia ninguém de plantão para responder aos desmandos praticados pelos censores da ditadura. Nenhum deles explicou até hoje porque fui preso na noite do dia 5 de novembro de 1969, levado para a Ilha das Flores e lá “abandonado” por 70 dias.

“O que senti na época, e o que sinto agora, quando recordo esses episódios? Vergonha. Uma estranha vergonha, que não consigo explicar. Não vergonha de mim, ou de alguma coisa que tenha feito, mas vergonha do que “eles fizeram. A censura é uma violência eu sei, isso deve ser dito mil vezes, mas pra quem a sofre ela é principalmente vexaminosa. “Dez Histórias Imorais” nem era um livro que valesse o esforço dos censores, não tinha nada que justificasse a proibição, além do título, que era só um chamariz para o seu conteúdo.

“Hoje, dizem que os tempos mudaram. Mas eu sinto que uma nova forma de censura se abate sobre nós, e ela é tão abjeta quanto a da ditadura. É a censura do politicamente correto, que aos poucos vai moldando até a linguagem das pessoas, decidindo o que ela podem dizer, para chegar ao estágio final de dizer o que elas podem pensar. O que eu sinto quando sou afetado por esta nova censura? O mesmo que senti nas muitas vezes em que fui atingido pela outra: vergonha. Não de mim, nem do que tenha feito, mas de quem se dá a esse trabalho infame de decidir pelos outros.”

Abaixo, o fac simile do parecer do censor, devidamente assinado e datado, no qual ele decide pela proibição do meu livro de contos.

GOTEIRAS NA TORRE EIFFEL!

Posted on : 05-06-2012 | By : aguinaldo silva | In : Aguinaldo Silva Digital

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Não, eu não posso dizer a vocês que foi um feliz aniversário.Não dá pra ficar arrotando felicidade depois de abrir os jornais e ler sobre casos como o do canadense Luca Rocco Magnotta, que matou e esquartejou o amante e mandou partes do corpo dele pras autoridades do seu país… Ou o da mulher do dono da Ioki, que matou e esquartejou o marido, espalhou seus pedaços por meia São Paulo, e agora diz que o fez pra não perder a guarda da filha (tanto o amante de Luka como o dono da Ioki eram nisseis, mas eu espero que isso seja apenas mais uma dessas coincidências esquisitas que andam acontecendo ultimamente).

Também não dá pra dizer que se é feliz depois de atravessar a Pont des Arts, em Paris, e constatar o crime que perpetraram contra ela. Qual foi? Eu vos conto: de uns dois anos pra cá os freaks, drogaditos e desocupados de toda espécie que a frequentam lançaram uma nova moda: deixar presos às suas grades cadeados nos quais escrevem seus próprios nomes ou frases que só a eles interessa. A moda virou mania, e agora – vejam a foto abaixo, aliás, tirada por um deles a meu pedido – a quantidade de cadeados é tanta que a visão da ponte tornou-se monstruosa e ela perdeu toda a sua harmonia.

 

 

Tirar, com essa idéia de merda, todo o charme da Pont des Arts bastou pra essa gente doentia? Claro que não. Agora que já não há mais espaço nela pra tantos cadeados eles se bandearam pra outras pontes. Já se pode ver cadeados e enfeiar todas elas. Ainda não chegaram até a Alexandre III, a mais bela de todas, mas em breve lá estarão; e eu espero que nesse dia a população de Paris finalmente descubra que até na França a democracia tem limites e os expulse da cidade a chicotadas.

Sim, foi um aniversário atípico. Choveu o tempo todo, a cidade estava cinzenta e sombria (a não ser pelos brasileiros), e eu ouvi o maitre do Jules Verne gritar que preferia estar morto a ter que presenciar o que lá aconteceu enquanto eu almoçava: no auge do temporal que fazia a Torre Eiffel resfolegar e ranger brotaram do teto do restaurante, como se fossem cascatas, duas enormes goteiras! A primeira se abateu sobre uma mesa de russos barulhentos, que encararam o fato de modo pessoal e deixaram isso registrado aos gritos. A segunda jorrou sobre uma mesa de ingleses (vejam na foto o instante em que a moça ergue as mãos para o alto ao perceber o início do desastre).

