UM ATOR E SEUS INSTRUMENTOS

» Públicado por em maio 17, 2014 | 16 comentários

 

Quando fui ao encontro de Rafael Cardoso – e seus olhos de um azul hipnótico – achei que iríamos falar de carreira, do amor pela gastronomia e da estreia numa trama das 21h da Globo. Ledo engano. Esse gaúcho, de 28 anos, vai interpretar o cozinheiro/galã Vicente, disputado pelas beldades Maria Clara (Andréia Horta) e Cristina (Leandra Leal), que podem ser irmãs em Falso Brilhante – título é provisório -, com estreia marcada para depois da Copa. Mas quando comecei a conversar com o ator, um novo  horizonte se abriu para mim: ele é multifacetado, no amplo sentido da palavra. Foi um “oh!” de admiração atrás do outro. Querem saber por quê? Vou contar tim-tim por tim-tim.

entrevista de Simone Magalhães

fotos: Fco. Patrício

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         A CHEGADA

A equipe do AS Digital, pontualíssima, estava às 14h no portão do prédio de três andares no Recreio dos Bandeirantes, onde o ator mora temporariamente. Interfona daqui, fala com o porteiro dali. “Será que ele se esqueceu?”, pergunta o fotógrafo Fco Patrício. Até que, de repente, vemos um corpo escultural acenando para nós, lá do terraço, avisando que já ia descer. Dois minutos depois, a esposa de Rafael há seis anos, a atriz e produtora Mariana Bridi, 29 anos, filha da repórter da Globo Sônia Bridi, e do diretor da Record, Edson Spinello, chega ao portão para nos recepcionar. “O Rafael estava malhando, mas já está vindo. Vamos subir”, explica ela, com um sorriso e uma linda barriga de 5 meses de gravidez, à espera de Aurora.

     NO APARTAMENTO

Numa sala ampla foram reunidos instrumentos musicais, móveis rústicos, quadros (um lindo Portinari), um sofá enorme e confortável, no qual o gato Hades (inspirado num deus da mitologia grega) se apropriava de nossos colos. Mal tivemos tempo de ver tudo, e surge Rafael, banho tomado, simpático, falante, pedindo desculpas e acendendo um incenso “para as boas energias”. Tudo ao mesmo tempo.Oferece um cafezinho, que Mariana traz e dá um selinho no marido, dizendo que vai descansar. Antes, ela fecha as portas de vidro da varanda da sala por causa da chuva que começou a cair.

       A CONVERSA

Quando criança, em Porto Alegre, já pensava em ser ator?

Quando moleque? Nunca! Assistia à televisão, uma coisa ou outra, mais pra ver futebol. Meu sonho era ser jogador de futebol.

Do Grêmio? Já vi foto sua com a camisa oficial…

É! Joguei lá dos 7 aos 15 anos, nas categorias de base.

E por que não foi adiante?

Desgostei, comecei a fazer teatro…

Espera aí! Como entrou o teatro nesse meio?

Com 15 anos, fui convidado para fazer um comercial. Aquela história do ‘vamos, você é bonito, a gente precisa de um garoto para uma campanha fotográfica‘. Eu pensei: ‘Ah, vou lá! Ganhar um dinheirinho’.

Tudo bem para os seus pais?

Sim, sim. Eles me incentivaram, e a agência era a que a minha prima trabalhava, fazia publicidade lá direto. Fiz o comercial, achei legal, e vi que havia testes para filmes publicitários com falas. E que estavam abrindo outros para um curta-metragem.

E você resolveu ir na cara e na coragem?

Pois é…(risos). Eu pensei: ‘Poxa, nunca fiz nada. Vou entrar numa aula’.  Aí, fui fazer o curso de interpretação da Escola de Teatro de Porto Alegre.

     PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DE HADES

Nesse momento, o bichano sobe no colo de Rafael, que o afaga muito. Hades teve uma alergia a produtos de limpeza, e perdeu parte do pelo. ‘Mas já trocamos os produtos, e ele está quase bom’, fala, com carinho. O ator se ressente por sua casa, na Barra, ainda não estar pronta para poder reunir todos os seus bichos. Além de Hades, ele tem outro gato, o Tchê, e dois cachorros: Elvis, um golden retriver, e Pinga. ‘É a minha vira-latinha. Sinto muita saudade de todos. Eles ficam na casa da Sônia (Bridi), por isso a gente quer mudar pra mais perto dela, para uma casa com espaço’, explica.

