PEITOS, BUNDA E MUITO CÉREBRO

Posted on : 31-07-2012 | By : aguinaldo silva | In : Aguinaldo Silva Digital

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GORE VIDAL SAI PARA A ETERNIDADE!

 

Enquanto caminho, com certa elegância, rumo à porta sobre a qual está escrito a palavra “saída”… É assim que Gore Vidal inicia “Navegação de Cabotagem”, o seu segundo livro de memórias (o primeiro foi “Palimpsesto”). Foi uma longa e elegantíssima caminhada sem dúvida, mas neste triste dia 31 de agosto de 2012, ele, um dos maiores pensadores deste século na América, finalmente ultrapassou a tal porta: Vidal morreu aos 86 anos, deixando atrás de si uma obra bastante alentada, não só como ficcionista – terreno no qual ele vinha pisando cada vez menos -, mas também como ensaísta sempre polêmico e arrebatador. Com ele se vai o último representante da tríade gay que, durante boa parte do século XX, arrebatou as artes e a literatura americana. Os outros, Tenessee Williams e Truman Capote, viveram bem menos que Gore Vidal, mas como ele também deixaram uma obra imorredoura.

 

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(Betty Boop – acima – e Betty Friedan – à frente, abaixo, numa daquelas passeatas que sempre terminavam com a queima dos sutiãs tamanho 54)

 

Lembram-se daquelas feministas jaburus das décadas de 70/80?  Na qualidade de editor do jornal Lampião tive que conviver com algumas delas à época e posso lhes garantir: não era mole não. Radicais ao extremo, algumas chegavam até a pregar a extinção do macho – as mulheres, donas do aparelho reprodutivo, num futuro de preferência não muito remoto seriam capazes de cumprir a função que cabe a eles e sem a qual ainda não é possível fabricar bebês. “Mulheres gerando seus filhos sozinhas, sem a ajuda de um homem” – eu perguntei a uma delas um dia: “como isso será possível?” Ao que ela me respondeu, como se fosse a dra. Silvana prestes a inventar mais uma arma para destruir o universo: “nós já temos a parte mais importante do processo. O resto é uma questão de adaptação”.

Bom. Trinta anos já se passaram e em nenhum caso de fecundação e gestação foi ainda possível dispensar a participação, direta ou indireta, do macho humano. E quanto às feministas… Elas ainda existem. O problema é que hoje também existe uma coisa chamada Victoria´s Secret e daí… Quem resiste a uma camisola, uma calçolinha, um sutiã daqueles? Novos tempos exigem a revisão de velhas idéias. Por isso, feministas radicais ainda estão aí… Embora eu não saiba mais onde elas andam. E feministas ainda mais radicais são agora o oposto delas… Aquelas que são capazes de escrever coisas como a que se segue:

“O feminismo radical deprecia o encanto feminino. Por que não encorajar as mulheres a aproveitar-se dos homens sempre que puderem?”

Já pensaram se Betty Friedan fosse viva e lesse tal texto? Chamaria aquela que o escreveu de “traidora” e – o maior de todos os insultos – “chauvinista”. Mas quem escreveu isso foi uma especialista em temas como a inserção feminina no mercado de trabalho: a socióloga inglesa Catherine Hakim, 64 anos (tinha 30 em 1978 quando Betty Jaburu Friedan pontificava e suas congêneres queimavam os sutiãs); trata-se de um dos nomes mais importantes do novo feminismo europeu, cujas teses dirigidas às mulheres (que podem ser resumidas na frase: usem seus artifícios femininos para dobrar os homens) estão reunidas no livro Capital Erótico (336 páginas, 50 Reais), que a Editora Best Business acaba de lançar.

 

O livro de Catherine Hakim (na foto acima), originalmente lançado na Inglaterra, anda correndo o mundo (quer dizer: o ocidental, o único em que as mulheres têm realmente voz). E eu não soube de nenhuma mulher que, mesmo discordando de suas teses, tenha ido às ruas protestar e queimar seus artefatos comprados na Victoria´s Secret… O que significa que já não se fazem feministas como antigamente… E assim, democraticamente, opiniões como as de ms Hakim podem ser ouvidas.

Sim, vale a pena ler Capital Erótico, nem que seja para discordar de sua autora. A seguir, algumas pérolas pinçadas dentre as opiniões dela.

  • Atratividade e beleza são fundamentais para a ascensão profissional das mulheres nas sociedades modernas.
  • Acho justo que os mais belos ganhem mais.
  • Quando se fala em sucesso ninguém duvida do mérito dos inteligentes nem questiona a exclusão dos ignorantes. Por que não recompensar também quem se destaca pela aparência, sendo ela natural ou conquistada?
  • Nem todo mundo nasce Elizabeth Taylor. Quem não tirou a sorte grande deve aprimorar o seu poder de atração.
  • Se você não é bonito, por favor, vá à luta. Cultive um belo corpo, aprenda a dançar, desenvolva habilidades. E distribua sorrisos. Como Marilyn Monroe sempre soube, o mundo sorri de volta para quem sabe sorrir.
  • Tornar-se uma dona de casa à toa, em tempo integral, é uma utopia moderna para a maioria das mulheres.
  • Os homens geralmente querem muito mais sexo do que conseguem, em todas as idades. Assim, a capacidade de atração feminina perante os hormônios deles pode ser uma ferramenta valiosa de que as mulheres se beneficiem.
  • Nós mulheres deveríamos explorar qualquer vantagem que temos sobre os homens, sempre que possível. (…) A barriga de aluguel, por exemplo, é um fluxo de receita inexplorado e do qual nós, mulheres, poderíamos nos beneficiar.
  • Muito dos escritos feministas modernos conspiram a favor das perspectivas chauvinistas masculinas ao perpetuar o desprezo pela beleza e pelo sex appeal das mulheres.
  • Tenho ao meu lado as intelectuais francesas e as alemãs. De maneira geral, elas reconhecem e valorizam o capital erótico das mulheres. As anglo-saxãs repudiam esse conceito. Elas rejeitam tudo o que está relacionado ao sexo e ao prazer e têm aversão à beleza.
  • O feminismo radical deprecia o encanto feminino. Por que não estimular a feminilidade em vez de aboli-la?

