SUSANA TALKS!

»Públicado por em set 10, 2016 | 5 comentários

 

Adorei esta entrevista de Susana Vieira. Ela foi concedida ao competente entrevistador do site Dez Minutos de Arte durante minha noite de autógrafos (de “Turno da Noite”) na Livraria da Travessa, enquanto a fila enorme coleava lá atrás. Gostei tanto que, mal a descobri no youtube resolvi publicá-la aqui, aproveitando para dar um aviso aos navegantes. Ainda este mês voltarei com o Papo Firme,  as entrevistas no meu canal do You Tube que são reproduzidas aqui. Aguardem, e por enquanto curtam a Susana que, tal como a Garbo, talks!

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NOSSAS WEBSÉRIES: ETAPA 2

»Públicado por em set 8, 2016 | 2 comentários

A Casa Aguinaldo Silva de Artes lançou um desafio aos roteiristas das Master Classes 3 e 4 (Serra Fluminense e São Paulo) para que nos enviassem sinopses para webséries em duas categorias: humor e suspense, a serem produzidas pela CASA em Janeiro e Fevereiro de 2017.

A data limite de envio do material se encerrou no dia 05 de Setembro. De um total 69 alunos que poderiam participar recebemos 87 sinopses. Vale destacar que boa parte dos alunos concorreu formando equipes entre eles. A taxa de adesão à convocatória superou os 90 por cento.

Iniciamos  hoje uma segunda etapa, que se encerrará no dia 03 de outubro: a leitura e a avaliação para pré-selecionar três sinopses de cada gênero. Na terceira etapa os selecionados deverão enviar o roteiro dos três primeiros capítulos de cada websérie. Uma banca de leitores irá selecionar o melhor roteiro de cada gênero (humor e suspense) e, como prêmio, a websérie será totalmente produzida e realizada pela CASA com requinte.

As webséries devem ter um total de 10 episódios de até 07 minutos cada um e, repetimos, serão produzidas entre Janeiro e fevereiro de 2017. Elas ficarão hospedadas no canal da CASA no Youtube e serão lançadas com ampla divulgação na mídia.

O elenco de cada uma delas será formado obedecendo aos seguintes pré-requesitos:

– Um ator de grande expressão será convidado a participar da websérie e toda a complementação do elenco será confiada aos melhores atores do Curso Livre de Atuação Aguinaldo Silva*. Estes serão selecionados através de testes, levando em conta o desempenho ao longo de todo o Curso.  A Equipe de Produção será de primeiríssima linha.

 O objetivo principal deste projeto é oferecer oportunidade e visibilidade aos melhores talentos dos nossos cursos, entre roteiristas e atores. E o critério de seleção será o mesmo utilizado em todos os nossos trabalhos: o mérito e a capacidade colaborativa.

Abaixo segue o cronograma das atividades:

 Divulgação dos pré-selecionados: 03 de outubro de 2016.

Prazo para envio dos três capítulos: 24 de outubro de 2016.

Divulgação final dos dois trabalhos selecionados: 21 de novembro de 2016.

Seleção do Elenco – Dezembro e Janeiro de 2017.

Demais etapas, incluindo a produção serão discutidas com toda a equipe.

Atenção: não haverá pagamento de cachês para roteiristas e atores, já que as produções serão financiadas pela CASA e disponibilizadas ao público gratuitamente. No entanto, havendo oportunidade de comercialização futura, os envolvidos terão direito à participação nos lucros.

Equipe Julgadora:

– Aguinaldo Silva

– Fco. Patrício

– Luíz Nicolau Jr.

– Júlia Carrera

– Virgílio Silva

– Julio Kadetti

– Silvestre Mendes

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O HOMEM DAS 35 MIL ENTREVISTAS

»Públicado por em set 7, 2016 | 3 comentários

 

Chama-se “A vida é uma festa” é a biografia de Amaury Jr. feita pelo jornalista Bruno Mayer contando seus mais de 35 anos de carreira. Mas, ao contrário do título, a vida de Amaury de Assis Ferreira Junior, nem sempre foi regada a glamour, como se verá na entrevista a seguir.

entrevista de Sandra Paulino

fotos e vídeo de Luiz Nicolau

Nascido e criado em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, assinou coluna em jornais da cidade, fundou sua própria publicação e faliu. Por insistência da família, formou-se em Direito, mas não levou a carreira a sério. Mudou-se para capital paulista, dormiu em quitinetes, foi repórter de rua, entrou na TV Tupi e a viu fechar. Passou por emissores como Record, Bandeirantes e hoje mantém seu programa na Rede TV. Contabiliza cerca de 35 mil entrevistas, milhares de coberturas de festas e viagens. Considerado o pioneiro do colunismo social eletrônico, levou para a casa de milhões de brasileiros a vida privada da mais alta elite brasileira. 

