André Bankoff

BANKOFF SÓ PENSA EM TRABALHO

André Bankoff, um dos galãs da vez, está na estrada desde 2005, quando saiu da escola de teatro… Mas não é daqueles que se acham o máximo por causa do rostinho bonito, e por isso nunca parou com os estudos. Nessa conversa comigo ele deixou bem claro o quanto leva sua profissão a sério e deu, aos bonitões que estão no mesmo estágio que ele um guia para quem deseja continuar em evidência, e que se resume a três ítens: trabalho, trabalho e mais trabalho. Com vocês, o peão de “Bicho do Mato” e o mauzão de “Poder Paralelo”.

1- Quando se trata de atores, a gente sabe que a fila anda rápido. Mas você está bem lá na frente. Como fazer pra se manter lá?

R. Aguinaldo, existem vários fatores que contribuem para que o ator permaneça neste mercado tão competitivo. Um deles é estar sempre se reciclando; engajado com leituras, envolvido com a arte o máximo que puder. Nunca parar de estudar! Outra coisa muito importante na carreira é a orientação, ter um bom agente, pessoas que te acolham, que saibam te orientar e direcionar verdadeiramente uma carreira.

2- Já fez teatro?

R.Nunca fiz uma peça profissionalmente. Desde 2005 que não paro com trabalhos na tv. Como sou de Americana (SP) e no início a grana era apertada, acabava dando prioridade a trabalhos que me dessem recursos para me manter no Rio. Fiz apenas as montagens finais dos cursos de que participei, mas não posso considerar estas peças como um trabalho profissional. Escolhi o ano de 2010 para me dedicar ao estudo, e se possível realizar um grande desejo que eu tenho: estrear no teatro!!!

3- E cursos, quais fez?

R: Meu 1º curso de teatro foi em Campinas (SP), no Conservatório Carlos Gomes.  Em São Paulo estudei interpretação com a Fátima Toledo. No Rio de Janeiro com Daniel Herz, Camila e Rafaela Amado. Fiz a Oficina de Atores da Rede Globo, cursos na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras) e tb passei um tempo estudando com a galera do Nós do Morro. No próximo mês começarei a estudar cinema com Walter Lima; canto com Vitor Prochet e sapateado.

4- Morou um tempo fora do Brasil. Quais são suas impressões de lá?

R.Morei sim, com minha mãe em Roma, durante o Pós Doutorado dela. Depois Milão, Paris e NY, como modelo. Quando cheguei achava tudo incrível, mas depois você vai observando que os mesmos problemas que existem aqui no Brasil, praticamente também existem em outros países, ainda mais agora com essa crise econômica que desestabilizou toda parte do mundo. Claro, que em se tratando da violência em nosso país, principalmente nos grandes centros, ficamos devendo muito a eles. Se tivéssemos uma política de governo honesta, que se preocupasse de fato com a situação do povo, se os dirigentes de nosso país utilizassem com respeito o dinheiro de nossos impostos, muitas coisas poderiam ser feitas em benefício da nossa sociedade.

5- Das novelas que fez, qual a que mais gostou?

R. Sem duvida, Bicho do Mato, onde fiz meu primeiro protagonista, era tudo mágico! Não sabia muita coisa, fazia quase tudo pela intuição. Como havia cenas de mergulho, cavalgada, a novela Bicho do Mato também me deu a possibilidade de colocar em prática minha disponibilidade corporal, já que não usei dublê. Mas foi em Poder Paralelo que pude desenvolver com mais consciência o trabalho de ator, o que me deixou muito feliz. Comecei com um personagem (André Campos) bonzinho, que era o modelo de genro que toda sogra um dia sonha ter, mas que era traído pela mulher… ou seja um corno manso! O André Campos no início, não esboçava muita coisa. Junto com minha agente, (que é também minha amiga e professora) começamos a enxergar que o personagem poderia ter outra embocadura, a cada olhar, a cada intenção, a cada gesto, inclusive modificando a minha postura e tom de voz. Passamos a aproveitar cada linha do texto que o autor Lauro César Muniz escrevia e assim o André Campos foi se transformando em um vilão mercenário, que cresceu absurdamente na trama. Aprendi muito nessa novela, muito mesmo!!