Que efeitos terá o livro de Catherine Hakim sobre as mulheres brasileiras? Na minha humilde opinião, apenas a confirmação de que elas estão certíssimas. Há muito que nossas fêmeas usam sem o menor problema peitos, bundas e muito cérebro para fazer dos homens seus cachorrinhos… E eles não vêem o menor problema em jogar o jogo delas e dizer: au au! (Aguinaldo Silva)

GANHE O PRESENTE CERTO!

Posted on : 30-07-2012 | By : aguinaldo silva | In : Aguinaldo Silva Digital

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Flores? Tá legal.

Mas aquela “clutch” da Chanel

é o que há, né não?

(by Lara Romero)

 

Quem não gosta de ganhar presentes bom sujeito não é – e mente! Eu adoro presentes. Ganhar é divino e conseguir que o marido acerte na escolha, uma verdadeira “arte” que tentarei destrinchar aqui e agora!

First, prestenção machos do século passado para o ponto principal: É aniversário da mulher, dia das mães ou algo que o valha? Entonces o presente é pra ela, o presente não é para a casa e nem para o casal. Liquidificador, microondas, roupa de cama, panelas (ARGH!!!!) e similares? Never e Jamais! Em último caso podemos fazer um trato: a gente vai vibrar com esses supostos presentes no dia em que vocês, amadinhos, acharem maravilhoso ser corrigido na frente dos amigos. Combinado? AH! E não esqueça do “eu te amo” e daquilo outro, risos.

Segundo, Flores? Sempre bem bem-vindas. São como um aperitivo, são como aquela entrada deliciosa que abre o apetite e Jamais e Never satisfaz completamente, did you get it?

Abre parêntesis. Flores vermelhas ou amarelas combinam demais com aquele perfuminho especial. Flores brancas parece que clamam por uma “clutch” dourada ou vermelha (não sabe quediaboéisso? Pergunta praquele parente gay, ou veja na segunda foto abaixo). Fecha parêntesis.

 

 

Terceiro, Never e Jamais acredite quando uma mulher disser “não precisa se preocupar”, “qualquer coisinha eu vou gostar” ou a pior de todas – “não precisa gastar com presente”. Elas não sabem o que dizem! Vai por mim e escolha outro momento para ser obediente.

Quarto, peça  ajuda às amigas ou aos filhos. Filhos, quando bem treinados (mulherada mãos a obra) e informados são o guia que vai colocar papai no rumo certo. E, last but not least, peça ajuda a principal interessada, que muito provavelmente já terá dado várias dicas do que a faria mais contente do que homem com carro novo.

By the way, aqui eu faço uma sugestão para a mulherada: Você que ser surpreendida? Você quer que o marido sozinho (e by himself) escolha, compre e pontualmente chegue em casa com um presente divino? Well, boa sorte amiga! Milagres acontecem e de ilusões também se vive, né não? Mas quer saber a verdade? Deixa de bestagem mulé! Diga o que você quer, sem indiretas, sem joguinhos ou blábláblá abstrato e metafórico. Diga “eu quero tal coisa”. Não diga “eu queria”, “eu gostaria” ou “talvez”. Não é a hora para condicionais, mostrar-se desinteressada ou superior aos desejos mundanos. E outra coisinha. Homem, marido principalmente, não gosta de complicações, não é “adivinhador” muito menos “médium”. Como cargas d´água ele vai acertar se alguém não mostrar, sem titubeios, “o caminho dourado de Oz”?

Existe tempo para tudo. No namoro esperamos “supresinhas”, “o inesperado” e etc. No casamento também, of course, porém em outras esferas, risos salientes. No casamento, aquele “o que eu faço pra ela dar, ops, pra ela me escolher” já foi e já passou criatura exigente mimada e complicada! Eu, por exemplo, digo o que quero, a cor, o modelo e tudo o que for necessário. Tem funcionado que é uma beleza. Se for o caso (very muito complicado explicar pro marido o modelo e a bolsa exata que você quer), como no ano antepassado, na véspera do meu aniversário, fui ali, comprei e cheguei em casa anunciando: “Querido você é um anjo! Muito obrigada pelo presente antecipado. Amanhã um beijinho, um chocolate ou uma rosa vermelha vai ser mais do que suficiente, visse?”

PS: Of course que ela vai entender caso o momento não seja auspicio$o para presentes. Nesse caso capriche na memória, não esqueça a data, não esqueça do beijo (e do resto também, óbvio) e não esqueça do “eu te amo”. E quando a situação melhorar um bocadinho, volte lá em riba e leia esse texto outra vez e jamais e never pense em continuar low-profile, minimalista ou qualquer marmota do gênero.

CENAS DOS PROXIMOS CAPÍTULOS

Estou com uma dúvida existencial. Não sei qual tema escolho para nossa próxima aventura. “Como preparar, curtir e sobreviver a uma festa de aniversário teen com 50 adolescentes na tua casa”, “O marido espichou o olho pra uma 90-60-90, e agora Maria?” Ou muito pelo contrário?