 

 

 

 

Em torno das duas mesas os comensais reagiam incrédulos. Mas eu, com minha frieza de velho jornalista, fotografei tudo. Baldes foram providenciados na cozinha, e os garçons convocados para aparar com eles a água das goteiras, de modo a amenizar o desastre. Já o maitre (o cidadão de pé, à esquerda, na primeira foto), como o capitão que vê seu barco ir de encontro a um iceberg de modo inexorável, não conseguiu fazer nada além de proclamar aos brados sua vergonha. Quanto a mim, aproveitei a descontração repentina e generalizada pra pedir à minha vizinha da mesa à esquerda (uma norte-americana que falava o tempo todo sobre o torneio de Roland Garros) que me fotografasse enquanto eu me deliciava com a sobremesa acompanhada de um cálice de Sauternes que – milagre! – veio na conta como um presente da casa.

 

 

 

Quando tomei o ultimo gole do expresso que encerrou a refeição, outro milagre: o temporal tinha passado. E ao descer do elevador privativo do restaurante e me ver sob a torre (que, fiz questão de observar, ainda não tem nenhum cadeado) o sol brilhava de novo, e assim a Cidade Luz justificava outra vez o seu nome.

 

 

Agora vamos à pergunta que todos estão fazendo e eu terei que responder: então passei meu aniversário sozinho? Claro que não quereeeedos, durante todo o tempo estava na melhor companhia de todos – eu mesmo… E quem me conhece de verdade sabe que, ao escrever isso, não estou exagerando nem um pouco. Mas chega de falar do meu aniversário. Vamos falar do de Rodrigo Lima, que é hoje, e o de Megg Santos, que foi anteontem e eu não registrei. Beijos, quereeeeeedos.

 

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SEMPRE TEREMOS JENIPABU!

 

Diário darling,

 

Cheguei lindamente à França, como vocês podem ver na foto acima, na qual espero no lobby do hotel que aprontem o meu apartamento – eles ficam prontos cada vez mais tarde, e com isso nos roubam pelo menos meia diária. Mas finalmente me instalei…

 

 

E já estava eu, na minha primeira noite nessa Paris cinzenta e triste da foto aí de cima, a jantar no Le Saint Benoit, um bistrô aqui de Saint Germain de Prés que costumo freqüentar, quando, em meio à entrada – um duo de salmon au deux sauces – sofri um engasgo seriíssimo, pois tive uma verdadeira epifania ao descobrir que o mundo pode até não precisar do Brasil… Mas precisa demais dos brasileiros.

O Le Saint Benoit é um daqueles restaurantezinhos que pululam pelas ruas de Paris como se fossem pulgas. A maioria é péssima e pouco higiênica, alguns dão pro gasto e uns poucos, raríssimos, são verdadeiras jóias. Ele fica na segunda categoria. Era de uma família francesa, mas, desde que lá fui da última vez, passou a pertencer a uma família vietnamita… Que também dir-se-á francesa, bien sur! Lá trabalham, além dos donos – pai, mãe e filha – uma americana, um africano, um árabe… E um único francês com cara de quem está na França desde os tempos de Asterix. A americana, claro, tem os dentes perfeitos. Já os outros…

Sentei no lugar de sempre, na mesa para dois encostada à vidraça que separa o restaurante da rua. Exatamente do outro lado, mas do lado de fora, há outra mesa para quatro pessoas. É lá que, vinte minutos depois, sentam dois casais de brasileiros. Um dos homens me reconhece e quer mudar de lugar, os outros me olham e dizem não… E assim ficamos: eu sozinho e na minha, os brasileiros em quatro e felicíssimos. Em poucos minutos conversam com a americana, que os recomenda ao garçon árabe.  A comunicação entre os quatro e o rapaz é estupenda. Falam numa mistura de português, francês, espanhol, inglês e gestos que lembram a linguagem dos surdos, e em poucos instantes estão íntimos. Nas outras mesas além da minha, sente-se que lá fora ocorreu um fenômeno: apareceu um grupo de pessoas que, ao contrário dos demais, parecem estar vivas e gostar demais disso!

Sim, o Saint Benoit se ilumina com a alegria de viver dos brasileiros. Pedem, pour comencer, foie gras com champanhe. Olham despudoradamente através da vitrine pra ver o que estou comendo. Já estou no prato principal – um filé mignon com molho bernaise, acompanhado de um bordeaux honesto. Uma das senhoras diz para os outros, num tom alto o bastante pra que se ouça até na loja Louis Vuitton do outro lado da rua: “mas que bifão!”

