LÍLIA: UM VERDADEIRO BRILHANTE

» Públicado por em abr 7, 2014 | 30 comentários

 

Quem recebe a equipe do AS Digital é um cachorrinho branco chamado Gucci. Elegante como a dona da casa, Lília Cabral, 56 anos, ele se mantém discreto durante toda a entrevista, e até se posiciona, estrategicamente, para fotos. Enquanto isso, Lília, simpatia em forma de atriz, esmiúça sua aristocrática personagem em Falso Brilhante, próxima trama das 21h, da Globo. A vilã Maria Marta Medeiros de Mendonça e Albuquerque – que me perdoe o Gucci – vai ser o cão chupando manga, na luta para usurpar a fortuna de seu ex, o Comendador José Alfredo de Medeiros (Alexandre Nero). Mas essa paulistana da Lapa não se limita à novela e nos fala também da família, das dores, das alegrias, de sua fé, seus hábitos, enfim, um pouco de tudo que é muito importante. Inteligente, conversadeira e simples, Lília Cabral é um exemplo para todos nós.

entrevista: Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

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Quando você leu a sinopse, o que pensou: Maria Marta é uma mulher apaixonada rancorosa ou ficou rancorosa porque não conseguiu manter o casamento com o Comendador?

Acho que quando você fala no rancor é porque a mulher não consegue resolver, na verdade, a vida dela. O rancor não abrange só o lado do afeto ao homem, mas também aos amigos, à família… Então, quando a pessoa tem um objetivo, e não acontece, ela se enfraquece, os sentimentos se misturam, tornando-a cada vez mais obsessiva em querer conseguir o que deseja. E, ao mesmo tempo, essa objetividade, essa determinação, que poderia ser dirigida a alguma coisa positiva, quando isso não acontece, há o lado mau. É como se você tivesse uma ferida, passasse remédio, ela não sarasse, e ficasse inflamada. Aí, o sentimento torna-se rancor.

Acha que, em geral, a mulher que sofre rejeição é vingativa? Ou ela prefere o tradicional “vou dar a volta por cima”?

Ela fala, mas nunca consegue dar a volta por cima (risos). Essa raiva que a Marta tem não é uma raiva que conheço de outras personagens. Porque a pessoa quando sente que tem o poder, independentemente do tempo, sempre acha que vai conseguir o que quer. Esse lado da vingança e o do amor caminham juntos, porque se a personagem fosse totalmente dura por dentro, não se submeteria a tantas coisas.

Acha que Marta ficou fragilizada pela rejeição?

Não, ela não é uma mulher fragilizada.

Mas a partir do momento em que sua personagem se liga à vilã Cora (Drica Moraes), planta notas em coluna contra o Comendador, Cristina (Leandra Leal) e outras pessoas ligadas a ele, não está procurando apoio para se vingar?

Ela consegue armar, articular. Não acho que tenha essa coisa que todo mundo está acostumado a ver nas personagens rejeitadas: brigas, escândalos… Está acima disso. Eu a vejo como uma mulher na qual todos esses sentimentos estão escondidos.

Foi a partir da relação com José Alfredo que ela ficou malvada?

Antes dela casar-se com ele foi abandonada por um marido que, pelo que li, não deixou nem um brochinho de herança (risos).

Na verdade, ela teve um casamento anterior por interesse, mas pelo Comendador acabou se apaixonando.

Isso está tudo guardado. Ela está acima do bem e do mal. Não posso pensar que Marta é uma pessoinha que vai fazer uma vingancinha. Não! Ela é superior a isso. Mas junto com esse lado superior é apaixonada ainda. Não quero, de cara, ficar demonstrando quanto ela é apaixonada por ele. Quero sempre deixar a dúvida, afinal tudo pode mudar… Não quero deixar essa mulher ‘entregue’, e é por causa disso que ela faz tudo. Acho que, antes de mais nada, é uma pessoa egoísta.

Mas como uma pessoa egoísta se deixa levar por um homem que a trai, que a mantém afastada dele, numa mansão em outra cidade?

Se eu for pensar assim vou tornar essa personagem pequenininha: ‘Olha o que ele fez comigo!’. Vai posar de vítima. E eu não vou e não posso fazer isso! No capítulo 5, ela chega, de helicóptero, no Monte Roraima, onde ele está, e diz: “Adivinha quem vem para jantar?”. Se eu ficasse me vitimizando, como chegaria nesse lugar?

E ele a manda embora, mas Marta insiste. Diz que veio falar sobre o filho. Ela tem sempre um subterfúgio.

