DE QUE COR VOCÊ O VÊ?

» Públicado por em ago 27, 2014 | 12 comentários

 

Paulinho Vilhena acabou. Aos 35 anos e 15 de carreira, o intérprete do Salvador, de IMPÉRIO, é Paulo Vilhena. O ator amadureceu, deixou o apelido para trás, e está conseguindo colocar em prática a trajetória que traçou para seu trabalho, com personagens bem diferentes uns dos outros.  Este santista, que já foi modelo e estudante de Publicidade, anda entusiasmadíssimo com o pintor esquizofrênico da novela das nove, e, claro, com a repercussão que está tendo junto ao público. E para isso não poupa esforços: radicalizou no visual, pesquisou muito, e espera que seu personagem seja um alerta para quem tem um parente com doença mental, que precisa de tratamento. E a maturidade também é sentida no seu dia a dia. Se antes, Paulo se irritava com o assédio dos fotógrafos e paparazzi, sua postura mudou: “Agora, eu sou amigo deles. Passo; cumprimento – ‘Aí, beleza?’ -; quer tirar foto, tira; não vai mudar nada a minha vida; não estou fazendo nada de errado.”

entrevista: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

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Como chegou ao comportamento do Salvador?

Estudei bastante a patologia, e, assim, vieram as figuras, as pessoas, que tinham passado pela doença. A Tande Bressane (uma das diretoras de IMPÉRIO) já tinha me dado um toque sobre o Arthur Bispo do Rosário (artista plástico, que passou mais de 50 anos na Colônia Juliano Moreira, diagnosticado como esquizofrênico paranoico). Então, comecei a conectar a patologia aos artistas brasileiros que tinham sido identificados como doentes mentais e foram grandes nas artes. Vi que havia uma turma. Busquei também a história da Nise da Silveira (psiquiatra contrária às formas agressivas de tratamento, como eletrochoque e lobotomia), que foi a criadora do método para extravasar essa angústia, usando a arte. Fui por esse caminho.

Você viu algum filme?

Vi documentários sobre o Arthur, e algumas outras coisas na internet, YouTube, além de casos reais.

Como você começou a fazer o gestual do personagem?

Fui estudando partes do meu corpo que poderiam dizer muito em relação a essas vozes, que os esquizofrênicos ouvem e eles respondem. Gestos como essa ‘perturbação’ no pescoço, as muitas piscadas, como se fosse uma carga de informação e uma carga de pensamentos que não cessasse. E o mais interessante é que o primeiro dia de gravação foi no (Instituto) Nise da Silveira, entrei no ônibus (camarim), botei o figurino, peguei um mamão, e fui dar uma volta por lá. Num dado momento, virei uma ruazinha e encontrei um pátio fechado, com vários doentes.

E você com um mamão na mão?

Com mamão, mas já com a figura, a postura, exercitando o personagem. A hora em que olhei bem para eles, falei: ‘Puxa vida, eu vou lá! Vou me aproximar’. E fiquei durante uma hora e meia.

Eles conversaram com você?

Conversaram entre si, falavam comigo, eram ideias totalmente desconexas, mas ficamos bem próximos. Eles me aceitaram, não tive uma rejeição.

Como crianças quando se juntam. Mesmo não se conhecendo, elas se unem…

Isso. Rola uma harmonia, né? Eu entrei no convívio deles, comecei a fazer parte.

Mas você falava coisas desconexas também?

Falava coisas com palavras, gestos, carinho, abraços, dava mamão na boca dos caras, das mulheres também. Foi uma experiência impressionante.

E eles gritavam?

De vez em quando tinha uns barulhos que vinham do nada – acho que uma necessidade de libertação interior -, e uns grunhidos. E tem uma coisa muito sexual também… As reações são variadas dentro do universo deles. E eu fiquei ali naquele processo de absorver os detalhes, me deu muito subsídios de movimentos, de tiques, de nuances.

 

 

No primeiro dia em que o Salvador apareceu, houve um momento em que você parecia estar falando com a câmera. Mas era com as vozes. Quem não entende a patologia deve ter pensado que era direcionado ao público. Uma cena muito impactante.

A repercusão foi muito boa, positivíssima. Fiquei bem impressionado, porque foi uma cena, mas é que a novela está muito bem.

O fato de você usar as cores ao falar – ou não – com quem se aproxima, no caso o Orville (Paulo Rocha), também surpreendeu muita gente.