Amaury agora tenta se renovar e encara com naturalidade a mudança na sociedade: “Hoje vale mais uma entrevista de quem tem conteúdo, talento, do que dinheiro no bolso”, afirmou Amaury. O jornalista nos recebeu em sua produtora, a “Call Me Produções”, no Centro da capital, e inaugura as entrevistas do Portal Aguinaldo Silva, em São Paulo.

 Amaury Jr. advogado e jornalista, como e quando começou sua paixão pelo jornalismo?

Eu, na verdade, sempre fui jornalista mas meu pai nunca considerou a profissão promissora para o seu filho. Por isso me formei em Direito e vim a advogar por pouco tempo para agradar meu pai. Mas já estava militando no jornalismo. Na verdade, meu pai foi preponderante na minha vida. Ele era um filólogo, professor de português, dedicado às palavras aos dicionários, ofender a língua portuguesa, para ele, era ofender a Deus, mais ou menos assim. Nos almoços na minha casa só se falava em próclises e mesóclises. Ai de nós se falássemos alguma coisa errada. Então, eu fui criado dentro desse ambiente e o melhor de tudo: ele me obrigava a ler um livro por mês e não adiantava fingir.

Naquela época, adolescente, eu queria mais era sair, me divertir, namorar, mas tinha essa obrigação mais a obrigação dos bancos escolares, então era uma sobrecarga muito grande. Passei longos períodos contando ao meu pai o livro que tinha lido e detestando aquilo. Mal sabia eu que a leitura se tornaria a coisa que mais gosto de fazer e foi justamente, essa prática que me deu subsídio para eu poder militar como jornalista tanto na imprensa escrita quanto televisiva.

 E como começou a atuar na comunicação?

Nós fazíamos lá no meu colégio um jornal mural – aquele mural enorme onde você podia colar recortes com alfinetinhos. Cada classe selecionava recortes de revistas, de jornais, que considerava mais importantes e eu era o responsável da minha classe por isso. Eu ficava espiando na hora do recreio como eram as aglomerações na frente dos jornais e o meu era o mais concorrido. Eu ficava muito orgulhoso, falava: “puxa, aquela piadinha que eu colei estava fazendo meus colegas rirem. Aquela notícia que eu selecionei está conseguindo sensibilizar o pessoal”. E isso faz você ficar desperto que aquela rudimentar forma de comunicação. Como eu lia muito, tinha um bom texto. Ai me convidaram para fazer uma coluna no Diário da Tarde de São José do Rio Preto. Era a Coluna do Estudante e cobria o universo estudantil.

 Nessa época você a tinha 14 anos.

E minha coluna que era voltada ao universo estudantil e, eu nem sei porquê, acabou virando uma coluna social. Chegava uma menina bonita que vinha de São Paulo para visitar Rio Preto a gente tirava uma foto e escrevia uma legenda. Até que a gente começou a questionar as atitudes do prefeito, as coisas da cidade, o buraco da rua, etc. e eu, colunista semanal, virei jornalista diário.

 E como foi sair de Rio Preto e vir para capital?

Fiz de tudo um pouco em Rio Preto. Eu tinha uma empresa de promoções, fiz cine-jornais – aquele documentário que passa nos cinemas antes do filme principal… Disputamos o certificado de categoria especial com um documentário chamado “Sossega coração” em parceria com José Hamilton Ribeiro sobre a primeira cirurgia de implante de ponte de safena, e outro chamado o “Gol dos 100 anos”. Ai fundei um jornal chamado “Dia e Noite” que tinha como chefe de reportagem José Hamilton Ribeiro e esse jornal foi um sucesso editorial mas um fracasso comercial. Quando a coisa acabou, José Hamilton veio para a TV Tupi que estava começando um novo departamento de jornalismo e sugeriu o meu nome.

 

 E a sua vida em São Paulo?

Eu era vice-rei em Rio Preto e virei um repórter de rua da TV Tupi – e foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida – porque eu mal conhecia São Paulo.