Pois é. São coisas como essa que me fazem pensar: ‘Como é que vou deixá-la fragilzinha?’. Ela está acima de tudo! Se eu for pelo caminho dessa mulheres traídas, mal amadas – que conheço, porque já fiz todas – vou cair no lugar-comum, que acho que não é essa  personagem. Ela vai sofrer, amar, chorar, mas tudo com uma verdade absoluta de uma mulher que só pensa nela. Se eu começar a criar motivos para engendrar as vinganças, não será a personagem: isso faz parte da personalidade dela.

A maldade vem naturalmente…

Sabe uma pessoa astuta, inteligente, uma raposa? A raposa é, muitas vezes, mais inteligente do que o leão, porque ela tem que se safar de todos que estão em cima dela – ou pra comer ou pra servir de isca. Se eu for pelo lado ‘coitada’, daqui a pouco estou quase uma Madre Teresa de Calcutá! E eu quero que todo mundo me entenda. E me odeie, também (risos).

 

           NADA DE SE FAZER DE COITADA, ELA É UMA RAINHA

 

Mas muitas mulheres se identificam com a traída, e até a justificam…

A mulher se identifica com uma traída quando o casamento está ‘razoavelmente’ bem, quando o cara não chega pra esposa e diz o que está se passando com ele. Como ele não conversa, um dia, sem mais nem menos, ela descobre que o marido tem outra.  Aí, fica desesperada, arrasada. Agora, uma mulher que, até então, luta pelo poder, não é assim. Quando o Aguinaldo (Silva, autor da novela) pediu que a gente assistisse a O Leão no Inverno (1968), nossa! Os diálogos são tão cruéis… O filme é uma guerra sem matança, uma guerra de palavras, psicológica. E aquela mulher (a rainha Eleanor de Aquitânia, interpretada por Katherine Hepburn) ao mesmo tempo que dizia que amava ele (o rei Henrique II da Inglaterra, vivido por Peter O´Toole) faz aquela confusão toda com os três filhos (interessados no trono). Você não sabe até onde vai o amor fraternal e o amor por interesse. Quando ela vai embora para o castelo distante, vai como rainha. Não como coitada, com os olhos murchos. É sempre superior. Esse é o entendimento que eu quero que as pessoas tenham dela.  Cruel quando tem que ser, amante quando tem que ser, mas, antes de tudo, está num trono: nada a abala.

O que você acha desse comportamento?

Eu não apóio essas atitudes. Isso é o que eu sinto como objetivo do Aguinaldo: a personagem não cair no lugar-comum e, ao mesmo tempo, ter a força de uma leoa. Ela é capaz de absolutamente tudo, mas não acredito que fique no caderninho escrevendo: ‘Agora vou fazer isso, depois aquilo’. Não. Isso já existe dentro dela. Quanto mais natural e normal eu estiver, mais cruel serei, e mais chance de as pessoas entenderem a personagem. Acho que vilania flui. Mesmo fazendo armações com a Cora, com o filho mais velho, José Pedro (Caio Blat), ela, como várias mulheres, têm muito poder.

E esse poder vai ser usado de várias maneiras…

Pensa nessas mulheres que são donas de tantas coisas e casadas com grandes empresários, executivos. Em quantas situações elas se colocam e têm que resolver? E de que maneira? De uma maneira saudável ou não? Ou colocam o coração na frente? Se eu ficar pensando que todas são assim, ‘duras’, não dá! Isso eu fui sentindo quando estava lendo os capítulos e, ao mesmo tempo,  armando na minha cabeça essa vontade… primeiro, de não me repetir; segundo, de não sentir necessidade de ‘anunciar’ o sofrimento. Se eu anunciar, ninguém sofre comigo.

Mesmo com todas essas nuances, sendo vilã, você acha que as pessoas vão aceitar a Marta?

Podem não aceitar, achar que é bem feito eu estar sofrendo, mas vão entender.

Dizem que mãe não faz diferença entre os filhos. Mas há sempre uma identificação maior com um deles. No caso da Marta é com o José Pedro. Isso é porque ele é interesseiro como ela ou por que pode manipulá-lo?