Isso o Arthur Bispo do Rosário fazia. Quando li o texto, tinha acabado de estudar um pouco sobre esse grande artista. Quando uma pessoa se aproximava, ele perguntava: ‘De que cor você está me vendo?’. Se ela falava: ‘Não tô vendo cor’, ou dizia a cor ‘errada’, ele não conversava. A hora em que eu li, pensei: ‘É uma referência clara do Bispo do Rosário’.

Quando vi a gravação da cena em que você diz a Orville que já tinha ido a Paris, imaginei um passado glorioso para ele. Perguntei sobre isso ao Aguinaldo Silva, que me respondeu : ‘Ele foi a Paris no delírio dele, assim como foi a milhares de lugares. É um cara que não tem família, não tem ninguém, está jogado no mundo’.

Isso é perceptível na segunda cena, quando o personagem estava rabiscando na parede da cela. Aquela solidão, a intensidade dos traços… Naquele dia, a Ana Durães (artista plástica e ghost painter de atores), a pessoa que faz todos os trabalhos, trouxe o material para colocar na cela. Aí, ficamos só eu e ela. Peguei um caderno, e a Ana falou: ‘Vamos fazer uns exercícios, você vai desenhar objetos que eu mostrar’. Ela mostrava e eu desenhava. Depois, pediu: ‘Agora sem olhar’. Eu desenhava, enquanto ficava olhando pra ela. Fizemos vários exercícios assim. Isso já me deu uma mostra de como usar os materiais, e os  movimentos que deveria fazer.

Mas aí já estava com pincel?

Com carvão, grafite que eles chamam. Fiquei um tempo nesse exercícios, e pedi a Ana pra ficar um pouquinho sozinho. Ela saiu, tranquei a cela, e comecei a ‘entrar’ em tudo o que tinha vivido ali naquelas duas horas e meia. Das pessoas reais com as doenças, e da questão artística. Comecei a fazer tipo um balé na cela, pintar as paredes, fiz uns traços, fiquei exercitando esses movimentos. Na hora da cena já estava muito imbuído da história toda, aí começaram a aparecer as vozes, a falar de um lado com as vozes, e de outro com ele mesmo.

Você sabe que as vozes respondem ao esquizofrênico, né?  E é bem diferente de amigo imaginário, que ajuda a construir a personalidade das crianças, e depois desaparece.

Sei. Elas vão afastando os que tem a patologia cada vez mais da realidade.

 

 

Num futuro próximo, Orville e Carmen (Ana Carolina Dias) se unirão para colocá-lo no manicômio judiciário e dar todo o material que Salvador precisa, pegarão os quadros prontos e venderão, afirmando que são de um pintor que não gosta de aparecer.

É muito sério, além de um crime, uma falta imensa de caráter. Mas a Ana mete mais o pé, o Paulo está fazendo uma coisa muito legal, que é humanizar o Orville através da nossa relação, que já chegou a um estágio quase fraternal. Tem uma cena em que a gente se abraça… Ele está trazendo isso de uma forma interessante para o personagem.

Mas não deixa de explorar o doente… A certa altura haverá uma fuga dos detentos do manicômio, e você vai junto. Quando se vê na rua, olha para uma galeria, reconhece um cartaz com a foto de uma de suas obras e fica angustiado. Aí, encontra uma mulher que vai acreditar na sua história e ajudá-lo a fazer justiça. O que você gostaria que acontecesse com seu personagem?

Nossa! Não sei… Não sei se essa mulher vai se tornar uma cuidadora, uma paixão, ou se terei essa pessoa como mãe.

Acho difícil no estágio da doença dele se envolver amorosamente, não acha?

A minha irmã, Christiane, é psiquiatra. Contei tudo do personagem com detalhes, perguntei a ela se ele teria cura, e ela disse que é muito difícil. Então, acho que não vai viver nenhuma paixão. 

 

 

Como você vê a saúde mental no Brasil? Ainda existe muito preconceito, rejeição das famílias em mantê-los em casa, como pregava Nise da Silveira…

Estou levando para um lado também que é o da função social, a questão da saúde pública mesmo. Penso muito nisso, porque é um alerta. Há famílias que têm pessoas com essa doença em casa, e não sabem o que é… Talvez não saibam nada sobre isso! É muito triste. Acho que é uma maneira de alertar. Tirá-las do desconhecimento, da ignorância.

Conheço pessoas que falam dos pacientes com problemas mentais com definições do tipo: ‘Ele é maluco’.

A gente mal e mal consegue ter educação, saúde pública – chegar num hospital e ser atendido -, que dirá um tratamento específico para pessoas sem condição financeira e que têm patologias como a esquizofrenia.