 E nessa época a TV estava acontecendo

Na verdade a Tupi estava fazendo uma renovação importante em que ela transformava os jornalistas em apresentadores. Antes o apresentador era o cara com uma ótima voz, uma boa aparência e que lia os textos. E o que aquela geração queria, comandada pelo Sérgio de Souza, o diretor de jornalismo, era criar telejornalistas. Como eu fiz televisão em Rio Preto tinha desenvoltura, tinha mais o jeitão da televisão. E foi nessa que eu embarquei num momento importante do jornalismo de renovação na TV Tupi. O Mauro Salles era o diretor geral das Associadas e eu fiquei muito tempo como repórter de rua sem conhecer São Paulo. Foi uma escola muito legal, mas eu nunca perdi aquilo que fazia em Rio Preto que era coluna social. Porque a coluna social desabrochava no Brasil depois de Jacinto de Thormes, Ibrahim Sued, ai apareceu Zózimo  Barroso do Amaral, que deu o atual formato da coluna social brasileira.

Quando a Tupi fechou  fui pedir emprego no Diário Popular. Mostrei o que já tinha feito, mas demorou até acharem que eu merecia uma oportunidade e me deram uma coluna diária. Eu já estava na noite, cobrindo a noite, conhecendo pessoas e ai fui convidado para trabalhar em um grupo de rádio, na Rádio Gazeta da Fundação Cásper Líbero. Eu estava perto da televisão de novo, e aí tive a idéia de fazer a coluna social eletrônica. Não ia precisar falar muito,  a imagem falaria tudo. Comecei e não deu outra. Deu certo. O programa se chamafa Flash e durava só cinco minutos. Mas dali a pouco já estava com 25 minutos e não parou de crescer. Então fui para a Record e depois para a Bandeirantes que me deu projeção nacional. Fiquei lá por 17 anos, fiquei mais um ano na Record e estou hoje na Rede TV!.

 Você hoje é considerado o precursor do padrão de colunismo na TV. Quando começou já esperava isso?

Não, nunca pensei que seria tão festejado por causa disso. Foi uma coisa que aconteceu. Era tão evidente, aquilo que fazia sucesso nos jornais, fazia num programa de televisão. A coluna social sofreu muito preconceito na época, porque só privilegiava os ricos as pessoas muito famosas. Hoje não, hoje privilegia talentos mais do que o que a pessoa carrega no bolso. Aquilo tinha, de qualquer forma, parar na televisão. Não fosse eu, outro faria porque as festas eram abundantes, São Paulo vibrava. Eu estou falando de final da década de 70 início da década de 80. Tinha no Brasil uma geração de ricos que gostava de se expor, não tinha nenhuma vergonha de dizer que tinha dinheiro. Hoje é o contrário. As pessoas têm dinheiro e não querem que ninguém saiba e nem querem se expor tanto. Até brinco que as festas estão rareando. Hoje sou muito mais convidado para ir em festa tomar um bom uisque, mas  não para fazer reportagem, porque as pessoas não querem mais se expor.

Então mudaram bastante as coisas desde o seu início no colunismo.

Mudaram. Lembra lá atrás, na época dos seqüestros? Sequestraram Washington Olivetto, o irmão do Mauro Sales e ai a violência foi aumentando, as pessoas começaram a se retrair, a ficar com medo de sair às ruas, a vida social também começou a murchar. Eu diria que a violência brasileira, que cresce cada vez mais, tem papel fundamental nessa história das pessoas se recolherem.  Por que vou ficar me mostrando nas colunas sociais? Por que tenho muito dinheiro? Pra quê? Pra ser assaltado? Virar alvo para os bandidos? E aí acabou toda aquela espontaneidade, aquela alegria que existia antes.

 

 E o que São Paulo te proporcionou?

Eu brinco assim: “Eu odeio amar São Paulo”. Porque a gente ama essa cidade. Essa cidade me deu tudo. Me deu o respeito, que eu queria, me deu guarita para eu poder desenvolver meu trabalho – porque parece que coluna social é uma coisa pueril e não é. Eu até digo que esses meus 40 anos de militância eu acho que, se eu fizer um grande livro, que eu pretendo fazer, é um tratado sociológico que mostra o comportamento das pessoas, a evolução das décadas, o que se pensava, um monte de coisa. São Paulo foi muito generosa comigo. Claro que trabalhei muito.  Eu viajo mundo todo, meu programa que me proporciona isso, poder conhecer o mundo todo, mas não consigo deixar minhas raízes que estão no Brasil, em São Paulo hoje e continuam um pouquinho lá em Rio Preto.