Acho que ele é o único que ela consegue manipular. Não vejo ele com dotes de um bom moço. Mas ela também foi pelo caminho do interesse. No início da trama, se o José Alfredo continuasse pobre, ela não ficaria com ele. Depois de seis meses que se conheciam, Marta diz: ‘Eu sempre pensei que fosse seguir a minha família’. E a família é aristocrata, mas ela sempre visou o dinheiro, casar-se com um homem rico, se estabelecer na vida. Até casou-se com um rico, mas que era cafajeste, e ela se separou com uma mão na frente e outra atrás. E surgiu o José Alfredo, que estava ficando rico, só que é contrabandista. Tudo que ela não pensou, mas acaba ficando com ele por ver chances reais de melhorar a vida.

Ele é um ogro rico. Precisa de uma aristocrata para lapidá-lo.

Exatamente. Mas quando a aristocrata entra na história está bastante defasada… até na postura, no trato com as pessoas. Não é aquela mulher fina, requintada. Não é uma lady.

Mas e a relação dela com Zé Pedro?

A partir do do encontro entre Marta e Zé Alfredo há o jogo de interesse. E, de fato, os dois se apaixonam. Só que ele sentiu-se traído pela necessidade de ela colocar o filho em primeiro lugar.  Há um capítulo em que ela quer que Zé Pedro a acompanhe à delegacia para resolver um problema. Ele fica com medo, Marta dá dois tapas na cara dele, e o sacode. Ele é fraco. É o filho pelo qual mais tem carinho, mas não suporta ver a fraqueza dele.

Ela fomenta a rivalidade entre os três filhos?

Eles foram crescendo, e em vez de o pai se dirigir para o mais velho, ele foi indo para o lado da Maria Clara (Andreia Horta). E a Marta sentiu ciúmes. Aquele amor que não trazia para a mulher, ele levava para a filha. E virou uma competição feminina. O João Lucas (Daniel Rocha) tem insegurança, carência, quer chamar atenção, sente-se renegado – e ele deve ser -, toma as atitudes mais inconsequentes. Ele comete um crime, e a mãe vai tratar aquilo como um ‘probleminha’ do filho. Ela é amoral. A guerra psicológica que o filme (O Leão do Inverno) apresenta, o Aguinaldo transpõe muito bem para o universo dessa família. É quase como se fosse uma doença: ela vai minando tudo e todos por um poder, que não existe! Se eles compartilhassem a vida como deve ser…

Conhece alguma família com esse nível de desestrutura?

Acho que uma família feliz recebe bem e doa bem. A da novela não tem nada disso. Estão sempre pensando em ter mais e mais e mais. Caberia em várias situações de outras tramas e, principalmente, na vida real. A felicidade é ter a compreensão do que você tem, e tornar-se uma pessoa agradecida. Essa família não tem o mínimo de humildade e sentimentos bons.

 

       FAMÍLIA: ALEGRIAS E TRISTEZAS

Você faria qualquer coisa pela sua filha, Giulia?

Faria, mas se ela cometesse um crime eu não passaria a mão pela cabeça dela. Eu ia sofrer tanto! Mas sei que a Giulia não cometeria um crime. Mesmo que fosse uma atitude errada, uma desonestidade, como é que a gente vai  defender? Ela iria procurar a defesa, porque eu não iria.

Ela tem 17 anos. Já escolheu um caminho profissional?

Giulia está no Tablado (curso de teatro), há três anos. E sinto que, cada ano que passa, ela tem uma evolução, não só de postura para vida como de maturidade. Também gosta muito de escrever, e a forma que encontra de se expressar é bonita, poética. Fez a prova do Enem, só para ter uma ideia, e na redação – que vale mil pontos – tirou 960! Eu me lembro que, quando tinha a idade dela, também adorava escrever.

Que bom que você dá força pra ela. Sua escolha pela carreira artística foi complicada, não?

Meus pais não queriam que eu atuasse. Resolvi fazer vestibular para jornalismo, na USP, mas com os pontos que fiz passei para minha segunda opção, música. E o primeiro período era de Educação Artística, para obter licenciatura e cursar música, artes plásticas ou teatro. Foi Umberto Magnani (ator), meu professor, quem me levou para o teatro e me incentivou a procurar a Escola de Arte Dramática (EAD). Eu dava aulas de artes numa escola infantil, de manhã, ia para a EAD e estudava os textos. Meus pais nem imaginavam. Desde criança – filha única, com menos atenção do que  gostaria, vivia brincando na minha casinha de madeira – que eu criava coisas na minha imaginação e me divertia com isso.

Sua mãe demonstrava carinho bordando, não é isso?