Acha que a família também deveria também receber remédios gratuitamente, como os doentes com diabetes e hipertensão?

Mas é f…, porque recebe, e vai dar como? Pode acarretar um outro problema. Sei lá… A pessoa não tendo esclarecimento, vai que pega o remédio e toma, ou não dá na hora certa, ou se esquece… Já me falaram que se misturar com bebida dá ‘loucura’… Tem muito disso, né? Quando não têm esclarecimento e apoio permanente podem fazer isso…

 

Você não acha que o pior para o doente mental é que em algumas instituições ainda há uso de terapias como eletrochoques, as injeções apelidadas de ‘sossega leão’?

Tem um filme que deixa bem clara a situação dessas clínicas, que é  ‘Bicho de Sete Cabeças’, da Laís Bodanzky. O cara entra como usuário de maconha, e vai se tornando um doente mental, através da aplicação desses remédios, desses  tratamentos. A lobotomia é isso: botava o cara para dormir como um vegetal. E fica lá largado até morrer. É muito horrível.

Seu personagem, pelo menos, não se envolve com os outros, que poderiam ficar com raiva e querer matá-lo…

Tem esse isolamento, que é uma proteção. Mas, ao mesmo tempo, há momentos em que ele tem surtos, que sai gritando. Ninguém gosta disso…

Mas o cara considerado ‘maluco’ sempre causa medo. Quando diz que matou a namorada com três facadas, o outro detento acha que ele pode matá-lo também…

Mas na cadeia, o bandido mesmo pensa:  ‘Vou ficar com medo desse maluquinho? Passa o rodo nele logo’. Ou: ‘Vou esperar ele me dar uma facada?’. Nada! Bota três capangas, passa o rodo e um abraço.

Na minissérie A Teia você era tenso, ansioso, muito machista, tinha reações variadas… Isso é bom no seu trabalho, né?

É ótimo, isso para o ator não tem preço. Explorar cada um ao máximo, se dispor a isso. Acho que é o que eu vinha buscando, e vou continuar buscando ao longo da minha trajetória. Está tudo muito organizado. Acho que tem a questão da maturidade como ator para poder dar conta. Porque imagina pegar um personagem como esse (Salvador) e errar, ou não dar conta? Aí, você joga fora uma oportunidade incrível por falta de experiência.

Você acha que esses personagens mais recentes vieram na hora certa?

Exato. E numa ordem também muito boa, porque o Barone (de A Teia), por exemplo, era muito articulado, estudado, de família. Tinha um background forte. Era um cara estrategista, muito bom no que fazia, no planejamento dos assaltos. Era o cara.

O vilão é melhor? Todo mundo fala que é, mas nem sempre o bonzinho precisa ser um idiota.

Mas aí é que está, depende de como você faz, uma coisa que sempre penso para os personagens que interpreto é que o ser humano nunca é só uma coisa. Ele é tridimensional, tem outros lados, e também o bem e o mal. O barato de interpretar é poder mostrar cada um deles, de acordo com aquele personalidade, mas é bom também quando ele mostra facilidade. O vilão é mais interessante, ele institui o caos, faz com que as coisas ecoem.

 

Você começou na TV com 20 anos, no seriado em Sandy & Junior. Ficou com medo do estigma de galã?

Quando entrei não tinha consciência desse estigma, nem sabia que existia. Mas, ao mesmo tempo que não tinha consciência, ao longo dos três anos (duração do seriado), fui começando a observar esse universo, observar atores que me interessavam,  que eu tinha como referência, como o Fabio Assunção, por exemplo. Caras que eu assistia, e que tinham uma inquietação de buscar coisas diferentes. Isso me serviu muito como referência. A partir daí comecei a planejar a minha trajetória versátil, para não ficar no mesmo lugar. Para o ator é bom fazer um galã, mas não é bom fazer sempre.

A versatilidade implica muitas vezes em radicalizar, como fez com seu visual. É fácil pra você?

Estava com cabelo comprido e barba grande para ter opção do que poderia fazer (cortar ou manter) no personagem seguinte. Aos poucos, foram acontecendo as transformações. Com os profissionais da caracterização fui criando esse visual aos poucos. Cortei o cabelo de um jeito, depois chegamos ao atual. Também pensei no bigode: é uma homenagem a um grande surrealista (o pintor Salvador Dali), e uma vontade de introjetar mais o perosnagem. Ah, Van Gogh também.

Mas nada de cortar a orelha, né?

