O FOFOQUEIRO E SUA ARTE

» Públicado por em jun 10, 2014 | 21 comentários

Intenso. É a primeira palavra que associo a Paulo Betti, 61 anos, três filhos, casado atualmente com a designer de joias Mana Bernardes, de 33, e futuro colunista venenoso da próxima novela das 21h,  Império. Gestos largos, um senta-levanta constante, vários elogios eloquentes ao pôr do sol na varanda onde foi realizada a entrevista, ansiedade, olho no relógio, tudo isso mais a personalidade forte e as convicções políticas traçam um pouco do perfil do ator.

Acreditando, na vida real, que “todo jornalismo tem um quê de fofoca” e que a “ética é circunstancial”, Paulo Betti interpretará Teo Pereira, um blogueiro que posta fofocas cabeludérrimas, gay solitário e chegado a um (um é discrição é minha, que não sou fofoqueira nem nada) whiskyzinho, em sua casa-redação. Além disso, contando com a assistente Érika (Letícia Birkheuer), Teo travará uma batalha contra um ex-amigo de infância, Claudio (José Mayer), para que ele assuma sua homossexualidade.

 Ao ASDigital, o ator fala do quanto a  fofoca é interessante, do tom de humor que pretende dar ao personagem, da relação com as ex-esposas, dos filhos, da infância muito pobre no interior de São Paulo, da Copa e de seu voto nas eleições presidenciais, este ano. Tudo ao mesmo tempo agora!

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entrevista: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

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Você acha que o Teo é uma crítica ao colunismo de fofocas de celebridade ou só uma constatação de que, cada vez mais, essa vertente está se tornando o que o povo realmente quer?

A fofoca tem uma função. Existe até um livro do Roberto Freire falando sobre a fofoca. Há uma coisa muito interessante, ela aproxima as pessoas, que gostam mais de fofoca do que de notícia. Tenho um amigo que diz: ‘Sempre que sai alguma coisa nesse cadernos de fofoca, e são notícias que deixam a gente fulo da vida, geralmente são verdadeiras’. As pessoas querem saber quem está comendo quem, quem está traindo quem, a intimidade dos outros. É óbvio que é desagradável para quem é alvo, mas para os interessados é um prato cheio. Você acha que as pessoas se reúnem e conversam prazerosamente sobre política e filosofia? Não, elas fazem fofoca!(risos)

Falam sobre novelas, sobre BBBs…

Falar de novela e de BBB é um estágio. O que elas querem falar mesmo é sobre o vizinho. Aí, que as pessoas se interessam, os olhos brilham, ficam excitadas. Se eu dissesse agora que tinha uma fofoca incrível para lhe contar, você ia mudar até a posição em que está sentada na poltrona. Claro que não quero que façam fofoca de mim, mas, obviamente, é a parte mais gostosa de tudo, a maldade, a fofoca maldosa.

Seu personagem pode publicar que viram fulano traindo sicrana. Mas, mesmo assim, ele sempre bota um ‘molho’, além da apuração da sua assistente. Acha que Teo faz isso porque tem necessidade de marcar sua grife – o mais mordaz, o mais venenoso -, ou é mal resolvido por ter querido fazer outro tipo de jornalismo sem conseguir?

Eu não sei, não tenho ainda ideia muito concreta do personagem. Li até o capítulo 15 ou 17, não sei direito como é a personalidade dele. Só sei que é bem estereotipado, não é o contido. Vem escrito isso no roteiro. Até pensei em fazer uma coisa mais ousada, não sei o quê, mas comentei lá no figurino da novela, e ficaram meio assustados… (risos)

Ele é gay, mas não dá pinta loucamente…

Acho que o personagem do José Mayer é mais introvertido, não desmunheca, digamos assim. Mas o meu, não: é desmunhecado. Não tem nada a esconder. É o cara que todo mundo sabe que que é gay. E quer que os outros assumam. No  texto, ele está completamente interessado num cara, um homem musculoso. E começa a falar: ‘Nossa, queria esse cara!’. E ele bebe, né? Só soube disso recentemente.

Bebe muito whisky, é solitário, mal humorado, e a única eventual companhia é a Érika. Você acha que a instropecção, ficar em casa a maior parte do tempo e não ter amigos estão ligados a esse componente de maldade com os outros?

Ele quer fazer sucesso, ganhar ‘cliques’, ou seja, ser o mais acessado possível, quer exercer o poder. E tem uma submissão à personagem da Lília (Cabral), a Maria Marta.