É. Ela bordava todas as blusas ou as barras das saias que eu ganhava ou herdava. E ficava toda orgulhosa de como eu estava bonita com as roupas. Estava fazendo Mandala (1987) quando minha mãe morreu (de câncer de pâncreas). Fiquei com um vazio enorme (emociona-se). A ligação com minha mãe era muito forte. Nessa época, tive síndrome de pânico, e fui procurar ajuda. Aí, fui me recuperando, veio Vale Tudo (1988) e fiquei bem.

Já seu pai era um homem muito rígido.

Só ouvi ele falar que amava minha mãe quando ela morreu.

Vocês tiveram uma discussão séria na sua adolescência, não?

Quando eu tinha 16 anos, ele me bateu. Eu disse uma coisa que ele não entendeu. Mais do que isso, ele não admitia o fato de não ter entendido. Marcou tanto essa atitude que rompi com ele, me afastei. Não queria ficar ali para sempre: ou a gente vivia, ou morria. Tinha que me libertar de todas as histórias. Acabou sendo um empurrão para eu vir para o Rio, um incentivo à minha carreira.

 

 

     CRIATIVIDADE, IMAGINAÇÃO E TALENTO

Seu primeiro exame de criatividade (para teatro), ainda na USP, exigiu muita imaginação…

Pois é. Eles davam uma frase para cada um e tinha cinco minutos para pensar no que fazer. A minha era “Ir de mão em mão até chegar à mão do irmão”. Eu sabia que não poderia ser óbvia. Olhei pela janela da USP, vi umas margaridinhas e pensei em me transformar numa delas. Eles queriam uma postura criativa: quem entrasse lá berrando, fazendo e acontecendo, não passava. O entendimento não estava na força, e sim no intelecto. E, como margarida, contei a história de um menino e uma menina, do bem-me-quer, mal-me-quer. Ia me desfolhando, até cair no chão, sem pétalas. Um jardineiro me plantava de novo, e eu renascia.

Lindo isso…

Nossa profissão requer inteligência e sensibilidade.  A Giulia é inteligente, tira notas excelentes. Aí, o Iwan (Figueiredo, marido dela) diz: ‘Mas como é que essa menina, com tanta nota boa, vai ser atriz?’. Acha que ela poderia fazer outra coisa. Mas eu digo que quanto mais inteligente ela for, mais inteligente será na arte, que requer isso. Ela também é muito criativa. Vai prestar vestibular  para Artes Cênicas, mas em qualquer área da comunicação pode ser feliz. A partir de maio, o colégio começa uma bateria de testes vocacionais. Vamos ver. Na minha escola, quando eu fazia esses testes, sempre dava artes – e eu cuidava do jornal do colégio e do teatro.

Não tem medo de que ela encontre dificuldades se escolher uma área de mercado restrito?

Toda profissão é difícil, complicada. Na carreira artística também. Estão sempre em busca de renovação e todos querem os 15 minutos de fama. Quando comecei tive que pedir muito para muitas pessoas. Fora os ‘nãos’ que levava nos testes. Giulia já me pegou mais estabilizada. Eu converso muito com ela. Quando volta do Tablado achando que não foi bem naquele dia digo que nas dificuldades é que a gente aprende e evolui.

 

 

  CONTRA O BOTOX, E PELA

BOA ALIMENTAÇÃO E EXERCÍCIOS

Em novelas você teve personagens memoráveis.

Nossa! Em Vale Tudo, o Paulo Ubiratan (diretor geral, já falecido) dizia: “Inventa aí!”, e me deixava livre para fazer os trejeitos da Aldeíde, usar chuca no cabelo, manter aquela cumplicidade com o Poliana (Pedro Paulo Rangel)… Era muito bom!

E foi com uma Marta, em Páginas da Vida (2006), que você acabou indicada na categoria de melhor atriz ao Emmy Internacional. Será que vai acontecer com a Marta, de Falso Brilhante?

(risos) A Marta tinha muito ódio! Pode ser que a Maria Marta seja pior ainda, ninguém sabe. Mas o que quero é fazer o melhor que puder, vou muito pelo texto. Quando é bem escrito, minha intenção é não decepcionar o autor, dar vida aquilo que ele escreveu. Fico preocupada em: ‘Como é que eu vou passar a verdade desse texto?’. Depois que o texto está bem ‘maleável’, na minha forma de falar, aí eu me divirto.

Você recusou várias propostas para fazer ensaios na Playboy. Nunca ficou tentada?

Em nenhum momento. E numa das vezes o contato da revista me disse que com o dinheiro eu poderia ter um apartamento, e sem ele levaria uns seis anos para comprar. E foi o que aconteceu. Com o dinheiro que eu ganhava pagava aluguel, tinha carro popular e juntava para comprar o apartamento.

