ANDRÉIA, GENTE COMO A GENTE

» Públicado por em maio 5, 2014 | 21 comentários

 

Andréia Horta, a designer de joias Maria Clara, de Falso Brilhante, estreia no horário das 21h, na Globo, dia 28 de julho. Ela é a típica mineira. Discreta, contida, mas, às vezes, deslancha a falar, pensa muito, e se emociona com facilidade. Nada de exageros: não é consumista, não tem preocupações excessivas com vaidade, e não é adepta de baladas. Fica mal quando o assunto são as injustiças em relação às crianças e aos idosos no Brasil. Talento e questionamentos andam juntos. Andréia, de 30 anos, é um exemplo: veio de origem humilde, trabalha desde os 14 anos, fez faculdade, vendeu bolo na rua, escreveu um livro de poesias, mergulhou fundo no universo da interpretação até chegar à determinada filha do Comendador José Alfredo de Medeiros (Alexandre Nero) e de Maria Marta (Lília Cabral). Namorada do diretor de núcleo Rogério Gomes, o Papinha, ela não faz planos de casamento próximo. Simples, sincera e simpática, Andréia não tem pose. E  adora suas raízes: nada como um bom angu com linguiça apimentada.

Nasce uma estrela que é gente como a gente.

entrevista de Simone Magalhães 

fotos: Fco. Patrício

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Vamos falar da Maria Clara. Apesar de ainda morar com Comendador, ser a filha preferida, é uma pessoa independente, premiadíssima por suas joias, que gostaria de ter a vida dela. Como vê essa relação?

Ela tem uma certa adoração pelo pai. Acho que tem voz ativa pra fazer o que tem vontade. E mora com o pai porque o apartamento é enorme, superconfortável. Imagino que ela tenha um quarto ótimo, liberdade, vai se casar daqui a dois meses… Tem o trabalho dela, pode morar onde quiser, mas estar lá me soa mais como afeto e conforto.

Mas ela não é apegada a dinheiro?

Não, ela não quer usufruir tanto do dinheiro quanto a mãe.

Por isso, o José Alfredo a tem como filha preferida e possível sucessora…

Tudo o que tenho visto até agora nas cenas da família – li até o capítulo 15 -,  mostra a proximidade do irmão (José Pedro/Caio Blat) com a mãe, muito ambiciosa. O irmão caçula (João Lucas/Daniel Rocha) é meio levado por aquilo, não sei nem se tem medo… ele tem lá as perturbações dele. A Maria Clara ainda é um mistério, e acho isso maravilhoso pra mim! Nessas discussões de família, quando a Cristina (Leandra Leal) chega, o irmão mais velho começa  a falar: “Temos que tomar medidas legais por causa da fortuna”. Minha personagem diz: “Fale por você”. Ela se coloca de um jeito muito misterioso. Maria Clara é o que aparenta?

Pode estar fingindo para ser a escolhida do pai?

Não sei se chega a tanto, mas como o autor (Aguinaldo Silva) é muito inteligente, graças a Deus, e sabe fazer com maestria isso, entendo que Maria Clara pode tomar vários caminhos. Acho que até agora ela se apresenta como bom caráter. Sim, é menina do bem; sim, gosta daquele noivo; sim, é uma ótima designer. Toca os negócios da família por plena competência, porque o pai não arriscaria colocar uma incompetente para ser a cara das peças da joalheria dele. Claro que acredito que haja uma grande competência para exercer a função dela, que seja por mérito mesmo, mas ela é filha daquele homem e daquela mulher. Que ‘herança’ vem disso? Onde é que o lado mau pode se manifestar? Dramaturgicamente temos uma mocinha, uma heroína, que é a Cristina. Não sei se ele (o autor) faria duas mocinhas, ou se em algum momento essa menina que se apresenta como boazinha, que não bate de frente com o pai, vai mostrar outra faceta. Estou com fome dos dois caminhos.(risos) Maria Clara não está desesperada por essa coisa da ambição, do poder, a princípio, porque  tem o trabalho dela. Não é manipulada por ninguém, é inteligente, e se algum dia aquilo tudo ruir ela pode começar seu próprio caminho.

Sua personagem é determinada: conheceu o Enrico (Joaquim Lopes), namorou, está pronta para casar-se, mas quando ele não aparece na igreja, ela mantém a recepção e ainda se interessa pelo cozinheiro Vicente (Rafael Cardoso).

Na verdade, não posso muito falar sobre isso porque não sei se há uma troca definitiva. Só sei que está tudo bem até agora, que o Vicente se apresenta de um modo muito decidido dentro do restaurante (do noivo). A primeira vez que ele a vê fala: “Ah, a mulher do Enrico”.  É um cara muito rápido.