Geralmente, os homossexuais admiram mulheres fortes…

E ela é uma mulher poderosa… Mas confesso que sei pouco sobre o personagem. Fiquei não sei quantas semanas com os capítulos, até o 14. Podia estar compondo ele de alguma maneira, mas, ontem recebi, até o 17, e veio com uma informação fundamental, de que Teo é alcoólatra. Você está entendendo? Eu prefiro não pensar muito, porque o autor é quem vai definindo personagem. Só sei que ele tem uma função dentro dessa estrutura do roteiro, que é tentar tirar o Claudio do armário.

Acha que houve algum interesse dele pelo Claudio, quando estudaram juntos?

Provavelmente, eles tiveram um lance no passado. Teo diz isso: ‘Nós eramos duas meninas’. E fica meio evidente que tiveram um caso. Tem gente que quer que o outro seja igual.

E. tantos anos depois, fingir que não o reconhece e não dizer o sobrenome dos tempos do colégio deve ter ferido seu personagem.

Exatamente. Essa função dele de blogueiro, é sem reconhecimento, né? Todo mundo que trabalha numa função que não tem muito prestígio tem um certo ressentimento. O cara vai ficando contra todo mundo, vai se fechando. Todo mundo passa a ser inimigo. O que interessa é ser acessado, ele sabe do poder que a fofoca tem sobre as pessoas. Então, é o que tenho pensado até agora.

Mas ele é  mau caráter, chega a enganar o Leonardo (Klebber Toledo), para que o ajude, quando Claudio entrar com processo contra ele.

Você está vendo? Eu não sei disso! É o seguinte, não adianta, não quero ficar tenso procurando desenhar um personagem que não sei qual é. Não há essa colaboração entre os autores e os atores. A colaboração se estabelece passo a passo, à medida que o autor começar a ver na tela o desenho que acaba se realizando do personagem. Se fico pensando 200 mil coisas de como ele vai ser, eu danço! Porque fico imaginando, quero que seja assim ou assado, e não adianta nada. Recebi agora a informação de que ele bebe! E isso é fundamental!

Por que?

Isso é alcoolismo. Então, muda tudo. Eu adoto como tática de abordagem do personagem – porque  novela é uma coisa aberta -, não saber os dados todos, para onde ele vai caminhar. Vou fazendo passo a passo, devagarzinho. Estou sabendo que ele tem um comportamento mais afeminado.

Pra você é complicado fazer isso? Pensou em alguém para criar gesto ou bordão?

Não, não pensei. Porque podia pesquisar, fazer em cima de uma pessoa… Vai sair alguma coisa, que é a minha interpretação do personagem, entende? Nesses últimos dias brinquei muito em casa com o personagem, com meus sobrinhos. Desde que soube que faria o Téo, que é um cara que gosta de tirar as pessoas do armário, comecei a fazer brincadeira. No estúdio, onde ainda estou gravando Malhação, no outro dia o produtor… Peraí, deixa eu explicar: na televisão, vai um cara com uma maleta grande e vende uns livros de arte, desses que as pessoas têm em cima da mesa, com fotos do Marlon Brando, de divas do cinema… livros da Taschen. Outro dia, vi um produtor que fez três cheques pré-datados, e deu pro vendedor. Eu disse: ‘Olha, você está comprando esse livro, e pagou com três cheques pré-datados… Pra quem é?’. Ele respondeu: ‘Pra um amigo’. E eu fiz assim: ‘Huummmm’ (fazendo bico e tampando com a mão). Querendo dizer, ‘tem coisa aí!’. É esse tipo de coisa que andei fazendo ultimamente.

 

 UMA PITADA DE CLODOVIL,

OUTRA DO TIMÓTEO, DE TIETA

 

Acha que Teo tem esse componente forte de humor?

É malicioso o tempo todo, gozando e entregando sempre os outros. O que seria até um comportamento homofóbico. Mas esse tipo de gay existe, acha que todo mundo é gay, e tenta tirar do armário. Então, cheguei na frente de todo mundo no estúdio (da Malhação) e chamei o produtor. ‘Gente, ele acabou de pagar com três cheques pré-datados um livro do Marlon Brando! Hummmmm’ (repete o gesto anterior)’. E todo mundo encarnou nele. Agora, acho que é um comportamento… E que o Aguinaldo (Silva) vai defender na novela o do gay que não quer assumir. Porque o personagem do José Mayer é simpático, é boa gente, bom marido, tem filho. É um cara do bem. A dele mulher sabe, e tudo bem. Já sei que Aguinaldo vai defender esse comportamento. Já o meu personagem é o contrário: ele destrói a vida do cara.