Toca o telefone. É Giulia, avisando à mãe que vai chegar mais tarde.

Você fica preocupada?

Ano passado, ela ficou um mês na Inglaterra, estudando. No aeroporto, não chorei. Via aquelas pessoas aos prantos, mas queria passar segurança pra ela, que ia ficar tudo bem por aqui. E pensei: ‘Tudo que pude fazer, ensinar, ela já absorveu. O que não fizer, ela vai ter que aprender’. A gente se falava todos os dias pelo telefone. Durante a passagem do Papa (Francisco) ao Brasil tive uma semana de folga, viajei pra Londres na sexta, passei sábado e domingo com ela, e voltei na terça (risos).

Você parece tão tranquila, mas é ansiosa, não?

Sou. Mas acho que está melhorando com a maturidade. Quanto mais velha a gente fica, mais aprende, ensina, se doa, compreende… Quero ser igual a Laura Cardoso, Fernanda Montenegro, Glória Menezes. Continuar sempre fazendo arte. Não vou ficar nunca paradinha, esperando que alguém me convide. Meu perfil não é esse. Eu produzo meus espetáculos, e estou pensando num roteiro de cinema, um projeto com George Moura (roteirista) para o ano que vem. O lado confortável não me interessa. Quanto mais desconhecido, mais me instiga, mais vontade de acertar. Vou atrás do perfeccionismo.

O que você acha de procedimentos estéticos, como o botox, por exemplo?

Não gosto. Tenho medo de que aconteça uma cagada na hora de colocar, e outra: acho que tenho que me manter como sou, pela alimentação, pela malhação – que é preciso fazer, infelizmente. Se tivesse toda botocada não sei se seria chamada para os papéis escritos para minha idade.  Com esses procedimentos as pessoas mudam muito. Acho melhor fazer plástica para consertar algumas coisas, agora mexer na expressão… Tem mulheres que se modificam completamente! Em Saramandaia, recebi elogios por ser do jeito que sou, sem ter passado por intervenções. Acho que assim, a mulher (telespectadora) se aproxima de mim.

Já que você falou em alimentação, como é a sua?

Tirei o glúten e o doce (chocolate, sorvete). Eu tomo café com leite com um pouco de açúcar. Mas como bolo sem glúten, ricota sempre, leite semi desnatado, grelhados, tudo temperado com azeite, muito peixe, sucos, cereais, damasco, grãos, e como de três em três horas. Tirei a fritura, e massa é difícil ter. Ontem (véspera da entrevista), por exemplo, comi no almoço uma omelete de claras (de ovos) com mussarela de búfala, e salada verde. No jantar, peito de frango, vagem e lentilha. Fui acostumando o organismo e, há mais de um ano, emagreci nove quilos e mantive. Não estou bem? E não estou sofrendo (risos). A malhação é no palco, e ando 40, 50 minutos, todos os dias, no Jardim Botânico. Quando estou trabalhando não dá. Acordo às 5h30, pra estudar o texto, já me acostumei, porque a casa ainda está em silêncio, e fica mais fácil. Mas estudar mesmo é no fim de semana.

Mas assim você nem tem tempo de ver TV.

Vejo! Durmo depois das 22h. O que assisto mais são às séries. Gosto de Breaking Bad, Mad Man e Downton Abbey. Aliás, o mordomo da minha personagem, o Silviano (Othon Bastos), é inspirado no de Downton Abbey.  Estou sempre muito envolvida com o trabalho. Além de fazer agora a peça Maria do Caritó, em Natal e Fortaleza, no dia 15/4 tenho leitura de mesa com o Papinha (Rogério Gomes, diretor de núcleo). Estou estudando os quatro primeiros capítulos para pegar a embocadura da personagem, para que já esteja bem íntima dela na outra semana, quando começar a trabalhar com a “família” da Marta. Dia 17/4 estreia o filme Julio Sumiu, no qual faço a Edna, mãe do Julio (Pedro Nercessian), que desaparece, e ela vai atrás dele.

 

                       

                CINCO TEMAS PARA PENSAR

1- O que é a FELICIDADE para você?

É o meu trabalho e a minha filha. Não preciso de mais do que isso.

2- Você sofreu um aborto espontâneo aos 37 anos, e teve a Giulia com 39. Em algum momento ficou com MEDO?