E sobre o casamento?

Uma coisa é saber que o cara passou mal, sei lá. Outra é esse homem não aparecer no dia do seu casamento. Aí, a cabeça fica maluca.

Sua personagem vai enfrentar Maria Marta, que começa a fazer um inferno para separar a filha de Vicente, e Enrico, que tenta resgatá-la.

Que bom que ela é forte!(risos).

Isso sem falar na rivalidade com Cristina, quando a irmã se apaixonar por Vicente.

Mas não é uma amor de infãncia? Eles eram bem amigos na infância e apaixonadinhos…     

Tudo pode ser. E esses elementos dão movimento à sua personagem. Agora, é bem interessante o fato de ela não ter preconceito social, não ser uma patricinha.

Definitivamente, não é patricinha. O figurino dela é super-rock’n roll, contemporâneo. Não é uma patricinha em quem você vai encostar a mão, e ela vai quebrar. Pelo contrário.

Então é capaz de bancar um cara bem menos culto, que não tenha posição social, como Vicente?

Sim, sem dúvida. Sem contar que eu acho que a gastronomia está diretamente ligada à joia: é química, beleza, arte. A mistura de elementos químicos gerando outra coisa.

Você vai começar a gravar? Vai viajar?

Vou. Faço a viagem para o Monte Roraima.

Está ansiosa?

Estou.

Com o quê? Com a crítica?

A gente quer ser aceita, que as pessoas gostem do trabalho, pra mim isso é importante. Vivo disso. Então…

Há vários atores em Falso Brilhante fazendo novela das 21h pela primeira vez.

Acho isso ótimo. Não é mais um trabalho: é o primeiro no qual faço uma aristocrata. Nunca tinha feito alguém de alta sociedade. É inédito por muitas coisas.

 

UMA VIDA CHEIA DE DIFICULDADES

Você teve uma infância humilde.

Sou nascida e criada em Juiz de Fora, Minas. Na infância, meu pai levava a gente pra fazer compras na Rua Tereza, em Petrópolis.. Minha avó paterna era camelô, e comprava lá toda a mercadoria dela.

Seus pais foram morar em São Paulo em busca de novas oportunidades, não?

Meu pai (Marcos Horta) era metalúrgico, e conseguiu um trabalho numa empresa em São Paulo. Nossa família ficou lá por três anos. Meus pais se separaram nesse período: eu tinha 7 anos, e meu irmão Thiago, 4. Voltamos a Juiz de Fora, e meu pai continuou em São Paulo.

A separação foi complicada pra você?

Acho que a minha vida começou naquele dia. Começou porque foi um acontecimento tão profundamente forte e marcante, que as minhas memórias, não sei… (emociona-se). Talvez seja exagero dizer que começou ali. Mas me marcou profundamente.

Você tem lembranças muito antigas de sua infância já com um cacoete artístico, como cantar Escrito nas Estrelas, de Tetê Espíndola, aos 3 anos.

Sim, por isso digo que pode ser um exagero falar que a separação foi a primeira situação dolorosa da minha vida. Não me lembro de um momento que me entristecesse antes dos 7 anos, entende? Mas me lembro exatamente daquele dia. Emocionalmente, tudo bem, foi a primeira grande dor certamente, me lembro da roupa que todos usavam, me lembro desse dia muitíssimo bem.

Você ficou morando com sua mãe e seu irmão Thiago, 26 anos, em Juiz de Fora, e seu pai, em São Paulo. Ele casou-se de novo, e teve o Guilherme, de 20. Com 17 anos, você resolveu ir para São Paulo, morar com ele. Nessa época, seu Marcos já estava no processo de ser ator?

Eles se separaram em 1991. Dois anos depois meu pai decidiu parar de trabalhar com metalurgia e ser ator. Ele sempre teve essa inclinação, só que era arrimo de família, minha avó era camelô, ele precisava ajudar em casa, família brasileria pobre… Fico até constrangida porque estou falando da intimidade de uma pessoa que não está presente.

Mas é a sua história também.

Até que decidiu que o queria fazer da vida: ser ator. Corajosíssimo! Foi um rebuliço na família: ‘Como assim ser ator?Onde já se viu um pai com três filhos pequenos para criar, pensão para pagar…’. E ele foi estudar teatro, e trabalhar com isso. Até hoje vive de teatro-empresa, uniu todo conhecimento que tinha de funcionamento de uma empresa, e escreve os textos, atua e coordena essa seção onde trabalha. Trabalhei muito com isso ao lado dele.