     DE VOLTA AO CURSO

Essas aulas de interpretação para teatro que você fazia em Porto Alegre…

Eram profissionalizantes mesmo, com ótimos professores. Depois, entrei para uma escola de cinema.

E continuava no colégio?

Era tudo concomitante. Escola de manhã, futebol à tarde, teatro à noite, e cinema aos sábados, de manhã.

Nossa, que correria! Mas foi assim que descobriu sua verdadeira vocação?

Fui jogar um campeonato para minha categoria, no Uruguai. Quando voltamos campeões, decidi: “Tudo bem, beleza, mas eu não quero mais isso.’ Estava meio desgostoso, já tinha me machucado, e me dei conta que ali havia uma ‘panela’ do caramba. ‘Quer saber? Não quero mais’. Falei para o meu pai que ia ser ator. Ele ficou chocado: ‘Como assim?’. Passado o susto, ele disse que tudo bem, mas que eu  teria de fazer uma faculdade. ‘Tá bom, de artes cênicas’, respondi. E ele: ‘Não! De outra coisa. Vai que não dá certo’. Fiquei pensando: ‘Do que mais eu gosto?’…

Educação Física?

Não. Fui Fazer Engenharia Ambiental!(risos)

Agora sou eu quem pergunta: como assim?

A  minha família tem fazenda. A gente pegava água da chuva, e reaproveitava, meu padrinho criava búfalos, eu fazia móveis de madeira reaproveitada. Até usei essa ‘pegada’ nos móveis que faço com madeira de demolição. Vou construir mais coisas para a casa nova.

O berço da Aurora, inclusive (brinquei)…

É: o berço eu vou fazer! Não sei se vai ser o berço que será colocado no quarto, mas vou construir um pra ficar em algum lugar da casa.

Por falar nisso, o que levou a escolher o nome de sua filha?

Aurora é o primeiro sol do dia. Eu e a Mari escolhemos juntos. Ela parou de tomar pílula, tirou o DIU, e logo veio a Aurora para iluminar a vida da gente. Estou me sentindo mais maduro. Já sinto medo de correr alguns riscos. Eu tinha moto, vendi. Um amigo queria que eu fizesse um investimento, disse: ‘Não vou arriscar essa grana’. Agora está vindo uma pessoa que vai depender de mim. Só posso pensar: ‘Tá ruim? Dá um jeito! Resolve!’.

        MOMENTO MARCENARIA

Com o maior orgulho, Rafael nos leva por um pequeno passeio por sua sala. Um linda mesa para seis ou oito pessoas, com bancos compridos, em madeira crua, que parecem dormentes de estrada de ferro, com acabamento primoroso. Um pequeno armário, um banco de madeira reaproveitada também estão por ali. Tudo feito por ele. Na cozinha, depois de pedir desculpas pela bagunça – ele estava limpando o fogão de seis bocas (sim, ele retira as grelhas e os queimadores, e limpa o fogão!) -,o ator mostra o quadro com prateleiras para seus potes de condimentos. E seus azulejos decorados para mesclar aos brancos nas paredes da cozinha. E tome fotos! Quando a gente pensa que não tem como se admirar mais, ele fala de outra  habilidade manual: pintar quadros. Só não dava para nos mostrar porque estavam no quarto, onde Mariana descansava.

‘Tenho dedicação a várias coisas. Todas são importantes: escrever, produzir, pintar, tocar instrumentos, ter uma produtora de audiovisual, ser empresário, mas o que me move mesmo é arte dramática. Tenho certeza de que fiz a escolha correta’, comenta o ator.

        ENTRANDO NA TV

Mesmo com esse potencial todo, abandonou a engenharia ambiental?

Pois é. Comecei a matar aula, faltar muito, fui deixando, deixando… Até que meu pai percebeu que não era aquilo que eu queria. Já estava fazendo uns curtas para a RBS (afiliada da Globo no Rio Grande do Sul), principalmente sobre histórias gaúchas. Fui conhecendo produtores de elenco, gostando cada vez mais daquilo tudo.  E não adianta: a prática ajuda demais. Quando estava com 17 anos, o Léo Gama (produtor de elenco da Globo) foi pra lá, e fiz um teste. Ele falou: ‘Continua estudando aí, porque essa Oficina (de Atores) que está tendo agora não é o teu perfil, são atores mais velhos. Mas vou te chamar ano que vem para a próxima’.

Você ficou desanimado?