Mas você acha que se resume a uma situação maniqueísta?

Isso o autor da novela é quem sabe.

A relação de Teo e Érika é uma montanha-russa. O Aguinaldo Silva comentou que ele chega para a assistente, que traz uma nota boa, e diz assim: ‘Você vai ganhar um bônus!. E ela, animada: ‘Um aumento?’. ‘Não, um sanduíche de pernil com  um copo de mate’, responde, debochado.

Ele tem muitas tiradas engraçadas. Ele quer economizar, é sovina, mas tem aquele humor negro que é divertido. Porque a coisa está escrita, e aos poucos você vai somando. Agora, já estou vendo ele, a moça (Érika) perseguindo o personagem do José Mayer em frente ao apartamento dele, tentando fotografá-lo… Ah, não! Sabe, eu fiz três novelas do Aguinaldo: Tieta, Pedra sobre Pedra, A Indomada, e a minissérie Lara com Z. Sempre fico tentando ficar em branco, entendeu? Neutro. Para poder imprimir alguma coisa! Não sabemos como vai ser esse tom exato do personagem. Já experimentei as roupas, vou fazer fotografias pra ter o visual dele em casa. Vão fazer um portfólio do Téo com outras pessoas.  Estamos pensando no cabelo dele, que é elegante. Isso tudo vai moldando o personagem. Sei que ela fala: ‘Queriiiiida!’. Tem uma ‘boca’ aí, não tem?  Na hora que ele fala! Um cara que faz ‘Hummmmm’.(repete o gesto). Acho que o personagem vai por aí… Mas é isso, fico esperando um pouco. Eu ia fazer outro personagem na novela. Antes me sondaram, você sabe, né?

O Reginaldo, marido da Tuane (Nanda Costa).

Que eu estava achando muito interessante porque… Ah, esse é melhor do que aquele. Mas tinham me oferecido já esse personagem antes do (José) Wilker ser convidado para o Téo. O Pedrinho (Pedro Vasconcelos, um dos diretores da novela) falou: “Não quer fazer esse personagem?’. Eu disse: ‘Não sei, faz aí o que vocês acharem melhor, porque não tenho conhecimento dos personagens’. Quando me chamaram disseram: ‘A gente quer você nesse personagem aqui’. Era o Téo. Aí, vi que era muito melhor do que o outro.

 

CASAMENTOS, AMORES E FILHOS

 

Você já  teve problema com notas em colunas de celebridades ou com paparazzi? Algo o deixou chateado e pediu direito de resposta?

Nunca pedi, não. Já tive sérios problemas mas não com paparazzi. Foi num outro nível de jornalismo, que é o jornalismo político. Aí, já passei uns dois ou três momentos  muito difíceis e muito graves.

E em relação aos seus casamentos, namoros? 

Dos casamentos é sempre desagradável quando aparece uma nota dizendo que você está se separando ou aparece uma foto (com uma arte gráfica) partida no meio, rachada, com você de um lado e sua ex do outro. É sempre desagradável.

Já arrumaram alguns casamentos pra você nos últimos anos… (risos)

Casar não, mas toda fofoca que escreveram sobre mim era verdade. É incrível. Dá raiva e tudo, mas era verdade!

Você tem uma boa relação com a Eliane Giardini e com a Maria Ribeiro?

Procuro ter uma boa relação com as pessoas, com minhas ex-mulheres. Sei que elas gostam de mim, se elas disseram alguma coisa que saiu deturpada, não me incomodo. Nunca perdi um segundo do meu sono pensando em uma declaração qualquer que alguém tenha feito sobre mim.

Tudo bem de gravar a novela com o casal Maria Ribeiro e o Caio Blat?

Me dou bem com Caio, o Bento (filho do casal) me adora, se diverte comigo. Me dou bem com a Eliane (Giardini), com as meninas (Juliana e Mariana). Acho que as relações que a gente tem de amor e de afeto na vida são acumulativas. Se não for assim, parece que não houve aqueles sentimentos. Ou, então, foi tudo errado, porque foi ruim. Eu procuro enxergar as coisas dessa maneira. Vivi um período grande de minha vida com uma pessoa (Eliane Giardini, durante 24 anos) e foi muito bom, depois terminou. Mas continuo gostando dessa pessoa. E das outras com quem me relacionei durante a vida.