Como foi sua mudança, aos 17 anos, para São Paulo?

Queria fazer faculdade de artes cênicas, e em Juiz de Fora não tinha. Não vim para o Rio porque não tínhamos grana para me manter. Em São Paulo era mais fácil, como meu pai morava lá, não ia ter que pagar aluguel. A gente vivia em Santo André, e eu fazia faculdade na Liberdade. Todo dia pegava um ônibus até a estação de trem, um trem de Santo André até o Braz, um metrô do Braz a Sé, e um metrô da Sé a São Joaquim.

E voltava mais cedo ou fazia faculdade à noite?

Fazia à noite. Eu pegava o trem superlotado das 17h, imagina! Nessa época trabalhei muito com teatro-empresa para plateias numerosas, e, outras vezes, numa salinha, com pouca gente. Os textos variavam de acordo com a necessidada da empresa. Tinha os sobre qualidade de vida, ergonomia, alcoolismo, Aids… Eles queriam um treinamento mais dinâmico. A empresa do meu pai foi a segunda ou terceira do ABC, hoje são várias pelo Brasil afora.

Ele vive disso?

Sim, meu pai nos criou com isso. É muito digno.

Mas nunca pensou em fazer teatro no palco ou TV?

Isso realmente consome muito tempo dele. Logo que fui morar com ele era muito rígido comigo, na questão de cuidar da voz, se estivesse tomando gelado, se falasse as coisas com intensidade.  Ele me mandava falar baixo porque tinha espetáculo no dia seguinte, tirava a água gelada, dizia que tinha que dormir bem. Não admitia que eu não soubesse o texto nos ensaios – os outros atores até poderiam não saber, mas eu não. Por ser filha tinha que dar exemplo. Mas aprendi muito.

 

CARREIRA DESLANCHA DEPOIS

DA MUDANÇA PARA O RIO

 

Aí, você veio para o Rio?

Terminei a faculdade em paralelo à Escola Livre de Santo André, com Antônio Araújo, diretor do Teatro da Vertigem. Quando a faculdade acabou, já tinha montado Crime e Castigo, e o Antônio me convidou para entrar na Vertigem. Depois de vários testes, fiquei durante oito meses na companhia, e vim para o Rio de Janeiro. Fiz um teste e interpretei a Marcia Kubitschek na minisérie JK (2006), na Globo.

E depois foi para a Record?

Fui e fiz um trabalho (Alta Estação, em 2007), da Margareth Boury. Minha agente disse que iam começar os testes para a protagonista da nova série do HBO, com direção do Karim Aïnouz e Sérgio Machado. Foram mais mil atrizes! E eu fui a última a fazer. Cheguei no estúdio, em São Paulo, às 23h, porque tinha gravado na Record até às 21h. Demorei pra ir: todas as minhas amigas, as pessoas que eu conhecia já tinham feito o teste, gente muito foda. Eu pensei: ‘Não vou lá, esses caras não vão querer nada comigo, não tem nada a ver, eu com essa cara…”.

Por que achava isso?

A vergonha do pobre é uma coisa que te acompanha. Mas acabei indo, peguei a última ponte aérea.

Não conhecia ninguém. Eram três paginas que o Karim me entregou para dar uma lida. Depois, falou: ‘Senta aí na frente da câmera’. Beleza. Sentei e estava esperando o momento que ele fosse dizer: ‘Podemos começar ou gravando’. Eu não sabia, mas eles estavam testando desde a minha chegada. Falei um pouco sobre mim, e ele disse: ‘Pode ir’. Eu falei: ‘Pode ir o quê?’. Não entendi, estava muito cansada. Depois, ligaram dizendo que passei! Era para a HBO Latino America, então ia ser exibida em toda a América Latina. Fui tomando dimensão do que se tratava, não sabia que a série se chamava Alice, o nome da protagonista.

Quando disseram que você ia ficar nua, que tinha cenas fortes, de sexo, que ia se drogar, isso a assustou?

Não foi problema. Isso me deu gana, vontade de fazer. A fotografia era brilhante, os diretoeres eram… nossa! Aprendi muito. Era importante para todo mundo que fosse uma coisa legal. Depois a HBO me convidou para ser jurada do Emmy.

Aí você enveredou por novos caminhos e foi fazer…

Não, porque eu tinha um contrato ainda com a Record.  Tive dispensa para fazer Alice, e depois voltei . Ainda fiz mais uma novela lá, Chamas da Vida (2008). Quando a novela acabou decidi não renovar. Fui fazer os dois telefilmes da HBO, mostrando como estava Alice dois anos depois. Aí, o Ricardo Waddington me procurou para fazer A Cura (2010), na Globo. Fiquei muito feliz. Desde a Cura tenho contrato com a emissora.