Eu pensei: ‘Ah, ele não vai me chamar pra nada. Quer saber? Vou tocar meu barco, que está dando certo. Comecei a fazer teatro aqui, ali… Deu um ano certinho, e ele me chamou: ‘Rapaz, vem fazer o teste aqui na Globo'”. Imagina! ‘Jesus! É isso mesmo? V´ambora!’ (risos). E vim para o Rio, fazer a Oficina, com 18 para 19 anos.

Como foi a experiência?

Fiz duas Oficinas, algumas participações, teatro na Cia. De Teatro Íntimo, e peguei minha primeira novela, Beleza Pura (2008). Depois vieram Cinquentinha (2009), Ti Ti Ti (2010),  A Vida da Gente (2011), Lado a Lado (2012) e Joia Raia (2013). Foram ótimos trabalhos,cada personagem com a sua peculiaridade, sempre com uma importância boa na trama. Em Joia Rara, por exemplo, eu sabia que o Viktor ia ser legal, mas com o desenvolvimento da trama ele foi ganhando mais espaço. Estou sendo bem feliz com o meu trabalho.

     BRILHANTE NA COZINHA

Por falar em personagens, agora você está às voltas com o Vicente, que ganhou o sobrenome (Ferreira da Silva) e o local de nascimento (Carpina, Pernambuco), do autor da novela…

É uma honra. Ele é um excelente contador de histórias, de uma vivência incrível, de um entendimento popular como poucos, tenho certeza que a novela será sucesso. Ah, e soube também que ele gosta de gastronomia.

Você vai ter sotaque nordestino?

De leve. Porque ele vem de Pernambuco, passa um tempo no Rio, e volta para sua terra natal. Sempre gostou de cozinhar e, por isso, os garotos faziam bullying com ele.

Pois é. Em Pernambuco, a palavra frango pode significar que é gay. E viviam chamando o Vicente assim.  Mas acho que é comum, em quase todo lugar, quando você se diferencia do que é comum ser visto com outros olhos. Principalmente naquela época fazendo uma atividade que, até então, era mais ligada às mulheres.

Mas acho que tem um lado bom: pode criar uma força ainda maior para superar os obstáculos e vencer. Ele tinha o jeito dele resolver, dava uns tapas (faz o barulho com as mãos e ri) e dizia: ‘ Fique quieto aí, ô rapaz!’ Ele é bem descolado.

Vicente é meio grosseirão?

Não é não. Ele fala o que pensa, mas é bem humorado. Não se importa muito com o que os outros vão pensar: vai falando. Ele olha uma mulher bonita e diz: ‘Pô… é gata!’.

Então é conquistador?

Não. É só observador mesmo. O cara é homem, vê uma mulher bonita e fala. Mas sem essa coisa de ‘quero conquistar’ até porque ele está preocupado com o trabalho, quer ascender profissionalmente. Nesse ponto é muito focado.

E quando volta ao Rio tem dificuldades em arranjar emprego?

Ele procura aqui, ali, e descobre que estão precisando de um ajudante de cozinha no restaurante do Enrico (Joaquim Lopes).

Como será a relação dos dois?

De cara, o Enrico pede que o Vicente faça um molho de tomate. Meu personagem pergunta: ‘Como você quer o molho?’. O outro responde: ‘Um molho diferente, mas igual’. (risos) Aí, Vicente vai pela cabeça dele, aquela coisa de sentir o sabor com o aroma. E pede na cozinha do restaurante: ‘Pode ser coentro… me vê manjericão, aquela cebolinha pequena – que ele não sabe falar chalota’. E por aí vai. Ele é sensorial. Não está lapidado, nunca estudou gastronomia, aprendeu na vida. O cara tem o dom. Vicente vai bolar pratos, e Enrico dirá que foi ele quem criou. Mas meu personagem não liga: ele tem mil possibilidades de receitas na cabeça. Quando estou na cozinha, Mariana fica me zoando que é o Ratatouille (filme de animação de 2007, baseado no prato francês homônimo, conhecido também como ‘ragu de legumes’).

E a relação com Maria Clara e Cristina?

A princípio, pelo que entendi, ele está mais interessado em estudar gastronomia – como não tem muito dinheiro compra os livros em sebos -, e ter seu próprio restaurante. Ele acha a Maria Clara uma mulher bonita, atraente, mas, mesmo sem se casar com o Enrico, o cara fica rondando por ali. Há uma pressão da mãe dela, já que Vicente é pobre. Mas existe uma conexão entre os dois. Com a Cristina, ele teve um namorico de criança, quando morou no Rio. É um carinho diferente, um querer bem. Sabe quando você vê uma pessoa depois de muitos anos, e parece que o tempo não passou? Quando encontro a Cristina digo: ‘Eu não falei que voltava?’. O resto está nas mãos do Aguinaldo (risos).