 Você tem no seu currículo mais de 30 mil entrevistas. Tem aquela entrevista que você gostaria de fazer ou aquele entrevistado que ainda te surpreende?

Eu ia muito atrás de celebridades, de famosos. Nunca entrevistei a Marisa Monte, nunca deu certo. Entrevistei o João Gilberto, fazia 20 anos que ele não falava e não falou até hoje É a entrevista que mais considero. Aconteceu não  por minha insistência, foi uma coisa natural. Mas acho que as pessoas que surtem efeito na televisão são aquelas que me dão bons assuntos, boas histórias. Não precisa ser nacionalmente conhecidas.

Tem uma teoria segundo a qual assim que você começa a entrevistar gente que não é nacionalmente conhecida seu programa perde importância. Eu não penso assim. Acho que qualquer pessoa que tem uma boa história para contar interessa ao público.. Então, hoje a gente busca muito mais talento do que esse universo de atores de novela,  estou muito interessado nos anônimos com boas histórias para contar.. Esse é nosso mote hoje.

 A TV está mais democrática?

A TV está esquisita demais. Eu não gosto muito de falar nisso, porque a minha audiência me satisfaz muito, contudo, acho que a TV aberta produz hoje o que o público pede e o público é deseducado. Não podemos dizer que o Brasil hoje é educado porque não o é. Porque os governos pecaram, não deram sustentabilidade para a educação, professores ganham mal, portanto, não podem ensinar. Então, isso tudo vai minando a genética. E ai como é que se faz televisão? Tem que ir atrás de sua audiência.

Como bem disse Aguinaldo Silva, o  mais importante para ele é a audiência da novela. A ponto de ele se magoar, às vezes, por ter que descer o patamar. Como meu pai era um filólogo, de vez em quando, tenho que mudar meu palavreado porque aprendi coisas que ninguém entende. Já ouvi coisas assim em televisão: “ô,, como é que você fala isso! Ninguém vai entender! Fala simples”. Aí eu lembro do meu pai. Acho que a educação é a base de tudo. Se você conseguir fazer com que as pessoas tenham melhores horizontes, melhor compreensão, a televisão vai ter que acompanhar esse nível.

 E quais são as perspectivas para você estar sempre se renovando?

Eu tenho que me renovar todo ano. Estou há quase 40 anos no ar e a minha maior preocupação é justamente agregar sempre públicos mais jovens perto de mim, por isso, estou sempre antenado. Mudo daqui, mudo de lá. Tenho quatro repórteres que trabalham comigo, muito jovens, tenho colunistas que fazem participações especiais… Acho que estou acompanhando o andor dos tempos.

 

Veja no vídeo abaixo

os momentos mais impactantes

da entrevista de Amaury Júnior



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“AQUARIUS” NO AQUÁRIO

»Públicado por em set 6, 2016 | 1 comentário

 

É um erro querer transformar um belo filme

num ato político. Ele não precisa disso.

Não, eu não vou boicotar Aquarius. Tanto não vou que já fui ver o filme – de chapéu e óculos escuros, para evitar que algum fanático me reconhecesse e me expulsasse do cinema aos gritos de FACISTA.
E não, eu também não vou entrar nesse barato de quem andou fumando uns e outros segundo o qual ele é um filme, primeiro, político, e segundo, uma metáfora sobre “a resistência da companheira Dilma aos golpistas”.
Não, quereeedos, Aquarius é apenas um filme que eleva o nível do que se faz atualmente no cinema brasileiro. Ou seja, é um bom e sincero filme, tem uma personagem forte, uma história de fácil compreensão, uma pegada quase popular, sem firulas, sem apelos à gracinha fácil… E uma atriz que depois de muitos anos encontra de novo uma personagem digna deste nome e mostra o que pode fazer diante de uma câmera.
Não, eu não achei que Aquarius é uma obra prima, não é; o cinema brasileiro não as produz há muito tempo, o cinema como um todo, incluindo o americano, também não as produz mais… Mas gostei muito do fato – este sim, relevante e o seu maior mérito – de que o filme quebra a corrente dos filmarecos nacionais que atualmente arrastam milhões de pessoas ao cinema para ver as mesmas caretas dos mesmos atores e atrizes e as mesmas piadas de mau gosto.
Não adianta os que torcem para que Aquarius deixe de ser apenas um filme para se transformar numa bandeira dizerem que em sua primeira semana o filme foi um grande sucesso. Não foi.. Ele não será um blockbuster, mesmo porque não foi feito para isso. Terá um público restrito, mas de extrema qualidade, e isso é o que importa. O resto… É como disse o outro naquele outro filme, uma das últimas obras primas do cinema: “é Chinatown, cara, só isso!” Ou seja: é apenas um bom filme, que, sim, merece ser visto.
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CHEGA DE BAIXARIA!