Tento conter o riso… E é nesse instante que me engasgo, pois, do meio de uma luz, me sai um anjo, que bate suas asas e dá a boa nova: este lugar cinzento, triste, mal humorado e ranzinza em que se transformou a Europa não pode mais viver sem os brasileiros! É por isso que eles, com sua alegria, sua extroversão, sua assim chamada “irresponsabilidade”, estão em toda parte… E mesmo que o dr. Guido Mantega leve o dólar aos três reais e destrua nossa economia não deixarão de fazer suas viagens. Foi o que os americanos, os brasileiros de então, fizeram nos anos 20, lembram? E não deixaram de fazê-lo nem mesmo depois que a depressão os tornou pobres.

Sim, no Saint Benoit começo a mudar de opinião sobre os brasileiros: essa descontração, essa alegria, essa extroversão é altamente positiva. Nós somos despudoramente caras de pau e felizes, duas coisas que fazem falta nos outros povos. A Europa, que já era triste, mal humorada, e um tantinho mal cheirosa, agora ficou pior ainda. A melancolia tornou-se uma espécie de craca que ataca não só os monumentos, mas também as pessoas. Segundo as mídias locais tudo está prestes a desabar e só elas – quanta ingenuidade – restarão incólumes, como uma espécie de guardiãs da decência, da moral e dos bons costumes de toda a humanidade em volta.

Voltemos ao Le Saint Benoit e aos brasileiros. Eles comem e me olham, olham e me comem – quer dizer: comem mais foie e tomam mais champanhe. Já estão aqui há mais de uma hora, e não lhes passou ainda pela cabeça pedir o prato principal… Se é que vão conseguir comê-lo depois de se empanturrar de fígado de ganso. Peço a sobremesa e um Sauternes. Uma das senhoras brasileiras pergunta ao marido que vinho é aquele e ele proclama: “um Porto!” Pago a conta, saio, os brasileiros me olham, sorrio pra eles… E caminho por Saint Germain a ouvir por todo lado nosso sotaque, como se entoado por um coro de ópera: va Pensiero! Sim, sofremos de uma doença chamada “alegria de viver” e não seremos curados pela tristeza que acomete a Europa, ao contrário – aqui estamos para dar a ela um pouco dessa nossa “fulgurância”. Converti-me afinal. O mundo precisa dos brasileiros, e eu preciso de caviar e champanhe! Por isso decido que no dia seguinte irei ao Petrossian, onde (alô Marta Suplicy!) os servem com muita eficiência.

 

 

É o que faço. Estou lá, a sorver com a solenidade que o ritual exige, minhas 80 gramas de sevruga, quando uma voz de mulher murmura ao meu lado: “quem diria hem?”. Olho e logo a reconheço: é Márcia Cezimbra, jornalista com quem tive brigas de arrancar os cabelos nos tempos em que ela trabalhava na Folha de São Paulo, e de quem gosto muito. Ao lado dela, um homem de três metros e meio de altura que ela apresenta: “meu marido”. Penso comigo mesmo: well done quereeeda. Charlamos rapidamente, pois Márcia, educada que é, não quer atrasar minha degustação e logo vai embora.

Termino com o caviar do almoço e, antes de visitar a bordeauxthèque, a adega futurista das Galerias Laffayette (vejam as fotos abaixo) decido: jantar no Le Procope. É um restaurante que se orgulha de existir desde 1686, que está sempre lotado no almoço e no jantar e onde – é claro – escuto a palrar, como se fossem Aves do Paraíso, dezenas de brasileiros. Na mesa do meu lado uma senhora inglesa, ao ver uma brasileira gargalhar alto, pergunta: “de onde vieram essas criaturas?” E ele responde: “do México é claro”. O garçon, que chama-se Antônio, é português e ouviu tudo, me pisca o olho.

 

 

 

Claro, depois de tantas libações em menos de 24 horas, saio do Le Procope direto… Pro banheiro, no qual fico pela madrugada a dentro a folhear velhas revistas francesas. Mas essa parte, digamos, mais traumatizante desse meu primeiro dia em Paris eu já contei no meu twitter – @aguinaldaosilva -, por isso vão lá, leiam e se deliciem com o meu tormento.

Fui dormir ás três da matina, depois de perder pelo menos três quilos lá no banheiro (vejam na foto abaixo como saí de lá arrasado), e só após tomar uma decisão importantíssima: nas próximas férias não saio do Brasil, fico mesmo é em algum lugar como Genipabu… Que é mais caro que Paris, mas onde ninguém acha que daqui a dois minutos e meio vai acabar o mundo..

MAS SEMPRE TEREMOS PARIS!

Posted on : 01-06-2012 | By : aguinaldo silva | In : Aguinaldo Silva Digital

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GRANDE IBRAHIM SUED,

OU: GIGI EU CHEGO LÁ!