Só muda o tipo de gostar.

Isso. Muda o sentimento, mas permanece um carinho muito grande, um desejo de que a pessoa se dê bem, seja feliz. Isso tudo me fortalece. Então, sobre a fofoca, eu passo por cima dessa questão. Se houve amor e você viveu com aquela pessoa um tempo, é bom que isso seja considerado uma coisa boa, positiva. A fofoca aí não me interessa. Mas, socialmente, acho interessantíssima.

Por que? Quando alguém chega e diz que tem uma coisa pra contar você se interessa?

Às vezes, não. Mas é divertido ouvir. Às vezes, digo: ‘Não me conta nada!’ Quando duas pessoas fofocam – Roberto Freire dizia isso – sobre uma terceira, essas duas se aproximam. Tem um laço que se fortalece, já que fofocam sobre aquela outra. Então, isso faz parte, não é nada de tão grave.

 

‘A IMPRENSA É TENDENCIOSA SEMPRE’

Acho a fofoca que ‘derruba’ uma pessoa a pior. E, infelizmente, no jornalismo, ela está cada vez mais presente. O que você acha disso?

Não acompanho muito a fofoca, em geral. Eu não leio quase. Se vejo, me interesso e curto. Mas não sou a pessoa que vai procurar. Não dá tempo. Mas compreendo, acho muito divertido e faz parte da vida querer saber quem está transando com quem. Inclusive, às vezes, é bom saber, porque senão você dá uma bola fora. (risos)

Acha que uma pessoa que chega ao ponto de tentar destruir outra usando seu trabalho, num blog, por exemplo, isso uma coisa terrível?

Isso é um ato de vilania, do cara mau. O jornalismo em si é uma espécie de fofoca em todos os níveis. Não é isso? Todo o jornalismo tem um quê de fofoca, porque assim vai revelando coisas. Em que nível você pode revelar? O jornalismo é assim: é fofoca, porque você vai contar  sobre algo que viu para os outros. Você conta do seu ponto de vista, aí você faz um romance, dá o enfoque, diz não sei o quê…

Como assim? Isso é antiético!

A ética também é uma coisa circunstancial. É claro que tudo depende da época, do momento, tem certas coisas que são consideradas antiéticas num momento, e depois não mais. (pausa) Tenho admiração pela profissão de jornalista, mas não seria jamais um jornalista da fofoca da intimidade.

Nem tendencioso…

Tendencioso eu seria. Porque ninguém deixa de ser tendencioso. A isenção ou imparcialidade é um mito. A imprensa é tendenciosa sempre. Cada um puxa a sua brasa. Eu puxo para aquilo que acredito que seja o correto. E no confronto dessas opiniões é que o leitor pode tirar suas conclusão. Mas tendencioso sempre é. Eu seria tendencioso, sim, mas diria o tempo todo que sou isento e imparcial.

Você teria obrigação de ouvir e reproduzir os dois lados.

Sim, ouve os dois lados, mas depois depende do jeito que você escrever…  Enfim, não sou jornalista, não tenho que me preocupar com isso. Sou ator, adoro ser, e ator está aí para fazer os papéis mais diversificados. (pausa) Logo que falei que ia fazer um gay, alguns amigos gays disseram: ‘Ah, que bom! Você vai poder fazer alguma coisa que não seja o estereótipo, uma caricatura’. Mas eu disse, logo de cara, que era difícil não fazer uma caricatura com esse personagem. Porque ele tem um lado que é o estereótipo. Mas eu gosto também de fazer. é divertido.

A relação do Carlão, seu  personagem em Pedra Como Pedra (1992), com o Adamastor (Pedro Paulo Rangel) tinha um clima de dubiedade…

No final, acabou parecendo que tínhamos um caso. Acho que a gente tem que ficar livre por conta do imponderável. Tem um monte de coisas que você não vai dominar numa novela. Se você entra querendo saber o que vai ser, não dá…

 

NADA DE NOSTALGIA:

IMPORTANTE É O HOJE

 

São 25 novelas e 33 filmes. Isso simplesmente aconteceu ou você gosta mais de cinema do que da TV?