 

 

 

DE PARIS À AVENIDA BRASIL

Posted on : 27-07-2012 | By : aguinaldo silva | In : Aguinaldo Silva Digital

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PADRÃO GLOBO NA RECORD!

 

Diziam as más línguas, lá pelos idos de 2005, que o sonho de Ana Paula Padrão era apresentar o “Jornal Nacional”. Na época, a jornalista emprestava sua simpatia e credibilidade ao “Jornal da Globo”, do qual era âncora havia cinco anos. Sem grandes chances de ter o sonho realizado (ainda segundo as más línguas), Ana Paula Padrão decidiu mudar de emissora. Até porque não seria mesmo fácil desfazer o casal 20 do jornalismo brasileiro, William Bonner e Fátima Bernardes. Partiu para um projeto novo no SBT. Emissora que, todos sabemos, não costuma dar ao jornalismo a mesma atenção da concorrente.

Ana Paula Padrão tentou na TV de Sílvio Santos imprimir – com o perdão do trocadilho infame – um Padrão Globo de Qualidade. Caiu na armadilha do descaso do ‘patrão’ com a notícia. Desistiu e foi parar na TV Record. Agora, é a principal âncora da emissora dos bispos na Olimpíada de Londres. Carisma e credibilidade ela ainda tem de sobra. O grande problema é que Ana Paula Padrão parece não ter esquecido a TV Globo. Mesmo depois de longos sete anos longe da emissora dos Marinho, a impressão que se tem é que a jornalista saiu de lá apenas “de corpo”, porque “a alma” continua a pairar pelos ares do Jardim Botânico.

Pois vejamos: na abertura dos jogos olímpicos dessa sexta-feira (27/07), Ana Paula Padrão cometeu uma das maiores gafes na TV Record. Com um largo sorriso no rosto, a apresentadora disse: “Você está assistindo ao Jornal da Globo, ao vivo, de dentro do Estádio Olímpico de Londres…” Em seguida, se corrigiu: “…de dentro do Estádio Olímpico de Londres, esse é o Jornal da Record pra você.” O sorriso não lhe saiu do rosto, mas o estrago já estava feito.

Em qualquer outro canal, a escorregada de Ana Paula Padrão soaria como um ato falho natural. Na TV Record, que tem a TV Globo como inimiga número um, não. Para os bispos, a âncora pode ter cometido um pecado mortal. Daqueles imperdoáveis. Anunciar o Jornal da Globo no momento em que a emissora festeja a exclusividade na transmissão dos jogos olímpicos é o mesmo que evocar o demônio em um culto da Igreja Universal do Reino de Deus. Não será surpresa se qualquer dia desses os bispos decidirem levar a jornalista para uma sessão de descarrego no programa “Fala que eu te escuto”. Não seria uma má ideia. Já está mais do que na hora de Ana Paula Padrão exorcizar os fantasmas da TV Globo.  Ou ela não terá paz de espírito. (Virgílio Neto)

 

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A moda Avenida Brasil tem de tudo para todas. A figurinista da novela das 21h, Marie Salles, definiu que o subúrbio seria marcado pelo excesso de acessórios, a Zona Sul teria um toque de glamour, e no lixão todos vestiriam peças de roupas sobrepostas. “Existem pessoas de vários estilos que usam sobreposições, como os grunges. Mas, no caso do lixão, é para se proteger, durante o trabalho”, explica Marie, que começou na Globo, trabalhando com a figurinista Emília Duncan, na minissérie Mad Maria (2005).

E atenção: nada de usar o que não gosta só para se passar por fashion, viu? Chique, segundo Marie, é “cada um se vestir como se sentir bem”. É o caso de Ivana (Letícia Isnard), toda trabalhada no paetê, no dourado, com muitos adereços. Mas isso não fica meio exagerado, principalmente durante o dia? “As pessoas estão cada vez mais autênticas. E há menos restrições. Hoje, mistura-se joia de ouro com a de prata, por exemplo”. Mas se a preferência – ou a disponibilidade financeira – for pelas bijuterias, a tendência são os maxi colares, como os da Noêmia (Camila Morgado), e o mix de pulseiras, usado pela Débora (Nathalia Dill). Por falar na ex-que-sempre-volta para Jorginho (Cauã Reymond), suas saias longas desfilarão firmes e fortes na primavera-verão. Estampadas, florais, lisas, com ou sem pregas. Mas para arrasar mesmo a dica é a longa preta, de renda, transparente, com forro somente até a altura da coxa. ”As rendas continuam com tudo. E também os cintos sobre as camisetas ou camisas, usadas sempre pra dentro da saia”, comenta a figurinista, completando que os pés pedem scarpin preto ou sandálias altas.

Outra escolha maravilhosa de Marie foram as pantalonas preta e vermelha de Verônica (Debora Bloch), sempre acompanhadas por blusas justas, em geral de um ombro só. As calças com boca de sino – modelitos ripongos, não, hein! – também voltaram. Os shorts estão mantidos, mas nada de botas fazendo dobradinha, por favor! Aliás, tudo que é demais… é Suellen (Isis Valverde)! O brinco prateado da periguete é um sucesso tão grande que até os camelôs do Saara e de Madureira ficaram sem estoque e estão aceitando encomendas. A figurinista adverte: use com moderação, apenas um, sempre!  ”Uma amiga trouxe aquele brinco de Nova Iorque para que eu colocasse em uma personagem e acabei desenvolvendo-o para a Suellen, assim como a corrente na cintura, muito usada nos anos 70″, conta Marie. E quem pensa que a maria chuteira algum dia fará a linha comportada, engana-se: ela vai continuar com seus tops, leggings coloridérrimos, que mal deixam a criatura respirar. Mesmo com esse megasuperexcesso, Suellen tem algo que toda mulher admira: suas lingeries. “São sempre de renda, os sutians sem alças - por causa dos vestidos tomara que caia -, e nas cores flúor (como são chamadas agora as cores fluorescentes, sucesso nos anos 80), muito rosa, abóbora, entre outras”, garante a especialista. 