 

‘NÃO PONHO O PÉ FORA

DA CAMA SEM UMA ORAÇÃO’

Como médica legista, em A Cura, você teve que ir ao IML. Foi muito difícil?

Foi bem impactante. É uma coisa muito louca, porque é o trabalho da gente… O ser humano me interessa muito, todas as suas escalas, das maravilhosas em direção ao amor, até as escalas que vão no sentido oposto.

Como você lidou com o que viu?

Foi horrível. Fiquei meio afastada – nem seria permitido chegar muito perto porque estava ali como uma pesquisadora daquele trabalho. Tomei a distância necessária, mas de qualquer modo, pra mim, uma pessoa que não tem mais vida ainda é uma pessoa. Diferentemente da relação do médico legista. Eles falavam: ‘Não é mais uma pessoa, é um material de trabalho’. Só que a gente ainda está impregnada das nossas concepções.

Tem medo da morte?

Gosto muito de viver, de estar viva. Mas sei que vai acontecer. Com todo mundo, né?

Você tem alguma fé que atenue essa expectativa?

Eu não tenho filhos. Então, hoje, se eu descer (do prédio), o meu coração parar, e eu morrer… Bom, vou mais leve.

Só por não ter filhos?

Acho que sim, porque se um dia eles existirem haverá essa preocupação: ‘Ah, com quem vão ficar as crianças?’.

Mas acha que existe outro plano?

Acho.

Você é espiritualista?

Na época da adolescência, estudei muito o espiritismo. Eu me lembro que, no centro que  frequentava, um coronel reformado do exército, que era um espírito muito esclarecido, lançou o curso Os Vícios do Espírito, jogo, sexo, álcool… Hoje, entendo que aquilo me serviu por ser também um estudo sobre o humano. Não sou praticante de nenhuma religião, mas tenho a minha fé.

Acredita em Deus?

Não ponho o pé fora da cama sem uma oração.

Alguma oração específica?

Não, é a minha com Ele. Todo dia.

 

          ROGÉRIO, TOLSTÓI E ROBOCOP

Depois de A Cura, de Cordel Encantado (2011), veio Amor Eterno Amor (2012). Foi quando você conheceu o Rogério (Gomes)?

Foi a primeira vez em que trabalhei com o núcleo dele.

Mas vocês não namoravam desde lá…

Não, imagina! Depois de Amor Eterno Amor, o pessoal do núcleo do Rogério me convidou para A Teia (gravada em 2013). A gente fez a série inteira, foram seis meses de trabalho, todos os dias, com uma folga por semana. Durante A Teia não aconteceu absolutamente nada, a gente se olhava e dizia ‘oi’. Nunca foi uma possibilidade ou um pensamento. Era uma outra relação, ele era meu chefe, estávamos trabalhando. Três meses depois que o trabalho acabou é que, pela primeira vez, a gente se aproximou mais.

Há um ano que vocês estão namorando?

Ainda não tem um ano.

Você pensa em se casar?

Não, agora, não. Agora estamos namorando.

Pretende ter filhos?

Olha.. eu pretendo…

Mas sem muita ambição pelo jeito (risos).

É, há tempo.

É uma vontade ou só um desejozinho?

Não, a vida toda foi uma certeza. Sempre falei que queria ter quatro filhos. Mas acho que com o tempo você vai relativizando seus desejos, e as coisas vão ficando mais concretas. Hoje, acho que entendo a dimensão do que é ter um filho. Estou mais tranquila, achando ótima a vida atual. Não estou com pressa.

Você é caseira, prefere ler, ver vídeos… É isso?

Não sou da noite, nunca fui de baladas, noitadas e tal. Sou normal. Vou ao cinema, ao teatro, saio para jantar, para almoçar. Mas acho que sou mais caseira, sim.

O que você mais gosta de ler?

Os russos são uma paixão. Dostoievsky mora no fundo do meu coração. Tolstói também. Ah, tenho gostado muito do português Valter Hugo Mãe, fiquei muito tocada com o primeiro livro dele, foi um arrebatamento.

E o cinema? Russo também?

O cinema russo eu não sei muito, principalmente o contemporâneo.

Qual o que você gosta?

Gosto dos filmes europeus, e os asiáticos me interessam… Aqueles que não são tão americanizados.

Então, você não gosta muito dos filmes ditos mais comerciais?

Não se trata disso. Gosto dos que me tocam. Seria uma tolice da minha parte achar isso.

