HOJE É DIA DE NATASHA

» Públicado por em jun 11, 2015 | 4 comentários

 

Mais uma periguete ardilosa faz sucesso na TV: Natasha, personagem de Carolina Oliveira – de quem muitos ainda se lembram por ela ter protagonizado a minissérie Hoje É Dia de Maria, quando tinha apenas 10 anos. Uma década depois, sensualizando seus 1,60m e 44 quilos em roupas curtas e justas, de cabelos ruivos e bocão vermelho, a atriz arrasa em I Love Paraisópolis.

 entrevista de Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

Natasha quer trocar a comunidade pelo chique Morumbi, e não mede esforços: mente, chantageia, dá trambiques, e não tem nada de imatura. Aliás, esses dois pontos – perseverança e maturidade – atriz e personagem têm em comum. Carolina trocou São Paulo pelo Rio, ainda pequena, trabalhou, e há um ano mora com o amor de sua vida. Dona de casa – sem muito traquejo, admite -, consegue conjugar gravações, atividades domésticas e eventuais viagens para o exterior com o marido, Felipe Mojave, 32 anos, campeão mundial de pôquer. Cheia de personalidade, ela garante que casamento está nos planos, mas só se for de jeans, naquelas capelas tipo drive-thru, em Las Vegas. “Importante é o que a gente sente”, define.

 Natasha parece uma menininha, mas é uma chantagista de marca maior…

Ela já nasceu assim: da pá virada (risos). Acredito que pelo fato de não ter aquilo que tanto quer – morar bem, roupas bonitas, um carro zero… -, faz chantagem com o Tomás (Dalton Vigh), que é rico. Ela tem o trunfo de a família não saber que ele é pai da Marizete (Bruna Marquezine) e que a abandonou.

Ela queria ser uma patricinha como Bruna (Giullia Buscacio), filha legítima dele?

Queria muito, tanto que tudo que o pai dá a Bruna, a Natasha quer também. Ela tem inveja da garota, está sempre pensando à frente, numa forma de manipulá-la. Como Bruna é rebelde, quer ser como Natasha, minha personagem entregou até um ‘passe’ pra ela entrar e sair de Paraisópolis quando quiser. Ela tem esse lado egoísta, oportunista, sem noção, mas também tem o maior respeito pela mãe (a doceira Paulucha, vivida por Fabíula Nascimento).

Parecidas com Natasha existem muitas meninas que fazem qualquer coisa para ostentar o que veem nas outras, não?

Acho que é do ser humano sentir inveja. Mas a pessoa boa vai trabalhar para conquistar. A ruim tenta conseguir a qualquer preço.

A Natasha é defensável?

Eu a defendo porque acredito que a falta de um pai presente tenha prejudicado ela, mas, ao mesmo tempo é superdeterminada. E se conseguir o que deseja, a mãe também vai melhorar de vida. Só que tudo que ela passa a faz esperta, não se sujeita a qualquer coisa e usa um jeito insinuante para conseguir. Ela admira a Soraya (Letícia Spiller). Que mulher é aquela? (risos) Se ela der uma oportunidade a Natasha de se aproximar, tenho certeza de que vai aproveitar.

E nessa obsessão pela riqueza, ela acaba não se envolvendo com nenhum namorado.

Não consigo ver par romântico para ela. Pelo menos, nesse momento.

Você é bem diferente da personagem. Nasceu em São José dos Campos, foi para a capital de São Paulo, veio para o Rio fazer TV. Sempre teve apoio de seus pais?

Fiz tudo com muita responsabilidade, e minha mãe, Rose, sempre foi minha parceira, me acompanhava em festas, viagens, em tudo. E dizia que se quisesse deixar de trabalhar em TV era só falar. Sempre repetia: ‘Criança tem que ser criança’.

Por falar nisso, como foi que despertou essa vontade de ser atriz?

Eu não tinha vontade (risos). Com 8 anos pedi à minha mãe para fazer um book com fotos produzidas para, mais tarde, lembrar de mim quando era criança. Fomos a uma agência de modelos, mas as fotos eram uma fortuna. Aí, ficaram me olhando, disseram que eu era muito expressiva, e ofereceram uma bolsa para o curso de modelo, durante um mês. As aulas eram aos sábados, e meu pai, Geraldo, passou todos os sábados de férias me levando ao curso. Como te falei, eles sempre me apoiaram muito. Logo depois, me chamaram para um teste para Hoje É Dia de Maria. Falei algumas coisas e cantei ‘Se Essa Rua Fosse Minha’. Eu não sabia que era uma minissérie, achei que fosse para um comercial (risos). Houve mais testes, fui passando, sempre apoiada pela preparadora Maria Clara Fernandes. No final, disseram que a resposta viria de quatro dias a um mês. No dia seguinte, ligaram dizendo que passei. Aí, tive aulas de canto e preparação para o papel.

Mas sentiu que sua vida iria mudar a partir dali?