Na hora de dormir, nada melhor do que uma camisola como as da Carminha (Adriana Esteves), lindas, sensuais e macias: “São de (crepe) georgette, com rendas”. E quem gostaria de ter uma genérica? “Pode comprar um tecido macio, como jersey, caprichar nas rendas, no decote e nas transparências”, ensina. Depois de percorrida a passarela da Avenida Brasil, fica a pergunta: O que não pode faltar no verão flúor, de muitas transparências e feminilidade?. “Sentir-se bem na roupa, ter atitude, segurança e porte”. É isso aí, Marie!  (Simone Magalhães)

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TUDO QUE A ANTENA CAPTAR

O MEU CORAÇÃO CAPTURA

  (by Davi Vallerio)

Novela não é Soap Opera nos Estados Unidos gente ? Não é ópera pra vender sabão? E sabão só serve pra que, depois que inventaram o shampoo com extra brilho para cabelos sedosos? Pra lavar roupa, né não? Já que vai vender o sabão, por que não vende a roupa também, ué?  A roupa, o brinco, o batom, a cor do esmalte e tudo que a moça rica da novela esteja usando. Pronto. Foi criada uma mina de ouro pra lançar e vender tendências. Não que o cinema e as revistas não fizeram isso antes. Fizeram ,fazem e era ali que as vovós se inspiravam. Mas gente, cinema tem que pagar o ingresso e revista nem se fale, é caro pra cacete. Ainda mais revista boa, de papel bom, que da pra ver os detalhes das roupas (revista de graça só na sala de espera do dentista, que além de caríssimo,no meu,a revista mais nova que tem é Manchete com a Luiza Brunet grávida). Novela até agora tá sendo de graça.

E olha que a coisa veio junto com o primeiro grande sucesso dos folhetins. Imagina que uma estampa clássica, com florzinhas miudas em fundo liso, que no mundo inteiro se conhece por liberty (por causa da tradicional loja Liberty of London,fundada em 1875, tá meu bem?) aqui mudou o nome para Mamãe Dolores (a fofa só usava a bendita estampa). Era o Direito de Nascer do namoro proibido entre a moda e a novela brasileira!

Logico que o nosso clima quente e a contra-cultura pegando fogo não fizeram as garotas-papo-firme-que-o-Roberto-falou trocarem as minissaias ou as roupas unissex pelos vestidos vitorianos ou as indumentárias árabes dos folhetins de Glória ( não a Peres,a Magadan), mas foi só aparecer os Beto Rockfeller, as Pigmalião 70 (Tônia Cabelo Carreiro…) e as Minhas Doces Namoradas nos cabelos encaracolados das cucas maravilhosas da moçada pra coisa não parar mais.

Marilia Carneiro (alguém ainda não sabe que ela foi a criadora da sandalhinha com lurex? ) lá no comecinho dos anos 70, resolveu simplificar a vida das colegas figurinistas. Deve ter cansado de ficar trancada o dia inteiro confeccionando praticamente tudo que ia pro ar e achou melhor bater perna de cima pra baixo, catando roupa nas lojas pra vestir os atores. Hoje chamamos isso de produção de moda. A coisa ficou mais fácil, mais ágil e mais próxima da realidade. Costurar ficou pras novelas de época.

Nascia aí um verdadeiro Tarcísio e Gloria pro  mercado têxtil e as telenovelas. As confecções brasileiras e as novelas tiveram uma união perfeita, um eterno casamento feliz. (Todo casamento tem sempre suas crisezinhas, um bom exemplo foi  em Agua Viva, em que Betty Faria, num dialogo sem importância, dizia que estava enjoada de um certo lilás .Não é que era o lilás que era justamente a aposta da temporada? Nos outros dias foi tudo que é neguinho das confecções ligando pra Globo, desesperados, reclamando que aquela cor estava encalhando nas lojas. Mesmo com esses percalços, o $olido amor predomina.

Moda não incomoda e ajuda a caracterizar os personagens. Ao contrário de ver nossa novela esfriar vendo a mocinha passar a margarina no pão e elogiar a gordura vegetal como se fosse os lábios (queria ter escrito outra coisa, mas a moral não deixa) do amado, ou a heroína guerreira dar a volta por cima abrindo a conta na agência do banco com o gerente sorridente, ninguém torce o nariz pra ver o que a bonita esta vestindo, que cor de batom ela usa ou como vai ser o cabelo e a tintura de quando ela ficar rica.

 E nem precisa ser a mocinha não. Aquela madame maldita que esconde as cartas que comprovam que os pombinhos não são irmãos tem a bolsa e o esmalte mais pedidos da novela. Chove e-mails perguntando. Protagonistas ricas em geral (independente do caráter) e as jovens e belas são sempre as mais copiadas. Pela sinopse já da pra calcular quem vai ser o foco de tendência da trama. E é ai que o figurinista se esbalda. E é uma via é de mão dupla. De um lado, o figurinista pesquisa nas passarelas e estuda nas ruas as tendências e quando a novela esta no ar, o publico absorve  aquilo que ele se identifica ou o que ele quer ser.  Tem o fenômeno das ruas, a periguete  com o brinco que vai bombar nos camelôs e na mesma novela tem a Debora Bloch com a ultima coleção de Gucci .