Bom, o certo que é não gosta dos longas de ação?

Ah, não! Isso não toca meu coração. Ficção científica, monstros, tiros, esses de Robocop não me atraem mesmo. Gosto de vida, de filmes que falam de coisas que a gente realmente vive.

 

VAIDADE SEM NEUROSE, ANGU

COM PIMENTA E MUITO PILATES

Você é vaidosa?

Na verdade, eu sou vaidosa, só não sou louca. (risos)

Mas a loucura está em fazer o quê?

Sou vaidosa, mas acho que na medida. Não sou neurótica, não sou louca. Acho que neurótica seria aquela preocupação exacerbada como vai parecer, como se veste, como vai estar sua bunda. Uma preocupação excessiva com o corpo, que eu não dedico. Nada contra quem tem. Meu creme (para cabelos) é ótimo, o shampoo é bom, gosto de fazer as unhas, as sobrancelhas, tenho dermatologista… Sou vaidosa, só não sou neurótica.

Como é sua alimentação?

Normal. Não gosto muito de doce, meu estômago é sensível. Então, nada de refrigerantes, de coisas muito gordurosas… Por uma questão de saúde e porque não caem muito bem. Mas como de tudo, carne (de boi), carne de porco, arroz, feijão, pizza…

E angu! (risos)

Amo! A minha comida favorita é feijão com arroz, linguiça apimentada, angu e couve.  Sou mineira, gente!

Ah, então você não tem estômago sensível…

Tenho, sim. Mas é só ter bom senso.

E, aí, você malha!

Faço pilates, há uns cinco anos.

Com isso mantém o tônus muscular. Não gosta de caminhar?

Eu deveria, porque o aeróbico é bom. Mas não tenho muita paciência. Então, de exercício físico é só pilates mesmo. Mas treino com disciplina, três vezes por semana .

 

 

DEPOIS DE MUITAS DIFICULDADES

SURGE O PRIMEIRO LIVRO

 

Agora me fala do seu livro, Humana Flor. A primeira edição foi em 2005, não?

Foi. E outra, em 2008. Fiquei muito feliz com a segunda, foi um momento em que a faculdade tinha acabado, já tinha saído do Vertigem, tinha feito JK. Sempre trabalhei, passei por uma época de perrengue financeiro muito grande. No caso do livro, queria fazer um trabalho que eu conseguisse me movimentar sem depender dos outros, aí reuni várias coisas que tinha escrito e fiz a primeira versão.

E você imprimiu?

A minha sócia no livro, a  artista plástica Cristina, que é esposa do meu pai, me ajudou a diagramar. Meu pai nunca me deu nada, mas deu muito. Nunca me deu o peixe, mas deu a vara de pescar, entendeu? Eles me ajudaram a fazer a primeira tiragem, e eu pagaria com a venda dos exemplares. Metade foi para pagar o próprio livro, que eu vendia nas ruas , no Centro Cultural do Vergueiro, onde estive em cartaz com Crime e Castigo… Antes do livro, precisava tirar algum troco para, pelo menos, pagar as passagens. Então, vendia bolo de laranja na porta do centro cultural. Fazia e vendia a 1 real, o pedaço. Cada tabuleiro dava 30 pedaços: eram 30 reais por dia, se vendesse todos.

E conseguia?

Claro! (risos). Eu precisava, então conseguia vender.

Nossa, que legal…

Legal não era, mas foi importante.

Legal você ter essa vontade de vencer, correr atrás. E o livro você vendia por R$ 7?

A primeira edição, sim. Era de R$ 7 em diante, quanto você quisesse pagar. O marketing era esse.

E você ficava num ponto específico ou circulava?

Às vezes, em frente ao Unibanco da Rua Augusta, que era um ponto com muitas pessoas. Às vezes, entrava nas pizzarias e vendia. Em outras, eu sabia que tinha festa na casa de fulano de tal, ia com os exemplares na minha bolsa, esperava todo mundo ficar bêbado, e lá pelas três da manhã falava: ‘Gente, estou vendendo meu livro!’. Todo mundo já estava bêbado, e comprava.

Você pretende lançar um segundo livro?

Na verdade, o trabalho do artista é uma questão de treino, não tem isso de ‘ah, milagre, vou fazer as coisas só por inspiração’. O livro foi possível no momento de entressafra, em que consegui me dedicar exclusivamente àquilo. Depois, graças a Deus, os trabalhos como atriz tomaram o meu tempo por completo. Minha dedicação hoje é totalmente a isso.

Acha que vai chegar o tempo em que poderá parar para fazer outro projeto ou dizer não a um que não queira, sem melindrar ninguém?