Nada. Eu assistia à novela Carinha de Anjo (no SBT), junto com minha avó, Maria do Carmo, depois nós dormíamos ouvindo Zezé de Camargo & Luciano. Foi com ela que aprendi a gostar de sertanejo. Tenho muito amor pela minha avó. Há dois anos, ela teve um AVC (acidente vascular cerebral) e ficou com o lado direito do corpo paralisado (emoção).

 

 

A MENINA QUE BRINCAVA DE SER ATRIZ

 

E assim você veio para o Rio, com 9 anos, ser protagonista de minissérie, né?

Como sempre houve muito diálogo com meus pais, eles não colocaram nenhuma responsabilidade em cima de mim, só de decorar o texto, chegar na hora e fazer o que fosse pedido. Mas minha mãe sempre dizia: ‘A hora em que quiser, pego você, e levo embora’. Mas para mim aquilo era uma brincadeira: eu estudava e ‘brincava’ depois. Nunca imaginei que, com 10 anos, pudesse ser candidata a um prêmio, que dirá um Emmy Internacional.

O Emmy não veio, mas você fez três novelas logo depois: Páginas da Vida, Caminho das Índias e o remake de Ti Ti Ti. Como foram?

Você acredita que apanhei de uma velhinha, quando fazia a preconceituosa Gabriela em Páginas da Vida? (risos) Minha mãe estava num caixa eletrônico, enquanto eu esperava a senhora perguntou se eu não tinha vergonha de ser ‘daquele jeito’, e me puxou pelos cabelos. Já a Chanti, de Caminho das Índias, era uma rebelde, queria estudar fora. Foi ótimo também porque aprendi  danças indianas. Em Ti Ti Ti, fiz a Gabriela, que deu o golpe da barriga, mas que era uma fofa (risos). Foram três trabalhos bem diferentes que ajudaram a crescer como atriz.

Depois de participar de um episódio de As Brasileiras (2012) você resolveu dar um tempo na carreira até agora. O que aconteceu?

Comecei muito nova, não conhecia outras profissões… Só sabia que era a Carol e que gostava de atuar. Eu estava no dentista, quando ele contou que o filho estava indo para um intercâmbio em Vancouver, no Canadá. Resolvi ir também. Passei um mês na casa de uma família, pessoas muito tranquilas, uma mãe e três filhos.

Como foi essa aventura?

Foi ótima. Eu tinha o porão da casa só pra mim, e como a mãe era italiana, comi muito bem (risos). Eu levava o lanche para a escola naqueles sacos de papel marrom, que a gente vê nos filmes. Quando voltei, resolvi fazer jornalismo, mas não gostei. Decidi que ia virar bailarina clássica – desde pequena fiz balé -, fazer cursos de atuação, de canto e dança. Sou louca por musicais! E queria me preparar para um. Entrei para o conservatório de música e aprendi a tocar piano.

Nossa, quanta coisa!

(risos) É que eu aprendo rapidamente. Sou um pouco autodidata, aprendi a tocar violão sozinha, e compus uma música, I Wish You Were Here (Eu Gostaria Que Você Estivesse Aqui). Fiz mais cursos com professores internacionais, com a Juliana Carneiro da Cunha, que mora na França e trabalha no Théâtre Du Soleil. E fui descobrindo que poderia dar mais de mim a cada ensaio, melhorar muito. E fiz o longa Cartas de Amor São Ridículas, da Alvarina Souza, que não sei quando será lançado. Já havia filmado Encantados, da Tizuka Yamasaki, que está previsto para estrear até o fim deste ano. Foi um dos trabalhos mais diferentes que já fiz. Minha personagem, a Zeneida, mora em Belém, e é mandada pelo pai para a Ilha de Marajó. E lá descobre que tem o dom para ser pajé. É uma história real. Conheci a Zeneida, que me contou várias histórias, aprendi a andar a cavalo, a jogar capoeira, nado sincronizado, porque tinham cenas dentro das águas do rio, e tinha que fazer todo um gestual.

 

FELIZ NO AMOR E NO JOGO

 

 

Com tantos cursos e trabalhos, como conheceu seu marido, Felipe Mojave,  campeão de pôquer e apresentador em várias emissoras de programas sobre o jogo?

Foi no Festival de Verão da Bahia. Eu tinha 17 anos, e não dei bola, ficamos amigos. Um dia, ele me chamou para ir à casa dele. Eu falei que tudo bem, que iria a São Paulo. Só que ele estava falando da casa de Las Vegas. Eu estava juntando dinheiro para comprar um carro, mas pensei: ‘Ah, depois eu compro’. E fui com minha mãe para Vegas. Foi maravilhoso!

Vocês moram juntos há cerca de um ano, ele viaja muito por causa dos torneios. Como é o relacionamento?

A gente é bem parecido. Gostamos de viajar, trabalhar muito, de assistir a séries, em casa. Ele é mais racional, e eu, passional. Sou um pouquinho ciumenta.(risos) Ele é supercompreensivo, me apoia muito, assiste a tudo que faço, não tem ciúmes. Eu cuido da casa, aqui no Rio. Ainda não achei ninguém que ficasse fixa para me ajudar. Tem uma moça que vai duas vezes na semana, mas eu lavo, arrumo tudo, cozinho – mais ou menos, né? (risos). E o Fê (Felipe) ainda trouxe o Black Jack (um cachorro da raça lulu da pomerânia) pra ficar comigo. Ele é lindo! E a gente dorme de conchinha.