Esse fenômeno também é bem especifico das novelas. Duvido outra mídia abranger tanto. Pegando da classe A como a (argh) nova classe C. E todos são felizes. Vai uma revista destinada pras empreguetes fazer pauta com roupa da Gucci pra ver o que acontece com a produtora. Acho que a gerente da loja manda o segurança enterrar a produtora viva. Agora pra novela pode. Logico que pra personagem rica e logico que pra Rede Globo. Logico porque dá retorno e logico por que não queima o filme da marca.

Logico também que a cada novela, como a cada estação esse amor Nicete e Paulo acaba. Tá mais pra casamento da Gretchen: começa, todo mundo fala, num segundo termina e vem outro novo de novo. Imagino que todas as meias de lurex viraram pano de chão assim que começou Pai Herói e ninguém mais chamava estampa floridinha de Mamãe Dolores. Coisas de Laurinha, coisas de novela… Mas a telenovela foi e ainda será por muito tempo a maior e melhor vitrine do Brasil.

Para evitar blablabla de um monte de modinha que já passou pela telinha, segue abaixo a foto-montagem e a legenda com algumas das coqueluches mais marcantes…Divirtam-se!

 1-  O cabelo Pigmalião 70 de Tonia Carreiro; 2- As bijoux de Caminho das Indias; 3-  O brinco da Sandrinha Fragonard (Gloria Pires) de Agua Viva: 4-  A camisa Flamel de Fera Ferida: 5 -  A minissaia Darlene de Celebridade; 6- A pulseira/anel do Clone; 7- O laço da Viuva Porcina em Roque Santeiro; 8-  O olho cajal da Jade do Clone; 9-  O batom Boka Loka de TI TI TI (1985); 10-  A pulseira de moedas de Lucelia Santos em Guerra dos Sexos; 11-  A bandana no pescoço de Vera Fischer em Brilhante; 12-  O cintinho de corrente e a Legging estampada da Suellen de Avenida Brasil; 13-  A meia de lurex com a sandália de tirinhas dos Frenetic Dancin’ Days

MIAMIANDO!

Posted on : 24-07-2012 | By : aguinaldo silva | In : Aguinaldo Silva Digital

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NOVELA, UM ARTIGO SEMPRE NA MODA!

 

Amanhã no portal: Simone Magalhães e Davi Vallerio escrevem sobre os figurinos de “Avenida Brasil” e mostram como as novelas influênciam a moda que se vê nas ruas. E no sábado Lara Romero fala de maridos e filhos e dá as dicas sobre como tê-los… E mantê-los.

 

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FELOMENAL E EM CHARME E OSSO!

 

 

“Giovanni Improtta”, o filme, está em vias de lançamento, e José Wilker, seu protagonista e diretor, já está cuidando da divulgação. Parte desta é a entrevista que ele deu acima ao Canal Brasil, e que eu, o pai da criança – quer dizer, aquele de onde saiu Giovanni Improtta – reproduzo aqui cheio de orgulho e disposto a lamber minha cria. Deliciem-se!

 

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Miami positivamente não é minha praia. Primeiro porque não gosto de praia e aqui ela parece ser imprescindível ao bem estar e à satisfação das pessoas. Segundo porque, além da praia, e de milhares de bares em sua orla, todos absolutamente iguais e servindo a mesma bebida – aquele detestável mojito com todo tipo de fruta exótica e sem gosto – nada mais existe na cidade que, aos seus moradores como aos olhos dos que a visitam, pareça valer a pena… A não ser, para os brasileiros e compristas radicais, alguns super shopping centers que ficam a milhas de nowhere e possuem exatamente as mesmas lojas e os mesmos produtos. Museus, existem dois ou três na cidade, todos em lamentável estado de abandono e pobreza. Atrações, bem… Por mais que o pessoal de Miami se esforce elas estão mesmo é a cerca de 200 quilômetros daqui, lá em Orlando. Nem mesmo no quesito restaurante a cidade se destaca – aqueles anunciados como os melhores dão apenas para o gasto.

Até uma das lendas urbanas sobre a cidade, segundo a qual nela se vê as pessoas mais bonitas do mundo, é logo desmentida pelo trottoir de dezenas, centenas de obesos de todas as idades, que se vê a caminhar em bando por toda parte à procura da loja de sanduiches tamanho família mais próxima. Claro, no entorno de South Beach vê-se pessoas absurdamente bonitas, se não de cara, pelo menos de corpo. E os homens, nesse quesito, chegam a ganhar das mulheres. Ao vê-los a caminhar em seus shorts exíguos, finalmente se descobre para quem Giorgio Armani faz aquelas roupinhas tão apertadas que parecem gritar aflitamente “vem cá meu puto” na vitrine: é pra eles, para os miamianos ou miamienses – não sei como chama-los, mas poderia chama-los sim de replicantes de seres humanos, de tão perfeitos fisicamente. De alguns até suspeito que tenham retirado as duas últimas costelas para ficar com aquelas cinturas que, de tão finas, dariam inveja ate em Thalia, a cantante mexicana que, dizem, as tirou há alguns anos!