Aconteceu. Os filmes, às vezes, são participações pequenas. Fiz protagonistas como Lamarca, Mauá, Ed Mort… Zé Lucena, em Guerra de Canudos, era um papel grande. Mas aconteceu. Na realidade, meu sustento vem da televisão. Gosto muito de teatro, de cinema, mas sobrevivo da televisão.

Você fez grandes personagens históricos, além do Lamarca e do Mauá. Carlos Gomes, Getúlio Vargas, Bento Gonçalves…

É muito gostoso estudá-los, gosto muito de biografias. No caso do Lamarca estudei a letra dele, e fui pesquisar o obituário.

Mas você gosta é de fazer TV?

Muito, adoro o clima do estúdio.

E assistir?

Gosto. Gozado, há uns três, quatro anos, comecei a ver mais televisão, porque passei a ficar mais em casa. Estava sempre fazendo teatro, hoje faço menos, então gosto muito de assistir às novelas. Meu irmão, de 70 anos, me influenciou nisso. Ele é noveleiro. Acompanhei Estúpido Cupido (1976), depois via um pedacinho de uma ou outra. As minhas eu procuro sempre dar uma olhada. Nossa, como é divertido ver novela! É gostoso acompanhar os colegas, como eles estão, se botaram botox, se fizeram plástica nas pálpebras. Isso não é fofoca, não: é essencial saber. (risos) Estou brincando, mas quero ver como estão os colegas, como estão envelhecendo. Toda novela, mesmo as ruins, têm momentos incríveis de interpretação. Fico sempre surpreso, acho incrível. O (Antônio) Fagundes fazer aquele cego na novela (Amor à Vida)… Poxa, como é que faz? Fico me colocando naquela situação. Às vezes, vejo cena de quebra-quebra, o cara chora, depois se recupera e ri. Colegas dando um verdadeiro show de interpretação, e corro sempre risco quando estou trabalhando de ficar assistindo meus colegas representar. Isso é péssimo para um ator.

Por que?

Porque você fica vendo, encantado: ‘Nossa, como ele é bom!’ (risos). Eu me impressiono muito com meus colegas, com a beleza deles, com a capacidade de resolver certas cenas.

 

OUTRAS EMISSORAS, FILHOS…

 

Você está na Globo, passou pela Tupi, Band, Manchete e Record. Viu diferenças muito grandes entre elas?

Comecei na Tupi porque o Antônio Abujamra  me viu levando a Eliane (Giardini) não sei onde, e perguntou: ‘Você não quer ser ator?’ e me botou na novela Como Salvar Meu Casamento (1979). Só que essa  novela não acabou, porque a Tupi fechou.

E as outras emissoras?

Peraí… Deixa eu falar uma coisa… Sou de origem muito humilde, minha mãe era empregada doméstica, fui o 15º filho dessa família e tive oportunidades muito interessantes. Estudei na Escola de Artes Dramáticas da USP, passei por escolas públicas muito boas, onde estudava o dia inteiro, pelo ginásio industrial. Então, sempre fui um cara eleito – filho temporão, minha mãe tinha 45 anos quando nasci, mamei até os 7 anos de idade. O fato de eu trabalhar em novela, em teatro, em cinema é um prazer imenso, um presente. Eu acompanhei a vida em torno de mim, meus amigos que se perderam por falta de condições, amigos do bairro onde nasci, que era um quilombo. Minhas irmãs cortavam cana, acompanhei o pavor das pessoas de perderem o emprego nas fábricas, então, sempre tive uma visão de que estar empregado é uma coisa muito boa. Eu me sinto agradecido por estar trabalhando.

Mas e as emissoras diferentes nas quais trabalhou?

Agora você tocou no ponto! A Tupi acabou, a gente deixou de receber, imagina o nível de insegurança em vivíamos. Na Bandeirantes, todo mês tinha uma reunião na qual pediam a nossa colaboração, falavam das dificuldades, aquelas coisa toda. Na Manchete, quando íamos receber, víamos o (Adolpho) Bloch e sentíamos o ‘sofrimento’ do dono. Na Record, trabalhei através da produtora Casablanca, foi tudo muito correto, não houve qualquer problema. Mas, avaliando tudo isso – é claro que houve um aprendizado em cada uma delas -, mas a Globo é o melhor lugar para trabalhar, pelos seus profissionais, pelas produções, enfim, por tudo que proporciona.

Você tem três filhos em idades bem diferentes: Juliana, 37 e Mariana, 34 (com Eliane Giardini), e João, 11 (com Maria Ribeiro). Como é a relação com eles?