Não tive medo nenhum. Minha mãe já tinha falecido, e a sensação que eu tinha é de que ela estava ali ao lado falando: ‘Você não precisa se preocupar porque vai dar tudo certo’. Eu, agora, só tenho medo de avião.

Medo avião remete ao medo da morte?

Eu fico pensando na minha vida, na família… Mas tomo um remédio e vou. Começo a conversar com as pessoas, puxo assunto, conheço gente, até com o comandante fui parar na cabine. De resto não tenho medo de nada.

3- Tem RELIGIÃO?

Sou católica. Não praticante de ir à missa toda semana, mas vou à igreja. E gosto de rezar, de ler sobre a vida dos santos… acho lindo. Tem vários que eu gosto: Santo Antônio, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora das Graças, Santa Rita de Cássia, Nossa Senhora de Fátima, São Judas Tadeu.

Você fica interessada por terem vida de mártir?

Não é só por isso. É por terem uma vida dedicada. Muitos morreram em função de outros. Não que isso seja uma inspiração pra minha vida, mas é um respeito… é de onde vem a fé.

4-Como define FAMA?

Chegar em algum lugar, e uma pessoa tiver a necessidade de vir falar sobre quanto admira o que você faz. Isso, pra mim, é um respeito ao meu trabalho. E quando você vira protagonista, qualquer coisa que faz tem que tomar cuidado, porque já vira matéria. E pode ser deturpada se a pessoa não gostar de você. Eu escuto, fico quieta e aquilo vai embora.

5- O BRASIL tem jeito?

O jeito é ser honesto. Se você partir do princípio que agindo corretamente conseguirá ajudar a todos, num país grandioso como esse, qual a dificuldade? Nenhuma! A responsabilidade tem estar em tudo que o país promove: educação, saúde, moradia. Se fossem corretos, se a educação tivesse avançado… Por que ela não avançou? Porque não há interesse. E o que foi desviado, que seria para a educação e não foi? E para a saúde? E todas as atitudes em relação ao bem estar  da cidade? Se você tem um comportamento ético, por que em outros países dá certo, e aqui não dá?

Você acha que ensinar a pescar é melhor do que dar o peixe?

Com certeza. Isso que você dá é pensando em receber um voto. Ao passo que se você ensina, ele vai ter informação, um ofício e poder votar espontaneamente.

30 comentários

  1. yuhu! yuhu! yuhu! amn t I the luckiest ??? yes I am!!! !!! !!! xxxxx out walnkig will get updated soon , btw, just visitors here getting us distracted but all good and happy – cant wait to talk to you maybe next weekend – in amazing iguazu at the moment – i can only think of my cloud now! xxxx

  2. Lilia é super talententos,e uma das poucas atrizes que nunca estamparam a capa da playboy na época dela

  3. Outstanding read, I just passed this onto a colalegue who was doing a little investigation on that. And he actually bought me lunch because I discovered it for him smile So let me rephrase that: Thanks for lunch!

  4. Sr.Aguinaldo Silva, sou gaúcha moro em Uruguaiana, minha mãe atualmente esta desempregada, mas aqui nós não temos muitas oportunidades de emprego, já que o senhor tem um restaurante, quem sabe o senhor não precisa de alguém que saiba fazer vários pratos típicos e diferentes.
    É tão bom quando Deus dá o talento e a oportunidade á uma pessoa, suas novelas são tão lindas e instigantes ao ver do público, nossa cidade é tao pequena e por mais que a pessoa tenha talento, não tem oportunidades, eu tenho 13 anos e o meu maior sonho é ser atriz, e quem me fez escolher essa profissão foi o senhor ao escrever a novela Fina Estampa, e a grande atriz Lilia Cabral que é uma das pessoas que eu mais admiro, não só por ser uma grande atriz e muito talentosa, mas também por ser um ser humano simples e humilde e passa isso ao público em suas entrevistas e seu papéis em novelas.
    Por favor se o senhor ler isto me ajude, eu estou lhe pedindo de todo o meu coração que o senhor realize o meu sonho, eu não tenho condições de realizar meu sonho sozinha, me ajude por favor.Caso o senhor leia isto entre em contato comigo através do meu facebook https://www.facebook.com/mayara.serra.9 ou através do meu e-mail: mayaraserra2011@hotmail.com

  5. Lília é uma atriz excepicional ! Super talentosa e linda ! Ela transborda emoção quando interpreta qualquer personagem. Muito competente ! Ela é incrível ! Estou ansiosa para vê-la interpretar esta vilã.