»Públicado por em set 4, 2016 | 5 comentários

 

Não costumo bloquear nos meus espaços virtuais os que discordam de minhas opiniões. Leio todos e a todos respeito. Mas quando um pervertido usou como argumento contra mim a frase: “você continua cagando pela boca” eu decidi bloqueá-lo. Não porque ele discorda de mim, mas por ser uma pessoa baixa, indigna, pusilânime, e isso não tem nada a ver com Fora Dilma ou Fora Temer ou qualquer opinião política. Independente de nossa postura em relação ao momento por que passa o país, nós, pessoas que não perdemos o senso, temos que nos unir e lutar contra essa baixaria que aos poucos está dominando a discussão e que se torna cada vez mais violenta… Ou ela vai se sobrepor a todos nós e então tudo que nós dissermos ou fizermos, bem como nossa esperança de ver o Brasil de alguma forma encontrar de novo o seu eixo perderá o sentido.

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POSSO SENTAR NO SEU COLO?

»Públicado por em set 3, 2016 | 4 comentários

 

Fã confunde autores e é vítima de piada

                                                         Eu… Aliás, Walcyr Carrasco… 

                                                                       …Aliás, Gilberto Braga!

 

Esta eu tenho que contar pra vocês, porque é mesmo muito engraçada. Ia eu a caminhar por uma das ruas mais movimentadas daquela cidade serrana (como é mesmo o nome dela? Friburgo, Teresópolis, Domjoãosópolis… Esqueci!) quando um carro freou espetacularmente ao meu lado, o motorista abriu dois dedos do vidro protegido com insufilm da cor da asa da graúna e gritou empolgado:

“Walcyr!”

Uma senhora, que ia passando e ouviu o sujeito gritar, olhou para mim, depois para ele, e ficou lá a observar a cena muito atenta.

Quanto a mim, parei e fiquei a olhar para o sujeito, que prosseguiu, todo feliz da vida por ter abordado em plena rua quem ele supunha ser o autor do megasucesso Eta Mundo Bom:

“Posso tirar uma foto contigo, Walcyr?”

E eu respondi com a cara mais séria:

“Pode tirar, sim… Mas só se for comigo sentado no seu colo”.

Ah, mas vocês precisavam ver a cara de decepção do sujeito, que, mesmo assim, ainda tentou argumentar:

“Mas Walcyr, eu sou espada!”

Ao que o falso Walcyr – quer dizer, euzinho, rebateu na bucha:

“Sem problema! Ninguém é perfeito, quereeeeedo…”

O sujeito ficou lá, por um instante, não sei se considerando a possibilidade ou paralisado de horror, quando a senhora se aproximou do carro e falou com ele:

“O senhor se enganou, moço, esse aí não é o Walcyr Carrasco!”

Ele lhe perguntou: “então quem é?”

E ela, na bucha: “o Gilberto Braga!”

Ao que o sujeito fechou o vidro e saiu cantando pneus, louco para contar essa história a Deus e o mundo enquanto eu caía na mais diabólica de todas as gargalhadas.

Estou rindo até agora. (Aguinaldo Ruy Barbosa)

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DEPRESSÃO, ESSE BODE PRETO

»Públicado por em ago 30, 2016 | 8 comentários

PRÓXIMA ENTREVISTA JÁ ESTÁ NO FORNO!

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Vocês conseguem imaginar a esfuziante, cintilante Lara Simeão Romero sofrendo de depressão? Nós não conseguimos. Mas o fato é que há pouco tempo ela passou por uma depressão braba, dessas que derrubam até o vírus da zika, e agora conta para nós como foi que conseguiu dar a volta por cima no artigo abaixo.