Possivelmente. Se isso estivesse acontecendo, eu estaria abrindo essa diálogo agora. Mas não está. Se estivesse insatisfeita, exausta, se visse que não tinha condição de entrar numa jornada por alguma questão artistica mesmo, algum problema, eu falaria. Não vou comprometer o meu trabalho nem milhões de pessoas que vão vê-lo. É preciso ter responsabilidade com isso. Mas hoje está tudo certo, gosto de trabalhar, gosto muito

 

COMENTANDO TRECHOS DE SEUS POEMAS

 

– “Lá vem os meu fios se esticando/São os meus nervos gritando/Duros, secos, ardidos/O meu sistema nervoso não é dos mais tranquilos”.

É como eu sou: não tenho duas caras. Se estou gostando, você sabe. Se fico brava, demonstro.

– “Não sei ao certo o que quer dizer/Mas me incomoda/Nossas mãos se dão murchas/Nossas bocas se tocam fartas de alguma coisa engasgada/Não tem mais sexo/Nem brilho nos olhos/Nem assunto/Nenhuma novidade”.

Sempre me perguntei por que tanta gente legal, mal casada, mantém a relação, muitas vezes discutindo na frente dos outros. Sabe aquele constrangimento de ter um grupo reunido, e alguém começar a falar mal do marido ou da mulher na frente da própria pessoa, apontando, e todo mundo vendo? Não consigo entender por que continuam juntos. E agora muitos nem se falam mais: ficam trocando mensagens por celular, frente a frente, na mesma mesa.

– “Debaixo de um sol agressivo/Em uma fila interminável/Uma mulher, pra vender suas bonecas de pano, contava baixo suas tragédias/Baixo porque dói. O que ela nem imaginava é que somos um pátio de tragédias/Só não as contamos em filas porque não sabemos criar bonecas belas como as dela”.

Quando fui ser jurada do Emmy, nos EUA, precisei de visto para o passaporte. Embaixo do Consulado Americano, no Rio, havia uma fila enorme. Aí, veio essa senhora, vendendo bonecas de pano. Ela tinha problemas com uma filha doente, e contava detalhes a quem estava na fila. Fiquei muito sensibilizada. No fim do poema escrevo que comprei uma boneca, e que quando estou triste olho pra ela, e me alegro.

Você é muito sensível, não?

Infelizmente meu espanto não acaba. Vejo idosos vendendo mate, em latões, na praia. Carregando aquele peso, machucando os braços. Crianças descalças, nas ruas. E não quero que meus olhos se acostumem a isso. Todos temos pequenos dramas, dor, inabilidade, inadequação, traumas. Difícil, muitas vezes, lidar com eles.

Faz análise?

Faço, há quatro anos. É maravilhoso.

E o que descobriu durante esse tempo?

A desdobrar o meu tempo das coisas, a dar mais atenção, a pensar mais antes de falar.

– “Qual é malandro?/Brincou de casinha, chupou, lambeu/E agora, na boca do gol, vai embora”

É… O rapaz foi embora (risos). Eu tinha 21 anos, faz tempo… Sempre tive namoros longos. O primeiro dos 13 aos 17 anos, e o segundo dos 18 aos 21. E nesse caso foi diferente: eu não estava acostumada a essa coisa de fast-food. Foi um susto: ‘Como acabou?’.

Pelo jeito você nunca foi uma pessoa de ‘ficar’ em festas, em boates…

Acho que é uma intimidade desconfortável quando começam a lhe segurar sem você querer, quanto menos conhecer. O corpo é uma coisa muito sagrada. O beijo é uma coisa muito íntima. Tudo tem ser respeitoso, consensual.

– “Quando você me chama de minha mulher/Eu me torno um pouco mais/O desenho do teu corpo/A sua pele/A sua mediocridade.

Eu só penso que o melhor lugar do mundo é você/Mesmo você sendo assim/Meio ordinário”.

O ser humano é muito amplo. Pode não ser uma pessoa muito legal, com todas aquelas qualidades esperadas, mas amar é um ato de coragem.

– “Sou dramática mesmo/Eu sou esquisita/Eu berro, berro, aí fico leve/Sou ridícula, sim”.

Falo sobre a multiciplicidade da gente. Não tenho vergonha de ser eu mesma, de ser ridícula.

– “Eu quero é não ter medo do que o amor significa/Enquanto isso vou tapeando meu coração quente e vazio”.

Tanta gente solteira, dizendo que está difícil de encontrar um amor de verdade. Bate-se cabeça em lugares onde não vão encontrar mesmo. E acho que não é assim que as coisas acontecem.

