Marília Gabriela

Eu e Marília Gabriela nos encontramos sempre em trânsito: é um café da manhã em São Paulo, um almoço no Centro Cultural de Belém lá em Lisboa com o Rio Tejo ao fundo, um jantar no Antiquarius aqui do Rio de Janeiro… E muita conversa: sobre amizade, vida e, principalmente, trabalho. Somos dois trabalhadores compulsivos e adoramos ser assim, por isso nos entendemos. Tremi ao lhe mandar as perguntas, pois, quando se trata de entrevistas ela é uma mestra nacional no assunto. Mas acho que não me saí mal, ainda mais porque Gabi me ajudou muito nas respostas. Leiam e confiram.

1- Em “Aquela Mulher” no teatro, e “Cinquentinha” na televisão você mostrou o quanto é atriz de verdade. E agora, como é que fica o jornalismo?

Obrigada, Agê. Tenho que admitir que senti em mim mesma esse, digamos,  ”upgrade” como atriz nesses dois últimos trabalhos. Nove anos depois, já estava mais que na hora! E quando você, que foi quem ousou me convidar para dois papéis distintos em minha estréia na teledramaturgia (Senhora do Destino) percebe isso, aí fico apaziguada. Por ora. O jornalismo continua porque me abastece, me dá respostas, me mantém alerta e me é indispensável por vocação e pela consciência de que através dele  consigo apurar o ouvido para ouvir de fato “o outro”, o que é fundamental  para o ator que lida com o a humanidade de cada personagem, como para qualquer ser vivente que se pretenda humanizado no melhor sentido da palavra.

2- Seu programa de entrevistas é imperdível há anos. Mesmo assim não pensa em fazer alguma coisa mais dinâmica, ou investigativa no jornalismo?

Já fui repórter de rua, na linguagem da televisão, correspondente no exterior, já tive um programa com convidados e platéia, e era aquela que cobria de entrevistas com governadores e prefeitos a “presunto” do Esquadrão da Morte (lembra desse triste tempo, meu amigo?!) e plantão em delegacia de polícia. Cheguei a freqüentar o analista (o magnífico Bigode, o Roberto Freire de tantas histórias) para aprender que em tempos de censura que tem que censurar é quem se atreve, e precisa, ou acredita, não quem trabalha tentando contar a verdade. De qualquer forma, depois da descoberta do estúdio e a necessidade de respostas mais concretas, além da convicção de que bons depoimentos precisam de tempo para driblar o nervosismo, ultrapassar o estranhamento diante do entrevistador e do veículo, e adquirir a confiança que vai permitir a revelação, não senti mais falta da aventura investigativa. Meu negócio hoje em dia é mais com idéias e sentimentos do que propriamente com atualidades.

3- Novela, minissérie ou seriado?

Ah, mestre,os três, com preferência pela minissérie que já chega com princípio meio e fim e dá para elaborar uma personagem completamente, sem o susto das reviravoltas das novelas. Que, por outro lado, exercitam um bocado a capacidade de improviso e de “salve-se quem puder” do ator. Agora, seriado, eu que sou viciada na modalidade como expectadora, é sonho de consumo: tempo pra ensaiar, trabalhar alguns dias por semana, ter emprego fixo e ainda conviver de fato com um grupo com vocação semelhante à sua, isso é um luxo. 4- Você faz o que quer com a voz. De onde ela saiu? Frequentou algum curso do tipo “Glorinha Beutemmuller”?

Sei lá de onde. Tenho uma vaga lembrança de como era melodiosa a voz da minha mãe. Meu pai era doce, e grave e doce  a sua voz. Na adolescência um dos esportes favoritos que tínhamos, minha irmã Mariza e eu, era ficar passando o telefone de uma para a outra durante conversas com namorados até que eles começassem a ficar perturbados sem saber quem era quem. Já houve uma fase na adolescência de cada um de meus filhos em que eu atendia e do outro lado achavam que era um ou outro. Até hoje, em hotéis em que me hospedo mundo afora, quando ligo para pedir algo, pela manhã quase sempre, me respondem que “sim senhor,imediatamente”. Eu não discuto. Ali pelos vinte anos de idade tive algumas poucas aulas com Magdalena de Paula, que foi grande cantora e professora muito especial de um monte de gente conhecida. Isso.

5- E a música, sonha em gravar outro disco?

Gravar disco é um tesão, Agê. Se pudesse gravava todo ano, mas… Este ano já aceitei um convite  do Edgard Radesca, dono do Bourbon Street em São Paulo, pra fazer um show lá. A produção será do Boni que, alguns anos atrás, produziu meu show no Mistura Fina no Rio e foi uma delícia.Falta combinar as datas. Vamos ver no que vai dar!

6- Fica incomodada quando a mídia faz alusões às suas preferências românticas no capítulo idade?

Nem um pouco. A verdade não me incomoda. Se alguma me incomoda, discuto no analista. Eu gosto de homens jovens. Sabe que encontro muitos que também gostam de mim?! A vida é mesmo divertida, não é não?!

7- Por falar em idade: cinquentinha “forever”?

Que é isso ?????….. quarentinha forever!!

8- Que cuidados você toma pra ser sempre tão jovial e linda?

Jovial sou por destino astrológico. Nós dois,não é,geminiano???!!! Rsrsrs. Linda, que nem acho que sou, faço o possível pra ficar com cremes de beleza da melhor estirpe, muitíssimo pilates, alimentação balanceada e o auxílio luxuoso, vez por outra, de dois médicos: um plástico, Pedro Albuquerque, e um dermatologista, Otávio Macedo.Mas o comando está mesmo é na cabeça.

9- Uma pergunta de jornalista fifi: está namorando? Quem, quando, onde, como e por quê?

Sabe que passei 2009 borboleteando e gostei? Todos ótimos, nada aborrecidos. 2010 está pintando com a mesma “vibe”, essa da borboleta. Não sei até quando, mas não são namoros, são outra coisa. Até que de repente eu caia de quatro por alguém e aí é outra história.

10- Planos para o ano 2030: tem algum?

Estava aqui pensando num seriado escrito por você sobre a infinitude,que tal? Já está muito cheio de projetos para o ano????? Te amo, Agê, mestre. Mil beijos do tamanho do mundo. Gabi…