Mas, repito, essas criaturas de físico perfeito são a minoria absoluta. O que mais se vê em Miami é excesso de gordura… E não é para menos. Às voltas com a edição da entrevista de Simone Magalhães e Francisco Patrício com Eloisa Mafalda, decidi tomar café no quarto e fiz minha encomenda: dois ovos mexidos, torradas, suco de laranja, café e leite “para uma pessoa”. Foi o que me trouxeram na hora certíssima. Mas, quando destampei a bandeja, levei um susto. Os ovos eram pelo menos oito. A eles foram acrescentados umas quatrocentas gramas de bacon crocante e um prato de batata rousti com uma cobertura de cebolas grelhadas e queijo. O suco de laranja não veio num copo, mas num pote. E o café – ou a água suja que assim chamam por aqui – daria pelo menos oito xícaras, das grandes. Só de olhar aquela comida toda perdi o apetite na hora, e pensei: em Darfur isso daria para matar a fome de pelo menos quatro protegidos de George Clooney!

Agora, me pergunta se alguma coisa nesse breakfast tinha gosto: nenhum! Belisquei aqui e ali… E era a mesma coisa que fazer uma refeição composta de papelão e plástico! Pra não dizer que não comi bem, fi-lo no Yuca, um restaurante cubano que fica na Lincoln Road e serve há anos a melhor comida cubana revisitada. E saí mais feliz ainda de um jantar no Preston, que fica na Avenida Collins e é muito conceituado. O mais foi do mesmo – o bife de chorizo que não dispenso no Los Ranchos, uma churrascaria que fica no Bayside Market Place e que, além da carne dos deuses, tem a virtude de ser o local onde todos os dias grupos de cubanos mafiosos se reúnem para comer, fazer negócios não necessariamente insuspeitos e claro, conspirar contra Fidel Castro.

 

 

 

Não, Miami não é minha praia… Mas sem dúvida o é de todos os demais latino-americanos. E essa é a grande virtude desta cidade que não para de crescer sempre ao som da salsa, da cumbia e do diabo a quatro – ela é a mais próspera da América Latina, aquela que, à exceção de São Paulo, mais produz e ganha dinheiro… Com a vantagem de ser um enclave em solo norte-americano. Aqui se fala espanhol por toda parte, e por toda a parte são os latinos os seus trabalhadores – os americanos quando vêm pra cá é porque já estão aposentados. Os hispânicos de Miami sabem que, mais do que os cidadãos locais, foram eles que fizeram esta cidade, e pelo menos isso os americanos têm que agradecer a titio Fidel, que expulsou hordas e hordas de cidadãos produtivos de sua ilha pra que ela pudesse ficar no maior miserê até hoje.

 

 

Essa foi a oitava vez que vim a Miami. Nas outras estava sempre a caminho da Disneylandia, dessa vez – até tu, Brutus! – vim a trabalho… E este foi intenso. Mas, uma vez concluído o que vim fazer, ainda me restaram quatro dias nos quais zanzei pela cidade feito um zumbi. Fiz até um passeio de barco durante o qual espionamos de longe as mansões acachapantes de Fisher Island, mais conhecida como a “ilha dos famosos”, na qual a casinha mais modesta, segundo o guia que nos levou ao passeio, ainda pertence a Txu-txa - sim, ela mesma, a nossa querida dos baixinhos que há muito tempo ficaram altinhos e estão prestes a se tornar velhinhos; e a mais suntuosa, tem até um jardim botânico particular, é do cara que inventou e patenteou o Viagra, e a quem vocês não param de dar dinheiro.

 

 

Zanzei, zanzei e zanzei… Mas nunca cheguei a encontrar a minha praia, que certamente fica longe da tão adorada SoBe dos miamianos. Por isso arrumei a mala, peguei o avião da TAM e voltei pra Barra da Tijuca, que um dia foi vendida aos seus futuros moradores como a nova Miami… Mas nunca chegou nem perto disso.

Ai de mim.

(Mas – atenção! – existe um lugar fascinante em SoBe, no qual não deixo de ir cada vez que vou a Miami por causa do seu ar de divine decadence que, mesmo com o passar dos anos, jamais caiu dos saltos: é o Delano Hotel do qual vou não apenas falar amanhã, mas postar muitas fotos: aguardem!)

 

 

O BRILHO ETERNO DA ESTRELA

Posted on : 20-07-2012 | By : aguinaldo silva | In : Aguinaldo Silva Digital

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(A brilhante entrevista abaixo, feita por Simone Magalhães (texto) e Francisco Patrício (fotos) ia inaugurar a nova fase do nosso portal, em que vários colaboradores se revezam a cada dia, cada um escrevendo sobre um assunto diferente. Mas como nossa malha de espionagem nos informou que uma revista também pretendia fazê-la e assim nos furar, decidimos publicá-la já agora. E vale a pena porque assim garantimos que é aqui, no nosso portal, que Eloisa Mafalda conta tudo em primeira mão. Leiam e constatem)

 

 

Se eu falar em Mafalda Teotto, dificilmente ligarão o nome à pessoa. Mas quem não conhece e adora o trabalho de Eloisa Mafalda? “Eloisa com ‘E’ porque achei que daria sorte!”, explicou, numa conversa informal, em sua casa, na serra de Petrópolis, RJ. E não é que deu sorte, mesmo? Uma das precursoras da TV no Brasil – tem até diploma comprovando isso -, com 36 novelas, seis filmes, uma peça de teatro e muitas, muitas gargalhadas, em mais de meio século de carreira. A caminho dos 88 anos (faz em setembro), essa paulista de Jundiaí convive com o Mal de Alzheimer. Mas, guerreira que é, não se abate: lança seu twin set azul, cordão de contas, brincos dourados, e fala de sua vida, que, segundo a amiga Janete Clair, falecida em 1983, daria uma novela. Mesmo tendo deixado a carreira e feito um cirurgia no fêmur, Eloisa Mafalda, que mora com a filha, Mirian, de 53 anos, está sempre arranjando o que fazer. Cuida dos cachorros, do jardim, sobe e desce escadas, e adora um bom papo. Mas conta com o apoio de Mirian. Quando as lembranças sobre algum assunto escapam é a filha quem dá o pontapé inicial na história, corrige um ou outro lapso de memória. Mas é Mafalda, com olhos vívidos, quem dá a última palavra. Determinada, no velho estilo Maria Machadão de ser. Aliás, o pouco que viu do remake de ‘Gabriela’ – ela dorme cedo -, foi suficiente para garantir sobre Ivete Sangalo: “Pra mim, ela não é Maria Machadão. Nem ali é o cabaré (Bataclã). Pra mim, não tem nada igual”.