– “A terra do meu Brasil é pura e bela/Pode plantar que dá/Tem mandioca, cana-de-açúcar, couve, acerola, coco, inhame, berinjela, batata-doce, jabuticaba (…)/De uma gente que sabe que felicidade é um sonho/E que pequenas alegrias tornam a vida possível”.

O Brasil é feito de gente como qualquer lugar do mundo. Se eu paro de acreditar no ser humano, lascou-se! Não estamos bem: em educação, saúde, moradia, transportes… Jeito tem, mas é preciso reestruturar tantas coisas! Uma vez, estava lecionando Artes, e conversei com uma amiga, professora também, que deveríamos reunir os estudantes do 3º ano do Ensino Médio para perguntar se eles sabiam o que queriam fazer quando terminassem a escola. Reunimos e só uma pessoa levantou a mão, e disse que ia fazer Psicologia. O outros jovens não responderam!

É muito desesperador ver como a maior parte da nossa política é feita. O Brasil deveria ter um povo muito conectado, tem virtudes muito particulares: perseverança, generosidade, hospitalidade… Mas ainda há preconceitos de gêneros, sistema de saúde precário no tratamento para doenças, como a Aids. A primeira pergunta que deveria ser feita a um país é: “O que é que te funda?”. E a resposta ser: “A educação”. A pessoas não leem mais! Só vivem em redes sociais, trocando mensagens com palavras abreviadas e frias.

Meu primeiro emprego foi aos 14 anos, sabe?. Eu enviava mensagens – de amor, saudades, amizade, desculpas -, pelo telefone.

O cliente ligava, contava a história dele e dizia, por exemplo, que queria mandar um pedido de desculpas ao filho. Eu tinha todas as mensagens gravadas em fitas cassetes. E apresentava três opções de cada tema. A pessoa escolhia, depois eu telefonava e dizia: “Boa tarde, aqui é Andréia. Fulana de tal mandou uma mensagem para você. Pode ouvi-la agora?”. Às vezes, quem recebia pedia para retornar mais tarde. Mas, geralmente, ouvia na hora e ficava emocionada. Hoje não se escrevem mais cartas! Há um desinteresse tão profundo por pessoas idosas, que têm experiência, sabedoria e poderiam contribuir tanto. Tudo isso me preocupa muito.

21 comentários

  1. Gostaria que a Maria Clara declarasse guerra ao pai. Ele a traiu por uma filha bastarda e nao levou a fiel companheira em consideraçao. Ele até se esqueceu dela. Clara merece bombar nessa novela. Amamos o personagem.

  2. Ela é de uma simplicidade sem tamanho, só de sabe sobre ela você consegue sentir que tem amor pelo que faz, e que luta para sempre ser e fazer melhor.
    Essa mineira vai dominar o mundo!!

    SUCESSO,MEDA.

  3. Maria clara queria que você e o enrico se casacem,vocês ficam juntos no final da novela?vocês se casam?

  4. maria clara queria que você e o enrico se casacem,você o o enrico ficam no final da novela?vocês se casam

  5. Bom dia! Maria Clara, seu vestido é lindo

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  7. muito boa a entrevista, pelo o que ela falo a novela vai ser muy buono espero que seja parecida com fina estampa menos o final é claro, mal vejo a hora de \\"em famílha\\" vouar, evaporar porque fala serio \\"em famílha\\" é horrivel espero que \\"falso brilhante\\" supere a aldiencia das 21h:00. e não seja tão pesima quanto \\"em faílha\\".

  8. muito boa a entrevista, pelo o que ela falo a novela vai ser muy buono espero que seja parecida com fina estampa menos o final é claro, mal vejo a hora de \"em famílha\" vouar, evaporar porque fala serio \"em famílha\" é horrivel espero que \"falso brilhante\" supere a aldiencia das 21h:00. e não seja tão pesima quanto \"em faílha\".

  9. muito boa a entrevista, pelo o que ela falo a novela vai ser muy buono espero que seja parecida com fina estampa menos o final é claro, mal vejo a hora de “em famílha” vouar, evaporar porque fala serio “em famílha” é horrivel espero que “falso brilhante” supere a aldiencia das 21h:00. e não seja tão pesima quanto “em faílha”.