 

     CHEF DE VERDADE

A chuva passou, e a vista da varanda para um área verde é ainda mais bonita. Para aproveitar a luz natural que ainda resta, Fco Patrício leva  Rafael até lá. Mesmo posando para fotos, o ator continua empolgado. Agora em falar sobre seus empreendimentos em torno da… comida, pra  variar.

Vicente quer ter um restaurante. E você?

Já tenho, com comida saudável. Daqui a um mês vou lançar o blog Puramesa, com fotos, videologs, receitas, dicas de restaurantes dos lugares por onde passei, contando das viagens que fiz com roteiros gastronômicos. E estou com um amigo no Restaurante LePario, no Quartier Latin, em Paris. Ele trabalhou dez anos com o conhecidíssimo master chef (Cristian) Constant. E tem mais…

Mais??

Em breve vou inaugurar uma Casa de Carnes, no Condado de Cascais, na Barra. Teremos um serviço de entrega em casa. Você vai fazer um churrasco, liga pra lá, diz o que quer e quantas pessoas são.  Mandamos tudo. Teremos uma equipe de quatro ou cinco churrasqueiros que estarão à disposição. Vamos trazer a carne do Sul, trabalharemos só com gado fino.

Nossa, só falta você querer lançar um livro.

E vou lançar! Com comida saudável, otimizando as calorias, dando as receitas e as possibilidades de trocas, caso você não tenha ou não possa comprar determinado ingrediente. Se não dá para usar pato, vai de galinha caipira! (risos).

Apesar de não ter restrições a nenhum prato, noto uma preocupação especial com a comida mais saudável.

Perdi minha mãe, aos 11 anos, de câncer. Depois minha avó e minha tia, da mesma forma. Procuro entender mais sobre as possibilidades que a influência dos alimentos tem em relação à doença

Você fala muito das suas receitas, salgadas. E as sobremesas?

Eu não gosto de doces, só um chocolate amargo, de vez em quando. Talvez por isso não tenha muitas receitas de sobremesas. Para mim uma fruta substitui a sobremesa, numa boa.

     HORA DA MÚSICA

Como você arranja tempo para fazer tantas coisas?

O segredo é delegar tarefas, e ter confiança. Tenho sócios, representantes. A Mariana me ajuda nessa  parte administrativa também. Procuro não ter preocupação com o que não existe. Cada projeto que entro não dá para tocar como gostaria, mas confio em quem está neles comigo. E como meu avô dizia: ‘Melhor ter 10% de alguma coisa do que zero de nada’ (risos).

É de se admirar a quantidade de empreendimentos e  interesses que você  tem. Ainda há a produtora de audiovisual, Casulo, não?

É, com o diretor Pedro Zoca. Estamos terminando um documentário sobre Nise da Silveira (psiquiatra brasileira, contrária às técnicas agressivas de tratamento para doentes mentais). Chama-se Olhar de Nise, faço uma participação como marido dela. Mas já gravamos clipe da banda Fino Coletivo, no qual colocamos um ator vestido de palhaço na rua, dando flores a quem passava. Impressionante a reação de cada um. Um estudo antropológico… Estamos finalizando o vídeo da Aline Wirley (esposa do ator Igor Rickli, o Alberto, da novela Flor do Caribe, 2013). Ela é simplesmente maravilhosa. E também está de cinco meses de gravidez, como a Mari.

Você gosta muito de música. Como surgiu esse interesse?

Quando tinha 15 anos meu pai me deu um violão, e comprava aqueles livros de interpretação de músicas. Mas aprendi de ouvido. Assim como a tocar piano.

Você toca piano de ouvido, desde adolescência?

Não. Esse aqui (na sala) tem menos de um ano.

E Rafael senta-se em frente ao piano e começa a tocar um música divina.

Nossa, é linda! Que música é essa?

Não sei. Estou tocando o que sinto, o que me vem agora.

Quer dizer que se eu pedir pra tocar Cai Cai Balão, você não sabe?

Não, não sei.

E aqueles instrumentos de percussão (ao lado do piano)?