  6. Lília Cabral, vai brilhar mais uma vez, nessa nova novela, gostei do nome da vilã, me fez lembrar da inesquecível Maria Altiva, será que são parentes, kkkkkkk, em se tratando da mente genial de Aguinaldo Silva…, seria uma forma de homenagear a grande Dama Eva Wilma, que My god Me ouça.

  7. Obrigado Aguinaldo, por essa entrevista Incrível da Lília Cabral que eu tanto Amo! Espero ansioso por Maria Marta, em que Lília Cabral brilhará mais uma vez.

  8. Aguinaldo querido, estou com saudade de você!

    Nos brinde com sua presença, mestre.

    Grande beijo.

  9. Ao ler a entrevista da Lília comecei a lembrar das várias novelas em que ela atuou, e digo que além de muito competente e talentosa, nunca teve o azar de fazer uma novela que não deu muito certo. Eu acho que é até uma exceção neste sentido. Desde a primeira, “Corpo a Corpo” até as últimas: “Fina Estampa”, “A Favorita”, “Páginas da Vida”. Falo isso, porque às vezes, as novelas não repercutem aquilo que se espera. Mas com a Lília nunca aconteceu. É só lembrar das grandes novelas que ela participou, que foram sucessos de público e crítica: “Vale Tudo”, “Tieta”, “Anjo Mau”, “Pedra sobre Pedra”, “História de Amor”, “Mandala”, “Saramandaia”.

    Mas esta nova personagem em “Falso Brilhante” vai ser cheia de nuances, com uma carga psicológica bem complexa, e com um passado cheio de desencontros. Será uma sobrevivente do sistema em que ela estará inserida, onde manipulará filhos e marido pra manter a vida de aparências (impressão que eu tive).

    E a entrevista estava ótima: muita espontaneidade! Opiniões bem francas e diretas, relato de vida sincero!

  10. Muito boa a entrevista.Demaisssss

  11. Gente, a atriz e roteirista SUZANA PIRES, disse-me no Facebook, via INBOX, que pretende escrever novelas nos próximos anos (5 ou 6 anos). Disse que está trabalhando, ralando e suando MUITO para chegar no seu objetivo.

    Caraca, mais uma novelista. Vale ressaltar que a atriz está colaborando numa minissérie que estreia neste ou no próximo ano e que ajudou na escrita dos guiões da novela “Flor do Caribe”, sem falar nos diversos humorísticos que ajudou a escrever.

    ELA MERECE MAIS UMA ENTREVISTA FOCADA NESSE ASSUNTO!

  12. Lília resplandece como um dos raros brilhantes em meio a uma imensidão de bijouterias sem vergonha. Apenas “os grandes” têm essa humildade. Chega de semi-jóias com brilho barato de caco de vidro. Com relação à novela, bem que o colunista Teo podia ser inimigo da Assuntinha Ferreira, a qual ele chama de dinossaura.

  13. É um prazer poder mais uma vez postar neste site.Desde o fim de “FINA ESTAMPA”,não postei com tanta frequência,mas estou feliz pela nova novela,apesar de que eu gostaria de ver uma “TIETA”,às 23h,mas você optou por escrever algo original,e estou certo de que será outro sucesso.

  14. Ela é uma atriz MARAVILHOSA. E parece ser uma ótima pessoa. Nunca se repetirá como acontece com alguns atores…que é melhor nem citar o nome…kkk…ela já provou que é uma ATRIZ com letra maiúscula. Cada atuação é uma criação…acho que ela vai arrasar…estou na torcida. Boa sorte a todos.

  15. Santo Dio!!!!

    Aguinaldo, acabei de ler no portal “O PLANETA TV”, que a novela, “Falso Brilhante”, está proibida de ser gravada na Venezuela, por questões políticas e diplomáticas. És vero?

  16. Concordo com os fãs de Lilia Cabral e os colaboradores de Aguinaldo Silva de que Lilia é uma grande atriz, mais em contra ponto concordo com a Flávia que esse negocio de autor repetir sempre a sua panelinha não agrada mais isso é fato.Mesmo achando Lilia maravilhosa preferia vê-la na TV só daqui alguns anos, pois sua imagem está cansativa, essa é minha opinião, portanto estou coma Flávia, NÃO#A ELENCO REPETIDO!!!

  17. Gente, a filha da Lília parece um pouco com a cantora Neozelandesa LORDE, que brilhou no festival Lollapalloza em 2014. Além de linda é inteligentíssima. Tirar 960 não é para qualquer um.