  10. Nunca, nunca esqueço o meu melhor… Ela está presente em minha vida poi não acredito em morte. Se ela não estivesse em minha memória, já não existiria mais… Lembro-me como hoje do seu sorriso de alegria em nossas chegadas. Minha maior incentivadora… a que mais acreditou em meus sonhos. Querida, ainda não realizei aquele que sonhávamos juntos, pelo fatos da escaldante luta que travo com o universo que conspira contra. Mais to tentando… to tentando.
    Dedico esse video abaixo a todos que não tem as mães em seus dias atuais e – para os que tem – considerem o maior premio do mundo. Aquela paz!
    http://www.youtube.com/watch?v=1I255r_N-Ro

  11. Sem dúvidas é a MELHOR ENTREVISTA DO PORTAL.

    Que amor é a Andréia. Sua história de vida é linda. Da vontade de saber mais coisas a respeito dessa grande atriz.

  12. Esta entrevista me fez gostar mais ainda da Andréia. Batalhadora, guerreira, dedicada e muito esforçada. Parece-me ser aquele tipo de pessoa que não foge da luta.

    Guerreira é o sobrenome da ANDRÉIA!! 🙂

  13. Meu Deus, Andréia Horta é sem dúvida uma de nossas melhores atrizes da atualidade. Lembro-me do seu trabalho na Record num seriado que neste momento não me recordo do título, mas que marcou para mim.

    Tomara que dê tudo certo para ela em “FALSO BRILHANTE”.

  14. Linda e talentosa. Simples assim!

  15. É minha alma gêmea. Que história de vida maravilhosa.

  16. Sou um completo APAIXONADO pela Andréia Horta. Ela tem uma vivacidade, uma energia no olhar… É uma das atrizes impares que nossa tevê tem a sorte de ter de tempos em tempos. Não lembro de Andréia em JK, mas como adorava a doce Renata de Alta Estação. Mas foi em Alice (ou com Alice), em que me vi perdido dentro daquela doce menina/mulher. Alice foi a melhor série de tevê a cabo que já vi. Os elementos estavam ali, os atores e Andréia. Ela mergulhou em Alice. Não tinha como ver uma atriz brincando de ser outra pessoa. Eu via Alice, conhecendo São Paulo e se conhecendo ao mesmo tempo.

    Estou tão feliz por ela fazer parte de Falso Brilhante. Ela tem tudo pra ser a próxima atriz disputadíssima de todos os autores. Aguinaldo tem alguém que é pau pra toda obra e pode ser tanto uma protagonista quanto antagonista. Ela não tem medo de sentimentos e da personagem.

    Simone, que entrevista linda e deliciosa. Deu pra ficar mais apaixonado ainda por ela. E Patrício, que fotos maravilhosas. Ela está lindíssima.

    Sabem o que ela diz sobre o teste de Alice? Cês podem ver aqui:
    O teste de Alice começa em 05:03. Assistam!

    https://www.youtube.com/watch?v=_ZmVq6qvY4I

  17. VOCE CONTINUA UM AS DO MARKETING KAKAKAKAKA.. APESAR DE TER SE TORNADO UM CAUCASIANO,SANGUE AZUL E DE DIREITA KAKAKAKAKAKA QUERO LHE DIZER QUE VOCE TEM A MINHA MAIS PROFUNDA ADMIRACAO E RESPEITO SUA RAPOSA VELHA KAKAKAKAKAKA PARABENS PELA ENTREVISTA,PELO SEU ASTRAL,PELA SUA GARRA,PELA SUA OUSADIA,POR TUDO SEU DANADOOOO,VENHA ME VER EM TORONTO QUERIIIIDOOOOO KAKAKAKAKAKAKAKAKA

    INTERVENÇÃO DO SOMBRA: QUE INTIMIDADE É ESSA? E QUAL A RAZÃO DE TANTAS RISADAS?

  18. Linda, que inteligência, que sensibilidade. Que ela arrebente como Maria Clara.

  19. Andreia é a melhor atriz de sua geração – uma estrela de grandeza maior!
    E é uma mulher linda, lindíssima, como pode se comprovar nas imagens.
    Parabéns Agnaldo Silva pela entrevista e, principalmente, pela escolha da Andréia para estrelar em Falso Brilhante.

  20. Olha, fiquei pasma com esta entrevista. Não só com a entrevistada como com a entrevistadora. Foi a mais completa e interessante até hoje.
    Parabéns às duas, Simone e Andreia.
    Sem esquecer F. Patricio, pelas lindissimas fotos.
    Já repararam nas mãos lindas da Andreia?
    Magdalena

  21. Que ótimo!!! Amo esta atriz! Preste atenção nela, Aguinaldo. Cuide, proteja. Sem querer bancar a falecida Mãe Dinah, essa moça ainda há de ser uma das melhores atrizes da Globo. Tem talento, carisma e beleza! Dessa turma de novatos às nove, ela com certeza é a mais promissora.

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