Meu adorado Renato Russo já cantou que “nos perderemos entre monstros da nossa própria criação”. E mesmo sabendo  que “ninguém de perto é normal” ainda é difícil reconhecer que padecemos de alguma doença psicológica, e mais difícil ainda procurar ajuda especializada

O sentimento de vergonha e o medo do que os outros vão pensar ainda prevalece numa sociedade que paradoxalmente  apresenta altas taxas de indivíduos com as mais diversas “doenças da alma”, ou seja, transtornos de ansiedade, síndrome do pânico,  bipolaridade, depressão e etc.  Para muita gente, psicólogos e psiquiatras são para doidos varridos, loucos de marré de si e malucos em geral. 

Como para tudo há uma primeira vez eis que coisa de dois anos atrás fui invadida por uma tristeza sem fim e sem explicação aparente, o que piorava ainda mais a situação, pois uma pessoa deprimida odeia  a pergunta “por que você está deprimido?”.  Depressão não tem uma causa concreta ou específica.  Depressão é como o tempo, ou melhor,  é como o mau tempo, simplesmente acontece independente da sua vontade. 

E eu fiquei  esperando que esse mau tempo passasse. Afinal de contas uma fã de Lulu Santos pensa que “tudo passa, tudo passará”, não é verdade? O tempo passou, mas a constante sensação de “nada sentir”, a constante vontade de “fazer nada”,  a persistente sensação de tristeza, tudo isso e um pouco mais não passou. 

Abre parêntesis. Não confundir depressão com tristeza. Tristeza vem e vai e tem uma razão ou motivo de ser. Não ter vontade de trabalhar, não ter energia pra conversar com determinadas pessoas  ou preferir sua cama a uma festa?  Isso é normal.  O que não é normal é não gostar de trabalhar e não gostar de não trabalhar; não ter mais vontade de fazer coisas que até ontem te davam prazer e alegria;  não ter disposição para falar com ninguém e sobre assunto algum – e no meu caso – não ir ao salão de beleza semanalmente, não ir ao cinema, não ler aquele livro,  falar pouco, rir quase nunca e não mais gargalhar. Fecha parêntesis.

Eu sempre fui da opinião de que ao sentir-se doente a solução óbvia é procurar um bom médico, né não? Dor de dente? Dentista. Uma mancha na pele? Dermatologista. Dor na alma? Psiquiatra, estúpida!  

Assim que depois de dormir até as 17:00 horas de um belo domingo de sol  em que me vi assistindo um programa argentino chatérrimo, com as unhas horríveis, os cabelos sem brilho e após ter dito não a uma festa tipo “ viva os anos 80”, nessa hora acordei pra Jesus,  acordei pra Chico Xavier e pra Iemanjá. No dia seguinte marquei consulta com o psiquiatra. 

Ai começou a verdadeira epopeia: encontrar um psiquiatra que inspirasse confiança e bem-estar.  No primeiro profissional que fui e respondendo a  várias perguntas, eis que o dito-cujo indaga sobre minha situação financeira e minha resposta foi que não estava a beira da falência, mas que eram tempos de “vacas magras”. Acreditem que o comentário do médico foi “tenho um amigo na mesma área que você e ele está em excelente situação econômica”. Redundante dizer que fechei a cara e fui procurar ajuda em outro lugar.

Na segunda tentativa cheguei num consultório com incensos, com uma ambientação Zen e uma médica com uma voz tremida igual a daquela mulher que vende iogurteira na TV.  A criatura começou a consulta com um “sou absolutamente contra remédios” e continuou sugerindo pilates, ioga, aromaterapia e coisas do gênero.  Sai daquele consultório fumacento meio zonza numa espécie de overdose de incensos e continuei minha busca por ajuda especializada.

O resto é chato e protocolar, porém com final feliz. Encontrei um bom profissional, estou melhor e curada daquela apatia que era como um pesadelo ao contrário e de ponta-cabeça: num mal sonho você quer acordar e sair da fantasia que te angustia. Na depressão você quer permanecer dormido e não acordar num pesadelo que é um novo dia. 

Não existe uma receita magica. Às vezes um remédio resolve, outras vezes uma terapia é a solução, muitas vezes o melhor é uma combinação dos dois. E definitivamente reconhecer o problema e procurar ajuda é o princípio da cura. (Lara Simeão Romero)

 

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