  18. Lilia é espetacular ! Para esta novela não posso negar, o mais me deixa ansioso é a dobradinha de vilãs entre Lilia Cabral e Drica Moraes….PROMETE MUITOOO !!!

    Duas grandes atrizes q farão grandes vilãs !!!!

    Desejo a você Aguinaldo uma profunda inspiração para o texto e o contexto que cercará as personagens delas. Está em suas mãos o sucesso de ambas, porque talentos elas têm e de sobra !

  19. Além de excelente atriz, uma pessoa sensata. E vamos que vamos !

  20. Lília um doce de atriz e pessoa. Estou querendo mais detalhes sobre a novela.

    Parece que no final deste mês iniciam-se as gravações de “Falso Brilhante”. Caraca, daqui a pouco a novela está no AR!!!!!!!!!!!

    Curioso, AGUINALDOO!!!

    Aliás, Aguinaldo, cadê vocÊeeeeeêeeÊeeeeeeee

  21. Bom dia gente!
    Bom dia Aguinaldo!

    To vendo que de “Falso Brilhante” essa novela não terá é nada. Ela será um “VERDADEIRO BRILHANTE”

    Gosto de Lilia. Gosto da sua postura diante da vida. A arte está dentro dela. Não é ela que está dentro arte. E isso irradia uma outra postura e ensina o verdadeiro sentindo do “ser artista”. Artista na alma. Mulher que sabe qual o seu lugar e o seu verdadeiro papel no universo, enquanto tem muita gente tonta com as voltas que a vida dá.

    Lilia é desprendida, generosa e atenta a tudo à sua volta na busca por aquilo que está dentro de sí. Sábia. Conhece a fundo todos as vidas que já viveu e não quer cair em nenhuma delas. Se observarmos as nossas grandes atrizes veremos que elas tem isso em comum.

    Parabéns Aguinaldo,
    Isso é que eu chamo de um golaço daqueles – e de bicicleta!!!

    Parabéns Simone,
    Belíssimo!

  22. O BRASIL tem jeito?
    “O jeito é ser honesto”. Simples assim!!!

    Ontem me deparei com uma notícia no PORTAL UOL. Uma moça foi ao banco pagar um boleto no valor de 600 reais. Era o último dia para quitar esse débito, quando na ida ela perde o boleto e o dinheiro que estavam juntos.

    Num ponto de ônibus, um rapaz de 32 anos, encontrou o boleto e sabe o que ele fez? PAGOU!!!! Isso mesmo, ele foi até o banco e pagou o boleto e ainda foi para as redes sociais encontrar a mulher que havia perdido esses documentos.

    DETALHE: Ainda devolveu o TROCO!

    REALMENTE O QUE SALVARÁ O BRASIL É A HONESTIDADE.

  23. A Lília é fervorosa, gosta de atuar e se entrega àquilo que gosta. Sem dúvida fará um ótimo trabalho.

  24. Olá, Bom dia!!!!

    Frase da LÍLIA “… quando a pessoa tem um objetivo, e não acontece, ela se enfraquece…”

  25. I love this actress.She is amazing.Please promise that the final scene will be TOTALLY different.Will you promise??????????????????????????????????

  26. Gostar muito de esta actriz. Promete pra jente que o final de esta novela vai ser diferenti da anterior.Promete???????????????????????????????????????

  27. SUAS NOVELAS ESTÃO MUITO REPETITIVAS REFERENTES A ATORES, SÃO SEMPRE OS MESMOS.

  28. Mais uma entrevista “Brilhante” a outra “Brilhante Actriz!
    PARABÉNS às DUAS! E Vamos que Vamos…
    Gostava de as conhecer pessoalmente.
    Inté e beijinhos.
    Magdalena

  29. Com um pouco de dor de cabeça, mas vamos lá.
    O nosso José Wilker se foi e nos deixou muita saudade.
    Como não lembrar de seu eterno Vadinho ou Geovanne Improtta???
    Foi-se mais um raro, uma lástima.
    Quanto a Meu Pedacinho de Chão, a mesma chatice de sempre.
    Que venha Falso Brilhante para por mais animo na tv.
    O elenco promete!!!

  30. ApesaR de talentosa, nao queremos mais elenco repetido!!!! Chega dos mesmos atores nas mesmas novelas de autores que convida sempre os mesmo para interpretar seus personagens, muda o disco. NAO#AELENCO REPETIDO!

    INTERVENÇÃO DO SOMBRA: FLAVINHA, VOCÊ É ATRIZ?

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