Você fez seis filmes. O primeiro, Somos Dois (1950), de Milton Rodrigues, com diálogos do irmão, Nelson Rodrigues. Até chegar a 1998, quando contracenou com Ivete Sangalo, a atual Maria Machadão, de ‘Gabriela’, no longa ‘Simão, o Fantasma Trapalhão’.

É verdade… É ela quem está fazendo a Maria Machadão, agora, né?

É.

Mas bem diferente. Não lembra a outra. Pra mim, ela não é Maria Machadão. Nem ali é o cabaré (Bataclã). Pra mim, não tem nada de igual.  Ah… Eu adorei fazer a Machadão!

De onde vc tirou aquela macheza da personagem?

(Risos) Maria Machadão foi uma das poucas coisas que gostei de fazer na TV. A postura, o olhar, as sobrancelhas raspadas. Uma personagem de composição. As outras quase sempre tinham algo de mim. A Machadão, não. Era maravilhosa.

Você tem ciúmes de alguma personagem que já fez?

Não… Quer dizer… Só tenho ciúme da Nenê, de ‘A Grande Família’. Eu nem vejo o programa. A época do seriado foi maravilhosa. Os cacos que o (Jorge) Dória colocava eram muito engraçados! O Osmar Prado ia lá em casa, e eu me apeguei muito ao Luiz Armando Queiroz. Adorava ‘A Grande Família’, pelo lado humorístico. É claro que a Nenê era uma dona de casa, tinha os seus problemas, e essa parte eu fazia séria, mas sempre tentava levar para o humor, que era o que mais gostava de fazer.

 

Você fez várias beatas na TV.

Não gostava muito, mas como precisava trabalhar, ganhar dinheiro…

O Canal Viva vai reprisar o seriado ‘Delegacia de Mulheres’ (1990), no qual você fazia a delegada Celeste. Gostava dela?

Foi bem diferente do que normalmente eu fazia artisticamente. Foi interessante.

E a Gioconda, de ‘Pedra Sobre Pedra’ (1992), que matou o Jorge Tadeu (Fábio Jr.)?

Essa foi aquela novela que as mulheres queriam comer as folhas da árvore?

 Isso. E você era mãe da Úrsula, personagem da Andrea Beltrão…

Ah, gostei! E adoro Andréa Beltrão. Ela também estava comigo agora no reprise de ‘Mulheres de Areia’. É muito talentosa! E trabalhar com o Fábio Jr. foi ótimo.

Você fez 36 novelas, seriados, era amiga de todo mundo, mas não gostava de badalação, de sair à noite.

Eu ia para o trabalho, conversava, passava o texto com os colegas, gravava e ia para casa. Sempre fui muito careta. Nunca fumei, bebi, usei drogas, nada. Queria voltar logo para ficar com meus filhos.

Você casou-se com Miguel Teixeira, aos 35 anos, teve dois filhos, Mirian, 53 anos, e Marcos, 51, e separou-se após dois anos de união. Nunca mais se envolveu com ninguém?

Fui abandonada pelo marido e obrigada a ser sozinha, ser mãe e pai. Mas meu temperamento é corajoso. Meus filhos me chamavam de general (risos). Não me envolvi com mais ninguém, queria me dedicar a eles.

 

 

Você sempre foi determinada? Desde o começo da sua carreira?

Nunca imaginei ser atriz. Meu irmão, Oliveira Neto, era locutor da Rádio Difusora, em São Paulo.  E arranjou pra eu tr abalhar no escritório. Eu sabia datilografia, batia os papéis com os textos dos comerciais e levava para o estúdio. Ia cantando pelo corredor, sempre animada, e, às vezes, ficava um pouco por lá, conversando com o locutor. Até que um dia faltou alguém na radionovela e disseram: ‘Mafalda, faz aqui!’. Era ao vivo! E eu fui. Todo mundo adorou. As radionovelas estavam no auge na Rádio Nacional. Foi assim que tudo começou.

Nem pensava em atuar?

Queria ser campeã de natação. Em Jundiaí, no Colégio das Freiras Vicentinas, onde eu estudava, participava sempre das festinhas, era desinibida, gostava de aparecer (risos). Só que meus pais se separaram. Não foi aquela separação de briga, discussão… Um dia meu

pai sumiu. Ele era socialista, de vez em quando tinha que sumir para não ser preso. Mas, dessa vez, foi diferente. Ele nunca mais voltou. Eu e meu irmão, já locutor, nos mudamos para São Paulo em uma semana! Precisávamos ganhar dinheiro.

Não ficou com medo de atuar, ao vivo, no rádio?