(risos) Não, pode deixar.

Achei interessante esse furo feito no início da manga da sua camiseta, onde você colocar o polegar.

Pensamos em cada detalhe. Parece uma atadura na mão dele, não acha? Porque ele fica puxando a manga o tempo inteiro. E achei que assim ficaria legal.

Quando cheguei à gravação, vi você completamente concentrado, parecia que não estava vendo ninguém. E o Felipe Binder (diretor) me disse que você só tira o fone de ouvido, com músicas, na hora do ‘gravando’…

É muito difícil entrar no perosnagem, não fico entrando e saindo. Quando estou nele vou até acabar a cena. Depois baixo a bola, passo uma água no rosto, e, quando retorno, as músicas que ouço me ajudam a retomá-lo. Porque se eu não ficar com ele posso perdê-lo, e é difícl encontrá-lo novamente, do jeito que eu posso interpretá-lo.

Mas afinal o que você fica ouvindo?

Quer ouvir? (e coloca um fone no meu ouvido, com trechos de duas músicas).  A primeira é do System of  a Down (banda de metal americana). Tem uma coisa mais densa, da atmosfera, da porrada. A outra é do Eddie Vedder (conhecido também por ser vocalista da banda americana Pearl Jam), mais introspectiva.

 

MODELO, PADRINHO E SURFISTA

 

Por que optou pela carreira artística?

Não foi uma opção. Eu gostava muito de Biologia. Pensava em fazer Medicina, Odontologia. Como não era inteligente suficientemente para Medicina, fiz vestibular para Odontologia. E passei, em Santos, mas não cursei porque era muito caro. Minha mãe me deu um cheque para pagar a faculdade, e fiquei em choque: tá doido! Sabia da condição da família. Pedi a ela um tempo, mais seis meses de cursinho para decidir o que fazer. E comecei a trabalhar na loja do meu pai, de revelação de fotografias, no Guarujá. Nesse tempo comecei a posar para fotos. Acabei indo para São Paulo, trabalhando como modelo. Mas minha mãe insistia que eu tinha que fazer uma faculdade. Resolvi cursar Publicidade, mas depois de seis meses tranquei a matrícula. Dei preferência ao traballho do que ao estudo. Aí, foi natural, vieram a publicidade, a televisão…

Mas em 2008 você ficou sócio de uma grife de streetwear, ainda existe?

Não, acabou. Todas essas coisas paralelas não existem mais. Não sou mais empreendedor, comerciante, nada. Sou ator. Quero me dedicar integralmente à carreira artística.

E com um personagem que o absorve tanto, como consegue conciliar as gravações e o teatro, com a comédia romântica Tô Grávida, ao lado de Fernanda Rodrigues?

A peça volta agora em setembro, no mesmo teatro (Fashion Mall) e nos mesmos dias. Não interfere em nada porque já estamos em cartaz há quase um ano, é perto, e meu trabalho na novela é em uma locação só. Houve uma conversa antes com o diretor, e estabeleceu-se esse entendimento para manter as duas coisas. Na peça, o casal é pego de surpresa pela gravidez, e passa a relatar como isso mudou a vida dos dois.

A Fernanda Rodrigues é mãe da Luisa, de 4 anos e meio. Você ainda não é pai. Como está sendo fazer esse papel?

Fui no feeling, sou padrinho da filha dela. Tive convívio com eles (Fernanda, o marido, o ator Raoni Carneiro, e Luisa) desde a gravidez. Sou um padrinho cúmplice, parceiro, mas é aquela história: cada um tem seu dia a dia diferente. Mas minha postura não só de ir lá, dar um presente, brincar e ir embora. Quando minha madrinha era viva fazia isso, então, não quero repetir. Eu vou, dou um rolé, levo ao cinema, ao teatro. A gente tem uma relação muito gostosa, muito bonita.

E você conversa na linguagem dela?

Ela é inteligentíssima, me dá aula.(risos) Tem sacadas que fogem ao entendimento. Parece que tem 18 anos, mas são só 4 e meio. E eles são pais muito legais, presentes, amigos.

Acha se tivesse uma parceira hoje teria maturidade para ser pai?

Acho que sim. É dificil ter absoluta certeza, porque depende muito dessa relação. Você pode se achar maduro, mas a relação pode não ser madura. 

Você faz ou fez terapia?

Fiz poucas sessões, para esclarecer pontos obscuros da vida, questões familiares e pessoais. Era caro e não estava conseguindo esclarecer. Aí, parei. Mas tive um terapeuta que foi incrível, rápido, e ele falou: ‘Vai viajar!’.