Maravilhosa! A Mariana é atriz, e agora trabalha como assistente de direção, a Juliana é cantora –  tem música na trilha de Malhação -, e o João ainda não demonstrou um tendência profissional. Ele gosta de jogar bola.(risos) Cada um vai pelo caminho que quer, mas, no caso das meninas, é natural seguirem essas carreiras porque sempre viveram nesse ambiente.

 

COPA, MENSALÃO,

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

 

Acha que a Copa do Mundo no Brasil é circo para o povo?

Copa sempre foi circo. A ditadura se utilizou dela para faturar em cima do futebol. Mas como tirar um grande prazer do Brasil? E tem uma ditadura babaca querendo que o Brasil perca a Copa. Eu vou ajudar quem puder, no que puder, para dar tudo certo. As pessoas falam nos estádios inacabados… Mas o Maracanã, em 1950,  estava ainda com andaimes – basta ver as fotos da época. Muitas obras inacabadas agora serão terminadas depois, e isso vai ser muito bom. Torço para que dê tudo certo. Mas se o Brasil não ganhar, nada vai acontecer de mal: bola pra frente! As pessoas vão ficar um pouco mais tristes, vão encher a cara… Mas o médico continuará indo ao hospital, você fazendo suas entrevistas, eu trabalhando…

Você sempre expôs suas ideias em relação à política no Brasil. Já pensou em se candidatar a algum cargo?

Eu sempre tomei atitudes políticas, adoro política, o jogo da política, como ela se desenvolve, mas não seria político. Em diversos momentos vieram me propor que fosse deputado federal, até me cogitaram, uma vez, para ser ministro. Falei que não tinha nada a ver com isso, que não tenho competência. Não tenho estômago para fazer coisas que sei que na política acontece –  concessões, muitas concessões… É um jogo pesado para o qual não tenho competência, mas tenho muita curiosidade, muita vontade de dar pitaco, então, me envolvo muito.

Quando houve a divulgação do mensalão, e muitos artistas, celebridades que apoiavam o PT se afastaram, você manteve o apoio ao partido. Apresentou o vídeo dos 25 anos do PT…

Tenho uma visão estratégica do ponto de vista político. Falar de mensalão pra mim só tem uma questão: por que não foi julgado o mensalão de Minas (Gerais), que aconteceu cinco anos antes, mas foi julgado o do PT? Pra mim, a conversa de mensalão termina aí! Por que julgaram um como uma novela de televisão, como se fosse o acontecimento do século, e uma coisa que tinha acontecido cinco anos antes não foi julgada? Quais são os interesses que existem atrás das coisas? Tudo vem através de um interesse político e de poder. 

Você já teve muita dor de cabeça por causa da política, não?

Então… me envolvi na questão das Mãos Sujas, que nunca devia ter me envolvido. Inclusive, fui muito criticado pelo Aguinaldo, acompanhei as críticas dele. Eu sei que ele não mistura as coisas: tem uma opinião sobre uma coisa, e eu tenho outra. Aí, sim, o jornalismo me atingiu profundamente. Talvez seja uma seara que o ator não devesse entrar. A campanha eleitoral me massacrou, perdi muitas coisas porque me colocaram como antiético. Não tenho ilusões de que esse é um jogo em que se praticam regras que não são sempre as que eu desejaria. Não vou anular meu voto. Vou votar dentro da minha consciência. E se me perguntarem em quem vou votar, eu falo, porque é a minha natureza falar.

Você vai votar no PT?

Até agora sim.

Por que essa dúvida?

Até agora sim porque sei lá… Pode ser que a Dilma fale mal do aborto, ou de não sei o quê… Mas nesse momento, sim. O Tancredo (Neves) foi uma grande raposa política. Não vou dar meu voto para o neto dele, que aparece usando a descriminalização da maconha… Aécio não defende temas que façam minha cabeça.

21 comentários

  1. What i do not understood is in fact how you are no longer actually much more neatly-liked than you may be right now.
    You’re so intelligent. You understand therefore significantly on the subject of this subject, made me for my part believe
    it from numerous varied angles. Its like men and women are not fascinated
    until it’s something to accomplish with Woman gaga!
    Your own stuffs excellent. At all times care for it up!