6- Quando não está no ar, o que gosta de fazer?

R.Detesto ficar parado, por isso caio de cabeça nos estudos. Sempre que posso vou a Americana visitar minha família e viajo para lugares que nunca fui. Ainda quero ir à Grécia, Egito e Israel.

7- Tem algum objetivo imediato? E a longo prazo?

R.Sim! Estrear profissionalmente no teatro. A longo prazo, um dia poder fazer um travesti, um personagem que fosse um açougueiro de dia e a noite trabalhasse como travesti numa boate. Dois mundos completamente diferentes vividos pela mesma pessoa. Quer escrever algo?? Rsrsrsrs…

8- Dados biográficos. Onde nasceu, quando, como começou na vida artística…

R. Sou de Americana,interior de São Paulo. Nasci no dia 20 de setembro de 1981. Tive o primeiro contato com o mundo artístico aos 12 anos, quando gravei meu primeiro comercial. Foram mais de 60  ao longo da minha carreira de modelo.A carreira de ator começou mesmo trabalhando em rádio, rsrs! Comecei a estudar comunicação social na Universidade Metodista de Piracicaba e logo depois disso fui para radio Am Brasil em St.Barbara D’Oest. Entrava ao vivo e tudo! As notícias? Eram desde um gato que estava preso em cima da árvore, até a cobertura do campeonato paulista da segunda divisão! Depois desta experiência incrível que é trabalhar em rádio, fui para o Rio de Janeiro e fiz os cursos que já te contei. Logo depois participei com um personagem bem pequeno em Mad Maria, fiz parte do elenco da novela  Bang Bang  (Rede Globo ) e na seqüência fui convidado para fazer as novelas Bicho do Mato, Amor e Intrigas e Poder Paralelo ( Rede Record ). A propósito, quem me levava para cima e para baixo fazer os testes era minha mãe. Olha aí o resultado do “trabalho” que dei para Dona Antonia!! Rsrsrs…..

9- Cinema, teatro ou tevê?

R. Todos os três envolvem a arte e amo minha profissão. Claro que cada um tem uma linguagem diferente, um detalhe a ser observado e é isso que torna esse mundo tão fascinante. Poder viver um personagem a cada trabalho, dar vida ao que sai da cabeça dos autores. Empregar o cheiro, manias, olhares, customizar com a nossa identidade, a identidade de cada personagem. Isso é muito bom e impagável.

10- Você acha que ser galã na tevê é uma espécie de maldição? Sente-se limitado por ser considerado como tal?

R. Não! Acredito que o ator só se limita quando ele mesmo permite. Por isso a importância de buscar desafios, personagens que te levem para um caminho novo, tanto na profissão como na vida, seja no cinema, no teatro ou na tv. É a referencia que fiz em algumas linhas acima, onde cito ter vontade de fazer um personagem que seja açougueiro de dia, e a noite, trabalhe como travesti. Nunca fui um açougueiro e tão pouco travesti, mas acho que isso seria um desafio para mim, entre outros que tenho vontade de fazer um dia. O problema é que quando o ator descobre uma fórmula, muitas vezes ele se acomoda e fica nesse nível de conforto durante muito tempo, e o que é pior, em alguns casos, durante toda carreira. Fazer o galã não quer dizer se repetir, estudando posso fazer 2, 3, 4 galãs de diversas formas e assim mostrar um trabalho diferente em cada obra, mesmo sendo “o mocinho da história”. Se o ator se acomoda o personagem se apaga, a cada dia, a cada trabalho, restando apenas o ator/pessoa em cena e não mais o personagem. O ator tem que estar atento para que isso não aconteça e sempre buscar o conhecimento através do estudo diário.