Eu era metida pra burro! E deu tudo certo. Foi uma festa no estúdio. Teve um dia que fui fazer a mocinha da novela e houve a maior gafe. Um ator tinha que dizer: ‘Fulana, segura meu pai!’. Ele se confundiu e falou: ‘Fulana, segura meu pau!’. Imagina, no estúdio, ao vivo, não podia fazer nem um barulhinho. Soltei uma gargalhada… (risos). Foi assim que virei radioatriz, depois teleatriz.

E fazer novelas, sendo autodidata, foi difícil?

Não. Eu era craque em decorar texto! Tinha ótima memória. E Janete Clair me amava. Ela conhecia minha família.

No teatro, você só fez uma peça, O Ministro e a Vedete (1974), com Ary Fontoura. Por quê?

Acabava de gravar a novela, na Globo, no Jardim Botânico, saía correndo para o teatro, em Copacabana, me vestia para a peça no táxi. Era muita correria. E eu sempre dormi cedo. Não dava pra mim. Mas adorava contracenar com o Ary: foi amor à primeira vista! Teve uma história muito engraçada nessa peça. Cheguei correndo da gravação, como sempre, terminando de me aprontar, entrei rapidamente em cena. Enquanto o Ary estava num sofá, na frente do palco, fingindo que lia o jornal, eu tinha que ir até a gaiola de um papagaio cenográfico dar minha fala. Só que quando cheguei lá, só estava a cabeça do bicho pendurada, e o resto do corpo caído. Eu não podia pegá-lo. Fiquei nervosa. Fui até o Ary, dei um ataque, comecei a sacudi-lo: ‘Me ajuda! O que é que é que eu faço? Você não vem ajudar, não?’. E ele rindo, atrás do jornal. Comecei a rir também. Rimos tanto que baixaram o pano. Mas depois a peça voltou (risos). Imagina, né?

Antes você fez Bandeira 2 (1971) com o Ary. Ele foi seu melhor par?

Foi. Eu amava o Ary. E o Ary, a mim! Ele é tão carinhoso, cuidadoso comigo. Se ele quisesse, eu me casava com ele (risos). Até hoje, a gente bate um papinho por telefone.

A propósito, vocês tinham umas cenas bem ousadas para época… O Ary fazia um comandante muito sério, que pedia à sua personagem, esposa dele, para vestir umas fantasias sensuais…

Ih, tem a história do camburão!(risos). Uma vez, na cena, ele combinou de me encontrar numa praça, vestida de prostituta. Ia passar de carro e fingir que era um cliente. Só que o camburão da polícia pegava a gente. Deu tudo certo na gravação, ficamos lá na parte de trás do camburão, espremidos, testa com testa. E o tempo passando… E eu com medo de lugar de fechado. Até que, depois de um tempão, o Ary disse: ‘Mafalda, esqueceram de nós, aqui!’. E começamos a bater na porta e gritar. Aí, o pessoal, que já estava gravando outra cena, lembrou-se de nós e fomos ‘soltos”!(risos).

 

 

São tantas histórias… Não sente falta de trabalhar?

Não, nem um pouco.

Por que deixou a televisão?

(Para a filha) Mirian, quando foi que eu deixei de ser Eloisa Mafalda?

Mirian – Em 2002, quando você estava fazendo ‘O Beijo do Vampiro’ e não conseguia memorizar o texto. Achava que estava atrapalhando os colegas.

Mafalda – Isso! Não me divertia mais, ficava tensa e estava atrasando os atores que tinham teatro depois da gravação. Foi melhor assim.

 E o que você faz hoje?

Cuido dos cachorros (quatro vira-latas) e das plantas. Tudo isso veio do meu trabalho (aponta para o sítio), me dá muito orgulho. Quando vim morar aqui, há cinco anos, um dos cachorros pulou em cima de mim e caí no chão. Ele veio me dar boas vindas e acordei no hospital (risos). Quebrei o fêmur! Dói ainda, mas o pior já passou.

Você tem medo de alguma coisa? Da morte, por exemplo?

Não… Sou curiosa em relação à morte. Não quero é ficar aquela velha surda, ranzinza, dependente dos outros. Quero continuar dando minhas gargalhadas!(risos)

 O que lhe dá tanta força? É religiosa?

A vida toda fui espírita. Agradeço sempre a Deus, e só peço saúde para minha família. Ele me ajudou muito, a deixar de ser orgulhosa, a tirar a raiva do meu coração… Depois de 30 anos sem ver meu pai, fui procurá-lo. Ele vendia bilhete de loteria em uma rua em São Paulo, e já tinha uma nova família, com filhos adolescentes. Consegui levar minha mãe para conhecê-los. Depois de alguns anos de separação, reencontrei meu ex-marido, que também tinha outra família. Conversamos, e ele passou a vir em casa. Veja você… Meu pai e meu marido me abandonaram, superei e tive a chance de ajudar os dois financeiramente. Hoje, estão enterrados no meu jazigo, em Jundiaí. Como dizia Janete Clair, minha vida daria uma novela.

 

 

NA SAÍDA

Antes de o fotógrafo Francisco Patrício e eu irmos embora, uma deliciosa torta de nozes com fios de ovos e refrigerantes esperavam por nós, na sala de jantar. Mafalda e Mirian, que nos acompanharam nas calorias a mais, rememoraram antigas férias na Europa e nos EUA. Enquanto a filha contava as peripécias da dupla em Nova York, a mãe dava suas gostosas gargalhadas. Na hora de sair, a eterna Maria Machadão me perguntou:

–                  Já vão? Mas vocês voltam, não?

–                  Em 2014, para sua festa de 90 anos. Já me convidei – brinquei.

–                  Eu vou esperar, hein! – retrucou, ela.

 Eu também, Mafalda. Eu também.