Viram o vídeo acima? É mais um trecho da entrevista que dei para o projeto Resistir é Preciso, do Instituto Wladimir Herzog, sobre o meu trabalho na imprensa altenativa durante a ditadura. Dessa vez eu falo da minha “estréia” no jornal Opinião, quando escrevi sobre uma das figuras mais controvertidas da imprensa brasileira de todas as épocas, o grande, enorme Ibrahim Sued.  Bons tempos!

 

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Querido diário,

hoje ainda é sexta-feira e só viajo no domingo, mas já me sinto em Paris. Dessa vez não estará lá minha amiga Bernardete Piters, ex-Subiru e ex-Sarkozi – ela mantém aquela versão sempre discutível segundo a qual andou espancando o baixinho. É que em junho ela cumpre sua peregrinação anual ao Muro das Lamentações, em Jerusalém (embora não seja judia Bernie é fanática por Israel e seu povo. E costuma perguntar aos que discordam dela a respeito: “pra quem iriam todos esses Prêmios Nobel se eles não existissem?”). Mas já prometeu que não deixará de mandar um representante ao meu almoço de aniversário. Que tipo de representante? Não tenho a menor idéia. Mas sei que vou me surpreender com ele… E depois lhe conto.

 

Ah, Paris!… Sempre a teremos, como disse Humphrey Bogart a Ingrid Bergman naquele filme. Mal vejo a hora de chegar à Pont des Arts (na foto acima) e, bem no meio dela, imaginar que estou dançando um ponto de Oxum como sempre imagino… Mas não o faço. Afinal, embora Paris já tenha visto de tudo e mais alguma coisa, não seria fácil ficar indiferente diante de um velhote que saca de um leque imaginário e sai a samboricar ao som do toque sensual de atabaques que só ele escuta. Mesmo naquela espécie de QG de freaks e drogaditos que é a velha ponte de madeira, esta minha performance causaria um enorme efeito… Embora menor que o provocado por Bernie no dia em que ela, maravilhada com a lua cheia vista da ponte, recebeu uma pomba gira de frente e se atirou ao Sena, do qual foi resgatada por dois sapeurs pompiers, que a levaram pra Gendarmerie – de onde só saiu depois que seu advogado, Monsieur Sardine, apareceu e pagou a multa.

Pois se banhar no rio Sena é crime… Menos para os patinhos que vivem lá. E jogar um sofá nele, como é hábito da nova classe média nas lagoas da Barra da Tijuca, certamente daria pena de morte.

 

 

É em Paris que sempre descubro, com a mais profunda alegria, que, tal como Tina Turner em 1984, yes!, eu ainda tenho pernas! Pois caminho por aquelas ruas (nas fotos acima) feito um condenado e nunca, jamais em tempo algum sinto cansaço ou tenho cãimbras… A não ser numa vez em que meu acompanhante da ocasião me obrigou a fazer o trottoir com umas botas de cano longo e salto agulha, até que eu tive um ataque em plena Avenue de l´Opéra e me rasguei todinho (ele vai ler esse texto e se lembrar do fato).

Claro, dessa vez minha passagem por Paris será fulgurantemente rápida – apenas cinco noites. Mas já tenho reservas pro Jules Verne e Le Grand Colbert, ingressos pro Theatre des Champs Ellysées, e já mandei lavar e perfumar o quintal da casa onde fico, nada menos que o Cour Carrée do Museu do Louvre, no qual faço meu Pilates diário, sob os olhares de banda dos operários que sempre estão por lá a cavar algum buraco e que, tenho certeza, se perguntam ao me ver dando a maior pinta: “merde, mas de onde saiu isso?”

Ou seja, diário meu, em Paris eu regrido até ficar com meros quinze anos e uma vontade de viver pelo menos mais 3300 (coisa que, aliás, vou fazer, pra desespero de muita gente)… E não há nenhum outro remédio que me proporcione isso.

 

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LARA TALKS!

 

(Enfim, uma crítica que não é cricrítica!)

Não acompanhei com muita assiduidade o programa ESQUENTA da cheia de charme e atual magra REGINA CASÉ. Porém assisti de cabo a rabo ao último programa da temporada e gostei. Diversão sem pretensão ainda que se toque em assuntos como superação da miséria ou das condições adversas através do funk, do samba, do futebol e etc. E meu recadinho pra REGINA minhas-roupas-são-diferenciadas-e-não-tou-nem-ai CASÉ é:

Querida, eu gosto muito de samba, gosto daquele funk mais ingênuo e romântico (Claudinho & Buchecha), torço pelo Flamengo e acho que tudo vale a pena se a alma não é pequena. Porém se a rapaziada tem dificuldades para melhorar de vida no mundo da música popularíssima brasileira e no esporte que move multidões, imagine a dificuldade de um garoto da periferia que nasceu com talento para tocar piano, ou a garota que sonha em dançar ballet clássico, ou aquele outro que escreve escondido poesia porque não “bota comida na boca de ninguém”, né? Aposto que você com sua simpatia e rede infinita de contatos não teria muita dificuldade em encontrar e trazer para o programa esses meninos e meninas que sonham acordados.