Eu gosto muito! (Começa a tocar e explicar) Esse é o tambor comum, o tantan, um didgeridoo (semelhante a um berrante, mas com som mais fragmentado), um tambor diambê…

NA LINHA ROBERT DE NIRO

Você acabou de voltar do Rio Grande do Sul, onde gravou a série Animal. Como foi?

É um história de Paulo Nascimento, com 13 capítulos, na qual faço o Naldinho, um psicopata, que termina preso, sai, mata uma porrada de gente e… o final não posso contar, deixo a dúvida do que acontece com ele porque pode haver uma segunda temporada. (risos)

Soube que você se transformou para interpretar o Naldinho.

Pois é. Raspei a cabeça, fiz várias tatuagens temporárias e pedi que o dentista lixasse meu dente da frente (mostra a foto), dando essa aparência de quebrado.

E quando terminou a gravação?

Ele reconstruiu com resina.

Quer dizer que se houver outra temporada isso pode acontecer novamente?

Claro.

Se pedirem pra você engordar 30 quilos para refilmar O Touro Indomável (1980)?

Eu engordo. Trabalho de ator é isso também.

E para tirar a roupa em cena?

Gratuitamente não faço, mas se tiver contexto, tudo bem.

Como é que você se sente com o rótulo de galã?

Não tenho nada contra porque não me vejo assim. Somos atores, e isso é o mais importante. A beleza é conceitual, vai embora. Vejo exemplos de atores deslumbrados com a fama, e que, depois, somem. Sou pé no chão. Quero estar em evidência pelo meu trabalho, passar uma mensagem social importante.

Lado a Lado abordava o preconceito racial. Como o vê no Brasil de hoje?

Ele nunca deixou de existir. Acho que a sociedade está um pouco melhor em relação a isso, mas não sei o que se passa na cabeça de cada um. Acho que o mais importante de tudo é a conscientização.

Em Falso Brilhante, seu patrão, Enrico, é um sujeito homofóbico. O que acha da homofobia?

Você tem a sua opinião do que acha certo em relação a muitas coisas. Eu tenho as minhas. Mas em alguns assuntos é importante um consenso. Não se pode sair por aí batendo, matando, ou fazendo qualquer coisa que agrida um ser humano pela orientação sexual dele. Ninguém tem o direito de se intrometer na vida dos outros. Quanto mais agredir. Está tudo tão banalizado…

Como os linchamentos e fazer justiça (ou injustiça) com as próprias mãos, que vêm acontecendo?

As pessoas estão desorientadas, não acreditam em mais nada, não veem melhora, e acaba sendo essa barbárie. Nossas leis são antigas demais. E tudo anda a passos lentos. Mas não acredito na penalização do menores de 16 anos. O sistema carcerário é falho, e os menores podem sair de lá ainda piores. Tem que dar estudo, opções de profissionalização… O sistema inteiro tem que mudar.

HORA DE IR EMBORA

A equipe de AS Digital não poderia sair sem fazer Rafael Cardoso jurar que enviaria uma receita maravilhosa para vocês. Ele escolheu um taharim com vodca, elaborado durante um workshop no Projac. Uma delícia dos deuses feita pelo ator multifacetado.

 

TALHARIM AO SUGO COM VODCA

Ingredientes para a massa

3 ovos / 3xícaras (chá) de farinha de trigo

Preparo

Misture bem os ingrediente em uma vasilha. Depois, coloque a massa em algum lugar enfarinhado (mármore, mesa) onde consiga esticá-la com o rolo de massa. Abra bem deixando- a o mais fina possível. Enrole-a com o formato de um charuto, e corte na largura que preferir. Cozinhe-a em água quente.

Ingredientes para o molho

1 e ½ cebola / 5 tomates / 3 dentes de alho/ 1 colher (sopa rasa) de manteiga (e um pouco de azeite para não queimar a manteiga) / 1 colher (sopa rasa) de aceto balsâmico/ ½ xícara de vodca/ 1 pimenta dedo de moça (pequena e sem sementes)/ manjericão doce, pimenta, sal e erva doce a gosto.

Preparo

Refogue a cebola e o alho na manteiga e azeite, depois acrescente os tomates. Refogue um pouco mais e, em seguida, vá acrescentando os ingredientes restantes. Cozinhe até que o sabor fique uniforme. Coloque sobre o talharim e sirva quente.