E você foi surfar?

Fui. Na época, eu não sabia se as pessoas gostavam do Paulo, ou do que o Paulo fazia. Ficava muito nesse questionamento. Pensava: ‘Será que sou o mesmo cara que nasceu em Santos?’, ‘Será que sou realmente capaz de ser querido pelo que sou, e não pelo que faço?’. Porque ao atuar, as pessoas se aproximam, é mais fácil de ser aceito. Aí, viajei para Indonésia sozinho, sendo essencialmente eu, onde ninguém me conhecia, e vi que era um cara legal, que as pessoas gostava de mim pelo que eu sou. 

Mas teve uma época difícil. Você não gostava de fotos, de assédio…

Aquilo era uma coisa pesada, dura de entender, de passar por aquilo. É como se fosse uma imposição: tem que passar por isso.

Havia problemas com fotógrafos, com paparazzi.

Eu me sentia muito invadido, então não queria, não gostava, não achava certo. Eu falava, mas não adiantava nada espernear, porque eles continuavam ali. Agora, eu sou amigo deles. Passo; cumprimento – ‘Aí, beleza?’ -; quer tirar foto, tira; não vai mudar nada a minha vida; não estou fazendo nada de errado.

Mas até chegar aí demorou. Máquinas quebradas, discussões… Você acha que agora, mais maduro, chegou ao equilíbrio em relação a isso?

Eu tinha atitudes de ímpeto, sou capricorniano, impulsivo. Também sabia que estava fazendo o que meu coração mandava. É muito fácil ter assessores para lhe blindar, e você virar um bunda mole, que admite tudo, que baixa a cabeça para todo mundo, que todo mundo espera que você faça. Mas esse não sou eu. Tenho personalidade. Sou o que eu sou. Agora, ninguém é obrigado a gostar de mim.

No caso das moças, sua personalidade sempre fez sucesso, geralmente, em relações que duraram um bom tempo. Seu último relacionamento, com a atriz Thaila Ayala, foram três anos…

Foram cinco anos juntos (sendo três de casamento). É tão dificil falar disso… Todo dia busco um monte de coisas. Busco me aprimorar mais como profissional, como surfista, como amigo, e os relacionamentos acontecem naturalmente, quando duas pessoas se encontram. É isso!

 

 

O QUE PENSA SOBRE…

MATURIDADE –

‘É conquistada com o tempo. Pouco a pouco, passo a passo’.

LIBERDADE –

‘É poder fazer escolhas’.

VIDA –

‘ A coisa mais valiosa que a gente tem. É muito importante saber viver bem’.

CASAMENTO –

‘Um elo de comprometimento, que pode ser desfeito a partir do consenso’.

ASSÉDIO –

‘O surf me ensinou muito. Por exemplo, que você tem que chegar num local com muito respeito, sem forçar, pedindo licença. Isso vale pra tudo, pra todo tipo de aproximação’.

MEDITAÇÃO –

‘Adoraria fazer mais. É um tempo para perceber o corpo, se olhar internamente, ter autoconhecimento. E conhecer o outro também, se bem que, como diria Caetano (Veloso), ‘de perto ninguém é normal’.

12 comentários

  1. Lu, Paulo Vilhena já havia feito duas peças de teatro, produzido e dirigido outra, participado de quatro novelas, apresentado o Vídeo Show, além da estreia no seriado Sandy & Junior, antes de conhecer pessoalmente Paulo Autran. Com a idade, a diminuição de audição e dificuldade de locomoção e absorção dos textos, o veterano do teatro trabalhou bem menos, vindo a falecer em 2007, pouco depois do programa da Waldvogel. Quanto ao abraço a Karin Rodrigues e a emoção da classe artística no velório de Autran é comum para admirava o trabalho dele e tinha noção de sua importância para o teatro. Assim como Vilhena foram Marisa Orth, Fernanda Montenegro, Juca de Oliveira, Marília Pêra, entre tantos outros da classe artística, que tb deram pêsames à amiga do ator, que tomou conta dele durante muitos anos. Ou seja, Paulo Vilhena é produto dele mesmo, de sua vontade de crescer profissionalmente. E, graças a Deus, não tem o preconceito, o desdém, em relação à televisão que Paulo Autran teve a vida inteira. Abs