 

Antes que me acusem de preconceituosa ou elitista devo dizer que quem acha que ballet clássico, piano, poesia e similares não é coisa praquela gente “falante, musical e divertida”, eu digo que essas pessoas é que são preconceituosas e elitistas. Afinal de contas nada mais diferente de um ser humano do que outro ser humano. Tem milionário bem nascido que não suporta música clássica e eu já vi pobre remediado muito emocionado ao escutar Villa-Lobos num concerto gratuito lá em Campina Grande, a rainha da Borborema.

NÃO DEVEMOS ESQUECER QUE BOA ESCOLA ENSINA PORTUGUËS, MATEMÁTICA …

Como disse lá em riba, o programa da Regininha poderia trazer novidades culturais bem interessantes mas não é responsabilidade dela e nem da TV educar o povo. Pagamos impostos altos e temos educação de menos. A educação começa em casa e continua na ESCOLA. E eu acho cultura o máximo, mas não podemos esquecer que escola boa é escola que ensina português, matemática, ciências, biologia e etc. Mesmo porque milhares podem sonhar com o sucesso através da música, das letras e das artes em geral. Mas poucos são os escolhidos. Poucos são os talentosos. Escola pode ser “agradável e moderna”, mas escola não é para entreter, é para educar e preparar para a vida. É A EDUCAÇAO ESTÚPIDO! (não tou xingando não, risos. E quem acompanhava o blog Silva e o atual portal saberá o que significa essa frase).

 

VAPT-VUPT

(em homenagem ao grande Chico Anysio

- E não é que se confirmou o que escrevi anteriormente? A atriz Titina Medeiros na pele da empreguete Socorro faz parte do The Best de Cheias de Charme. NOTA MIL PRA ELA.!

- A propósito, o bonitão argentino Pablo Belini, que faz o fogoso marido espanhol da minha querida e fantástica Malu Galli, andou dizendo que “tem fetiche por boa mãe e “que fica louco ao ver a mulher de pijama”! A mulherada extasiada agradece e canta “Bésame, bésame mucho, como si fuera esta noche la última vez…

- Pérolas de Filosofia by Tufão de Avenida Brasil: “o marido tem de confiar na mulher. E seja o que Deus quiser!”. Não é que ele tem razão?

- Infelizmente o navio da Record chamado “Máscaras” segue perigosamente em águas turbulentas e sem sinais de recuperação. Uma pena.

- A Band segue investindo na comédia em diversos programas de sua grade. Se por um lado o CQC ainda apresenta bons quadros, por longos momentos também tá chatinho. Felizmente

o “Agora é tarde” do Danilo Gentili só tem melhorado esbanjando simpatia e bom-humor.

- Carrossel chegou e parece que vai alavancar o Ibope do SBT. Vou esperar pelos menos 10 capítulos para dar meu pitaco sobre o assunto.

- Falando nisso, qual seria a próxima novela mexicana que o sem papas na língua Silvio Santos tiraria da sua cartola doida e mágica? Talvez a adaptação da inesquecível A USURPADORA? Quem ficaria bem no papel das gêmeas Paola/Paulina?

- Bom, nao falei nada da Rede TV, né? Well, what can I say? Talvez que através da sua grade de programação aprendi o nome de um monte de igrejas novas, novíssimas e criativas: Igreja Mundial do Poder de Deus, Igreja da Graça Nosso Programa, Igreja Internacional da Graça

de Deus, Igreja da Graça no Seu Lar, Igreja Presbiteriana Verdade e Vida, Igreja Pentecostal, Assembleia de Deus do Brás, Igreja Bola de Neve (???).

 

DONDE ESTA SUSANA?

 

Estou com saudades de ver a Susana Vieira na TV. Já pensasse ela como uma cantora brega que já fez muito sucesso no passado e reaparece para atormentar a Chayene? Ou como a mãe da Carminha? Tem quem goste e tem quem deteste. Porém uma coisa é fato: Susaníssima nunca passa desapercebida nem despercebida.

(Lara Romero)