  2. Amigos, o PAULO BETTI me enviou o seguinte e-mail:
    “Simone, tudo bem? Gostei muito da entrevista, ficou muito legal. Mas, hj, relendo, vi que cometi dois erros, talvez vc possa me ajudar a mudar.
    Quem escreveu o livro “Tratado Geral da Fofoca” foi o psicanalista José Angelo Gaiarsa, e não o Roberto Freire.
    E O Aécio é contra a descriminalização da maconha, acho que não ficou claro”.
    Tão talentoso quanto atencioso com seu público.

  3. RODRIGO LIMA:
    PARABÉNS atrasados. Me desculpe.
    Desejo lhe Saúde, Paz e muitas Alegrias.
    Espero que um dia volte a Lisboa.
    Abraço.
    Magdalena

  4. Gosto muito do trabalho da Simone aqui no ASD e leio,com calma,às vezes às prestações (dependendo do tempo) todas as entrevistas. Essa com Paulo Betti ficou,como sempre,ótima.

    Aguinaldo,não vejo a hora de Império começar. Fico na expectativa de ver e conhecer personagens riquíssimos.

    Abraço a todos!

  5. Rodrigo figura rara da melhor qualidade: Feliz aniversário!!! Atrasado mas tá valendo. Tudo de bom sempre pra vc!!! Um grande abraço!

  6. Sou fã de Paulo Betti!! Tá aí um ator que dá conta de qualquer papel; deixa sua marca em cada trabalho. Pode representar um ricaço, um pobretão, padre, qualquer coisa, ele sempre vai se fazer inesquecível….típico dos grandes talentos.

    Protesto ligeiro> Aguinaldo, seu safado – com todo respeito, evidentemente. Vc não deu os meus parabéns. E segundo meus amigos, estou me tornando um velho tacanho. Se vc não me parabenizar, nunca mais eu entro aqui. Agora confesso- caso isso ocorra, sentirei saudades desse espaço. Desculpa, mas a tacanhice realmente está sendo maior que eu. Beijo.

  7. Muito boa a entrevista ,Vai ser divertido esse personagem dele.

  8. Lindinho da jujuca, Paulo Betti é o meu terceiro sonho de consumo depois,pela ordem,de voce e do Tarcisio Meira,tendeuuuu bem ehemmmm? MAs nenhum deles meu Guiguito amado,tem aquilo de ouro … nenhum deles é MIDAS….afff… mas no fundo mesmo,la no fundinho,quero mesmo é dançar um forró bem agarradinha contigo aqui na Manoel Dutra com a 13…. affff…. quero mesmo é ser tocada pra virar ouro… tendeu bem ehemmmm seu SAFADO!!!!?????? Ham!

  9. Betti, personalidade forte e bom actor.
    Vi muita novela com ele e gostei sempre das suas personagens.
    Vai se sair bem no “Império” e é totalmente diferente do que estamos
    habituados a ver. Vai ser uma boa surpresa. Boa escolha!
    Simone, obrigada pela bela entrevista e Francisco as fotos estão muito boas especialmente o “close-up” do Paulo Betti.
    Bom final de semana para todos e VIVA o BRASIL.
    Hoje começo bem ganhando à Croácia. EITA!
    Magdalena

  10. Brasil – Agora é a hora!.

    http://youtu.be/gIFCAy1TBWs

  11. Adoro o Paulo Betti como Ator, e principalmente por se posicionar politicamente mostrando o lado positivo de votar no pt e continuar acreditando, pois sabe o quanto os integrantes desse partido contribuiram para o desenvolvimento do nosso país, hoje sabemos reivindicar, sabemos quais nossos direitos, hoje somos mais..

  12. Hehehehe Obrigado SR SOMBRA mas o amigo está equivocado. Eu sou muito amigo sim é do senhor RODRIGO LIMA . hehehehe mas valeu pela sua boa intençao.

    INTERVENÇÃO DO SOMBRA: Ih, Dr. Bimbada, sua emenda foi pior que o soneto. Primeiro o senhor escreveu no computador de Bob Zacharias. E agora escreveu no computador do LinGUAruDO? Acho que já sei quem é o senhor, e em que local estão estes dois computadores… Hehehehehe!

  13. toc toc toc toc …

    Estou aliviado que não se trata de sua pessoa um famoso autor de telenovelas que ultimamente vem desabafando nas redes sociais – para todo mundo ver – a sua tremenda dor de cotovelo. Desejo ao senhor muita paz e muita luz nesse momento tão especial em que todos aguardamos a estréia de Empire.