 

 

16 comentários

  1. Como não, André Luis? O que era a pitbull fêmea, enfrentando Nazinha, batendo uma bola incrível com a grande Renata Sorrah, quase tomando o posto de mocinha jovem da trama da delicada Isabel em Senhora do Destino? Ali ela provou ser atriz!
    Leandra Leal consegue ser quase infantil com a delicadeza da sua voz e gestos fazendo as mocinhas românticas mas quando suas personagens saem para a briga ela vira um mulherão! Eu amo!

  2. Gostei muito da escolha do Rafael Cardoso. Prá mim, ele mostrou toda sua versatilidade e talento no filme Do Começo ao Fim, no qual interpretou, até o momento, o maior desafio de sua carreira: um personagem homossexual apaixonado pelo meio-irmão. Não só pelas cenas ousadíssimas, mas, sim, pela interpretação convincente e linda. Ele provou que é um dos fortes nomes da nova geração de atores.
    Também gostei muitooo da escalação da Andrea Horta. Quanto à Leandra Leal, infelizmente até hoje ela não fez nenhum personagem que me chamasse tanta atenção. Espero que ela brilhe em Falso Brilhante porque é uma atriz talentosa e esforçada.

  3. Muito boa a entrevista

  4. Ola querido tudo bem, sou modelo e atriz transexual gostaria muito de um contato seu e mail caso nao seja incomodo… gostaria de tirar essa imagem ruim de trans… meu facebook Viviany Beleboni e E mail : vivianyaguilera@hotmail.com beijos e sucesso

  5. Eu admiro as pessoas multifacetadas, no entanto é preciso cuidado pois com tanto entusiasmo, às vezes não se consegue ser totalmente bom em tudo.
    Não há tempo para se tornar “expert”. Exige muita dedicação.
    Mas Rafael é que sabe. Felicidades!
    E quanto à Simone, entrevista muito interessante.
    Sempre muito bom te ler, Simone!
    Não esqueci, não, Francisco. Suas fotos são sempre óptimas!
    Abraços para TODOS e uma semana com muita Paz.
    Magdalena

  6. A Simone é muito boa jornalista mesmo! Parabens Simone!

    E seu Aguinaldo,quereeeeeedo, cá estamos a espera de mais um sucesso… Na expectativa!

    Sorte e sucesso a todos!

    Parabens Rafael Cardoso!

  7. http://youtu.be/oG6lTQNW04I

    Como resolver os problemas das drogas, principalmente o álcool que é uma merda estimulada constantemente pela música e por imagens?

    Como você destruiu Satã?

    Olhe para o governo.

  8. A escolha do Rafael foi perfeita!
    Ele é um ator incrível”.
    Um homem Lindo em todos os sentidos!
    Já salvei as fotos no meu lap-top.
    Parabéns Aguinaldo Silva, pela entrevista maravilhosa!
    Amei!

  9. Bela entrevista!
    Belo entrevistado!
    Bela jornalista!
    Belo cenario!
    Bela novela essa que vem por aí

  10. Bela entrevista!
    Belo entrevistado!
    Bela jornalista!
    Belo cenario!
    Bela novela essa que vem por aí!

  11. Foi ótima sim, como aliás todas as que já li.

    Bjs

  12. Dale! Nosso futuro Dustin Hofmann!

  13. Muito boa a entrevista, adorei a receita para o domingo.

    http://youtu.be/9uV36cPHYOE

  14. A entrevista mostrou mais uma vez quão simpático e agradável é o ator Rafael Cardoso. Tem tudo para brilhar na nova novela das oito!

  15. Obrigada, Tom! Feliz em saber que vc gostou da entrevista. Até porque precisei relevar sérios problemas pessoais na hora de escrevê-la. Mas o amor pelo ofício sempre fala mais alto. Espero que achem tão boa quanto a massa feita pelo Rafael! rsrsr Bjss

  16. Simone, parabéns! A entrevista está ótima. Eu nunca te dei os parabéns aqui, sempre faço meus modestos comentários de forma muito direta, e esqueço de agradecer e parabenizar você pelas entrevistas. Faço agora, por esta e pelas outras.

    Acho a trinca Leandra, Rafael e Andrea muito interessante, é nova, é novidade, e, apesar disso, de muito talento. Com estes três foge-se do óbvio sem correr riscos.

    E com a volta de Flávio Galvão, de Paulo Betti, ressuscitado da Malhação, além, claro, da Lilia, eu sinto que Falso Brilhante vem com o melhor do elenco clássico do Aguinaldo aliado ao que de melhor temos na nova geração de atores.

    Promete!

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