Joana Santos

Na passada sexta-feira, a novela “Laços de Sangue” alcançou o seu recorde audiométrico: 9.8 pontos de rating e 24.9% de share. Perto de um milhão de telespectadores acompanharam o quinto episódio da trama intrepetada por Diana Chaves, Joana Santos e Diogo Morgado.

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Já nas primeiras cenas de Laços de Sangue a atriz Joana Santos, intérprete da vilã Diana, causou-me uma forte impressão – como eu não sentia desde que vi Adriana Esteves, aqui no Brasil, despontar como a melhor atriz de uma geração que deu, entre outras, Malu Mader e Cláudia Abreu. Joana Santos é uma dessas atrizes raríssimas que mantêm com a câmera uma relação de absoluta cumplicidade e, através dela, diz tudo o que quer. É uma “estrela”, portanto. E como tem só 24 anos – menos que a sua personagem atual -, tem uma longa carreira pela frente na televisão portuguesa e – quem sabe? – internacional. É ela a nossa entrevistada de hoje.

1, O que pensou quando leu as primeiras cenas de “Diana” em “Laços de Sangue”?

Que realmente não se tratava de uma vilã qualquer, o que me deixou super contente. Desde o primeiro movimento que consigo defender esta personagem; é uma revoltada sim, mas mediante os fatos, sua revolta acaba por ter fundamento. Achei logo que era uma personagem riquíssima, com muita garra e muito inteligente nas suas artimanhas.

2, A idéia de fazer uma vilã a assusta?

Pelo contrário, é um bombom, um privilégio. Então essa “Diana” só me dá alegrias enquanto atriz.

3, Acha que será odiada pelo público por conta da Diana, mesmo tendo ela uma “causa”?

Esta vilã eu acho que consegue dar a volta ao público, pois é uma mulher que, por exemplo, pode não gostar de trabalhar no mercado nem no café, mas quando o faz empenha-se e fá-lo bem. As pessoas vão ver que ela sofreu também uma grande injustiça na vida e acabam por compreender a sua revolta. Mais para frente logo se vê o que o público vai achar da implacável Diana…

4, O que você pensa de fazer telenovelas? É bom para o ator ou não?

O fato de poder fazer aquilo de que gosto é um privilégio. Existe ainda um certo preconceito em relação aos atores de novela, que acho absurdo. Somos atores, seja a fazer novela, teatro ou cinema. É óbvio que há produtos de maior qualidade e outros com menos, mas isso não acontece só na televisão. A televisão dá-nos ritmo, experiência, num dia podemos gravar cenas de dias de ação diferentes, de episódios diferentes, e isso exige-nos uma grande concentração, e preparação de personagem.

5, Tem consciência de que esta novela pode resultar num “up grade” do gênero em Portugal?

Tenho consciência de que estou a fazer uma novela de grande qualidade; uma das qualidades que quero ressaltar, é tratar-se de uma novela com dinâmica, com ritmo, está sempre qualquer coisa a acontecer, a novela não “morre”. E espero com certeza que isso seja um grande êxito, estou a tentar fazer isso.

6, Nasceu onde, o que estudou, fez cursos de teatro, há quanto tempo é profissional e – pergunta indiscreta – quantos anos tem?

Vou começar pela última pergunta. Tenho 24 anos, nasci no dia 16 de novembro de 1985, sou “escorpiona!! Completei o 12o. ano de escolaridade, não tirei nenhum curso de representação, por enquanto tenho feito workshops, acho que é bastante importante investir na formação, e não descarto a hipótese de tirar um curso.

7, O que você já fez na televisão?

Comecei na TVI, fiz duas novelas, “Fala-me de Amor” e “Ilha dos Amores”; na SIC fiz “Rebelde Way”, na RTP1 fiz “Um lugar para viver” e uma participação na série “Cidade Despida”.

8, E teatro e cinema, também fez?

Cinema fiz duas longas, “Corações Partidos”, da produtora Rosa Filmes, e “A Comédia e a Vida”, da Take 2000, um filme de Alberto Seixas Santos encenado por João Botelho. Em relação ao teatro infelizmente ainda não, mas quero muito fazer… Quem sabe quando terminar a novela?

9, “Laços de Sangue” vai deixá-la esgotada. Já tem algum trabalho programado para depois da novela?

Não tenho férias nem trabalhos programados. A única coisa que me ocupa a cabeça neste momento é a “Diana”.

10, Conte uma história interessante do seu primeiro dia de gravação como “Diana”.

No meu primeiro dia de gravações aconteceu-me algo interessante para mim enquanto atriz, devido ao trabalho que fui desenvolvendo com Laís (Corrêa, a “coaching” brasileira que veio treinar os atores da novela) nos ensaios; fui com uma melhor preparação de personagem para as cenas. Dei por mim no Mercado da Ribeira a observar as pessoas, a sentir a mistura de cheiros, e tudo me fazia muita confusão… E percebi que não era a mim que estava a fazer confusão, mas a “Diana”. Pode parecer ridículo isto, não sei… Mas é tão bom quando as personagens ganham vida nas locações!

11, Como receberia um convite para trabalhar no Brasil?

Isso é um convite? Rsrsrsrsrsrsrs, brincadeira. Receberia com todo gosto e empenho da minha parte!