E o sonho de fazer o musical acabou se concretizando, não?

Logo que voltei de uma viagem a Nova York conheci o Chorão (falecido vocalista do Charlie Brown Jr) no Altas Horas, do Serginho Groisman. Ficamos conversando, pedi pra tirar foto com ele, e quando a gente se encontrava batia muito papo. Um dia, minha mãe mostrou a música que compus ao Chorão, que me deu a maior força. Por ironia do destino, atualmente estou interpretando a Thais, mãe do Alexandre, filho do Chorão, no musical Dias de Luta, Dias de Glória, que conta a trajetória dele e do grupo.

E nessa correria toda como mantém a forma?

Antes de voltar ao trabalho, estava muito parada e queria ‘secar’ a barriga. Fiz uma dieta, que me deixou mal-humoradíssima… Eu amo pão! Amo doce! Não dava. Mas comecei outra que funcionou. Meu metabolismo é muito rápido, estava queimando calorias demais durante o musical. Acabei sendo liberada para comer o que quisesse.

Qualquer coisa?

Tomo café da manhã, almoço, janto… Como carne vermelha, açúcar, leite, pizza, churros, chocolate, cachorro quente… Ontem mesmo, estava morrendo de vontade e comi um hambúrguer enorme! Só evito um pouco o refrigerante. Mas voltei para o balé, clássico e contemporâneo, estou no teatro, gravando a novela quase todos os dias, e não poderia estar mais feliz!

 

 O QUE ELA PENSA

 

MOMENTO FELIZ – “Quando estou em casa com o Fê  e o Black, que agora é meu! Se o Fê me der um pé na bunda, fico com o Black, e ele nunca mais vai vê-lo. Falo isso, mas tenho certeza de que não vai acontecer” (risos).

UMA VIAGEM – “Sempre gosto de ir a Nova York. Lá tudo funciona. As pessoas vão para a balada de metrô. Não tem essa distinção de quem é rico ou não: todos usam transporte público”.

FAMÍLIA – “É a base de tudo, com quem dividimos felicidades e tristezas. É engraçado… meu irmão, Leonardo, de 15 anos, me pede conselhos. Está naquela fase de adolescente que quer se aproximar das meninas, com barba começando a crescer. É muito legal”.

FIDELIDADE  – “Se a gente está junto de alguém é porque quer. Não vou dividir o meu amor. Se não há mais sentimento, isso deve ser dito antes de se envolver com outra pessoa”.

DEUS – “Não significa que Ele seja de uma determinada religião. Pra mim é uma força maior, a quem peço – saúde sempre -, agradeço e bato papo”.

VIOLÊNCIA – “Fico muito, muito triste. Acho que, em geral, acontece porque muitas pessoas não tiveram oportunidade de ter uma educação formal. O que elas conhecem é apontar uma arma, uma faca, para conseguir o que querem. Falta educação no Brasil. Ela é o começo de tudo”

MEDO – “Antes, quando me perguntavam isso, eu dizia: ‘Cachorro’. Um dia, falei para o Fê: ‘Quero um cachorro’. Ele deixou o Black comigo, e foi maravilhoso. Sabe do que tenho medo? De ficar sem as pessoas que amo.”

NÃO FARIA DE JEITO ALGUM – “Nunca digo nunca. Eu não faço o que vá contra os meus princípios, o que eu não acredito, que me faça sofrer”.

POSAR NUA – “Não! Não tem nada a ver comigo. Seria só uma forma de me exibir. Posei para o Marcelo Faustini como Eva porque tinha um propósito. Ele está fazendo um livro e uma exposição, com várias outras personagens”.

PRECONCEITO DO PÚBLICO DE TV – “Todo mundo fala ‘não’ ao preconceito, mas sabemos que ele existe, que muita gente não gosta de ver determinadas cenas. Isso é muito contraditório, difícil de entender”.

 BANALIZAÇÃO DO SEXO NA TV – “Acho que é um problema cultural. Se os pais entendessem quanto isso pode fazer mal a uma criança… E, não é apenas na TV, muitos por falta de entendimento, de formação, deixam as crianças na internet se expondo, geralmente sem querer, a esses velhos nojentos. Tenho horror a pedofilia, é um crime da pior espécie”.

ABORTO – “Acho que não faria, mas cada uma é dona do próprio corpo. Não estou dizendo que seja certo ou errado, mas ninguém pode fazer julgamento”.

 

4 comentários

  1. Melhor atriz dessa nova geração da Rede Globo. Queria muito vê-la em alguma novela do Aguinaldo Silva!!

  2. Eu considero essa a melhor e mais promissora atriz da rede Globo. Ela é linda e talentosa demais!!!

  3. Excelente atriz e conduta impecável!

  4. Que linda, pé no chão, além de ser ótima atriz, parabéns

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