    INTERVENÇÃO DO SOMBRA: PREZADA SENHORA LINGUINHA DE VELUDO, NOSSO PREZADO E SURPREENDENTE AUTOR AGUINALDO SILVA INFELIZMENTE NÃO DISPÕE DE COTOVELOS NOS QUAIS POSSA SENTIR ALGUMA DOR. HÁ MUITO TEMPO QUE ELE DOOU – O DIREITO E O ESQUERDO – A UMA ONG QUE CUIDA DO ASSENTAMENTO DOS ÍNDIOS DA ALDEIA LEBLON, QUE FICAVA ALI NO JARDIM PERNAMBUCO, PARA QUE OS DITOS COTOVELOS SEJAM LEILOADOS… E POSSO LHE GARANTIR QUE ELES SERÃO SIM, POR UMA VERDADEIRA FORTUNA… PORQUE NÓS TODOS SABEMOS QUE CADA PEDACINHO DO CORPO DO PRECLARO AUTOR – INCLUSIVE “AQUELE” – VALE OURO.

  14. OI, BOB ZACHARIAS!! QUANTO TEMPO, HEIN?! QUE BOM QUE GOSTOU DA ENTREVISTA. E PODE FICAR TRANQUILO: NO DIA EM QUE DEIXAR DE SER PERSONAL E FOR TRABALHAR NA TV, FAÇO UMA MATÉRIA COM VC.
    BJS E OBRIGADA PELO CARINHO!

  15. Aguinaldo irmão camarada
    Qual a possibilidade de um merchand da minha clinica em sua próxima novela e com quem devo fazer contato.Querido, gostaria muito de divulgar um método revolucionário não cirúrgico de aumento peniano.Um abraço e aguardo seu retorno.

    INTERVENÇÃO DO SOMBRA: prezado DR. BIMBADA, como sabemos que o senhor é muito amigo do BOB ZACHARIAS aí em baixo, é só falar com ele, que servirá de intermediário.

  16. Excelente reportagem,completa,Simone envolve o entrevistado e retira artesanalmente informações preciosas.Paulo Beti é um excelente ator.
    Simone aguardo sua visita a Brotas para uma matéria comigo.

  17. falo dessa mídia canastrona de fofoqueiro verdadeiro urubus da imprensa que chegam atacando os folhetins com seus comentários maldosos inventando até doença pros envolvidos no mínimo agem assim por despeito por ganharem uma merreca com falsas notícias. como diz o ditado: falem mal,mas falem!!!

  18. Paulo Betti vai arrasar nesse papel é um ótimo ator adorei seu papel na Tieta com aquele bordãozinho bacana que pegou de norte a sul ” só nos trinks”HEHEHEHE e, era um marido bem xarope pra ELIZA Parabéns a todos os envolvidos- Aguinaldo e Simone- por essa entrevista completa e arrasadora. Eu, ao contrário dos demais, já nutro muita simpatia por tudo que já li sobre a nova novela. E vcs que falam de arrogância.Pergunto eu? Arrogância do que????? A PESSOA CAPRICHA DA O SANGUE POR SUA OBRA,TEM UM TRABALHÃO!!!CRIA ESSE POST COM MUITO AMOR E ESFORÇO. E VC DIZ :” SE NÃO FOSSEM TÃO ARTICULADOS E SENHORES NA SUA ARROGANCIA…MAS AONDE ARROGANCIAAAAA!!!! QUEREM SER TRATADOS DE QUE JEITO SE CHEGAM COM 4 PEDRAS NAS MÃOS. …QUERO VER O PERSONAGEM COLUNISTA DE FOFOCAS, COM O SANGUE FERVENDO!!! SUCESSO!!!

  19. Daniela,disse tudo.Eu nao nutro maiores simpatias pelo autor mas tenho que dar mao a palmatoria.Parabens a todos os envolvidos !!! Paulo Betti lembra muito meu saudoso Michel…

  20. Há muito tempo que eu não lia, nem mesmo nas revistas mensais que publicam grandes entrevistas, uma que fosse tão completa e tão rica de informações. Parabéns ao aguinaldosilvadigital, a Simone Magalhães, ao Fco. Patrício e, principalmente, a Paulo Betti, que é tão articulado e tão senhor das palavas. Se não fossem tão arrogantes e tão senhores de si, os jornais diários, com suas materiazinhas comprometidas e parciais, depois de ler essa entrevista estariam morrendo de vergonha. Parabéns.

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