  2. Parabéns ao ator que vem se superando a cada novela, a cada seriado e em cada capitulo de o IMPÉRIO. Mas aqui venho pedir , em necessidade pessoal, mudança de rumo no personagem , em angustia de quem sabe o que é o sofrimento da mente. Claro que sei que você pensa todos os dias no melhor encaminhamento do assunto loucura e seus derivados. O nome do personagem já indica uma reflexão profunda sobre o problema. Quando penso sobre o nosso descaso com as doenças mentais, vejo que há muito a se reparar. O primeiro reparo é a consciência de que essas pessoas problemáticas precisam de compreensão. Os seus atos pouco sociáveis não tem nada que ver com negligência, dispensando qualquer reprimenda educativa. É doença. Simples assim. Precisamos exalar amor à essas pessoas em fuga da realidade. Precisamos lhes dar independência de caminho para a vida cotidiana. Eles são capazes. Não precisam de obstáculos, traduzidos em sanatórios. Deixemo-los viver suas vidas em sua normalidade a nós estranha. Que sejam felizes. Que alcancem a suavidade de um olhar de esperança. Que conte com nossa ajuda. Que a loucura e a realidade se encontrem na terceira margem do rio.

  3. Muito boa a entrevista, como o Paulinho amadureceu e em todo sentidos. Sobre o episódio com paulo Autran, acho que foi a partir dali que ele buscou o teatro para evoluir e ficaram até amigos, pois cheguei a ver algumas notícias o Paulo Autran prestigiando o Paulo Vilhena, Já no enterro do Paulo Autran, Paulinho abraçado com a viúva.
    Sobre o personagem, espero que ganhe mais espaço e como gostaria de ver a química dele novamente com a Andreia Horta.

  4. Adorei!!!!! Paulinho deu um show, essa entrevista tá incrível! Ele é um fofo.

    Bjs,

  5. Que bom que vc gostou da entrevista, Bob. Sabe que conversamos um pouco sobre o programa da Monica Valdvogel, do qual eles participaram, há quase 10 anos? Inclusive comentei que eu estive em um, na extinta Rede Manchete, também com Paulo Autran, e ouvi uma grosseria daquelas, quando perguntei sobre televisão. Posso te dizer que não afetou em nada a nenhum de nós.rrsrsr

  6. ToComOAmigo Alexandre Ganso:

    “Sugiro,após o fim da novela, entrevista com cada um dos colaboradores de Império.”

    Essa turma merece. Afinal, administraram bem a benção da oportunidade.
    Agora, vou deixar anotado mais uma vez: “Falta de gratidão é raiz de dor gerada no coração. Quem tem hoje, agradece. Quem não tem, considere.
    Enfim, se alguém se lamenta a falta de tudo hoje, é bem provável que não honrou o pouco de ontem.”
    Aquela paz!
    Roem

  7. Prarabéns ao Paulo Villena, tive a oportunidade de conhecer um esquizofrênico, impressionante o gestual é igualzinho ao que se vê no personagem do Paulinho. nota 10

  8. O incrível Ney Matogrosso já cantava:

    Dizem que sou louco por pensar assim
    Se eu sou muito louco por eu ser feliz
    Mas louco é quem me diz
    E não é feliz, não é feliz
    Se eles são bonitos, sou Alain Delon

    Se eles são famosos, sou Napoleão
    Mas louco é quem me diz
    E não é feliz, não é feliz
    Eu juro que é melhor não ser o normal
    Se eu posso pensar que Deus sou eu

    Se eles têm três carros, eu posso voar
    Se eles rezam muito, eu já estou no céu
    Mas louco é quem me diz
    E não é feliz, não é feliz

    REFRÃO
    Sim sou muito louco, não vou me curar
    Já não sou o único que encontrou a paz

  9. Estou curioso – também – para saber como estão as emoções da neta muito querida da Janete Clair ao colaborar em uma novela das oito (oito sim,nao nove) na tv Globo.

  10. Quando eu crescer quero ser entrevistado pela Simone Magalhães.

    Sugiro,após o fim da novela, entrevista com cada um dos colaboradores de Império.

  11. Excelente trabalho da jornalista.
    Simone,como uma arqueóloga sensível e concentrada,vai trazendo à tona,aos poucos,a relíquia há tanto soterrada.
    Palmas!

    obs.: Faltou nessa entrevista mostrar a importância que Paulo Autran teve no crescimento psíquico da pessoa e do ator Paulo Vilhena.

  12. É aquele negócio né; um bom personagem está para o ator como um bom mar a ser navegado. Um bom ator, a ferramenta certa para uma perfeita cirurgia. Logo, o casamento certo.
    Tudo de bom e aquela paz!

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